desabafo sobre a imperfeição de nós
Muitos e muitos dias desde outubro eu ponderei, seria melhor ter algum tipo de contato mesmo que me doa? Porque ficar longe me doi também, tanto quanto ou até mais.
Eu gostava muito da vida real com você. Um dia chegamos de viagem (da casa da sua avó) e fomos tomar uma cerveja. Depois de um ou dois litrões decidimos ir pra casa e tirar um cochilo, que durou a tarde toda. Acordamos abobadas de tanto dormir.
Quando lembro esse dia, a primeira coisa que sinto é culpa. Você deve ter desapaixonado porque qualquer casal normal, depois de não poder se beijar o fim de semana inteiro, chegaria e transaria, mas a gente dormiu.
E aí eu repenso e não é que a gente não transava, se tem algo que nunca paramos de fazer foi isso. Mas a vida com você era real, não tinha performance, não tinha máscaras. E era incrível, pelo menos pra mim.
Eu amava a minha ex, sabe, ou talvez acho que era só apaixonada, porque um dia eu percebi que não queria mais estar com ela e terminamos. Isso já faz quase dois anos, quase dois anos que ficamos nos falando (eu e a outra), e eu sempre partindo o coração dela toda vez que a gente se via, porque eu falava: eu te amo, você é incrível, mas eu não quero voltar. E fico imaginando se é mais ou menos assim que se sente e eu na verdade não entendi direito. Porque eu sinto amor e paixão por você e, pra mim, quando acabou ainda havia amor e paixão. Mas você diz que não tem paixão mais e toda vez que penso nisso, faço esse paralelo e doi. E o mais engraçado é que eu ajo ironicamente igual, às vezes te bloqueio, às vezes volto a falar, às vezes marco de falar pessoalmente, volto arrependida, depois bloqueio de novo. Tragicômico.
Eu reconheço minha instabilidade e me culpo por isso. Eu queria ter sido terra firme pra você mas eu não consegui, eu não sou terra firme nem pra mim, se tem algo que estou aprendendo é a ter força e disciplina e eu acho que Vênus em touro precisa disso pra admirar, né? Minha disciplina se resume à casa 4, a casa do psicológico, todo meu esforço nessa vida é pra me entender, entender as pessoas e tentar fazer do mundo um lar pra mim e pra todos, e isso não é garantia de nada porque quando se trata da minha própria vida, as situações mudam e eu mudo junto, porque acredito na adaptação. Mas você é estável, é firme, é forte e não é isso que você admira, não é isso que quer por perto, não é isso que precisa. Eu queria ter sido o que você quer ter do lado, uma pessoa firme que tá aqui apesar de tudo, mas eu não fui e nem sou, eu sou bem indecisa e eu sinto muito todos os dias por isso.
Eu acho que a vida com você era muito dramática, ainda é na verdade, eu que tou longe e não sei. Quando nos falamos no telefone e você ficou 2h no banheiro e depois não retornou, eu sei que você viria com a história mais absurda de que a bateria acabou e você foi no mãozinha pegar o carregador emprestado com a tia da prima e esperou o celular ligar e o celular pifou e etc e sinceramente às vezes eu me pego rindo sozinha das furadas em que você se mete, até isso eu amo em você, mas, convenhamos, é muito difícil lidar com essa instabilidade, que é uma instabilidade igual a minha, só que diferente.
Você precisava de uma firmeza que eu não te dava e eu precisava de uma firmeza que você não me dava, e é nisso que tento me apegar, porque fora isso eu não consigo pensar em nada de errado com você, com a gente. Me pergunto se estou sendo uma criança mimada esperneando pelo brinquedo que não pode ter (eu tendo a ser mimada, mas também tendo a relativizar muito o que os outros fazem e esse mimo é a única defesa que sobrou), ou se realmente o que a gente tinha era raro.
Então eu me apego às coisas que eram ruins porque sei que não é saudável te idealizar e relativizar as várias tretas PROBLEMÁTICAS que aconteceram entre a gente.
Aí eu fico: eu deveria ter insistido, falado “não,m, você não vai terminar comigo, você não vai ficar brava comigo por causa disso, a gente vai ficar junta mesmo eu morando em Cachoeiro SIM, eu estou do seu lado e eu NÃO VOU SAIR DAQUI, mesmo que estejamos longe (em todos os sentidos que a palavra LONGE pode ter)”, se eu tivesse feito isso talvez tudo estaria diferente.
E eu tou aqui chorando e escrevendo isso pra mim mesma com tom de desabafo e considerando te mandar por email só pra provar pra mim mesma que eu sou ridícula e instável, porque, olha que madura, eu te bloqueei porque se a gente não consegue se resolver eu realmente preciso superar. A não ser que você diga que dá pra gente se resolver, se você me dissesse isso eu nem sei. Sinceramente eu nem consigo imaginar minha reação. Eu estava (estou ainda?) disposta a fazer muito por você e por nós, mas pra isso eu precisaria ouvir que é o que você quer, que você tem certeza, mas eu sei que você não tem certeza, quem sai de um relacionamento de 7 anos querendo ter algo firme com outra pessoa?
Dizem que leva metade do tempo que estivemos com alguém pra conseguirmos superar, ou seja, querida, mais 2 anos e meio de fossa pra você, e mais 1 mês e meio pra mim.
(E no fundo no fundo esse texto confuso é um pedido/uma esperança da gente se resolver)