Olha só quem os ventos nos trazem… ENID KAPOOR, não é? Que curioso, por um instante, eu poderia jurar que você era MAITREYI RAMAKRISHNAN, mas sejamos honestos: ela jamais sobreviveria ao destino dos heróis. Os deuses me sussurraram que você tem 23 anos, jovem o bastante para enfrentar seu destino, mas velha o suficiente para pagar o preço da herança divina. Sendo filha de HERMES e criada sob as leis do ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE, a mudança para um novo lar deve estar sendo difícil para você. Talvez você precise se acostumar a ouvir seu nome seguido do título TENENTE e espero que, até lá, tenha encontrado aliados dignos no ESQUADRÃO PRATA, SETOR SPIRITA. Que os deuses lhe observem e que as Parcas, por agora, sejam misericordiosas.
OCUPAÇÃO: cuidado com a horta e a estufa, enfermaria.
PROMPT: Amiga da Lyanna
HABILIDADES APRIMORADAS: Visão aguçada e audição aguçada
Enid é capaz de roubar coisas consideradas apenas conceituais, como o foco, a coragem, a concentração, até mesmo os sentimentos mais elaborados se está bastante focada. O efeito de seu poder costuma durar no máximo dois minutos, dependendo da capacidade de resistência mental do seu adversário pode ser menos que isso.
Traços físicos notáveis:
Ela tem apenas uma longa cicatriz no braço, causada pelo Leão de Nemeia. Além disso, tem uma tatuagem de mandala que cobre suas costas quase inteiramente.
Arma principal:
Foi presenteada pelo pai com um Dhal, um escudo em estilo indiano, quando foi escolhida para sua primeira missão. Ele se esconde em um haathpool (uma pulseira ligada a um anel, ambos de ouro) durante a maior parte do tempo.
GOT A BROKEN EGO, BROKEN HEART
Poucos são os semideuses que podem dizer que tinham uma vida perfeita, e Enid é um deles. Criada em Nova York, mas dentro das tradições hindu, sua mãe sempre fez questão que ela soubesse de onde vinha… Até certo ponto. Seu padrasto era muito amável e, mesmo que ela sempre tivesse sabido que ele não era seu pai, tratava-o como se fosse e eram extremamente próximos. Fazia suas orações corretamente e, para ela, era perfeitamente normal que elas fossem respondidas em sua cabeça, acreditando que Shiva falava diretamente com ela. E seus pais, em busca de lhe dar uma sensação de normalidade enquanto pudessem, confirmavam isso. Afinal, era jovem demais para saber de onde realmente vinha.
Ela tinha tudo o que queria, seus pais eram ricos, estudava na melhor escola, poderia ir para a melhor faculdade e ter uma vida fácil e cheia de privilégios, mas o que dificultava sua vida não era o TDAH, era um caso raro de semideusa que não o tinha. Também não era a visão de monstros, nunca foi forte o suficiente para que eles a perseguissem intensamente então apenas os via e era tratada como uma garotinha muito criativa, pintando coisas estranhas e malucas em seu tempo livre, desde pequena tendo muita inclinação para a arte.
Não. O que a incomodava era a sua cleptomania. Quando menos esperava, estava pegando um óculos escuro, um bracelete barato ou qualquer coisa ao seu alcance nas lojas. E assim acabou sendo pega algumas vezes. Seus pais a amavam e queriam muito lhe dar o melhor, mas não era fácil quando ela estava frequentemente precisando ser buscada em delegacias. Quando passou a ser proibida de sair de casa, mudou seus pequenos golpes para a internet, hackeando empresas que destruíam o meio ambiente, redes sociais de políticos corruptos e preconceituosos. Seu melhor golpe foi quando invadiu uma rede do governo, mas acabou sendo descoberta e dessa vez nem todo o dinheiro do mundo a faria sair impune.
Quando foi para o reformatório, aos quatorze anos, até lá as coisas lhe eram fáceis, conquistava a todos com sorrisos e palavras meigas. E foi assim que conheceu Lyanna Russell, de doze anos. Juntas, traçaram um plano para fugir dali. Conseguiram, mas não foi fácil, e em sua fuga acabaram encontrando com Ophelia no caminho. Tornaram-se então um trio, fugindo juntas e passando anos nas ruas tentando sobreviver. Quando o sátiro Casper as encontrou, hesitaram de início. Viviam bem sozinhas, mas queriam saber mais sobre quem eram e de onde vieram. Neste ponto, Enid não tinha contato com os pais há anos, queria poder voltar a vê-los e a ter pelo menos parte dos luxos que costumava ter. Então, acabaram acompanhando o sátiro, mesmo hesitantes. Juntos, o grupo chegou no Acampamento, mas então Lyanna se sacrificou para salvar as amigas e tudo mudou.
