em new york, é difícil saber quem são os seus verdadeiros aliados. se resolver depositar a sua confiança em MOUNTY WINDBERG, talvez vá lhe encontrar JOGANDO VIDEOGAMES ou passando pela entrada de NEW YORK POST. pode notar pelo sotaque que nasceu em MANHATTAN, precisa de um descanso por ser ASSOCIADO DOS LASOMBRA e venceria um concurso de sósia de ALEX WOLFF. ainda não temos muitas opiniões ao seu respeito, mas MOPPY passou os últimos TRINTA anos sendo chamado de INTROMETIDO e CURIOSO, o que não mudou depois que começou a atuar como JORNALISTA.
━━━━╰➻ 〖𖥔〗 GET TO KNOW: 𝑀ounty 𝑊indberg. ⌫
Formado em jornalismo, a vida de Mounty nunca foi mais interessante do que seu trabalho. Um garoto magrelo e fraco, sem grandes habilidades motoras para praticar esportes ou carisma para se socializar, ele tinha sorte de ter pelo menos uma pessoa interessada em ser sua “amiga”. Claro que essa pessoa também fazia um inferno na vida dele e o usava como saco de pancadas social quando queria se exibir para alguém. Foi essa pessoa quem o apelidou como “Moppy”, por causa de sua aparência sempre surrada e largada. Infelizmente todo mundo o chama assim até hoje, já que em seu trabalho tem muita gente que se formou com ele. Sua família é pequena e ordinária, não tem primos ou outros parentes na mesma faixa etária, o que o torna mais solitário ainda. Se mudou da casa dos pais conforme se estabilizou no New York Post e um dinheiro extra dos Lasombra começou a entrar na conta, e hoje é um orgulhoso dono de um loft em Manhattan há dezesseis minutos de distância de seus pais. Também adotou um gato velho chamado Barbixa para se sentir menos sozinho, mas seu gato não gosta muito de carinho ou sequer ficar perto de Mounty. É mais um colega de quarto do que propriamente um animal de estimação, mas Windberg ainda sente afeto pelo peludo.
Sua chefe, uma vampira que se compadeceu com sua história, permite que o rapaz venda seu próprio sangue e informação para a instituição em troca de uma pequena taxa. Claro que no fundo ele espera também ser transformado em um ser mais forte e capaz de grandes feitos, mas tem respeito -ou medo- demais para pedir diretamente. E além disso, pode ser que ele acabe numa situação cálice-vampiro onde ele ganharia poderes e manteria parte da sua humanidade, o que seria infinitamente melhor para si mesmo. Mas o fato dela ser sua chefe e fazer a vida dele bem mais difícil com seus pedidos parece deixar tudo isso parado no tempo, quando as coisas vão realmente começar a dar certo para Mounty?
starter fechado com @iwishiwasntmounty no new york post.
Depois de conseguir o que queria, não só as marcas avermelhadas no corpo e a mancha de batom no colarinho, mas também aquele colar em específico, Dominic caminhava por Manhattan, tentando fugir dos olhos daqueles que tinham muito dinheiro exatamente porque havia acabado de roubar uma madame muito carente de atenção mas que usava um diamante raro que ele precisava colocar na sua coleção. Óbvio que a cautela era um exagero já que a mulher dificilmente se lembraria da peça ou sequer da sua figura em específico, devido ao uso adequado de sua magia, claro, mesmo que ninguém do seu pequeno grupo pudesse saber, as vezes era bom se prevenir um pouco mais.
E foi nesse passeio que acabou dando de cara, literalmente, com o rapaz que conhecia muito bem, só então percebendo que estava na porta do jornal. "Ei, você... me negou uma mísera alma pra depois fazer pacto com um vampiro?" Disse em um tom indignado porém baixo o suficiente para não chamar a atenção de ninguém. Passou o braço sobre o ombro dele, para ficar próximo o suficiente enquanto praticamente o arrastava para longe daquele território, não queria ter problemas com os Lasombra da mesma forma que não queria irritar ainda mais a sua madre suprema. "Eu deveria te processar, sabia? Por... difamação..."
