{flashback} fool me once, shame on you. fool me twice...; enzo & arabella; ronda
Estreitou os olhos, a encarando como quem se perguntava se era sério. Nada do que ela falava parecia ser, como se ela estivesse zombando da cara dele o tempo todo.
E, na verdade, ele achava que era exatamente aquilo.
E não era como se ele se importasse muito, mas também se questionava o motivo daquilo tudo. Primeiramente, o motivo dela ter escolhido logo ele com mais quase 30 garotos por ali. Ele apostava que muitos ali cairiam facilmente nas provocações dela, e, ainda sim, era ele quem ela insistia em provocar.
"Arabella, eu não sei como as coisas funcionam pra você, mas não é bem assim aqui. Você não pode desistir de alguma coisa simplesmente porque não tem capacidade de ir até o fim" ele disse, como se ensinando para uma criança que um e um são dois.
Pegou um galho espesso de árvore que encontrou e o fincou no chão, batendo com força para fincá-lo na terra. Sabia que tinha água ali em algum lugar, e seria bom focar a mente em alguma coisa que não fosse a garota que o ignorava completamente e que havia deixado de ser fonte de suas poucas expectativas.
"Quer saber? Eu gostaria de te ver tentar. Você faz algo de útil ou só ladra mesmo?" perguntou, limpando a testa e parando para encará-la com uma expressão levemente debochada.
Ari riu abertamente, sem se preocupar com os ataques do moço. “Meu amor, desistir implica que tinha algum tipo de desafio ali, e aquilo definitivamente não foi um desafio. Na verdade, foi tudo bem fácil, se é que me entende. Eu só paro com as coisas que me entediam,” ela falou com simplicidade, como se comentando uma trivialidade, ao passo que checava as próprias unhas.
Esticou-se preguiçosamente, parando para encarar o que ele estava fazendo. Realmente, ele tinha um ponto. Tinha se esquecido completamente da parte que estavam fazendo uma ronda, mas também estava com toda a certeza sem disposição pra fazer qualquer coisa. Além do mais, ele estava se virando muito bem sem ela, não parecia realmente precisar de ajuda. Por outro lado, porém, ela não precisava ser filha da puta em relação ao grupo. A diversão do momento era irritar ele, principalmente quando ficava tão bonito com a cara de “estou me segurando muito pra não voar no seu pescoço”.
Olhou ao seu redor, tentando enxergar algo por entre as árvores espaçadas. Porém, o solo era todo torto, fazendo difícil de ver qualquer coisa sem ser morrinhos, arbustos aleatórios e árvores. “Mordo só quem merece,” ela começou, com um sorriso cafajeste, que de alguma forma lhe caia muito bem, apesar de ser uma garota. “Mas se quiser minha opinião, acho que você podia parar de mimimi e subir numa dessas árvores pra ver se acha um algo de interessante. Um vão nas arvores, sei lá. Pode ser uma clareira, ou um laguinho,” ela completou, dando de ombros. Nesse quesito, ela admitia que não era muito boa, outro motivo que a fazia se perguntar o porquê de ter sido escolhida para aquela tarefa.








