Tem 26 ANOS e atualmente reside em TOKSAN-DONG e veio de BOSEONG, COREIA DO SUL HÁ 3 ANOS. Os monges dizem que sua alma está ligada à KIM TAEHYUNG, talvez seja por isso tamanha semelhança. Atualmente se ocupa como PROFESSOR DE LITERATURA E ESCRITOR.
/ * A ciência ainda não nos provou se a loucura é ou não o mais sublime da inteligência. — PT. 2
Acompanhado de @gcn-minhee ;
em Gimpo-dong dia 21 de Janeiro.
Vinha caminhando com total confiança naquele que oferecerá-lhe só a voz como comprovação de autenticidade, mesmo assim, parecia o suficiente naquela situação. Temia o pior, a cegueira completa e sem chance de retorno, questionando-se por qual motivo então teria sido atraído pela última centelha de luminosidade que viu e, em meio aos medos, tinha de fazer-se coragem para enfrentar aquele escuro. Não desonraria o seu compromisso, ele sendo apenas um passo para seu objetivo de chegar em casa de maneira segura.
Confiar em um desconhecido, independente do que sentiu ao ouvir a sua voz, estava fora dos planos. Primeiro, chegaria até Minhee e teria o papel de acalma-la quanto a não poder permanecer ali, pedindo no instante seguinte que contatasse o noivo. Parecia perfeito, até poder ouvir a reação dela.
“Minnie-yah, me escute. Pode se acalmar.” Segurou os ombros dela, uma palma em cada lado e tentou passar calmaria nos instantes seguintes a partida daquele que foi seu guia. “Não sei o que aconteceu, mas está tudo bem. Não precisa ligar para o hospital.”
/ * Quando um louco parece completamente lúcido é o momento de colocar-lhe a camisa de força. — PT. 1
Acompanhado de @gcn-gunmin ;
em Toksan-dong dia 21 de Janeiro.
O iluminar do céu veio em hora inoportuna. Caminhava ao encontro de sua amizade, a mais antiga talvez, quando subiu em direção as estrelas uma luz que não poderia dizer o que era. Depois da luz, o escuro. Sua visão enegreceu, vindo junto com um zumbido que ocupou seus ouvidos por alguns segundos, até trombar numa figura masculina - o imaginava sendo uma, já que estava quase na sua altura.
"Perdão... Perdão, quem é?" Mesmo que não enxergasse, se afastou e o ombro que costumava ser imponente, tornou-se pequeno e encolhido. Tentava ouvir tudo ao seu redor, mas seus pensamentos e ações eram tão confusos que decidiu parar e dar o outro sua vez de fala.
Estava para ser criada coisa melhor que uma lojinha de conveniência no meio da madruga para o proletário. Bo Yun mesmo adorava as opções e a acessibilidade financeira da coisa – e toda vez que, por um segundo, reflete sobre a questão gastar ou não gastar, o valor que surge na telinha do caixa faz a comida ainda mais gostosa.
Encher a barriga naquelas condições? Poderia se dar ao luxo sempre.
Naturalmente, foi com dois macarrões instantâneos apimentados - um com ovo e outro com salsicha -, um onigiri de sardinha apimentada e um kimbap. Para acompanhar, a garrafinha de café com leite gelado seria essencial para amenizar o ardor. A sobremesa? Preferiu deixar do sorvete de feijão no freezer por motivos óbvios – mas o doce no formato de peixe já constava na notinha. E como se não bastasse comer para caramba por um preço maneiro, ainda podia fazer no espaço gostosinho no qual ficava as mesas do lado de fora.
Se bem que, daquela vez, quando Bo Yun percebeu que não estaria completamente sozinho (aliás, reconhecia o outro cliente), acabou se sentando no lugar diferente do usual.
― You! ― vez ou outra, lançava o inglês carregado aprendido com músicas.
Considerando que estava preste a matar o que o matava há uma hora (a fome) e o fato de que encontrava quem menos esperava, como impedir o sorrisão ladino na cara? Bo Yun sentou-se ao lado de Dante. E porque ainda esperava a água cozinhar o macarrão, ele começou pelo onigiri.
― Boa noite, Cogumelo. Que interessante te encontrar aqui- Ei, eu não esperava mesmo. ― apontou para o próprio rosto, portador de olhos apertados pelo sorriso. Talvez, talvez tenha também invadido um pouco do espaço pessoal alheio, mas não teria sido nada inédito. ― Já me reconheceu, mmh?
