Eu nunca me senti pertencente, nem a mim mesma.
Sempre vivi em um estado de adaptação, me moldando conforme as pessoas e situações ao meu redor. Era como se não houvesse um "eu" claro, apenas reflexos do que os outros queriam de mim. Isso, de certa forma, foi algo que me ensinaram a fazer desde muito cedo — a ceder, a desaparecer para que o outro brilhasse.
Mas quando comecei a me descobrir, quando finalmente me permiti questionar quem eu realmente sou e o que eu queria, achei que finalmente estivesse encontrando meu lugar. Fui aprendendo a dar forma à minha identidade, a escolher as minhas próprias cores, a me colocar no mundo de maneira mais autêntica. Acontece que, ao tentar me alinhar com essa nova visão de mim mesma, a realidade me puxou para uma direção inesperada. Sinto como se, ao invés de evoluir, estivesse estagnada, retrocedendo. Quando estava começando a chegar a um acordo comigo mesma, me vi tendo que viver três vidas diferentes. Sinto como se estivesse interpretando papéis que não escolhi, vivendo uma mentira e perdendo cada vez mais o contato com minha essência. Não me reconheço, e é difícil até mesmo olhar para as pessoas ao meu redor sem perceber que elas também não veem quem eu realmente sou.
— eu, poesia.













