No instante que a confrontou e viu a expressão que a loira portava em seu rosto soube imediatamente que suas desconfianças tinham fundamento e aquilo de fato o irritou. Detestava concordar com Solji, mas aquele tipo de coisa poderia de alguma forma sujar o nome de suas famílias caso viesse à tona todos os detalhes a cerca da morte de Yeeun. As mãos antes abertas contra o concreto da parede formaram um punho e bufou enquanto fechava os olhos lentamente; pela primeira vez desde o acontecimento estava nervoso. “ Eu sei que ficar flertando com você é mais divertido do que falar com uma morta, mas o assunto é sério Eunchae.” Não tinha o costume de chama-la pelo nome principalmente naquele tom usual. Seungho não estava para brincadeiras ou joguinhos como a coreana costumava fazer consigo.
“ É claro que falei e é por isto que estou aqui. Porque se ela não tivesse dito para mim que não a conhecia e jamais quis aquela garota na festa eu nunca teria sacado o que aconteceu lá.” Os punhos suavizaram e os braços distanciaram da parede, porém ainda se mantinha bem próximo da garota. “ E antes que fale alguma coisa eu tenho certeza que Solji não mentiu ao dizer isto.” A conhecia desde criança e uma coisa que ela não conseguia era mentir para Seungho e quando tentava o coreano percebia. Não tirava seus olhos da outra percebendo o modo como ficava ao longo da conversa e aquilo fazia sua mente borbulhar querendo respostas para suas perguntas. “ Você me envolveu nisso quando pediu que levasse a garota a festa e aquilo aconteceu…” Embora pensasse em pronunciar o restante daquelas palavras parecia ainda mais difícil olhando-a ali tão encurralada. Infelizmente sentia algo pela amiga e por isto estava tão preocupado com o assunto; embora negasse para si mesmo. “ Conte a verdade, pelo menos para mim.” Alcançou a mão feminina e sem larga-la continuou. “ Fez aquilo? De proposito? Era um plano para humilha-la? Foi você quem a fez ir até aquele penhasco? ” Falou baixo, mas não com medo que outros ouvissem e sim por estarem tão próximos.
Só fora preciso escutar seu nome sendo proferido de forma tão séria, para que voltasse a prestar atenção na conversa e manter o seu foco unicamente ali, ignorando os devaneios de sua mente. Fitou o rosto de Seungho brevemente, analisando suas feições. Estava confusa, mesmo que não fosse sua intenção expressar suas emoções, não entendia o porquê do mesmo aparentar tanto nervosismo sobre um assunto já “esquecido” e agir com descontrole. —— Isso é um assunto sério? Você não percebeu que, talvez, esteja exagerando um pouco? Seu ego está ferido ou o quê? —— Apesar de ter ciência que não era hora certa para brincadeira, não pode evitar em perguntar. Por um momento, as consequências de sua ação rodearam diversas vezes em sua cabeça, e tudo que ela mais queria era esquecer. Esquecer de tudo, principalmente daquela noite em específico.
Assentiu com a cabeça para a confirmação que já esperava; não era preciso pensar muito para saber como o mesmo tinha chego naquela conclusão. Era uma questão de tempo até ambos tocarem no nome de Yeeun e aquela dúvida pairar sobre eles. Só esperava que demorasse mais um pouco. Quase sorriu com a menção de mentir, uma ideia que outrora parecia tentadora, no entanto, não agora. Seungho já sabia, Solji já deveria saber, não tinha motivo para insistir em sua mentira. —— Vocês não tinham outro assunto melhor não? Eu não iria negar, é inútil fazer isso agora. —— Suspirou resignada, dando de ombros. Contudo, logo estreitou seus olhos, encarando o maior com raiva. Sua pose indo para o ralo no mesmo instante em que ouvira tal “insinuação”. —— O que você quer dizer com isso, hm? —— Puxou sua mão da outra com rispidez. Se sentia sufocada e irritada pela verdade sendo jogada na sua cara, principalmente por Seungho estar coberto de razão. —— Qual o seu problema, Seungho? Você quer que eu fale o quê? Sim! Eu menti para você, disse que foi a Solji e não era. Mas você realmente acha que eu iria incitar Yeeun a pular? Nem cheguei perto daquela garota. —— Diminuiu o seu tom, conforme reparava que havia levantado sua voz sem sequer perceber. Era frustrante sentir o seu autocontrole escapando de suas mãos tão facilmente, algo que desde criança aprendeu a ter e manter, entretanto aquela culpa parecia um empecilho no qual ela não conseguia ignorar. Respirou fundo, empurrando o corpo alheio com sua mão, querendo cessar a proximidade e esconder seu momento de vulnerabilidade. —— Eu não queria que ela morresse, nunca foi minha intenção... Isso o satisfaz?