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Exemplo de Marketing Digital que deu certo, a campanha da Vivo para o Dia dos Namorados mostra planejamento e execução impecáveis. É importante notar o alto investimento em uma campanha voltada exclusivamente para a internet. Para acompanhar as tendências, é necessário reinventar-se.
Salamacha - A criatividade é realmente um instrumento de diferenciação de uma empresa?
Fundamental
Com certeza a criatividade é a mola propulsora para a construção de um diferencial numa empresa. Ser criativo significa ter uma visão além da situação atual, enxergar aquilo que pode ser e não aquilo que é. Logo, a criatividade é fundamental para uma empresa. É dela que nascem os grandes negócios, as grandes inovações. O segredo é a criatividade ser sempre carreada com profissionalismo. Empresas que agem com criatividade e profissionalismo conseguem mesclar o impulso, a visão de futuro, com o raciocínio, com a lógica, com o entendimento de como as coisas devem ser feitas. Consciência da realidade
É o caso das empresas de alta tecnologia onde seus funcionários altamente criativos podem, e devem sim, tentar novas maneiras de fazer as coisas, contudo em todos os momentos são pressionados com perguntas sobre o tipo de serviço, ou produto que se pode oferecer ao mercado a partir da sua ideia criativa. É essa pressão que faz com que o profissionalismo esteja presente. O Cirque du Soleil, uma das maiores referências em entretenimento no mundo, sabe mesclar como ninguém o espírito criativo, a liberdade de pensar, com profissionalismo e com os pés colocados no chão do mundo dos negócios. Equilíbrio
Resumindo, todo gestor deve estimular a criatividade na sua equipe, porém não deve deixar que a criatividade mande no pensamento da empresa. Ela deve estar a serviço da empresa e não a empresa a serviço da criatividade dos seus funcionários.
Prof. Salamacha - Como a alta gestão pode usar a criatividade dos funcionários como um diferencial para sua empresa?
Professor Luciano Salamacha é mestre em Engenharia de Produção pela UTFPR, com MBA pela Fundação Getulio Vargas, especialista em Gestão Industrial pela Universidade Tecnológica Federal do PR, e Advogado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa-PR. Está se doutorando em Administração pela UNAM - Universidad Nacional de Missiones - Argentina. Integra o grupo de pesquisa do CNPQ -Promoção da Inovação Tecnológica nas Organizações-. É colunista para área empresarial para diversas emissoras da Rede CBN de Rádio e também ara a Rede Record no Paraná e TV Bandeirantes em Curitiba - PR. É autor dos livros "Salve-se quem souber .. conhecendo os caminhos do mundo empresarial" e "Seja diferente - seja promovido" além de artigos científicos publicados no Brasil e no exterior.
Essa semana, o Prof. Salamacha está na FAN-FGV em Maceió ministrando a disciplina Projeto Integrado de Negócios, para a turma 16 do MBA em Gestão Empresarial. Ao longo da semana, iremos postar uma série de artigos do Prof. Salamacha relacionados à criatividade dentro da empresa - diferencial importante que precisa ser reconhecido e gerido.
Vamos ver com o professor Como a alta gestão pode usar a criatividade dos funcionários como um diferencial para sua empresa?
Sem esquecer a responsabilidade
Há que se tomar cuidado para não fazer da criatividade um problema. Alguns funcionários deixam de fazer o que realmente se espera deles para aplicar o seu tempo e o seu trabalho em soluções criativas de problemas que não são de sua competência. Esse funcionário acaba prejudicando sua carreira, por julgar que a rotina não é importante. Existem dicas de como a alta gestão de uma empresa pode estimular a criatividade, sem fazer com que os funcionários percam a responsabilidade pelo que estão fazendo. Gerando vantagens
Atitudes criativas no ambiente de trabalho somente serão estimuladas se estiverem relacionadas com algum tipo de vantagem para a empresa ou para a equipe como, por exemplo, algo que promova uma redução nos custos. Deve-se sempre analisar o impacto dessa atitude junto ao cliente e estimular o funcionário a apresentar por escrito sua idéia criativa, anexada a um estudo do custo financeiro envolvido, bem como dos resultados esperados, pois se esses não puderem ser mensurados, pode tratar-se de meras suposições, ou seja, apenas ideias. A serviço da empresa
Se um profissional reclama que a alta gestão não valoriza o que ele faz, deve analisar como vem oferecendo suas idéias. Deve ser mais criativo ainda a ponto de despertar a atenção da alta gestão, porém sem muita insistência, pois pode ser que, assim como um cliente não gosta de uma determinada cortesia, a alta gestão, no momento, não esteja interessada em mudanças. O segredo é ver além do momento atual, com profissionalismo, com visão de futuro, mesclando impulso com raciocínio e lógica. A alta gestão tem de colocar a criatividade a serviço da empresa e não o contrário.