Só uma pausa para o cigarro, era só isso. Mas claro que o dia sempre podia tomar rumos aleatórios para os quais Mounty não estava preparado. Por isso quando viu a figura conhecida e ameaçadora - pra ele - Windberg pensou em dar as costas e voltar pro escritório de escada, mas infelizmente ele já estava na calçada e o feiticeiro já o dirigia a palavra. Quando se deu conta, já estava sendo arrastado pelas ruas de NY sem nem entender o que estava acontecendo, sua feição deixando isso bem claro. Estava tão desconfortável que até pensou em xingar e empurrar o rapaz que o abraçava pelo ombro, mas não teve coragem.
─ Me processar? Eu deveria te processar. E tecnicamente não fizemos um pacto, fora que ela não mentiu pra mim, diferente de certas pessoas. E mais importante que isso: o que você tá fazendo?
⠀⠀⠀⠀⠀⠀os seus olhos pousaram sobre o rosto humano, como se examinasse minunciosamente cada uma de suas palavras. com os acontecimentos recentes, vivienne mantinha-se atenta em cada palavra dita por aqueles ao seu redor, buscando por informações que pudessem ser úteis aos vampiros naquele momento. entretanto, com as palavras de mounty, ela se permitiu dar um pequeno sorriso. “um aumento? claro, nós podemos conversar melhor sobre isso. na verdade, já vinha pensando no quanto você tem se mostrado valioso… é um funcionário exemplar.” suas palavras eram verdadeiras, entretanto. não mentia ao dizer que realmente apreciava o trabalho do rapaz, ainda que o utilizasse para seus próprios fins por mais vezes que o habitual — para além de seu trabalho como jornalista.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀o envelope fora recebido de bom grado por ela, analisando-o enquanto o ouvia falar. por um instante, vivienne manteve-se em silêncio. era um claro sinal da tensão sobre seus ombros, da urgência em lidar com uma situação que parecia como um balde de água fria sobre sua cabeça. “a política é um ótimo argumento para a morte de alguém. saber demais é o bastante para alguns homens, você sabe.” ergueu o olhar do envelope que segurava, guardando-o em seguida. talvez pudesse ser uma boa saída, mas ainda havia algo que a incomodava. “se descobrirmos a identidade de quem estava dirigindo o veículo, ótimo. se compareceu ao baile, melhor ainda.” o suspiro viera no instante em que escutara o nome do conde, não conseguindo esconder o descontentamento e a raiva que sentia dele. ainda não tivera a oportunidade de questioná-lo sobre seus atos no baile. “conversei com cesare naquela noite, mas ele não me parecia estar de péssimo humor. estranho, não é?” a pergunta era mais direcionada a si mesma que ao rapaz, ponderando brevemente sobre o que ele de fato observara naquela noite. algo não encaixava. “a questão principal não é se realmente foi um de nós, mas o que a população irá pensar sobre isso. para eles, há evidências claras demais sobre a nossa existência, e é algo que desejamos evitar.”
O ar da sala se tornou até mais agradável depois dos elogios de sua chefe. É verdade que ele não era nenhum Super Homem, mas tentava fazer o melhor com suas entrevistas e levava o ponto de vista de Vivienne e o que a mulher desejava passar quando tinha a chance de escrever uma matéria, como era a vez em questão. Um "funcionário exemplar" parecia bem correto, na verdade. Pensou em como agradecê-la enquanto encarava seu rosto, provavelmente parecendo completamente perdido em seus pensamentos enquanto o fazia. Talvez ele pudesse oferecer seu pulso? Sempre ficava receoso de sortar flertante com sua chefe ao fazê-lo. Mounty se levantou e fechou a porta da sala antes de continuar a conversa.
