Eu me sinto diferente do resto das pessoas quando me refiro ao amor. Hoje mais cedo me sentei com um amigo para conversar e ele me disse que tinha duvidas sobre o que sentia, se aquilo era realmente amor, e eu sem pensar muito disse a ele que o amor não era algo que poderia ser pensado, que era algo que era sentido e dito, que quando notávamos as palavras já estavam escapulindo pelos nossos lábios, e as atitudes sendo arrancadas de nós… É que pra mim esse sentimento é assim, quando vamos nota-lo ele já está lá tomando conta de nós, nos invadindo por inteiros, e não existe duvida alguma, a gente só sabe que é, porque realmente é. Ele ficou admirado com a minha resposta, já eu me senti uma típica romântica do século 19 descrevendo como um casal de apaixonados deveria se sentir, talvez eu me considere diferente por esse motivo, eu não sei me atualizar para o tempo em que vivemos, um tempo em que o amor dura meses, e se acaba em segundos. Eu não sei ser esse tipo de pessoa que joga tudo fora como se nada houvesse existido, eu só consigo ser aquela pessoa tola que mesmo quando é deixada e sufocada nos próprios sentimentos, ainda os guarda durante meses e sofre pela perda deles. Certa vez li um escritor dizer que o amor nascia e morria, concordei com as palavras dele, ele sim sabia o que dizia… Porém, na parte de seguir o passo de matar o amor, eu pouco entendi, não sei ser como esse escritor, só consigo deixar o amor morrer pela vontade, e pela amargura do tempo de não ser cuidado. Eu que já disse tantas vezes que quando é amor de verdade ele permanece dentro de nós mesmo após o fim, que sobravam restinhos, que apenas paravam de querer ser lembrados… A morte é isso também, não é? Sobram restinhos espalhados em lembranças e objetos, mesmo quando algo morre. E se o amor é isso pra mim, algo sem-medidas e sem-limites, um dia eu espero poder olhar o mundo, e encontrar alguém que se sinta preso ao mesmo século em que eu construí os meus sentimentos, aquele amor ao estilo antigo, que não passa, que dura durante anos, e que nada apaga. Que é escrito em árvores, em cartas, em textos e livros. É desse amor que eu vivo, do amor dos tempos antigos.
Lembranças de Ana. (via esplandecer)
