FAN-FGV em parceria com o Centro Cultural Sesi nas comemorações dos 5 anos de Cine Sesi.
Parceria com a GA Produções viabiliza a inserção de Alagoas na agenda das principais peças do Brasil.
Professor da FGV explica a geração Y
As empresas tem se deparado com inúmeros desafios ao lidar com os jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Esse conflito de gerações pode ser resolvido se a geração X, que está na liderança agora, conhecer um pouquinho mais sobre quem estará na liderança em breve.
João Brandão é professor projetista da Pós Graduação em Administração de Empresas da FGV. Em março, Brandão ministrou a disciplina Desenvolvimento da Carreira e Liderança, para as turmas 04 e 05 da Pós ADM da FAN-FGV.
Nesse artigo da IT Web, Barndão explica quem é o "cara" que está chegando ao mercado de trabalho ou que, mesmo empregado, está "procurando novos espaços e oportunidades" - estes, muito disponíveis para mudar de emprego? Conheça a geração Y:
A QUESTÃO DO SENTIDO
Ele é o tio, embora bastante jovem - até 35 anos mais ou menos - daquele pirralho que, ao receber como resposta um "porque não" (ou "porque sim") rebate de bate-pronto: "Porque-não não é resposta!". Conclusão: o cara está acostumado a mostrar sentido para os outros - exatamente porque ele também precisa encontrar sentido no que está fazendo ou no que lhe pedem para fazer. Portanto, empresas e gestores: ou vocês oferecem sentido, ou "perdem o cara" (literalmente, porque ele pode ir embora, ou, o que é pior, ele pode ficar mas vocês podem perder o entusiasmo dele, a coragem dele, o tesão dele - isto é, vocês ficam com um ser humano "estragado", com prejuízos para todos).
A RESPONSABILIDADE
Ele é muito responsável. Com aquilo pelo qual é responsabilizado. Assim, ele pode sair no meio da tarde de uma quarta-feira "pesada", para ficar com a namorada que está febril; ele se sente também responsável por ela. E vai mandar para o chefe, de madrugada, por e-mail, o projeto pelo qual é responsável.
O AMBIENTE DE TRABALHO
Ele é alegre. Ele não concorda que um ambiente de trabalho sério tem que ser triste. Portanto, não estranhe se, quando a "casa parecer que está caindo", ele se comportar com um espírito leve; ele vai continuar enfrentando os desafios muito seriamente... mas nem por isso vai ficar triste... preocupado, sim, mas não infeliz.
O SIGNIFICADO DA REMUNERAÇÃO
Ele gosta de receber o combinado; aliás, ele entende salário como algo associado a orçamento - o salário é para "pagar as contas". Ele gosta mesmo é de "ganhar": ganhar bônus, premiação. Ele gosta de ganhar para poder "gastar" - em roupas, viagens, carro, computadores.
O ENVOLVIMENTO NO TRABALHO
Ele adora pular de site em site quando está navegando na internet. Não gosta, ou não tem paciência para coisas muito longas, demoradas. Aliás, ele consegue navegar na internet, ao mesmo tempo "falar" no messenger e, se for o caso, também falar, agora literalmente, no celular. Por isso, para "agarrá-lo", "quebre" os objetivos ou programas da empresa em projetos; projetos têm começo, meio e fim definidos, têm resultados palpáveis, têm superação evidente de obstáculos, oferecem oportunidades concretas de vitórias, em geral no curto prazo. Ele se "amarra" nisso. De preferência, o coloque em mais de um projeto - senão ele pode ficar aborrecido.
A RELAÇÃO COM NORMAS, REGRAS E SUBORDINAÇÃO FUNCIONAL
Não o engesse muito com normas bobas - principalmente com aquelas que claramente são burras -, com rígidas regras de vestimentas, com formalismos exagerados. Ele respeita as pessoas, e mesmo organizações, e gosta de ser respeitado, pelo caráter, pela transparência, pela espontaneidade. Ele se "subordina" a vínculos e não a cargos. Ele é mais auto-orientado que hetero-orientado; seu critério de julgamento, portanto, é a consciência e não a obediência.