Entender da onde vinha a própria surpresa demandou-lhe tempo de raciocínio. Não usaria o fato da sua - quase - formação em inglês e os anos de faculdade lecionando o idioma terem dado na cara que aquele que se aproximava certamente tinha ouvido muito Soulja Boy, mas não tirou do canto dos lábios o sorriso mínimo, ainda mais quando ouviu o apelido. Lembrava-se bem deste rosto, não por algum tipo de situação especial, apenas se lembrava de todos que tinham frente à si uma atitude diferente da maioria e BoYun havia sido bem diferente em sua abordagem.
O sorriso desapareceu junto com as boas lembranças quando o espaço pessoal foi invadido e a reação, assim como na primeira vez que se viram, foi o afastamento. Talvez aquele fosse algum tipo de padrão do homem, assim como sempre seria sua primeira reação tornar-se longe.
“Não.” Respondeu a pergunta com uma mentira não tão clara assim, uma vez que a face não havia mudado muito desde a aparição de outrem, fazendo até mesmo do sorriso de canto algo tão suave que poderia passar despercebido. Somente queria que ele saísse dali, podendo ser a personalidade introvertida falando mais alto ou o medo de trazer para o maior a mesma maré de inimizades que trouxe para aqueles que se tornaram seus amigos.
A loirinha encarava Dante com um sorriso no rosto, uma felicidade genuína e não embalada por uma certa quantidade de THC vinda do que fumavam juntos. No começo o amigo tinha assustado um pouco com seu jeito sério, mas aos poucos Cordelia viu que Dante era apenas uma pessoa diferente das que tinha conhecido antes. E também sabia lidar com ele a ponto de ter se tornado seu grande amigo. Ouvir aquelas palavras vindas dele faziam com que um sentimento de surpresa e de acolhimento, ele era um escritor, já imaginava que ele fosse bom com aquilo, mas sabia que eram palavras genuínas. Estendeu a mão para fazer um carinho no braço do amigo. “… dentro das bilhões de variáveis e possibilidades, nós dois encontramos um ao outro. Nossa amizade só podia estar predestinada.” Coçou um dos olhos e deu mais uma tragada no cigarro. Tinha de dar um jeito de levar mais tempo ali e não chamar atenção da mãe, abençoada seja a cozinha mal iluminada de sua casa.
Não era comum que alguém o visse com olhos tão gentis, ele sabia. Contudo, no claro do olhar - mesmo avermelhado - da mulher, ele percebia a pureza de uma conexão genuína. Amigos? O que era isso ele soube por pouquíssimo tempo, perdendo-os bruscamente, talvez por isso fosse apertado em seu peito quando pensava que aquele laço se consolidava. Perdê-la seria horrível. Por isso, seu olhar desviou ao chão. Era tão bom com palavras, menos quando tinha que dar as suas mais sinceras prosas à outrem. Não viu a mão que lhe alcançou o braço e pego contra seu conhecimento, encolheu-se. Traumas realmente mudavam as pessoas e Seo Dante não tinha o costume de ser tocado gentilmente, reagindo com medo toda vez que se aproximavam daquela forma. “Acho que.. É...” Afastou a mão dela de maneira sutil, se encolhendo um pouco ao longe da mulher. "Delia, acho que tenho que ir." Era clara a tristeza pela própria reação ao ocorrido tão simples. Sonhava com o dia em que seria como os outros.
Autor do best-seller “Conto das Águas”, Seo Dante retornou em Novembro com mais um sucesso. Em seu novo livro, “Viagem ao fim do mundo”, ele traz a odisseia de um pequeno garoto e o seu tigre de estimação. Com apenas um mês de lançamento, mais de cinco recordes de vendas foram quebrados por todo território e a fama do poeta lhe rendeu dois prêmios da academia de letras.
I had a dream, I got everything I wanted but when I wake up, I see you with me. And you say: as long as I’m here, no one can hurt you. If I could change the way that you see yourself, you wouldn’t wonder why you hear that they don’t deserve you.
O destino havia traçado um plano maior que os dois poderiam imaginar, algo que estava escrito por baixo da pele de ambos e que somente fazia sentido se lido em consonância entre corpos. A linha que em um começava, no outro terminava e não havia apedeuto que não lhes entendesse.