─ Já pedi para alguém cuidar do motorista, assim que o informante conseguir um nome ele vai me ligar. ─ acertou a quantidade de café em sua caneca e se pôs ao lado da loira. Por um segundo inteiro permaneceu em silêncio, tentando rascunhar seus pensamentos antes de colocá-los para fora. ─ Bom, a senhorita não acredita que ele poderia estar fingindo? Não por maldade, mas para não preocupá-la? Além disso, o governo já admitiu que criou ataques de vampiros falsos para causar pânico à população antes, podemos facilmente alegar algo desse tipo. ─ explicou enquanto procurava a página impressa com a informação que acabara de citar.
* ⠀SETTING ⠀: ⠀com @iwishiwasntmounty no new york post⠀.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀o nervosismo fazia-se presente mais vezes do que poderia contar. ela sentia que até mesmo as pequenas coisas poderiam dar errado, mesmo enquanto se esforçava para manter a calma com um sorriso delicado nos lábios — falso, mas convincente. parecendo se adequar ao seu humor, a post parecia um pouco mais caótica; os jornalistas, com suas canecas de café em mãos, corriam para todos os lados em busca de qualquer tipo de informação valiosa sobre a morte da filha do governador. os cochichos estavam por toda parte; alguns, acreditavam fielmente na existência de vampiros. outros, pensavam que era um crime bem-feito para sincronizar ao tema do baile proposto por alana. era uma boa desculpa para os furos encontrados no pescoço da vítima, mas ainda corriam um risco grande demais. e tudo aquilo era culpa de cesare.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀mounty parecia preso demais nos próprios pensamentos quando adentrou em sua sala. o som de seus sapatos era o que anunciava sua chegada, e por alguns instantes, vivienne não dissera uma única palavra. parecia aguardar que seu pupilo a percebesse ali. ainda que o usasse como seus olhos e ouvidos por aquela cidade, não desejava despejar sua frustração em suas costas; no fundo, não o desprezava. protegia-o, de certa forma. “pelo que estou vendo, há muitos assuntos interessantes por aqui.” começou dizendo, quebrando o silêncio. sentou-se em uma das cadeiras, cruzando as pernas ao encará-lo. “muitos de seus colegas não estão fazendo seu trabalho, preferem espalhar fofocas sem qualquer tipo de fundamento. por isso, você é o meu favorito.” puxou um dos documentos da mesa; como esperado, mais um informativo sobre o caso que rondava new york. “o que tem para me dizer hoje? mais especificamente, o que você viu naquela noite?”
É fato que de pronto o homem não havia notado a presença da editora-chefe, mas seus saltos e o perfume floral que exalava da figura sempre anunciavam sua chegada. Estava concentrado demais em finalizar um pensamento no deu caderno para atendê-la de pronto, mas com um garrancho rápido conseguiu finalizar a tarefa e voltar toda sua atenção à vampira.
─ Vivienne! Fica à vontade, eu acabei de fazer café. ─ apontou para a garrafa térmica acompanhada de três xícaras diferentes na ponta de sua mesa com a mesma caneca que sorvia o líquido preto, estava exausto e não havia passado nem metade de seu turno. ─ Consegui muitos pontos de vista diferentes, vai ser difícil mas acredito que tudo vai correr bem.
Ele já estava se preparando para buscá-la pelo escritório do Post, então deu sorte pela visita. O rapaz se levantou, posicionando o óculos e a caneca num canto vazio da mesa e terminou de organizar uma pasta com diversas transcrições de entrevistas sobre o caso, meio que disfarçando como o comentário da mulher havia o deixado tímido, mas contente. Pra ele, era mais importante saber a verdade e selecionar as partes que todos deviam saber, ao invés de sair por aí atirando informações falsas para todos os lados como alguns dos colegas de profissão que Delacroix mencionara. Mounty gostava de acreditar que não era um mentiroso manipulador, e sim um arquiteto da verdade, e que isso o fazia melhor do que os outros. Era tão raro ele se achar bom em algo, a única fração de sua vida da qual se orgulhava era o trabalho, adorava quando via suas matérias enquadradas na casa dos pais.