ACOMPANHAMENTO E RECONHECIMENTO
Ele demanda muito feedback. Ele gosta de autonomia, mas "precisa" receber dicas de como está indo seu trabalho, sua performance - não só para corrigir alguma coisa mas, talvez, e talvez principalmente, porque ele é "movido" a elogios. Adora ser reconhecido.
Por outro lado, o cara também precisa de ajuda.
A INTELIGÊNCIA SOCIAL DO CARA
Ele é um pouco "carente" em termos de inteligência social mais expandida. Algo como prestar atenção ou se interessar por algo ou alguém muito distante da sua "tribo"; ele pode passar por você, que ele vê como um distante e invisível "tio", e que está segurando a porta do elevador para ele sair, sem falar um rápido "obrigado" - às vezes, nem olha para você que, afinal, é um "invisível social". Sua percepção seletiva tem olhos e ouvidos, em geral, apenas para quem ostenta alguns dos símbolos externos da "galera". Mais um desafio para você, que se meteu a ser líder dele! Paradoxalmente, é engajado em questões mais amplas relacionadas à responsabilidade social das empresas e à dimensão ecológica.
A "PROFUNDIDADE" CULTURAL DO CARA
Ele tem também pouco "treino" com processos cognitivos escritos mais profundos ou complexos; assim, não é um grande leitor de obras literárias mais "densas". Também não tem "saco", e preparo, para ouvir ou produzir argumentações muito elaboradas - ele quer chegar rapidamente aos "finalmente". Por isso, você, líder de um cara desses, tem um papel crítico, o papel de "formador", estimulador para ajudá-lo a ser, daqui a dez anos, também um homem mais pleno, profundo, complexo. Se você conseguir isso, não será apenas um "belo" líder...em alguns casos, será também um mágico!
O LIMIAR DE RESISTÊNCIA
Esse cara não tem paciência para promessas do tipo "no futuro, lá na frente, você terá seu valor reconhecido, poderá ser promovido etc.". Ou com coisas tais como "aqui o funcionário tem que pastar, mostrar serviço por muito tempo no limbo, para só depois poder começar a sonhar com cargos mais elevados, com poder etc.". Em geral, ele não é orientado por fins; ele é orientado por meios - ele quer ter desafios agora, ter reconhecimento agora, viver bem agora. Em muitos casos, depois de seis meses na empresa já diz estar desmotivado porque não sabe direito quando vai ser diretor! Em suma: ele não lida muito bem com restrições, limitações, frustrações. E você, líder, se conseguir ajudá-lo nisso, não será apenas um mágico... Aí você já está se candidatando a santo!
ENTÃO, POR QUE VALE A PENA CUIDAR BEM DO CARA?
Mas, vale a pena, não? Afinal, é esse o cara que vai comandar as empresas e o país lá na frente. E que, agora, é uma das suas mais poderosas fontes de inovação - e, portanto, da competitividade da sua empresa.
Além disso, ele não é apenas uma "promessa". Ele também pode ser bom agora. Ele aprende e trabalha com facilidade em rede; ele se interessa ou domina algumas dimensões ou expertises profissionais que geram processos ou produtos inovadores; possui intensa energia que resulta em superação de obstáculos com muitas restrições de qualidade, eficiência e tempo; ele está disponível para a ampliação de fronteiras geográficas, culturais ou de competências; ele não se conforma com desempenho medíocre. Enfim, "bem gerenciado", é um profissional que se pode chamar de "alta performance".
VÁ SE ACOSTUMANDO...
Por fim, um lembrete: não estranhe se ele ou ela te chamar de cara, quer você seja homem ou mulher. Este termo não obedece à questão de gênero. Mas se você for chamado de cara, isto não é falta de respeito. É sinal de cumplicidade... e isto é bom.
Ah! Ia me esquecendo: não impeça o cara de começar suas frases, talvez todas as suas frases, com um sonoro "Meu..." (às vezes, o som é de "meo"). Se você fizer isso, ele pode ficar mudo
A propósito: esse cara tipifica o que se anda chamando de GeraçãoY. E que anda batendo à porta da sua empresa.
Resumo do artigo do Prof. Ricardo Lopes Cardoso, em parceria com Edson Luiz Riccio e Lindolfo Galvão de Albuquerque. Arquivo na íntegra para download.
citicarreira:
“A regra é clara”, como nos lembra o comentarista em dias de jogos. Empresa com funcionários felizes obtém melhores resultados financeiros. O diferencial está em descobrir o que é felicidade para os empregados.