Se cada comentário pejorativo já ouvido nesta vida o impedisse de levantar, Dante não teria tão radiante saído da própria casa naquela manhã e muito menos com o objetivo que tinha. Parte o deixava nervoso, não negaria. Uma constante quando se tratava do homem que amava, e tinha certeza que amaria por bons anos, mesmo com a distância do momento. A viagem de outrem o deu uma perspectiva nunca antes presenciada: mesmo na abstinência, havia crescimento. Cada instante sem o mais novo fazia seu peito tornar-se jaula pequena demais para enclausurar todo o seu sentir e, ao procurar mais espaço, abriu mausoléus em folhas incontáveis que jaziam nos arredores.
Uma, no entanto, chorou a marca de cada sentença.
Passeando por cada momento, percebeu-se apaixonado há mais tempo do que tinha coragem e discernimento para assimilar, tratando de registrar cada batida de seu coração naquele texto.
Bom dia, anjo querido.
Não mais fazem aqueles como nós, decerto. Sentir-se enérgico em meio ao dia torna-se um desafio sem teus sorrisos, mas sei que da onde está, me sorri diariamente em suas batalhas travadas. Tens, de fato, um sorrir tão esperançoso que me pergunto qual riqueza tornou-lhe tão humilde, desconfiando daquela que esconde dentro do peito. Mostrar-se nunca foi algo o qual dominou, deve ser por isso que esconde tamanha joia no lugar onde somente a morte alcança, privilegiando-me à cada segundo que suas palavras banham minhas memórias. No entanto, faço eu jus ao que presencio?
De aventureiro nada tenho e, ainda assim, pirateio caminhos entre os seus braços cada vez mais perto do seu tesouro. Intenção alguma tenho de rouba-lo, pois apossar-me iria de uma parte tão pequena - mesmo que tão bonita - do tudo que você representa.
Lembro-me de quando aportei no teu cais, foi impossível não sentir o peso do brilho daquele olhar em meus ombros, o farol que me guiou por muitos caminhos e ensinou que mesmo na tempestade, ainda havia lugar seguro para estar. Em sua simplicidade, massacraram-te algo que, uma vez desfeito, não era possível recuperar. Levaram tua pureza, mas nunca o brilho das tuas galáxias e nas mãos de quem nunca viu a luz, você se fez reluzente.
Seria loucura não tornar-se apaixonado. Minha mente que somente olhava para o céu atrás de respostas teve que entender, aceitar que as belas palavras nunca foram para o estrelado que jaz sob nossas cabeças, mas para aquele que carrega e me oferece sem exigir nada no retorno. Eternizava, então, o seu existir muito antes de dar-me conta que era tudo sobre os dias chuvosos em que não nos importamos de nos resfriarmos, sobre as músicas que meus dedos tecem no piano e sua bela voz entoa aos quatro ventos, sobre o pesar que escorre os nossos olhos e rega nas palmas das nossas mãos o carinho crescente que as recolhe sem pensar duas vezes.
Procura-se perfeição e em você existe algo além que se faz presente mesmo quando tenta - e consegue - derrubar-me do seu lado em nosso leito durante a noite.
Mesmo pouco, o tempo ao teu lado me mostrou relíquias nas quais nenhum explorador teve a ousadia de sonhar e procurarei em ti, somente em ti, meu grande amor, a pedra filosofal. A motivação de poetizar que em mim lateja, à ti dedica hoje a mais sincera ode e espero que a recepção seja feita de coração tão aberto quanto me recebeste há anos atrás.
Quero crescer, desenvolver e findar meus dias em teus mares.
“Depois… depois querido, queimaremos o Mundo, porque só é verdadeiramente senhor do Mundo quem está acima das suas glórias fofas e das suas ambições estéreis. Estamos ambos neste caso; amamo-nos; e eu vivo e morro por ti.”
Do seu eterno navegante,
Seo Dante.
Estava feito e nada mais importava. Juntou então o que lhe cabia e rumou ao correio da cidade. Amava à moda antiga, escrevia como se as almas ainda fossem as mesmas de séculos atrás e a carta enviada tinha data certa para chegar na casa de outrem junto com uma bela cesta com o café da manhã para revigorá-lo. Aguardaria ansioso pela resposta no dia em que quatro meses fariam juntos.
📁 : ╱ trad.: você ‘tá me dando um ataque do coração (…) ❜ ― ! 🎶 x 📻
quando? um flashback de agosto, quando o parque esteve pela cidade.
onde? parque.
com quem? @gcn-dante
prévia. mais aqui: x.
Pensa, pensa… pensa.