─ Já que eu sou seu favorito, poderia me dar um aumento? Meu gato não come mais a ração barata que... ─ interrompido, murmurou algo do tipo "como eu imaginava" disfarçadamente enquanto procurava um envelope para entregar à mulher. Às vezes Vivienne testava secretamente os limites da paciência de Windberg, já que o homem era medroso demais para demonstrar. ─ Também consegui imagens de câmeras de segurança que mostram o governador sendo seguido por um carro suspeito dias antes do ocorrido, podemos facilmente fazer parecer que foi algo político. Mais importante, o que eu vi foi o Conde Cesare discutindo com várias pessoas, e não só com a vítima. Acho que no geral, ele não estava em um bom dia e alguém se aproveitou disso para forjar toda essa situação. ─ verificou se estavam completamente sozinhos e até diminuiu em alguns tons a voz antes de continuar. ─ Mas foi vampiro mesmo? Ela não parecia estar, tipo... Hm... Seca. Né?
“merda… desculpa! Mounty, é claro! eu não vi que era você.” riu de si mesma com a confusão, ele era inofensivo. é claro que se lembrava do rapaz, fizera bons negócios com ele vez ou outra e isso tinha a ajudado a ganhar bons trocados com o The Post. esperava que aquele “susto” não comprometesse suas vendas, ela ainda tinha o aluguel para pagar, isso é, caso o roommate não tivesse destruído o que restara da casa. de qualquer forma, ainda que a relação ali fosse amigável, envolvia seu ganha-pão, por isso sabia que precisava manter certa prudência. e o baile não era, sobre tudo, um bom lugar para esbanjar seus dotes alucinatórios. recomponha-se victoire. reprima-os. tire mais fotos e venda o seu negocio. respirou fundo e seguiu, com um sorriso, podia até se divertir com a situação. “senhorita?” riu pelo nariz “eu lhe agradeço, não é um vestido muito confortável, eu sinto minhas costelas engalfinhadas, mas tinha que seguir o tema caso quisesse garantir o trabalho… falando em trabalho, o que faz aqui? veio vender mais noticias ou é uma noite para diversão?”
─ Estou me atendo ao tema. ─ acompanhou a risada fraca da morena à sua frente, bem mais tranquilo depois do mal-entendido. ─ Imagino que deve ter sido difícil aguentar a noite inteira nesse vestido, mas faz sua cintura ficar super delinea- nada ver eu falar disso. ─ teve a sorte de seu cérebro perceber antes de sua boca o que estava sendo dito, fora a sorte de sua colega ter trocado de assunto. Talvez não devesse ter bebido tanto vinho. ─ Isso, trabalho, vamos falar de trabalho.
Enquanto Mounty evitava contato visual devido à falta de habilidade social, ele buscava no bolso de seu colete um isqueiro e seu pacote de cigarros. Dentro deste, no entanto, se destacava um cigarro fechado na ponta e consideravelmente mais fino do que todos os outros, que havia provavelmente sido bolado posteriormente por algum lobisomem no Midnight Garden na noite anterior.
─ Tô anotando tudo no meu caderninho, o trabalho nunca dorme. Mas às vezes ele tira uma soneca. Não se importa, certo? ─ mostrou o cigarro especial que havia ido buscar. Não queria fazer Victoire se sentir desconfortável, também não queria ser visto como um maconheiro pela mulher, mas àquele seria o único momento da noite que teria um momento para descansar e espairecer sem ninguém que o deixasse absurdamente desconfortável por perto. Depois de acender o fumo e guardar novamente o maço e o isqueiro no bolso do colete, ele continuou fumando como se nada, sem ter certeza se deveria oferecer à Victoire ou não. ─ Mas e você, já tirou muitas fotos ou tá precisando de um pouco de inspiração?