E neste jogo, as companhias menos burocráticas, independentemente do seu tamanho,...
Coordenador do MBA em Marketing da FGV cita cases de sucesso catarinenses em brand equity e aponta os caminhos para o profissional marketing
Forças mercadológicas empurram a lucratividade das empresas para baixo. Mas todos os dias surgem novas oportunidades de negócios. Para saber lidar com essas situações, as empresas precisam de um aliado com características especiais: o profissional de marketing.
É o que disse Luis Carlos Sá, coordenador do curso de MBA em Marketing da FGV, em palestra proferida em Blumenau. Luis Carlos Sá estará em Maceió para a abertura de mais uma turma de MBA em Marketing, no dia 30/05.
Confira abaixo um resumo da palestra de Sá em uma conveniada da FGV em Blumenau:
Crescimento da classe média, passando de 1,4 bilhão de pessoas em 2000 para 2 bilhões até 2010. Globalização e multiplicidade dos canais de venda e comunicação. Desregulamentação de mercados. Fortalecimento das pequenas e médias empresas. Valorização das empresas éticas. Aparecimento e desenvolvimento de novos setores econômicos. Internacionalização de empresas dos países emergentes. Esses são alguns dos fatores que devem afetar o desempenho das empresas nos próximos anos, de acordo com Luis Carlos Sá, coordenador do MBA em Marketing da Fundação Getulio Vargas.
No centro de toda essa transformação, está um profissional com características especiais: o profissional de marketing. “Tudo passa pelo marketing. E os desafios na área são enormes. Cabe ao marketing identificar e implementar ações e estratégias capazes proporcionar diferenciais aos produtos e serviços, justamente num mundo em que tudo está cada vez mais igual e onde a comunicação de massas tem cada vez menos capacidade de influenciar no comportamento do consumidor”, diz Sá.
Sá abordou também a questão relacionada às estratégias de marketing. “As estratégias devem contribuir para posicionar o produto ou serviço de forma singular e devem, também, aumentar o brand equity das empresas pelo gerenciamento mais eficaz dos ativos intangíveis de marketing. "Além disso devem fortalecer o relacionamento com os clientes ao longo do tempo, assumindo responsabilidade pelos seus resultados, fortalecendo também o relacionamento comercial com os canais de distribuição e com os clientes que estes controlam", acrescenta.
Finalizando, o professor fez referência às qualidades exigidas do bom profissional de marketing. Para ele, o profissional de marketing deve pensar com a cabeça do cliente. “A empresa fracassa quando perde o foco no cliente”, diz. E é aquele que, dentro da estrutura da empresa, precisa envolver todas as pessoas em torno dos objetivos. “O profissional de marketing deve saber mostrar a todos os setores da empresa quais os caminhos a seguir para que seus produtos ou serviços atinjam as metas de sucesso junto ao mercado”.
Sá enumerou dez qualidades do novo profissional do setor. Veja a reprodução no quadro abaixo:
Fabrício Medeiros falou sobre "Vendas 3.0" e incentivou a equipe de vendas da empresa arapiraquense a mudar seus conceitos.
Direitos do Consumidor - Dicas sobre as Promoções (by fanfgv)
Desigualdade de Renda na Década - Principais Resultados (by fanfgv
)
Depoimento do professor Luis Gustavo Sá, coordenador do curso de MBA em Marketing da FGV.
Matrículas abertas. Início das aulas: 30/05.
Informações: 4009.5100 ou [email protected]
“Empresas sabem capacitar, mas não desenvolvem pessoas”
Essa frase de impacto é do professor Alexandre Varanda Rocha, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele também é especialista em treinamento e presta consultoria para grandes empresas. Alexandre estará em Maceió dos dias 02 a 05 de maio para ministrar a disciplina Gestão de Qualidade, no MBA de Gestão Empresarial da FAN-FGV. A seguir, uma entrevista com o professor, realizada por Wagner Belmonte e Raquel Prado, no site do instituto Ricardo Xavier.
Ao longo da entrevista, Varanda chegou a uma conclusão inesperada: enquanto as organizações se preocuparem muito em formar o profissional que quase sempre desembarca no mercado sem as habilidades e competências que lhes são (ou serão) exigidas, o efeito será perverso: o profissional é treinado, mas não desenvolvido. Ou, para resumir, perde-se o “trem da competitividade”.
