"Continua sempre que você responde: Sim"
A frase da última sessão com Pedro foi: "Destinar a libido para outro lugar", pois o desejo desconectado do instinto li em algum lugar, contraria a vontade da alma. Começo por dizer que esse afeto ruidoso fala com minha alma, como histérica temo ser um love bombing, mas refletindo e vendo refletir esse sentimento em outros olhos e todos os atravessamentos que o tempo e o espaço fazem barricada na completude desse todo, só posso pensar que o mundo e a vida decidiram ensinar-me a permanecer. Não existe talvez pela primeira vez em minha vida a dúvida sobre a extensão do meu sentimento, mas um medo descabido de ele superar sua projeção e ver meu mundo mental tão raso e cru, e não bancar o que trago nas malas pesadas. Mas isso alertei desde o primeiro momento assim como quem deseja refutar a imagem bonita que ele trás de mim. Não há como negar me extasio com cada elogio, com as possibilidades tão bonitas e rebuscadas que ele faz de mim, quero ser alguém em par com esse ser, entendendo que trata-se de outro, com vida, desejos e anseios distintos mas que necessito integralmente ser testemunha do crescimento, quero cuidar, dar o amor que ele acredita nunca ter recebido em abundancia, ama-lo dando e recebendo colo, sendo leal e ética, dissolvendo fantasmas e nóias. Longe das utopias, sei que viver é conflito, mas esse desejo eloquente quer tomar, não só a pele e a alma, mas os hábitos, o cotidiano e o tédio desse homem.
O que Ivan me deu, não passa em nenhum momento pela minha cabeça abandonar, mas tenho tanto medo da queda, nos achamos no amor como gostamos de dizer e eu não quero soltar. Logo, me agarrar nesse afeto trás destinos e contingencias, inúmeros desdobramentos que não sei como irei lidar, mas só se ama, amando e um homem com um histórico de permanência me diz que ele está preparado para o meu amor, com sua paciência, amizade e alteridade.
É tempo de contar outras histórias, se falta sentido para tamanha potencia, invento sentidos outros sustentando dor e felicidade, crescimento e força, pertencimento e caos.
"Quem me chamou? Quem vai querer voltar pro ninho?
E redescobrir seu lugar
Pra retornar e enfrentar o dia a dia
Reaprender a sonhar"
Como canta Maria Bethânia, quero brincar de viver e responder sim a minha imaginação, convidar Ivan para habitar meu mundo e rir, chorar, gozar e recomeçar todas as manhãs o impossível. Achei graça em uma conversa ele falar que somos magnetismo, polos opostos, e em outro relato eu assim o descrevi, o homem conhecedor das leis de Newton, ele sabe da energia liberada, melhor do que eu, sabe os percalços do caminho a dois. Pois bem, aceito de bom grado esse amor maduro e que se afaste de mim a ideia de não suficiência, pois confiando e percebendo esse homem, sei que ele está presente tanto quanto eu.