Letters | POV
I’m mine.
Before i’m ever anyone elses.
O envelope ainda estava esquecido e lacrado em um cantinho de sua penteadeira, ao que ela lembrava atrás do pequeno porta jóias que deixava em cima da mesma. De onde estava nem ao menos conseguia vê-lo, mas ainda sim parecia sentir a presença do pequeno pedaço de papel que tinha em letra elegante seu nome e endereço na parte de trás. Quando tinha visto a carta pela primeira vez lembrava de se perguntar se teria ele a escrito ou algum responsável, talvez só a parte de fora, podia ser também que ele nem sequer fosse escrever as cartas para ela...ou ele apenas se dedicava a caligrafia, talvez ela perguntasse isso quando fosse responder a mesma, já que uma hora teria que o fazer.
Mai sabia que ter aquele contato, mesmo que distante, era algo que seus próprios pais não tiveram, mas ainda sim ainda não conseguia se acostumar com o pensamento de que estava comprometida a alguém com a qual nunca vira na vida. E como forma de protesto a isso ela fazia questão de sempre demonstrar que não gostava daquela tradição idiota e antiga de família, coisas como demorar a responder o dito cujo chamado Wei HaiKuan, mas também duvidava que este ligasse mais do que seus avós por exemplo. — argh — reclamou ao se jogar pra trás na cama e enfiar o travesseiro na cara, estava curiosa no conteúdo da mesma.
Acabou ficando apenas alguns segundos daquele jeito antes de deixar o pequeno travesseiro decorativo cair para o lado e se levantar, não era porque a leria que iria já responder na hora, foi seu pensamento de justificativa para si mesma quando pegou novamente o pequeno e caro envelope e foi em direção a janela encostando no canto da mesma. Sua respiração estava levemente alterada, como se o ar estivesse carregado e abafado ao invés de gelado com a chegada do inverno, pela forma que suas mãos tremiam levemente dava-se para notar seu nervosismo, mas sua ansiedade fez com que rasgasse o lacre da mesma e logo puxasse a devida carta para fora, amassando pouca coisa suas bordas.
Seus olhos devoraram cada palavra e a cada uma seu coração encolhia um pouco mais, sinceramente se o endereço e seu nome não estivessem escritos tanto no envelope quanto na própria carta poderia ser destinada aquelas palavras a qualquer uma na face da terra. A sensação que ela tinha era a de que estava lendo algo de outra pessoa, falando da vida de outra pessoa que não a sua e isso era tão....angustiante. Se antes de ler ela já tinha como objetivo não responder com rapidez, agora que terminara tinha certeza absoluta, então apenas jogou a mesma aberta sobre a penteadeira não ligando que o envelope fosse ao chão e foi direto a cama, se cobrir até o queixo e abraçar outro travesseiro de muitos que tinham ali, nem ligando de molhar o mesmo com as lágrimas que saíam aos montes, se antes as discussões era sobre algo no futuro agora parecia mais real, o compromisso com um estranho, tão diferente dos romances que lera.