A dicotomia esconde uma questão central: quando as empresas assumem o papel que deveria ser apenas das universidades – e poucos são os centros de excelência em ensino no País – elas passam a gastar e a incluir no budget uma responsabilidade que não é precipuamente delas. “Muda-se o foco para apagar o incêndio provocado por essas deficiências”, diz Varanda. Em contrapartida, não lapidar o profissional significa ficar ainda mais distante de um mundo globalizado, cujo padrão de gestão requer capacitação e, como conseqüência, eficiência.
Uma reportagem recentemente publicada pela revista Exame comprova como a argumentação de Varanda é um alerta. O texto aponta um ranking do jornal britânico The Times sobre as 200 melhores instituições de ensino em todo o mundo. Apenas uma universidade brasileira figura no ranking do The Times: a Universidade de São Paulo. Que aparece na 196ª posição, ou seja, entre as “menos melhores”.
A causa é simples; os efeitos, complexos. A mesma revista Exame mostra, por exemplo, que a Fnac, que é francesa, tem dificuldade para contratar um universitário que esteja apto a atuar na venda de livros. O gargalo do universitário está na cultura geral. Outro exemplo aparece na Atento, uma empresa de telemarketing. O grau de incompreensão de textos ou o volume de erros no uso da Língua Portuguesa fazem com que a empresa entreviste quase mil candidatos por dia para as vagas de “atendente/operador”. Segundo Varanda, capacitar “é um estágio anterior do desenvolvimento”.
Formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado na EAESP/FGV-São Paulo, o professor falou sobre o assunto num workshop promovido no Hotel Intercontinental pela própria Fundação. “As empresas não desenvolveram métodos para aferir os resultados práticos, para mensurar o que elas obtiveram com os treinamentos que promoveram”, destacou. Em seguida, ele deu a seguinte entrevista à Manager:
Manager: As empresas que atuam no Brasil capacitam ou desenvolvem?
Alexandre Varanda Rocha: As empresas brasileiras, até mesmo por uma questão de estarmos num País no qual o investimento em educação é baixo, apenas capacitam. As melhores empresas brasileiras estão extremamente acostumadas a capacitar pessoas; no entanto, o desenvolvimento de pessoas não está sendo feito de maneira adequada como nos países mais avançados. É necessária a aplicação na prática do treinamento adquirido e de instrumentos para mensurar esta aplicação.
Manager: Por que o treinamento, segundo essa argumentação, não resulta em conhecimento?
Varanda: Uma palavra resume o conhecimento: a aplicação de procedimentos melhores. E não é isso o que acontece.
Manager: Por que as empresas não sabem desenvolver?
Varanda: As empresas brasileiras estão acostumadas a achar que o treinamento fornecido vai, intuitiva e naturalmente, “brotar” no processo melhorado. Isso não é verdade, porque as pessoas adquirem e passam pelo treinamento, chegam a colocá-lo no currículo e não necessariamente o utilizam para melhorar os processos.
Manager: E como se resolve este “impasse”?
Varanda: Com métodos de melhoria de procedimentos. É preciso dar às pessoas uma metodologia de melhoria de procedimentos baseada em detalhes. E isso também não acontece.
Manager: Na sua opinião, de acordo com o que o senhor falou no workshop, os gerentes são controladores ou apenas centralizadores. Qual a diferença e o efeito?
Varanda: Até pelo medo da perda do emprego, existe uma centralização muito forte. Ser controlador ninguém gosta, mas isso passou a ser uma necessidade no processo. Se o processo não é autogerenciado, é preciso controlar e, neste caso, acaba sendo uma obrigação do gerente.
Manager: Mas a base é de controle?
Varanda: Sim, isso mesmo, de controle.
Manager: E qual o efeito?
Varanda: Simplesmente não se desenvolve a capacidade de cada pessoa, de cada indivíduo.
Manager: Como se mede o retorno do investimento em treinamento e educação corporativa?
Varanda: É preciso criar indicadores críticos, poucos indicadores e inter-relacionados, indicadores pelos quais se possa mensurar o que precede e também o cenário posterior à aplicação de um treinamento. Seis meses depois de um treinamento, esses indicadores precisam ser levantados. Ali, a empresa consegue saber se transformou uma ação de treinamento numa ação de desenvolvimento ou se apenas habilitou um grupo para mais uma atribuição específica cuja demanda foi identificada.
Manager: As empresas são muito pragmáticas? Elas pretendem que as ações de treinamento tenham resultados expressivos em curtíssimo prazo?