Às vezes, Bo Yun arranjava uns daqueles carrapichos que grudam cada vez mais em sua roupa, e em lugares que você menos espera. E aí, você limpa um e outro, até que de repente, do nada, acaba descobrindo mais um. Bo Yun já havia tentando de quase tudo para mandar a mensagem, inclusive dito com todas as palavras, mas o mundo tinha pessoas de todos os tipos, né? As vacilonas como Bo Yun e as vacilonas como aqueles insistentes emocionados que viveram muitas histórias - na cabeça deles.
Bo Yun não pensou o tanto quanto gostaria. O máximo que conseguiu foi lançar algum filme clichê da Netflix ao dizer que precisava ir, pois estava esperando alguém especial. O problema foi encontrar essa pessoa que encaixaria nesse tal de especial, porque, veja bem, tinha que passar o recado… E se não passasse, tinha que pelo menos sobreviver mais um dia.
Foi aí que o mocinho passou por si e Bo Yun soube, naquele instante, que tinha sido coisa do destino mesmo. Ou seu anjo da guarda, quem sabe?
Meteu o sorriso galante, mas sincero - de apertar seus olhos e coisa e tal -, e largou o outro rapaz sem avisos mesmo, porque o papel de emocionado agora era seu. Bo Yun com o famosinho Dante? Perfeito. Porque o cara, definitivamente, tinha tudo menos uma aura convidativa, ou seja, ninguém ousaria tentar puxar papo ou se aproximar de Bo Yun.
― Hey! Então, sou eu, Bo Yun, e você provavelmente não está entendendo isso, nem me conhece, e já adianto minhas desculpas- Com licença ― e passou o dedo comprido por uma das casas da calça que o outro usava. ― Você, no momento, está sendo minha salvação. Estou em perigo… Em perigo meio juvenil, quero dizer. Você pode assentir com a cabeça agora? Só para dar o engajamento e convencer aquele mocinho ali ― ele apontou, virando-se e mostrando o sorriso. O aceno para o rapaz foi só para a atuação de despedida. ― Que eu estou em um encontro com você. Ah, sim, tem essa parte: estamos em um encontro de mentirinha. Mas é só até ele vazar, não se preocupe.
Parques não eram de fato a sua visão de diversão, não que tivesse alguma além de sentar-se o dia inteiro em uma biblioteca engolindo a leitura do máximo de páginas possíveis dos variados e intrigantes assuntos, mas decidiu dar uma chance para a programação da cidade naquele mês. A ideia claro que não tinha vindo de sua própria vontade; Kibum era o maior agente causador da decisão e o acompanhava em sua jornada social, já que o encontro contava com um número de pessoas maior do que Dante estava acostumado. Apoiava-se no melhor amigo, por vezes quase que literalmente ao se colocar atrás do mesmo para se esconder dos olhares maldosos da roda de pessoas com estavam com eles, mas depois da grande vergonha que havia passado, tempo sozinho era tudo que precisava.
Andar um pouco pelo local lhe trouxe uma sensação que não tinha há tempos. O isolamento por vezes fazia-o esquecer de sua fobia social, a cabeça tão cheia de tudo e vazia ao mesmo tempo vagava por cada silhueta que passava por si, observando tudo mas não vendo nada. Assim que se manteve de guarda baixa para aquela figura se aproximar e tocar-lhe de maneira que fez seu coração dar um salto de susto. Não ouviu o início da sentença, a apresentação passou como os ruídos dos arredores em sua cabeça, apenas pegando à partir da explicação.
Salvação? O que aquilo significava?
Dante o olhava confuso, sem nada dizer. Quando solicitado para acenar em positivo, ele levou o tempo necessário para raciocinar e logo fez, seguindo o olhar para onde aquele que não sabia o nome sorria. Sua cara com certeza não era a mais convidativa do mundo - nunca era -, uma vez que a terceira pessoa em questão sequer manteve contato visual consigo, abaixando o olhar se afastando com um certo medo em sua linguagem corporal.
Odiava como os outros temiam a sua presença, apesar de já estar acostumado com aquele tipo de reação, só não entendia o que o maior ainda preso em sua calça queria com aquilo. Por isso, a sua primeira ação efetiva foi gentilmente tocar-lhe a palma, tirando-o do contato e afastando o corpo até que seu espaço pessoal fosse restaurado. “Quem é você?” Questionou diretamente e a voz rouca, porém grave, evidenciou a falta de uso por longos períodos. Não era nada feliz a forma que o encarava, beirando o ameaçador se olhasse bem fundo nos olhos vazios de Dante, mas por questão de educação não virou as costas para deixá-lo sozinho. Queria entender seus motivos para uma abordagem nunca antes presenciada.