22.08.2020
Certo dia, uma amiga me criticou dizendo que era impossível alguém ser de centro, já que algo semelhante era como chegar ao estado do Nirvana. Numa outra ocasião, um colega me fez uma critica um pouco mais moderada, dizendo que eu me encontrava em cima do muro, sendo alguém de opiniões rasas.
Mas preciso admitir que, de fato, é preciso um certo esforço para alcançar um equilíbrio de ideias; com um porém, esse equilibro está longe de ser o Nirvana.
Eu sempre me vi como um liberal, e acho que ser de centro é ser alguém a favor de uma liberdade correta, aquela que preserva as liberdades individuais. Ou seja, a minha liberdade acaba quando a do próximo também acaba.
Exaltar liberdades econômicas e liberdades de expressão social é um elemento só, único. Ambos são liberdade, não há liberdade pela metade, e se for pela metade então não se chama liberdade.
Obviamente, falar numa liberdade absoluta é um assunto que custa caro num país onde o termo democracia é tão recente. Não me surpreende ver alguns se apropriarem da chamada liberdade para exaltar propostas excludentes. Sim, o nome liberdade é um nome bonito, chique, atraente.
Ser um liberal não significa ser uma pessoa que usufrui de todas as liberdades. Uma pessoa pode ser perfeitamente a favor da legalização das drogas sem se quer ter experimentado algum tipo de substância na sua vida. Um homem pode ser absolutamente a favor do aborto sem ao menos saber os dilemas que levam uma mulher a faze-lo. Ser a favor de liberdades individuais significa ser a favor da liberdade do próximo. Não existe altruísmo maior. É preciso largar o egoísmo para isso, e este é o tal esforço que eu citei acima.
Enquanto a guerra de narrativas briga por enfiar goela abaixo as ideias de um e as ideias de outro, então governos populistas de esquerda e de direita continuarão a existir. Enquanto o povo permanecer dividido e não se unir pela liberdade do próximo, então governos corruptos continuarão a nos roubar. Só é possível enganar um sociedade que se encontra dividida.
Por isso eu encerro essa nota dizendo o seguinte: ser de centro não é ser alguém em cima do muro, e sim alguém cujo objetivo é derrubar o muro. Simples assim.