Bjorn escondeu um suspiro exasperado com o assunto trazido pelo humano. Tinha recebido os e-mails e tinha lido todo o material enviado de maneira digital. Por esse motivo que optou por não respondê-los. Por mais que tivesse uma aparente inesgotável fascinação por humanos e ela se estendesse ao homem à sua frente, não podia ignorar o fato de que achava a mente dele um lugar particularmente interessante. Um exemplar único da experiência humana, se pudesse dizer. Personificação das arcanas não era algo novo. Já tinha visto isso na história da arte diversas vezes, mas a parte sobre tarot alienígena era deveras curiosa. Podia dizer com segurança que não tinha memórias de ver tais palavras juntas antes dele apresentá-las.
Não estava no melhor dos humores, graças ao presente dos céus para aquela noite em específico. No entanto, não podia apenas das vazão à sua vontade de deixar a mesa. Não quando estava ali para conseguir informações e Mounty podia ser uma boa fonte. Assim, fingiu que aquele olhar penoso atingiu algum ponto específico em seu âmago e suspirou rendido. ━━ Antes de uma resposta definitiva, acredito que terá de oferecer informações mais concretas sobre o que é um tarot alienígena.
Pareceu uma criança, sabia disso, mas não conseguiu conter a empolgação ao ter a grande chance de explicar, detalhadamente, cada aspecto da sociedade que havia criado para àquela obra e quais seriam os impactos disso no nosso conhecido tarot. Ficou bem menos empolgado quando o mais velho o perguntou algo do tipo "então é um tarot normal num planeta que não o nosso?" e sua resposta teve que ser sim. Mas ainda tentou vender a ideia como algo único e nunca antes explorado, e como o romance entre uma das arcanas e um humano daria um material bacana. Quando se sentiu culpado o suficiente por estar tirando tempo precioso - ou nem tanto assim? - de Bjorn, fechou seu caderno de anotações - um cego deslize, já que agora anotava novas idéias para seu trabalho pessoal, mas outrora para seu trabalho de verdade - e o deixou sobre a mesa empenhado à ir atrás de algo para beberem juntos. Não se apressou ao voltar para a mesa com duas taças de vinho tinto com uma fragrância bem agradável.
─ Um brinde à sua bondade, senhor! ─ ergueu o vidro em direção ao do outro com o primeiro sorriso tranquilo da noite. ─ Só de você ter aceitado me ouvir já me deixa inspirado, sinceramente.
Os passos resguardados eram um tracejo já muito comum seu, mesmo após um tempo, ainda não havia se acostumado com a cidade. fora convidada a fotografar o evento, mas então, parada diante da fachada, o barulho dos carros a perturbava. o som de saltos tilintando e os motores rugindo, toda a balburdia inata de new york eram para ela grandes maquinas de demolição que demoravam a se acomodar nos espaços recém criados de sua mente. espaços que antes eram habitados pelas paredes brancas do hospital, corredores infinitos, grades de apoio. agora haveriam de se habituar com toda a civilização caotica. ainda dentro da instituição estudara diplomacia o suficiente para não se portar como um bicho do mato, assustado com as luzes, mas do fundo, era o que era. e isso não foi possivel negar quando, ao menor indicio de uma aproximação as suas costas a morena se virou, erguendo e apontando o bico enferrujado da tesoura velha para a figura que se aproximava dela. “santo deus, você me assustou.” chiou antes de abaixar o objeto pontiagudo.
─ Me desculpa! ─ gritou instintivamente depois do susto que levou, automaticamente se responsabilizando pela situação em que se meteu, abaixando lentamente os braços que se levantaram por reflexo buscou ar para preencher os pulmões. Mounty tentava não encarar diretamente a lâmina enferrujada nem imaginar que aquilo provavelmente lhe daria tétano ou algo do tipo. ─ Eu vim te cumprimentar. Mounty Windberg, lembra?!