Varanda: As empresas brasileiras, tirando aquelas de ponta, não possuem uma cultura de excelência, de colher resultados com pessoas no médio prazo. Elas querem apenas a aplicação do resultado no curto prazo, o quanto antes.
Manager: Mas como funcionam os indicadores críticos na prática?
Varanda: Eles funcionariam medindo a produtividade, a qualidade de produtos e serviços, medindo a não conformidade do antes e depois, medindo as falhas de uma maneira geral também em termos monetários.
Manager: Até que ponto as empresas brasileiras passaram a ter um ônus adicional, no sentido de literalmente “educar” os seus funcionários? Quem tem errado neste processo? As universidades não estão deixando “gaps” muito acentuados para que as pessoas cheguem ao mercado de trabalho com conhecimento e capacitação muito superficiais?
Varanda: Esse processo todo começa com a velha e “querida” globalização. Isso faz com que eu precise desenvolver competências para poder competir neste cenário. Só que as organizações são mais ágeis; as organizações privadas são extremamente ágeis. As universidades, apesar de algumas muito boas no Brasil, não têm esse investimento nem essa parceria com o setor privado de uma maneira forte. Poucas são as universidades que desenvolvem uma parceria, uma dependência com o setor privado e vice-versa, servindo, por exemplo, como uma opção sem estar dentro da empresa.
Manager: E o efeito desta má formação não recai sobre as empresas?
Varanda: Sim. É um imposto a mais que se paga no final das contas, ou seja, em vez de a sociedade oferecer isso para as organizações, elas, as próprias organizações, é que têm de bancar isso.
Manager: Se o modelo é perverso, ele retarda o desenvolvimento da organização...
Varanda: Sim, retarda muito. Isso provavelmente tem a ver com o foco que o País tem tomado que é agrícola e não industrial.
Manager: Agrícola?
Varanda: Agrícola no sentido de que nós estamos investindo no campo, em agribusiness. Parece que os governos brasileiros investem muito no campo e pouco nas indústrias, no desenvolvimento de competências, de tecnologia de ponta, de fonte de energias nucleares.
Manager: Esse modelo está explícito, por exemplo, no resultado do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Aqui em São Paulo, algumas faculdades têm um coeficiente de reprovação que chega a 92%. Se apenas 8% dos alunos de determinada faculdade estão aptos a exercer a profissão, presume-se, a faculdade não vem fazendo bem o seu papel...
Varanda: Sim, é muito precário. Um engenheiro, por exemplo, não precisa passar por nenhum teste, administradores e médicos também não. O provão foi uma luta para se implantar aqui no Brasil, porque os próprios estudantes não queriam essa avaliação. E ela é importante.
Manager: O discurso de profissionais de RH é, digamos, politicamente correto? As empresas dizem que todo mundo pode disputar uma vaga, mas na realidade o que se vê é uma simpatia óbvia por universidades mais conceituadas como USP, FGV, PUC e Mackenzie...
Varanda: É verdade. O método de seleção nas organizações é muito seletivo e o currículo também, embora isso não seja admitido. O currículo faz uma diferença muito grande e não o empreendedorismo que, na verdade, deveria fazer a maior diferença.
Manager: Se o senhor fosse dono ou gestor de uma empresa, selecionaria um grupo de faculdades com avaliação melhor da qualidade do ensino?
Varanda: Se eu fizesse as coisas de maneira fácil, eu selecionaria sim, mas o que eu gostaria mesmo de fazer seria selecionar as pessoas pelo poder de empreender, ou seja, pela capacidade que as pessoas têm de empreender internamente nas organizações, sendo co-fundadoras delas.
Manager: O RH hoje pode ser considerado estratégico?
Varanda: Sim, sem dúvida nenhuma.
Manager: Ele conseguiu ganhar espaço na tomada efetiva de decisões?
Varanda: Sim, cada vez mais.
Manager: Esse é um processo recente?
Varanda: É um processo que, nas organizações antigas, já é bastante antigo. Agora, em organizações muito novas, como as que temos e atuam no Brasil, é um processo relativamente recente.
Manager: Com a importância estratégica do RH em alta, mas este erro no foco do que realmente é desenvolver, qual a lição de casa para as empresas?
Varanda: Criar procedimentos simples, indicadores críticos e principalmente metodologias de melhorias de procedimentos. Isso só vai aumentar a importância estratégica do RH.
Manager: A retórica de alguns dos profissionais de RH os obriga a dizer que o budget de treinamento é absolutamente sagrado. É sagrado mesmo?
