Talvez você não saiba...
Floyd, Amarildo, Cláudia, Marielle, Marcos Vinicius, João Pedro, Ágatha, Jonathan, Kauê, Kauã, Jennifer, Ketlyn, João Vitor, Miguel. Roberto, Carlos Eduardo, Cleiton, Wilton e Wesley, 111 tiros. Evaldo e Luciano, 257 tiros. Quem será o próximo?
Talvez você não saiba, mas a cada 23 minutos morre um jovem preto no Brasil. E do início ao fim desse dia, pelo menos 63 jovens pretos perderão suas vidas. Talvez você não saiba que 75% das vítimas de homicídio de nosso país são pretas e que mais de 70% da população de favela é preta. Talvez você não saiba o que é racismo estrutural. Talvez você não saiba o que é lidar com os traumas ancestrais que são reproduzidos gerações após gerações. Talvez você não saiba o que é se sentir desencaixado por causa da aparência e se encontrar longe de um padrão estético estabelecido. Talvez não saiba o que é ter mais medo de viatura do que de ser assaltado. Talvez não saiba o que é carregar esse peso estrutural de anos de sequestro, trabalho forçado e tortura, que foram transformados em uma falsa liberdade e posteriormente em uma subvida, onde tudo é mais difícil e doloroso. Talvez você não saiba o que é chorar pela morte de pessoas que você nunca conheceu, mas sabe o que cada uma dessas mortes significa e que a cada notícia de uma pessoa preta assassinada, uma parte de nós morre junto. Talvez não saiba que a violência é um círculo adaptável e que retorna para todas as camadas da sociedade. Talvez você não saiba nada do que eu estou falando, mas já passou da hora de procurar saber que existem pessoas, que simplesmente não conseguem respirar.
















