A MINHA MORTE
Eu estava cansada, mesmo depois de dormir por horas ou ficar de bobeira na cama, eu estava vazia, mesmo depois de preencher com tanta besteira e coisas que fazem do meu tempo menos tedioso.
Era de manha, as 11h, eu acordei e percebi que tudo tinha se perdido, que eu tinha me perdido e que eu só queria não acreditar em tudo que eu estava sentindo e pensando, eu acordei querendo não ter acordado, porque será que eu tenho que existir ? qual o sentido? Se a vida é tão boa e surpreendente como os outros falam, porque a todos os dias em que eu acordo e cai a ficha de que eu ainda estou aqui me dói e me faz chegar a ponto de soluçar e de ficar em desespero? Essa vida realmente não fez sentido nem na hora de morrer, essa merda nunca FEZ SENTIDO ALGUM.
Eu estava pensando longe, quando me vem na mente a possibilidade de tomar mais de um comprimido para dormir mais, talvez eu queira passar mais do que 3 comprimidos, talvez eu nem queira mais acordar, eu estava em uma relação meio delicada com meus amigos, eles estavam distantes e eu mais ainda, e a pessoa a quem eu amo? Eu não quero falar sobre. Estou cansada e eu só queria dormir, eu olhei pro teto, e vi o rosto dele, mas ele nem sequer era um rosto real, e nem sei se um dia seria, sabe? Que seria real ele ali na minha frente. FODA - SE.
No dia em que eu morri.. eu tomei meus remédios, beijei meus avòs e me despedi de uma forma discreta de todos aqueles que mereciam um adeus, eu já estava esgotada, eu não sabia nem se aguentava respirar mais, eu repetia a mim mesma que tudo ia ficar bem, eu estava partindo, eu estava finalmente indo descansar por infinitas horas sem fim, eu ia sonhar e iria esquecer das dores... Eu estava partindo e enquanto isso eu dava risadas ao lembrar dos tombos da infância, dava risada dos momentos em que haviam piadas engraçadas, antes da minha morte eu escrevi um texto desabafando. O adeus dói, mas tem seu lado bom.
