Sua voz fraca não demonstrava, mas era verdade que não tinha nenhuma segunda intenção. O rapaz já havia conhecido seres da noite muito menos assustadores do que a fotógrafa que sempre estampava suas matérias para o The Post, ainda que nunca tivessem trocado mais do que e-mails e algumas transações bancárias. Depois que os sinais de susto se dissiparam, a dúvida pela motivação da jovem surgiu, talvez ela também soubesse das criaturas sobrenaturais que estavam por toda parte do evento? Mas como exatamente ele poderia colocar isso em pauta sem parecer um completo lunático, caso ela não souber de nada. Por isso decidiu deixar pra lá momentaneamente e usar uma das técnicas de Vivienne o ensinou sobre mulheres. Se apoiou próximo à fachada e sacou seu maço de cigarros, ter algo para fazer com as mãos sempre o deixava menos nervoso.
─ Você está fascinante essa noite, senhorita Victoria. ─ elogios são sempre bem-vindos aos olhos das mulheres, certo? Então por qual razão era tão difícil para o rapaz o fazer?
Bjorn tendia a evitar situações que envolvessem refeições com humanos pelo simples fato de não suportar a textura dos alimentos. Entretanto, em certas situações, acabava sendo inevitável aceitar se sentar à mesa com eles. E aquela era uma daquelas situações, onde teve a própria anfitriã vindo perguntá-lo se não iria comer nada. A garganta já seca, sedenta por sangue, quase o fizera soltar um comentário ácido demais para ingenuidade vívida de Alana. Entretanto, não podia evitar os pensamentos a respeito das oportunidades que podia ter ali se fosse apenas cauteloso. Infelizmente para si, não queria arruinar a oportunidade que a noite estava trazendo, então decidiu desviar o foco dos pensamentos para seu trabalho.
À mesa, o vampiro brincava com a comida. Jogava para lá e para cá, colocava pedaços pequenos na boca e depois os dispensava no guardanapo. Tudo de maneira muito discreta, em movimentos absolutamente sutis, disfarçados pela maneira como mantinha a conversa fluindo. Sua melhor estratégia para desviar a atenção de seu prato praticamente intocado. ━━ Já foi fazer uma leitura de tarot esta noite? ━━ Perguntou para a pessoa ao seu lado. ━━ Fui um pouco mais cedo e a pobre moça pareceu preocupada. ━━ Comentou em um tom completamente divertido e, também, levemente debochado. ━━ Ao que parece, a carta da Torre diz que vou morrer logo. ━━ O que era ridículo, considerando que já estava teoricamente morto há quase dois séculos.
─ Hahah, engraçado o senhor falar disso pois eu estou escrevendo uma obra justamente sobre tarot alienígena e a personificação das arcanas! O senhor teria interesse em ler o prólogo?
Mounty praticamente engoliu as vírgulas de suas frases assim que Bjorn lhe direcionou a palavra, ele simplesmente nem chegou a ouvir de fato o que havia sido dito pois já maquinava como entrar no assunto de seu novo livro. A verdade é que ele havia se sentado ali justamente esperando a boa vontade do mais velho, que era uma grande inspiração para Windberg. Admirava o trabalho do homem e sempre soube que ele tinha um bom olhar para as artes, por isso sua opinião poderia fazer toda diferença para as obras de Mounty. Claro que ele sabia que estava sendo irritante, mas Bjorn jamais retornava seus e-mails e tempos desesperados pediam medidas desesperadas, naturalmente. E justamente por ter a noção de que existia uma grande chance do mais velho simplesmente o ignorar novamente, os olhos de Mounty brilhavam como o de um filhote implorando por um terço da atenção da mãe. Os segundos se tornaram pesados e longos demais, e o rapaz pôde sentir uma gota de suor escorrendo pelo seu pescoço, só então percebendo como estava nervoso. Quando engoliu em seco, sentiu mil espinhos cortando sua garganta por dentro e um calor tão intenso que sentia suas bochechas queimarem, mas ele sabia que não podia correr dali como um maluco e se esconder no banheiro, afinal estava falando com alguém com muito mais tempo de experiência nessa vida do que ele, então só continuou encarando o homem com um sorriso bem menor do que o de minutos antes.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀os olhos de vivienne continuaram a fitar mounty, sustentando um olhar gentil em sua direção — aquele que guardava intenções as quais o humano jamais saberia. gostava de ter olhos e ouvidos em todos os lugares daquela cidade; saber de todas as informações, sobretudo em um baile como aquele, era valioso. entretanto, jamais sujaria suas mãos com a parte suja daquela cidade, ainda que fizesse parte dela. era recomendado que outros tivessem seus nomes manchados em seu lugar, que arriscassem por pensarem ter algum tipo de valor. a vampira sabia, mais que ninguém, as palavras certas a usar com aqueles frágeis de alma — por isso, mounty estava ali. para ser seus olhos e ouvidos. “não irá olhar para mim, mounty?” o tom de voz era calmo, educado. mostrava-se uma chefe exemplar com seus funcionários, mas o rapaz era seu favorito e o cuidado era redobrado. “não cogitei que pudesse pensar sobre minha casa. como acredita que seja? vejamos se há bons palpites.” virou-se na direção do primeiro garçom que cruzara seu caminho, pegando dois copos da bandeja que ele segurava; um deles estendeu na direção do rapaz. “conte-me, tesouro. o que há de tão interessante neste baile aos seus olhos?”
