Eu tambĂ©m sei ir embora. As pessoas esquecem disso, como se eu tivesse sido feita para permanecer onde nĂŁo sou tratada com cuidado. Mas eu sei recuar, sei fechar as portas que abri com as prĂłprias mĂŁos, sei deixar para trĂĄs o que nĂŁo me sustenta. E se isso dĂłi â e dĂłi â eu ainda assim permaneço firme, porque aprendi que nĂŁo posso diminuir a minha intensidade para caber no raso de ninguĂ©m. Eu ofereço tempo, presença, profundidade⊠e quando percebo que meu esforço Ă© recebido com indiferença, algo dentro de mim simplesmente se endireita. Eu me ergo. Eu me recolho. Eu sigo. Porque eu tambĂ©m sou perda, das que deixam um silĂȘncio pesado, das que fazem falta de verdade. E eu nĂŁo corro atrĂĄs de quem nĂŁo sabe lidar com a força que carrego. Minha chama Ă© alta demais para quem sĂł conhece a tibieza. Eu mereço ser vista e nĂŁo vou aceitar menos que isso.
Preludear





















