embora você carregue um nome bíblico, João, suas atitudes se assemelham a Judas. e isso não é louvável
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@enfimnofim
embora você carregue um nome bíblico, João, suas atitudes se assemelham a Judas. e isso não é louvável
morro nos lábios dela e ressucito no meio das pernas.
é uma guerra.
sempre que eu for falar de amor, eu vou ter que falar sobre você.
queria amar como brisa leve do final da tarde, mas meu amor é um animal selvagem ferido.
Vanessa Gomes, voarias.
Se eu te falar que minha cama dobrou de tamanho sem você aqui, você acredita? Porque é isso que sinto todas as noites. O espaço que costumava ser tão pequeno para nós dois, agora parece um deserto de solidão. O silêncio que antes era preenchido pelo som da sua respiração agora ecoa com a ausência de suas palavras. Eu me pego esticando a mão para o lado, esperando encontrar seu corpo, mas tudo o que sinto é o frio vazio das cobertas. E me pergunto como é possível um colchão parecer tão vasto quando o que falta é tão pequeno – apenas você. É engraçado como a presença de uma pessoa pode encolher o mundo e, de repente, a ausência dela faz tudo parecer enorme demais para suportar. Minha cama, meu quarto, minha vida... tudo parece grande demais, vazio demais, sem você aqui.
- Martina Orsini.
eu tenho dificuldade em perdoar minhas falhas,
eu me culpo o tempo todo.
eu tenho dificuldade em perdoar minhas falhas,
eu me culpo o tempo todo.
Não se abandone.
Tu queima meus neurônios
e se fixa persistentemente nos meus pensamentos.
Algumas vezes não te entendo,
mas o que é a vida sem um pouco de loucura,
sem um pouco de surto às vezes?
Pode me foder, mas que seja com vigor
na cama ou na mesa
Mas fica, mesmo de cara fechada, mesmo depois da briga, mesmo no silêncio.
Nanda Marques.
“Me lembro quando você disse que eu não sentia absolutamente nada. Só queria que soubesse que “o cara que não sente nada”, chorou a noite inteira por você.”
— Descriar.
eu tô lendo um livro sobre chernobil e nele tem relatos de algumas vítimas que sobreviveram ao desastre nuclear que destruiu todo vestígio de vida que existia ao arredores da cidade
nele consta todos os níveis de radiação e durante quanto tempo essa radiação vai existir por lá, no mundo inteiro.
eu às vezes me sinto como uma bomba nuclear, e eu sei que pode ser muito egoísmo da minha parte comparar meu sofrimento com toda a dor causada por alguns minutos, minutos que destruíram sonhos, famílias, minutos que destruíram anos,
mas eu tenho esse medo absurdo de explodir repentinamente e sair devorando tudo que tem ao meu redor, e assim como chernobil destruir vidas inteiras por conta de alguns segundos de instabilidade
o mais engraçado disso tudo é que existiam três reatores, o nome do que explodiu era abrigo,
e isso eu nunca vou chegar a ser.
Nessa troca impiedosa onde sua alma quis fazer morada em meu corpo e meu corpo quis devorar sua alma, nossos corpos pegam fogo.
Eu sou um simples pedaço de madeira que com qualquer coisa inflamável, incendeia. Ela é gasolina e sabe a medida certa para dominar meu ser e incendiar minha vida.
A gente é meio louco, sabia? Ela é uma mistura de querer com não podia. Queria rasgar minha roupa, mas tinha medo do quão prazeroso isso poderia ser no decorrer de sua vida. Queria desvendar meus gostos, mas tinha medo de meu gosto não merecer um dia.
Talvez o fato de ela está sempre em cima do muro seria a forma mais singela de dizer; eu te quero tanto, mais tanto que um dia vou inventar alguma paranoia para a gente nunca mais se vê. Já eu tocava seu corpo sem pensar nas demais coisas que poderiam acontecer.
Queria tanto que a gente continuasse feito louco, mas não só por nossos corpos, pois essa futilidade poderia gerar insatisfação na nossa forma de viver.
Queria a gente feito louco, querendo saber um do outro, tentando ajudar um ao outro e principalmente deixando as coisas fluirem além da nossa imensurável vontade de fuder.
Mas uma dia tudo isso não vai passar de uma rotina cansativa e quem sabe nem lembranças dessa paixão possa restar em nossa retina.
Mas antes que isso vire uma tragédia, quero imortalizar nosso momento com a mesma intensidade que trocamos olhares antes mesmo de nos pertencer.
@luizmchd
louça suja
eu poderia escrever um poema sobre como meu término com fernando ainda me afeta mesmo após anos ou sobre como o menino que eu conheci no tinder semana passada usa meias legais ou até mesmo sobre as vezes em que eu jurei que não sairia com ninguém de novo, mas eu vou falar sobre liberdade
talvez você pense nisso como um desabafo, mas é como eu quero que você entenda, justamente porque é tem sido uma semana pesada e meu pulmão já tem pedido arrego graças às sete cartelas fumadas ao longo da mesma. uma por dia, às vezes uma em uma hora. cada tragada variava de acordo com meu nível de estresse - igual o meu humor
parte da seca que havia ocorrido no rio javés se instalou em mim, mas com o título de “cansaço”, porque eu queria chorar, eu juro que queria, e até conseguia, mas o cansaço cessava cada gota que poderia vir a escorrer em minha face porque o esforço para elas caírem, embora não fosse muito, doía
ontem a noite eu briguei com meu pai e há dois dias a pia está cheia de coisa: panelas, copos, pratos, vasilhas e talheres. todos implorando por uma mísera gota de detergente e dignidade. o fogão está com leite que derramaram porque colocaram para ferver e esqueceram de observar. o piso está inundado por óleo e a casa, você pode notar, está repleta de marcas de sapatos, pés e areia porque, para os homens da casa, a limpeza e a organização é algo difícil a se fazer
você ainda deve estar se perguntando o que o título tem a ver com o texto e o que liberdade tem a ver com isso tudo. certo? eu irei contar
desde os cinco eu fui criada por e com homens. eu, meu pai e meu irmão mais novo. desde os cinco eu esqueci o que era infância para tentar ser a mãe que a minha mãe não foi para mim e meu irmão, para que ele pudesse viver a infância dele como uma criança de verdade mas eu esqueci que eu era criança também e eu me esqueci que desde cedo eu aprendi que todas as fases da nossa vida são importantes, a infância principalmente, pois graças a ela adquirimos nosso senso de mundo, por assim dizer
isso me faz falta nos dias de hoje. eu não sei quem eu sou, o que eu sou e o que eu sei fazer, muito menos o que eu quero fazer
fui criada com base em situações machistas a ponto de aceitar, perturbadamente que, por eu ser mulher, é a minha função de obrigação deixar a casa limpa, a pia sem nenhuma louça, a roupa dobrada e a comida feita já tive ataques de pânico por ter passado um final de semana fora, tendo deixado a casa organizada e, ao voltar, a observar extremamente caótica eu me ajoelhei no chão, chorei por horas, horas, me agredi e me mutilei com mordidas até tudo passar e quando passou, para organizar cada centímetro da casa, eu fiquei três noites acordadas, sem pausa, arrumando o que pudesse arrumar
ontem eu briguei com meu pai e a pia está há dois dias cheia de louça suja, mas hoje isso não está me afetando. eu tô aprendendo a ter local de fala e aprendendo que eu ser mulher nunca significou ser capacho ou dona do lar
e eu sei que minha liberdade para a vida vai partir daí, pois ela sempre dependeu de mim e eu finalmente dei um pontapé