─ Desculpa... ─ os olhos opacos de Mounty fizeram contato com os brilhantes de Vivienne, um contraste amargo demais para ser estendido por mais de alguns segundos. Era tão difícil quanto um xadrez, essas interações sociais. Para o rapaz o xadrez ainda fazia mais sentido por ter as regras e movimentos pré-determinados.
Ele até forçou um sorriso enquanto explicava como achava que a casa de sua chefe era antiga porém reestruturada e com toda a mobília reformada, mas só conseguiu ficar tranquilo quando Vivienne perguntou sobre suas observações, e sacou seu pequeno caderno de anotações do bolso do casaco para que pudesse se lembrar de todos os detalhes do que presenciou.
─ Alana parece pronta pra seguir em frente com sua vida amorosa, nem todos CEOs sabem seguir etiquetas e dresscode, conversei com um funcionário da cozinha que disse que metade da equipe ainda não foram pagos, vi duas garotas... Sabe? Garotas. Enfim, duas garotas passando mal e sendo carregadas pro banheiro por outra garota um pouco mais velha. Não vi elas saírem de lá desde então. Fora isso, tudo normal.
⠀( … )⠀SETTING ⠀: ⠀starter aberto no salão principal⠀.
⠀⠀⠀⠀⠀em retrospecto, vivienne se recordara de inúmeras ocasiões, quando fora transformada, em que o controle se esvaia de seus dedos. naquela noite, sentia-se da mesma forma, onde a fome falava mais alto que a razão – um sentimento que já não era tão comum para alguém como ela. batucava os dedos na taça que segurava, mantendo sorrisos gentis para qualquer um que cruzasse seu caminho, como uma maneira de disfarçar o incômodo que a perseguia como um agouro. fossem vampiros, lobisomens – estes ao qual se esforçava para não torcer o nariz – e bruxas, até mesmo humanos deslumbrados e ingênuos, que sequer imaginavam a existência de seres tão cruéis, eram vítimas de suas palavras gentis e sorrisos repletos de intenções veladas. apenas precisava manter a política da boa vizinhança, a máscara que gostava de sustentar para aqueles ao seu redor como forma de fortalecer os laços que os lasombra possuíam. “uma bela noite, não acha?” chamara a atenção daquele ao seu lado, embora não parecesse ter notado sua presença até ouvir a voz melodiosa em seus ouvidos. “nunca imaginei que alana pudesse ser tão empenhada em bailes, consigo até mesmo me sentir em casa. você não, gracinha?”
Ter sido convidado por Vivienne foi interessante para Mounty, antes de perceber que na verdade ele estava ali pra ser o cara invisível que anota tudo que possa virar manchete no jornal. Chegou no horário, conseguiu entrar com o seu caderno de anotações dizendo ser um crítico gastronômico para os seguranças e quando se deu por si, estava sozinho sentado em uma mesa assistindo ao baile mais vampiresco que ele já viu, tanto na vida quanto na ficção. O que o trouxe de volta à realidade foi a voz familiar da sua chefe, surpreendente puxando assunto com o jornalista fracassado!