Descobrir que era filha de um deus não a surpreendeu tanto, não mais. Poderia ter ficado desapontada ao saber que quem falava em sua cabeça na verdade era só seu pai verificando como ela estava de tempos em tempos, e não Shiva, mas tudo isso foi anuviado pelo luto, mesmo quando Hermes a reclamou naquela mesma noite. Enid, que até então era uma pessoa otimista e animada, passou um bom tempo deprimida pela perda da amiga. Ela era sua âncora, a pessoa que mais amava no mundo, e não sabia como iria viver sem ela. Ao menos tinha Ophelia ao seu lado, para viver aquele luto com ela. Juntas, passaram anos tentando superar a perda da terceira parte de seu trio imbatível, mas nunca parecia totalmente curado. Enid voltou a ser a pessoa otimista que sempre foi, mas agora existe uma sombra em sua personalidade, uma dificuldade em se apegar a novas pessoas e em acreditar que algum dia confiará em mais alguém além de Ophelia. Antes era uma pessoa muito sociável, mas agora tornou-se mais esquiva, tendendo a passar muito tempo sozinha fazendo suas coisas e se distraindo com qualquer coisa que não exija que ela fique sozinha com seus pensamentos.
WELCOME TO THE FAMILY JEWELS
Personalidade:
Apesar de ser extremamente inteligente e ter uma memória quase fotográfica, no dia a dia Enid pode ser um pouco ingênua. Confia muito fácil e está sempre sorrindo, sempre tentando ver o lado bom das coisas. Adora flores e plantas, tem muita afinidade com animais e gosta de cuidar das pessoas, o que vai totalmente contra aquela parte de si que esconde, que é a sua mitomania e sua cleptomania. Ninguém jamais esperaria que enquanto está sorrindo de maneira brilhante, ela está analisando onde está escondida a carteira da pessoa, e isso foi o que a fez sair impune por muito tempo, até mesmo no reformatório, onde não acreditavam que aquela menina adorável fosse uma ladra.
Pergunta de desenvolvimento:
Ela não é especificamente leal ao Olimpo, mas é leal ao Acampamento e, mesmo que tenha se afastado de muitas pessoas, com exceção de Ophelia, é leal às pessoas que nele vivem, então agora é leal ao Ouroboros também. Porém, ama muito seu pai e tem uma ótima relação com Hermes, sempre conversando com ele durante suas orações. Mas, desde que ele parou de respondê-la após a guerra contra Cronos, tem ficado cada dia mais triste e se sentindo muito sozinha.
@gravesmina asked for: para enid te proteger com seu escudo em um golpe de sorte
Enid não podia negar que se sentia meio inútil em situações de combate. Não lutava lá muito bem, não tinha uma arma fixa para carregar sempre além de seu escudo e seu poder não tinha muito uso ofensivo. Tudo o que podia fazer era usá-lo para distrair os monstros e ajudar as pessoas que estavam feridas e não podiam mais lutar. Era o que fazia quando percebeu Mina cercada por karpois, sentindo desespero ao ver a amiga naquela situação. Correu em sua direção o mais rápido que pôde e usou o escudo para golpear alguns deles, roubando sua atenção para que não as percebesse ali enquanto ia para o lado da amiga. — Você está bem? Está ferida? — perguntou assustada, aproveitando-se dos poucos segundos de paz que tinham por ter afastado os monstros mais próximos.
@softpanicclub asked for: para ajudar enid após ela se ferir
A tentativa de ajudar as pessoas era tudo o que Enid podia fazer naquela situação toda. Já tinha tido seu momento de pânico e o momento em que tentava lutar, mas ela não carregava nenhuma arma de verdade, apenas seu escudo. Então logo essa ideia precisou ser abandonada, levando-a apenas a correr para lá e para cá ajudando a proteger quem tivesse em apuros, distraindo monstros com seu poder quando alguém estava em desvantagem e levando feridos para fora do anfiteatro. Porém, foi um gigante que acabou com a sua paz. Estava tentando evitá-los a todo custo, deixando que guerreiros verdadeiramente habilidosos cuidassem do problema maior, mas aquele tinha demonstrado interesse nela especificamente e já estava exausta demais para usar seu poder. Ele a atacou com sua enorme mão de pedra e mesmo tendo desviado parcialmente, ele ainda a acertou na lateral do corpo. Não achava que tinha quebrado uma costela, mas o ar foi roubado de seus pulmões e ela caiu, sem conseguir se levantar, as mãos e lateral do rosto ficando ralados pelo impacto no chão de pedra. Alguém pareceu cuidar do gigante antes que ele terminasse de matá-la, mas ainda estava dolorida demais para levantar. O medo de ser atacada de novo a dominou, mas quando tentou, sentiu uma dor lancinante onde tinha sido atingida, caindo novamente no chão e choramingando com a sua falta de sorte. — Pai, por favor, me ajuda. — rezou inutilmente para Hermes, mesmo sabendo que ele não a ouvia mais.