Varanda: Não. Não é sagrado porque depende da estratégia da organização. Quando uma organização atinge um ponto de ruptura do processo, uma mudança de negócio, não é necessário investir em treinamento. Agora, se ela está nascendo, é muito importante o investimento no treinamento. As ações precisam ser pensadas de acordo com o momento que a empresa vive.
Manager: Quando se corta o budget de treinamento por alguma oscilação no mercado e estava prevista uma ação específica, não se retarda de forma estrutural o desenvolvimento da empresa?
Varanda: Pode retardar, mas o planejamento estratégico tem que prever isto de maneira clara. Por isso que o principal processo de uma organização é o planejamento estratégico. Ele tem de ser muito bem feito para não acontecer este retardo, este desvio.
Manager: No conceito de treinamento, quem está na frente?
Varanda: As multinacionais estão sempre na frente, infelizmente. Mas nós temos empresas de ponta aqui no Brasil que estão fazendo um belo trabalho, por exemplo. O Serasa é uma delas.
Manager: É preciso centralizar o RH às estratégias de treinamento, alinhá-lo. Esta é uma outra linha que o senhor foi bem veemente ao defender no workshop. Por quê? O RH, próximo ao Marketing muitas vezes, tem perdido o foco?
Varanda: Isso mesmo. O RH tem de estar alinhado às estratégias da empresa e precisa ser consultado sobre qualquer treinamento a ser dado na organização como um todo. Isso envolve sistemas de trabalho, contratação e demissão, punição, premiação de pessoas, entre outras responsabilidades.
Manager: Quais as outras atribuições fora da esfera do RH que o próprio RH deveria ter?
Varanda: Para o RH ser estratégico, é necessário que ele participe dos processos de controladoria e do planejamento estratégico.
Manager: Como exemplo de planejamento, o senhor citou o Prêmio Nacional de Qualidade e o caso da Xerox. E o senhor disse que as organizações precisam de “operários da estratégia”. Como eles atuam? Quem são?
Varanda: Os operários da estratégia são os gerentes de nível médio, que precisam entender e operacionalizar as estratégias da alta direção. Ser operário de uma estratégia significa delegar para os níveis mais baixos o poder de decisão, desde que esses níveis tenham métodos de melhoria de processo. Caso contrário, chega a ser “maldade” delegar sem métodos.
Manager: É monitorar?
Varanda: Sim, mas ao mesmo tempo deixar que elas próprias se controlem por meio de métodos de melhoria de procedimentos. Sinergia.
Manager: E o que acontece quando a gerência média não “compra” essa idéia, não “abraça” a causa?
Varanda: Muitas vezes, eles não compram essa idéia por medo de perder poder. É possível perder poder com este tipo de coisa. Ser líder significa ouvir e isso dá, muitas vezes, uma sensação de perda de poder. Quando a gerência média não compra essa idéia é preciso mudar o gerenciamento.
Manager: As empresas fazem isso?
Varanda: Fazem, sim. Elas se reestruturam até mesmo por conta das tecnologias de informação que surgem.
Manager: De modo geral, na sua avaliação, as empresas têm avançado em relação à gestão?
Varanda: Sim, têm avançado muito e numa velocidade muito grande. Agora é preciso avançar mais.
Manager: E quais são os principais pontos de avanço que deveriam ser priorizados?
Varanda: É preciso entender que a cultura de uma organização tem de ser voltada para a excelência, gestão de procedimentos e indicadores e que o bom senso precisa ser valorizado. É preciso de mais profissionalismo nas gestões das organizações.
Manager: O senhor sugere que a empresa siga oito “critérios” de excelência. Quais?
Varanda: O primeiro deles é a liderança, ou seja, ter um sistema que valorize e promova a liderança na organização. O segundo é, a partir dessa liderança, conduzir um planejamento estratégico que desdobre em planos tudo o que a organização vê de pontos positivos, negativos, fortes, fracos, ameaças e oportunidades vindas do planejamento estratégico. Consultar a base de clientes é o terceiro ponto. A consulta à sociedade é o quarto. Informações e conhecimento, o quinto. As pessoas são o sexto ponto e um sétimo ponto seriam os processos internos da organização, em especial dois com relevância: os processos econômico-financeiros e os processos de fornecimento. O oitavo ponto é o foco em resultados. O mais importante de todos, pois é o resultado de todos os processos anteriores. E é preciso aferir naquilo que os americanos chamam de ROI (retorno sobre o investimento). O resultado é o produto final de uma série de procedimentos, e não o ponto de partida.
