Acordo eufórico, tive mais um sonho essa noite,na verdade lembro-me vagamente dos detalhes, como das outras vezes, porém consigo lembrar do mesmo rosto que tem me tirado o sono e atormentado minha mente ultimamente.
Levantei agitado, arrumei a cama rapidamente, estava urrando de fome, mas não encontrei nada pra comer na geladeira, nem sei cozinhar, então resolvi tomar meu breakfast na Borgin & Burkes Coffee,é só o tempo de por uma roupa apresentável e pegar umas moedas que estavam em cima da mesa, espero que seja o suficiente, hoje em dia não se aceita mais lavar pratos !
Desço as escadas do prédio em pares para ganhar tempo.Vou á Borgin & Burkes Sempre que posso,é um dos melhores cafés da cidade,além de ficar na esquina do meu quarteirão.Chego,antes de entrar paro um instante à porta e olho o relógio, já são quase 6:00.Empurro a pesada porta de vidro e madeira,sai um ar quente de dentro,correndo pra me abraçar,e todo mundo se vira chateado com quem deixou o frio passar.Entro e logo em seguida cumprimento a linda moça dos olhos castanhos do outro lado do balcão e lhe peço o de sempre (uma xícara de café forte + 2 torradas com chocolate), não havia mesa livre,como de costume, então me sento num desses bancos altos e desconfortáveis, contudo esqueço o incômodo na simpatia da moça do outro lado do balcão.
- Seu pedido Sr – Diz à medida que me lança um largo sorriso.
- Ah,obrigado ! – Sorri-lhe de volta com a mesma simpatia,bobo como uma criança,o que nunca deixei de ser.
Estava bem quente o café,então pego com cuidado para evitar possíveis acidentes,mexo-o com a pazinha de madeira.Tomava meu café e observava os passantes do lado de fora do café através das paredes de vidro,e a luz do sol adentrando o recinto.Encaro-as sorrindo,com a timidez eu não me arreda,como quem não tem nada melhor pra fazer ou simplesmente para dar uma folguinha a tristeza que me alimenta como poeta e me serve de companhia quando todos vão embora.A maioria fica envergonhada e baixa a cabeça com um sorriso no canto dos lábios,outras simplesmente retribuem o olhar, neutras, contidas em suas máscaras,depois me ignoram, indo trabalhar, levar as crianças na escola, brigar pelo lugar no busão,etc.
Já tomei metade do meu café e acabaram-me as torradas,começo a pensar na vida,nos amores,ilusões e perigos.Pego um guardando e retiro do bolso uma caneta que sempre carrego,no caso de me surgir algum verso repentino, inesperado,e assim foi dito, escrevo o que não tenho coragem de dizer,o que tenho medo de demonstrar,poetizo todo sentimento que me fica preso à garganta,te escrevo versos que você nunca saberá que tinham vestígios teus.