Todas as coisas que somos pra vocês,
Filhos? Amigos? Pupilos? O que?
Dentre tudo o que temos pra fazer
Somos tanto quanto "coisa" pode ser:
Problema, Trabalho, Cansaço, Barulho,
Acompanhados de um Sifrão,
Pra manter em progressão.
Amplos registros das nossas horas perdidas.
Um quarto do dia na luz fluorescente
E o resto pra nos recuperarmos,
Gelado arrepio de incômodo na espinha
E o calor da revolta é quem vem esquentarnos.
Todo dia voltamos, cada vez mais vazios,
A ilusão se dissolve com o tempo que passa,
O que antes nos vendiam com jeito de carinho
Cria garras, cria dentes, sobra só uma ameaça.
Olho em volta, e no espelho,
Me dou conta do que somos:
E veja bem, esse "nada" é muito bem justificado,
Porque sequer condições temos de ser coisa alguma
Nessas salas estéreis em que vivemos enjaulados
A falta de cor criatividade desnatura.
Pode até argumentar "mas sou feliz no colégio"
E então te levanto uma outra questão:
O que te faz feliz é o colégio mesmo,
Ou são os momentos de contravenção?
Porque claro que em 200 dias alegria deve haver,
Mas quem faz a felicidade
É o que não devemos fazer!
A gente é feliz conversando na escola,
Rindo, zuando, fazendo bola de papel,
A gente é feliz na hora do lanche,
Almoçando, indo embora, armando escarcéu.
Gente não existe pra ser comportada,
Pra sentar direitinho e fingir que aprendeu.
Aula nenhuma vale de nada
Se o aluno assistindo morreu.
E há quem diga que é assim mesmo,
Que "aula não existe pra ser divertida",
Mas já foram tiradas nessa história
14.000 horas das nossas vidas.
Tem como apoiar essa palhaçada?
Ainda tem como manter a calma?
E as casualidades são nossas almas.
Sei que nasci pra mais que isso,
O que fazemos com nossos anos?
O quão "nossa" é a realidade?
Quando se tornou aceitável essa sentença de "não ser"?
E logo que termina a pena
Querem saber o que vamos fazer.
Eu lá vou fazer alguma coisa?
O ponto todo desse regime
É que não sai ninguém inteiro,
É ir de uma prisão pra outra:
E a culpa é "toda nossa".
Culpa nossa de não sabermos,
"E o resto dos seus dias?"
Aprendendo que não tinha vida.
E então somos o que? Ferramentas?
Existimos só pra fazer coisas?
Tantos anos numa caixa, vivendo pra outras pessoas
Se é pelo aprendizado, o que aprendi aqui?
A escola o aprendizado e conhecimento destitui.
então, só pelo ENEM vale "aprender",
De que adianta palestra sobre "A Era da Informação"
Se nosso modo de vida ainda é pura tradição?
“Abandona o coração na escola, vai bater seu ponto”,
E a roda de cada dia te atropela sem desconto.
Quero ser gente no mundo,
Não de um rico moribundo.
Que todas as horas sejam minhas,
Que signifiquem alguma coisa,
Que eu seja algo antes de comida de minhoca.
Cada minuto que não volta mais,
Por uma meta ou teste vencido.
E de quem são essas metas?
O que querem tanto testar?
Ficamos na linha de largada,
Chega ao fim apenas sobra,
Desejo ser mais que uma coisa,
Rir e sonhar com o mundo,
Parar de pagar pra sofrer.
Não mais odiar segunda-feira,
Sentir meu coração bater,
Ter alegrias mais que efêmeras.
Parar de viver de esporro,
Sem mais olhares de amargor,
Mais declarações de amor!