O auditório da Distribuidora Asa Branca, em Arapiraca, ficou pequeno para os mais de 70 colaboradores e convidados para a palestra “Marketing Empresarial”, ministrada pelo professor da FGV, Dimitri Rocha. A duração do evento, prevista para uma hora, se estendeu até após o horário de almoço e mesmo assim manteve a atenção do público. De acordo com Afrânio Mendes, colaborador da área de Tecnologia da Informação, “A palestra foi excelente. Muito dinâmica e motivadora.” Adjetivos semelhantes foram ouvidos no feedback dado pelo público para a Faculdade de Administração e Negócios – FAN.
Veja mais sobre a palestra em nosso site.
MBA em Marketing reposiciona profissional na organização
A FGV é uma instituição de renome e está em quase todo o Brasil, na forma de instituições conveniadas. Nossos professores viajam por todo o Brasil, reproduzindo e angariando novos conhecimentos no âmbito local e nacional.
O Prof. Ronaldo Salim é especialista em Gestão de Vendas e Negociações Industriais, com mais de 25 anos de atuação neste segmento. Trabalhou em diversas multinacionais e é professor FGV desde 2001.
Está agora em Maceió, ministrando a disciplina Planejamento e Administração de Vendas, para o MBA em Marketing. Mas ele já esteve lá em Caxias do Sul, na conveniada CEEM, e cedeu uma entrevista falando a sua opinião sobre o curso. Confira:
Qual o desafio das áreas de marketing nas corporações?
Ronaldo Salim: Hoje, o profissional de marketing não consegue se posicionar. Há uma corrente de executivos que avalia o marketing como um departamento supérfluo, gerador de despesas e incapaz de apresentar resultados. Por outro lado, há uma disputa entre marketing e vendas nas empresas. Mesmo companhias grandes, bem estruturadas, enfrentam dificuldades nesse relacionamento.
E por que uma área tão importante é vista com tanto descrédito?
Salim: Por causa dos próprios profissionais de marketing, que por anos acreditaram que se vestir com a gravata do Mickey, saber tudo do Office e falar inglês era suficiente. Essa visão fez com que muitos profissionais perdessem seus cargos. Também o próprio marketing se enclausurou ao acreditar que bastava apenas fazer propaganda. O profissional de marketing não vai à rua, não conhece o produto, não conhece o consumidor. Hoje se aplica muito o conceito de marketing etnográfico, ou etnomarketing, que é perceber o comportamento do consumidor na utilização do produto, uma estratégia fundamental e que fica destinada a vendas, quando deveria ser papel do marketing.
No que um MBA na FGV pode acrescentar a esses profissionais que buscam um novo posicionamento?
Salim: É preciso entender que, se o marketing é o gerador da satisfação do cliente, e ele de fato o é, o profissional de marketing precisa entender a empresa em todas as suas facetas. Por isso o foco do MBA em Marketing da FGV é o planejamento estratégico. Para isso, o aluno tem disciplinas sobre custos, matemática financeira, desenvolvimento de produtos, gestão de vendas, distribuição e logística, entre outras. Só com essas ferramentas ele vai ter a capacidade de avaliar a companhia como um todo, entendendo que o desenvolvimento corporativo passa pela união de atividades entre marketing e vendas.
Na prática, como se dá essa união?
Salim: Nas aulas a gente gosta muito de trabalhar com cases, e principalmente com os erros, que ensinam muito. Para exemplificar a falta de planejamento, tomamos como caso o de uma empresa de material escolar. Por vezes – e isso em grandes companhias -, o marketing passa um semestre divulgando lápis; calca toda a sua campanha nesse produto; e a força de vendas vai para o mercado apostando na borracha. Isso não pode acontecer. Marketing e vendas não podem ser geridos pela mesma pessoa, são completamente distintos, mas precisam se entender e conversar. E só podem chegar a um bom termo se estiverem afinados.
E como se dá essa sintonia?
Salim: Ao entender que para chegar ao resultado do negócio, é preciso unir com harmonia cinco variáveis: visão do negócio, cultura da empresa, estrutura, recursos e estratégia. Sabendo operar com esses conceitos a decisão não será tomada ao acaso. E o MBA em Marketing da FGV oferece essa possibilidade: a do menor erro possível.
Importante lembrar que a próxima turma de MBA em Marketing começa dia 25/04 e as matrículas já estão abertas! Garanta sua vaga.
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