Psicanalise e bosta: Esvaziando as latrinas mentais.
Barata come 60% de todo esgoto, e você ainda a chama de bicho escroto! Rola-bosta é o bicho mais forte do mundo e com repulsa os consideramos imundos! E digo mais, alguns desses bichinhos se orientam pelos corpos celestes pra levar em linhas mais que especiais suas imensas bolas de fezes! Encontrando nos céus utilidade maior que os signos do zodíaco, pensemos no fiasco: é mais útil usar as estrelas para ser escravo da bosta, do que escravo dos astros da astrologia! Quem diria...
Hoje me recordei de um livro aclamado que li há 15 anos ou mais (Insustentável leveza do ser) e que guardo como única memória uma história de merda; um filho de Stalin irado por falarem da sua bosta fedida que empesteava toda a latrina compartilhada pelos soldados em um posto, se joga totalmente irado contra fios de alta tensão, morrendo pela própria bosta! Eu sempre achava essa recordação hilária e a relacionava com uma lembrança de natal, em que meu tio zuou tanto o próprio filho por empestear o banheiro no natal que o pobre de tanta raiva quase teve um derrame e foi parar no hospital!
Essas lembranças me ocorreram pós sessão em que reclamei que só tinha bosta na cabeça, só estava pensando em merda e Pedro me falou que a merda era a nossa primeira produção autoral, a criança vê a bosta como algo precioso, e eu aqui com meu dejetos fiquei com ainda mais merda na cabeça, seria um sintoma que compartilho com meu tempo? Não lidar com seus próprios excrementos? E então fascinada, desorientada me pego na ideia de regressão, agindo como um bebê que até então eu achava que não lidava com seus próprios dejetos, mas muito pelo contrário, só os pequenos ainda não soterrados pelas ideias de limpeza e assepsia tratam seus restos com um respeito animalesco, e o que sobra para nós adultos chafurdados em nossos próprios excrementos mentais escondidos do olho severo das leis? Recalcar e nadar nesse imenso mar bostial? Ou justamente "desrecalcar" e lidar com tudo que até agora mesmo era parte interna do Eu e saida do corpo como palavra invade as narinas sem pedir licença e se marca, lambuza os encontros com nossos restos e o que fazemos com isso? Chamamos o "Alfredo" da propaganda de papel higiênico? Gritamos "quem tá com a mão amarela?" e acusamos o outro dos nossos próprios processos? Como em "Essa canção" De Ultraje a rigor: "É um sintoma perigoso, Se não tratar vira doença, O que era coisa do intestino, Parece que foi pra cabeça."
Deixemos agora cada adulto com suas bostas, que lhes servem de desconforto e conhecimento. Uma vez em uma briga esbravejei "Não sou porca! E a pessoa passou os dias dizendo que eu mesma me auto intitulei e que eu estava certa, era uma porca! Muitos foram os meses que lidei com isso como ofensa, mas hoje ser uma porca me parece a única forma de ser humana, como na expressão: "Cagou na mão e bateu palma" finalizo o texto em respingos.












