eu sei que no final das contas eu vou ficar bem. e que você também vai.
mas eu me pergunto quanto tempo mais meu coração vai dar esse mini salto toda vez que eu vir um carro igual ao seu. aquele segundo de euforia até eu conferir a placa e sentir esse misto de alívio e decepção.
eu me pergunto por quanto tempo mais vou procurar você em todos os lugares, só para sentir de novo o alívio e a decepção de não te encontrar.
mesmo sentindo sua falta, eu tô cuidando de mim. voltei para os meus hobbies, estou me exercitando, me divertindo. focando no trabalho e no meu crescimento. estou conhecendo gente nova e fortalecendo laços. amigos, amigas e caras interessantes. mas nenhum deles mexe comigo da mesma maneira que você, e eu logo perco o interesse.
quanto tempo mais eu vou querer que os lábios deles fossem os seus?
que fosse de você que eu estivesse arrancando suspiros?
que fosse de você que eu estivesse recebendo elogios?
que fosse você aceitando meus beijos no pescoço, pedindo mais?
quantos dias mais até que eu passe pelo menos algumas horas sem pensar em você?
quanto tempo até que sua ausência deixe de me incomodar?
eu não mando mensagem porque, no fundo, sei que só vai nos machucar. porque eu quero você agora, exatamente como você é, mas sei que eu preciso de uma versão de você que não existe, pelo menos não ainda.
essa versão sabe o que quer. tem certeza do caminho que quer trilhar, e faz questão de trilhá-lo comigo.
e quer ser pai dos meus filhos.
e celebra minha habilidade de rir de tudo com carinho.
e confia em mim para construir uma vida juntos.
é uma versão sua que me olharia nos olhos pra dizer que me ama. que sabe o quão especial é encontrar alguém que a gente ama tanto, e que ama a gente também.
uma versão que o meu afeto não assusta, mas que faz ela se sentir em casa.
uma versão que eu inventei na minha cabeça.
às vezes eu penso que talvez eu não encontre mais ninguém que mexa desse jeito comigo. mas eu escolho ser otimista.
com tempo e paciência, seus fantasmas vão deixar de me incomodar - do mesmo jeito que os do meu primeiro amor. esses dias mesmo usei uma roupa que você me deu e só fui lembrar disso na hora de colocar na máquina!
hoje eu fiquei com medo que a diabetes do bartô tivesse voltado, e quis medir a glicemia. dentro da caixa com o medidor, achei no verso de uma das receitas instruções que você copiou à mão. acho que eu nunca te falei o quanto eu gosto da sua letra. doeu muito entender que, provavelmente, você nunca vai saber.
a diabetes do bartolomeu não voltou, e provavelmente não voltará. assim como você. parece que vou carregar essa saudade de você por algum tempo. e eu sei que vou ficar aliviado e decepcionado no dia que ela finalmente passar.













