I won't be alone. @Carter Fortescue {Flashback}
Desde bem pequena, mesmo quando estava nos piores tempos de sua vida, uma das características mais fortes sobre Carter era a curiosidade. Por alguma razão inexplicável, ela não conseguia se conter diante de alguma questão não respondida e sempre acabava fazendo perguntas em quantidade exagerada ou em momento inapropriado, isso quando não ambos, e algumas vezes isso acabara a metendo em sérias confusões, mais ainda que sua mudança fácil de humor, se é que isso é possível. Lembrava-se do primeiro episódio desses, no primeiro ano, em que ela questionava uma já afastada professora de Astronomia sobre sua opção sexual, devido ao fato de ela sempre usar roupas largas e, ao seu ver, “masculinas”. Essa pergunta, é claro, rendeu algumas boas detenções e o início das chacotas sobre a garota que logo aumentariam consideravelmente o tamanho, chegando ao ponto quase insuportável que está nos dias de hoje.
Naquele dia em particular, ela estava se sentindo absolutamente bem. Conseguira terminar um trabalho que a incomodava fazia um bom tempo e caminhava alegremente pelos corredores, de forma tranquila e contente. Foi quando num canto avistou dois sonserinos com algum objeto em mãos. Tentou ignorá-los e passar resto, mas sua curiosidade como sempre resolveu falar mais alto, e ela diminuiu o passo para que pudesse ao menos tentar ouvir o que diziam os sussurros contidos. Lamentavelmente um deles pareceu notar o que a garota fazia, chamando a atenção do outro. Ela recuou dois passos, mas eles foram mais rápidos, cercando-a e iniciando uma séries de insultos contra seu sangue, sua curiosidade e sua pessoa de forma geral. Ela tentou conter as lágrimas inevitáveis, mas elas vieram mesmo assim, e Carter se odiou por se permitir chorar naquela situação. Detestava que eles vissem que realmente a estavam afastando, mas não podia evitar.
Estava tão ocupada em achar um jeito de fugir do cerco dos dois, que não notou a garota os observando, até ouvir sua voz fina e doce dando uma bronca enfurecida nos garotos. Mesmo em sua tristeza, ela pode surpreender-se ao ponto de erguer as sobrancelhas para a menina não muito maior que ela que de uma hora para outra tornara-se uma gigante por sua postura autoritária. Quando finalmente os rapazes desistiram de ouvi-la e foram embora, Carter já não mais chorava, e sim olhava para a, como ela notara, corvina a olhando com pena. - Estou bem, não se preocupe. - disse, secando rapidamente as lágrimas nos olhos - As pessoas apenas gostam de implicar comigo, estou acostumada - deu de ombros tristemente. Era verdade, de certa forma. Mais uma vez sua curiosidade a colocara em confusão. - Não acho que seja preciso, eles não fizeram nada de realmente errado, não é? Falar todo mundo fala - sorriu para a garota, agora um pouco mais animada. Surpreendeu-se ainda mais ao vê-la pegando seus livros do chão, e sussurrou um agradecimento ao pegá-los de volta. - Não assustou, não. Achei bem maneiro, na verdade. - brincou - Sou Carter Fortescue, prazer Hestia, e muito obrigada por isso.
Quando Hestia aceitara o dever para com o Castelo, sabia que enfrentaria alguns problemas, sabia que teria que mudar sua postura e talvez até mesmo o seu jeito para com as pessoas, porém, os seus colegas de Monitoria sempre lhe disseram algo e talvez eles não estivessem errado, Hestia simplesmente não conseguia ser sangue-frio, ao contrário, sempre que presenciava alguma situação onde alguém parecia (ou realmente estava) sendo inferiorizado, ela sentia a necessidade de ajudar e mesmo que aquilo por vezes a colocasse em maus lençóis, ela simplesmente ignorava e fazia o que julgava ser certo. As pessoas que não conheciam Hestia Jones poderiam facilmente achar que ela estava querendo ser a heroína do dia, ou que ela provavelmente estava procurando por encrenca, ambos errados, é claro, ela simplesmente se sentia no dever de fazer o que julgava certo e mesmo que fosse julgada, ela continuaria fazendo, afinal, ser normal não era exatamente o ponto forte de Jones. Hestia fez questão de se certificar de que a garota a sua frente estava bem, lágrimas sempre abalavam Hestia, de um jeito ou de outro, mas, ao perceber que aos poucos estas se dissipavam, ela se tranquilizou. – Claro, falar todos falam, mas, isso não dá á eles o direito de te fazer chorar, querida, por favor me avise caso eles voltem a importuná-la, pois, eu faço questão de tomar todas as medidas cabíveis, esses garotos passam demais dos limites, acredite. – Terminou de falar e sorriu de um jeito extremamente amigável, Hestia tinha o dom de ser exatamente daquele jeito, muitas vezes colocava sua prioridade em segunda instância e preocupava-se com os outros, e nunca se importava com isso, na verdade, sentia-se bem ao ajudar, sentia-se mais humana e completa, como se aquilo fosse o necessário para preenchê-la. – De qualquer forma, eu quero que me avise pessoalmente caso alguém mais te importune, combinado? – Hestia apoiou uma das mãos no ombro da garota, ainda com o mesmo sorriso nos lábios.
– Muito prazer, Carter, e disponha, caso precise de alguma coisa, já sabe aonde me encontrar. – Piscou um dos olhos de uma maneira displicente, e logo riu. – Não é como se eu fosse perseguidora, mas, esses garotos andam precisando de alguém para colocá-los em seu devido lugar, ah eles andam mesmo. – Hestia não conteve o riso mais uma vez e balançou a cabeça em negação. – Há um tempo atrás eles já me encurralaram, e bem, eu nunca tive a chance de me defender, então, eu sei o que você está passando, acho que foi um dos motivos para eu ter me tornado monitora, acabar com esse tipo de repreensão por aqui. – Hestia encolheu os ombros, e por alguns momentos lembrou-se de tudo que estava abrindo mão por conta de seu título de Monitora, só esperava que algum dia tudo aquilo se tornasse normal aos seus amigos, e esperava do fundo de seu coração que eles entendessem que ela só fazia aquilo para protegê-los, o sorriso então se desfez. – Mas não pense que é fácil estar na minha situação, não é mesmo. – Hestia sorriu, essa vez com um certo pesar. – Mas, acho que as coisas irão acabar bem, de qualquer forma. – Sorriu de um jeito positivo, querendo acreditar nas próprias palavras e se esforçando. – Pra onde você está indo? Se quiser eu te acompanho, assim não tem chance alguma dos brutamontes te magoarem mais uma vez. – Hestia sorriu novamente.











