viciousvicx:
flashback.
os dedos de sua mão formigaram assim que fizeram contato com a pele de howard, como um curto elétrico avisando-a de que deveria se afastar, mas victoire se manteve ali, ignorando qualquer tipo de aviso ou sinal. tê-lo por perto trazia a ela uma impertinente sensação de satisfação e perigo, ainda que ela não entendesse o motivo. mesmo assim sorriu ao vê-lo discordando dela, o que poderia mostrar que ele era quase tão teimoso quanto victoire, quase. pensou ao ouvi-lo suspirar. “tudo bem, eu posso te fazer mudar de ideia.” respondeu de forma singela, porém convicta. desviando a atenção de seus pensamentos que insistiam em divagar sobre como poderia ficar horas ouvindo apenas aquela voz que lhe fazia ter arrepios. victoire não estava acostumada a se sentir daquela forma, e talvez por isso relutasse contra, mas havia muito ali além da falta de costume, haviam traumas profundos que ela teimava em esconder por debaixo do tapete até ter a certeza de que jamais voltaria a se entregar para homem nenhum, e agora toda aquela certeza estava abalada. “não me parece tão normal quando toda uma cidade fala de vocês… me faz pensar que conquistaram muitos admiradores, huh? ainda assim adorarei tirar as minhas próprias conclusões.” respondeu, sentindo uma certa dose de adrenalina percorrer pelas suas veias ao momento em que seu corpo roçava no dele através da dança, e as mãos firmes do outro pela sua cintura não era algo que a ajudava na árdua tarefa de manter a concentração. com isso a morena balançou a cabeça e voltou seu olhar a ele, decidida a voltar sua atenção no que kalisi dizia. “se diz isso então talvez não seja a família que te prenda, e sim você mesmo…” proferiu em um sopro enquanto o analisava. fora um pedido dele que ela tomasse as suas próprias conclusões, certo? bem, era isso que estava fazendo. victoire era uma mulher inteligente e estratégica, mas nem por isso menos rebelde, e fora assim desde sempre. nos primeiros anos de vida, cuja memoria não era o seu forte, provavelmente havia passado certo tempo buscando e buscando pela aprovação dos pais, mas aquilo não durou muito tempo, não até que ela pudesse andar com as próprias pernas e assim descobrisse que se ela queria uma coisa, teria que ir atrás e lutar por aquilo, sozinha. sendo assim, não possuía obrigações a não ser as que ela mesmo fazia, seu trabalho, suas regras. desse jeito pouco via sentido nas falas do homem sobre ficar em um lugar que não lhe agradava por “obrigações familiares” embora tentasse entende-lo. “acredite, eu sei bem como as pessoas podem ser cruéis e perversas.” um riso fraco brincou em seus lábios ao pensar sobre a frase, era impossível ouvir sobre pessoas perversas sem acabar pensando na sua própria historia. “mas ao contrario de você, não consigo enxergar tanta beleza nesse mundo. quem sabe um dia você não possa me mostrar?” a fala era repleta de veracidade. sincera e sem provocações como estava habituada a fazer. a ardakhani apenas não enxergava mais todo aquele mundo de beleza, mas daria tudo para voltar a vê-lo. pensou ao sentir seu coração palpitar junto as batidas finais da musica, e não evitou em descer o seu olhar até os lábios de kalisi enquanto o acompanhava.
kalisi sabia que ele estava brincando com fogo e grandes eram as chances de por algum motivo ele acabar se queimando no meio daquela brincadeira, talvez se fosse um homem melhor se preocuparia em queimar-la ou algo do tipo, mas a verdade era que ele nunca fora nem iria ser aquele homem, se preocupar com qualquer pessoa além de si e sua família sanguínea era completamente fora de cogitação. a verdade era que o rockfeller havia sentido bastante a perda de sua mãe quando a mesma falecera no parto de sua irmã caçula evie, ele era muito próximo dela e a perda da mesma fizera com que ele nunca estivesse disposto a perder mais nada, trancando tudo e todos para fora de sua vida. “dificilmente, essa é uma coisa sobre mim, eu posso ser bem cabeça dura.” ele sorriu levemente se permitindo acariciar o braço dela com uma de suas mãos, seu toque não era ousado, se kalisi não se conhecesse a si mesmo tão bem beiraria a dizer que seu toque era carinhoso e terno, embora não fosse muito era suficiente para entreter seus sentidos quase como se o fizesse sentir entorpecido pelo pequeno gesto. seus olhos não desgrudavam da figura da morena, quase como se estivesse em transe, talvez estivesse. “bem, eu me pareço uma pessoa normal para você agora? nossa família tem uma grande história, meu pai veio do nada, eu tento ajudar ele a nos manter numa boa situação mas você sabe, cidade pequena, as pessoas gostam de falar...” umedeceu os lábios ainda a conduzindo entre a dança, ele sentia que poderia dançar até a música mais tediosa ao lado dela se significasse que poderia sentir o calor de seu corpo. “eu espero que você as tire, e eu espero que elas sejam boas no final do dia, por algum motivo não claro eu me importo com o que você pensa sobre mim.” confessou enquanto encarava a beleza do rosto dela, mais uma vez, era como se toda vez quando menos se encontrava mais uma vez apenas olhando para ela, a verdade era que mesmo que não quisesse admitir ele havia notado a presença dela no baile muito antes que ela tivesse visto a dele. “talvez, você tem um ponto, talvez eu seja o problema, mas bem, minha família, minha responsabilidade em teoria eu sou o filho mais velho, cinco minutos mais velho que meu irmão gêmeo mas mesmo assim é minha responsabilidade.” era uma qualidade que ele tinha, se tinha alguém ou algo como prioridade aquela era de fato sua prioridade numero um acima de tudo. não queria se prolongar no assunto ou falar algo que não devia, mas dificilmente o fazia, embora não fosse academicamente um gênio ele tinha um tipo diferente de inteligencia, o tipo que lhe mantinha fora da cadeia. “eu sinto muito por isso.” embora estivesse longe de ser uma pessoa empática sentia por ela ter tido experiencias ruins, talvez se importasse um pouco com ela no fim das contas. “acredite não vejo beleza no mundo porque é fácil...” muito pelo contrario, kalisi era um homem de muitos demônios, sabia que por algum motivo se permitisse ser perseguido por seus pecados ele perderia sua sanidade, howard levou a mão que não segurava a cintura de scarlet até o rosto da mesma, acariciando a maçã de seu rosto, descendo pelo contorno de seu maxilar. “mas se a vida for tão miserável e perversa qual o sentido de estar vivo? precisa existir mais do que isso.” seus olhos mais uma vez fitaram os lábios carnudos da pierce, sentia tanto desejo que quanto mais tempo passava próximo dela menos conseguia se controlar, a mão que acariciava o rosto da morena seguiu seu curso até a nuca da mulher a trazendo para mais perto, perto o suficiente para sentir sua barba roçar na pele da outra, o bastante para que ela sentisse sua respiração, era quase como se estivesse sonhando acordado. seus lábios tomaram os da outra, sentido sua maciez e suavidade pedindo por permissão para explorar e sentir o seu gosto.















