Eram onze horas da manhΓ£.
Β Eu nΓ£o queria abrir meus olhos, a cama parecia uma nuvem glamurosa, mas eu precisei esticar as pernas como se algo emergencial estivesse por vir. Primeiro, movi os dedos dos pΓ©s e em seguida, abri os olhos e uma aranha que cobria com seus pelos e gordura Β toda a extensΓ£o da minha cama estava planando Γ dez centΓmetros do meu rosto. Eu nΓ£o sei se vocΓͺs reagem Γ um momento de pavor com paralisia, infelizment, ao sentir o cheiro e a respiraΓ§Γ£o daquele ser quase colado em mim... Meu corpo desligou.
Β Por um instante, eu entrei em pΓ’nico e meus olhos se contorceram como se estivessem sendo ameaΓ§ados com furos de navalhas, eles se reviraram como os carrocΓ©is que eu amava brincar na infΓ’ncia. Naquela Γ©poca, eu nΓ£o via. Eu nΓ£o sabia que aqueles que usavam os parques clandestinos serviam aos gangstars para a comercializaΓ§Γ£o de apostas ilegais.
Β Uma gota de saliva da aranha caiu na minha boca, eu ainda nΓ£o consigo me mover. Penso " - Como pode isso acontecer comigo?" A saliva do monstro era viscosa e gelada, diferentes da aranhas venenosas tradicionais que possuem venenos nas glΓ’ndulas salivares tornando-as quentes. Β Consequentemente, concluo que esse animal nΓ£o pretende me matar com envenamento... Acho que podem imaginar a segunda opΓ§Γ£o.
Minha curiosidade nΓ£o permitiu que toda pressΓ£o nos olhos fosse suficiente para que eu pudesse fechΓ‘-los, eu nΓ£o sabiase eram lΓ‘grimas ou sangue, mas outro lΓquido quente caΓa pelo meu rosto.
Β O monstro aproximou sua boca de mim, o cheiro de ovos podres me fez lembrar a noite anterior, eu estive em casa o dia todo e nΓ£o quis fazer comida, decidi que ovos fritos seriam o bastante para matar a fome, entΓ£o coloquei tomate,sal e quebrei a primeiro casca, a gema era amarela como sol, dei atΓ© um sorriso de satisfaΓ§Γ£o. Por gula, peguei mias um ovo, a gema era Β uma mistura de marrom-verde como cocΓ΄ mole de bebΓͺ e eu bati na panela causando uma lembranΓ§a sem fim na cozinha.
Β A boca da aranha me retirou da memΓ³ria quando comeΓ§ou a me aglutinar...Caso nΓ£o saibam, algumas aranhas tΓͺm a boca na regiΓ£o torΓ‘xica ventral, comumente cobertas de olhos e pelos na regiΓ£o anterior (costas) e o maior poder de circulaΓ§Γ£o sanguΓnea Γ© dirigido Γ s patas, pois enquanto a aranha come, ela envolve a presa e a quebra lentamente, tal qual um bote de jibΓ³ia. A diferenΓ§a Γ© que a presa sente os pelos do aracnΓdeos e as quatro patas o cercando e querendo de forma irregular. Acho que com jibΓ³ias seriam mais uniforme.
Cropt! O som da minha perna quebrando me forΓ§a voltar para a realidade, acho que minha mente estΓ‘ me fazendo viajar para preservar a consciΓͺncia enquanto o corpo falece.
Cropt! Cropt! NΓ£o sei o que mais quebrou... Meus olhos comeΓ§aram a se fechar.
Senti o cheiro de sangue fresco no ar... eu nΓ£o Β me mexia; eu nΓ£o falava, mas me perguntava o por quΓͺ. Γ essa altura, creio que nΓ£o havia muito dele, talvez uma gosma facil de ingerir.
Meus olhos comeΓ§am a se fechar de novo. Dessa vez, completamente.
De repente, eu estou andando em direΓ§Γ£o ao espelho, a visΓ£o estΓ‘ completamente embaΓ§ada, igual aos Γ³culos abafados em que dias frios que precisei assoprar o cafΓ© quente para beber. Sigo pensando que aquele maldito sono acabou com minha noite, eu preciso me ver e garantir que estou bem, a paralisia do sono foi tΓ£o intensa que a cada passo dado nΓ£o reconheΓ§o bem o meu corpo.
Sinto dificuldade em andar, parece que respiro pela barriga, me sinto curvado como se tivesse uma corcunda.
Chego no espelho e me vejo.