─ Ah sim, linda noite. ─ ele olhou para cima, mesmo que não pudessem ver o céu, qualquer coisa pra evitar o olhar da loira, e permaneceu em silêncio até ela continuar a conversa porque, honestamente, estava nervoso demais para pensar em qualquer coisa. Foi quando ouviu a palavra gracinha que não pôde se conter e soltou uma risada de nervoso meio exagerada e fina, o que deixou suas bochechas ainda mais rosadas. Mounty definitivamente estava se sentindo estranho naquela noite ─ É... Foi mal, haha. É que me fez pensar em que tipo de casa você vive! Não que... Eu esteja falando mal da sua casa nem nada...
o quão difícil é te tirar do sério? qual é a forma mais eficaz disso acontecer?
você prefere guardar rancor, executar uma vingança ou conceder o seu perdão? o quão fácil é reconquistar a sua confiança depois de um ato de traição?
até onde você iria para alcançar seus objetivos? existem linhas que você não cruzaria, ou o fim sempre justifica os meios?
já foi desleal com alguém para conseguir o que queria? consegue conviver com isso ou ainda tenta justificar suas escolhas, mesmo que só pra si mesmo? se nunca chegou a cruzar essa linha, o que te segurou — medo, culpa ou alguma outra razão?
como você lida com o fracasso? quando as coisas não saem como o planejado, você aprende com isso, se culpa ou tenta responsabilizar outros?
1. “Não gosto quando me atrapalhem no meio do meu trabalho, quando ficam me pedindo favores ou quando não me escutam, mas eu sei manter a calma e não atrapalhar as pessoas com meu desapontamento. Diferente de certas pessoas, tipo a minha chefe. Ai, falei sem pensar cara, tem como tirar essa parte? Isso vai ser publicado onde mesmo?”
2. “Acredito que guardar rancor é algo normal hoje em dia na sociedade que a gente vive. Eu não acredito que o perdão é algo que pode ser dado por alguém cheio de falhas como nós, sabe? Soa clichê mas é o que eu penso. Por isso não me prendo muito em tentar perdoar as pessoas que me magoam, prefiro só fingir que elas não existem mais. Mas é claro que se alguém pedisse desculpas pra mim eu aceitaria, não tenho muitos amigos pra ficar perdendo os que eu tenho por besteiras tipo meus sentimentos.”
3. “Olha mesmo minha vida sendo uma bosta- desculpa! Eu quis dizer, mesmo minha vida não sendo uma das melhores, eu não tenho coragem de fazer coisas perigosas que atentem contra ela, é assustador demais entrar em uma briga e eu não pretendo fazer isso nunca mais. Então sei lá, acho que pra alcançar meus objetivos eu iria até onde eu sei que eu não vou acabar morto, porque aí não vale a pena né? Haha...”
4. “Hm, essa é mais difícil... Eu acredito nunca ter sido desleal com ninguém, mas também nunca consegui o que queria. Talvez, só talvez, se eu tivesse a chance de conseguir o que eu quero mas isso me levasse a um ato de deslealdade, acho que eu aceitaria, sabe? Mesmo com culpa e medo, claro que eu me sentiria um merda depois. Mas quando se teve uma vida tão miserável e sendo invisível como eu, uma chance é tudo que a gente precisa pra mudar de vida.”
5. “Ah eu e o fracasso somos bem chegados. Ele é um ótimo mentor sim, o fracasso ensina quais são suas limitações e suas falhas, apontando onde você precisa melhorar. Eu diria que ser um fracassado me tornou um ótimo estrategista, já que eu não saio de casa sem ensaiar mentalmente como minhas interações sociais vão ser constrangedoras por minha causa, por exemplo. Às vezes a gente só precisa desistir dos sonhos que são grandes demais pra gente e focar nos menores que talvez um dia possam se tornar realidade.”