@thefateofstjames asked for: para salvar enid de um grupo de karpoi que a cercou
Pânico. Isso era tudo o que Enid sentia depois do que viu. Não conseguia se mover, a visão de Pã e... Seria aquele Fauno? Aquela visão estava tatuada por trás de suas pálpebras e temia que nunca mais conseguisse apagá-la da mente. Não teve qualquer iniciativa de correr ou sequer abrir o seu escudo para se defender, o terror a dominando tão completamente que provavelmente teria sido morta ali mesmo se não fosse salva. A primeira coisa que percebeu foram os karpois vindo em sua direção rápido demais. Sabia que eles eram melhores que os gigantes estranhos e assustadores, mas ainda assim, não tinha qualquer chance. Mesmo ao finalmente abrir seu escudo e usar o poder para roubar a vontade dos karpoi de atacarem-na, estava perdida, e mais karpoi chegavam a cada segundo. Tentou recuar, mas tropeçou e caiu de bunda no chão, sabendo ali que estava perdida. Espíritos de grãos podiam matar? Se sim, ela provavelmente ia descobrir agora.
— 🌬️🔥"Muito. Posso, inclusive, te vender meu curso do marketplace. Custa só dez dólares." Brincou embora seu tom fosse muito menos piadista; naquele caso, imaginava como deveria ser difícil para quem não sentia tanta segurança sobre si próprio, então não era seu intuito brincar com aquilo a ponto de acabar magoando alguém. Não Enid, pelo menos. "Não sei. Às vezes penso que não, às vezes penso que sim... Romanos são tão tensos que não sei se iriam querer esse tipo de coisa, mas também penso que se são tão tensos, fazer bebês deve ser a única coisa divertida que eles tenham pelo resto da vida?" Refletiu. Piero estava genuinamente em dúvida, embora tivesse conhecido alguns romanos que desviavam daquele esteriótipo que tinha sobre os protegidos por Lupa. "Bom, agora você tem um ótimo ponto. Realmente acho que estamos caindo em número... Será? Eu posso oferecer meus serviços pelo bem do Meio-Sangue, se for o caso." Brincou, principalmente porque havia visto o desconcerto leve por parte da outra minutos atrás. Então, por que não atormentá-la por diversão só mais um pouco? "Prometo que te convido para ser a madrinha de pelo menos cinco mini-Pieros. Seres angelicais e calmos como o pai, só não posso garantir muito o lado das mães..."
Ela considerou seriamente o assunto, falhando em enxergar a brincadeira na oferta. — Não tenho dinheiro pra essas coisas, mas seria legal aprender a ser mais confiante. — ela obviamente estava apenas negando educadamente, afinal, se tinha uma coisa que Enid possuía era dinheiro. — Você é bem confiante, né? Que bom. As pessoas precisam de mais amizades confiantes ao seu redor. Apesar de que a minha mãe sempre diz que garotos bonitos quando são confiantes demais é porque cresceram bonitos e por isso não prestam. Todo mundo precisa ter tido uma fase feia pra construir caráter. — ela o encarou, como se tentasse enxergar o seu caráter. — Você já teve uma fase feia, Piero? — questionou seriamente, esperando por uma resposta sincera, apesar de duvidar de que receberia uma afirmativa. Ele tinha cara daqueles garotos que foram modelos mirins em comerciais de fralda. — Romanos realmente parecem sérios demais, mas às vezes isso pode fazer com que suas festas sejam as piores. Ou não. Nem todos são assim. Minha dupla, por exemplo, faz piadinhas nos momentos mais inconvenientes e não sabe calar a boca. Não vejo nenhuma seriedade nele. — sua voz cansada denunciava o dia muito exaustivo que havia passado grudada a Hernán. A provocação de Piero de que ia ajudar a repovoar o Acampamento apenas a fez franzir o cenho em julgamento. — Sim, claro, seres angelicais e super comportados como você. — brincou em um tom sarcástico muito raro e deslocado em sua voz. — Tá bom, Zeus em forma humana, repovoe o mundo meio-sangue com seus genes. Mas eu quero ser madrinha só de um mini Piero, por favor. Posso levar jeito com crianças, mas não sou louca. E também quero poder mimar meu querido afilhado da melhor forma, não posso dar tudo igual para cinco crianças.
♱༺ ☠︎︎ ༻♱ Sah havia cansado de ficar no meio do barulho, quando decidiu se afastar um pouco de sua dupla e observar mais de fora e esbarrou em Enid que parecia fazer o mesmo. "Eu consigo ser bastante assustadora!" Garantiu em ton de brincadeira, fazendo uma careta, como uma forma de descontrair, sentando ao lado da garota e empurrando levemente seu ombro. "Sua dupla gastou toda sua bateria social durante o dia?" pensou como justificativa para ela estar ali sozinha.
Deu um sorrisinho com a resposta da menina, levantando ambas as mãos em sinal de desculpas. — Ah, eu não duvido disso! Toda mulher pode ser assustadora quando quer. Mas quando você não quer, tem uma carinha bem adorável. — assegurou-a, dando um gole de seu copo de suco enquanto observava a fogueira. — Ai, nem me fale. Ele gastou minha bateria social e a minha paciência. Eu falo bastante, mas Hernán fala demais até pra mim, é desgastante. — soltou um suspiro cansado. Aquele ritual romano era extremamente complicado. — E você, está com alguém legal? Deve estar acostumada com isso, não é? Fica mais fácil depois de já ter vivido isso algumas vezes?
₊⁺⋆ ☀︎ ⋆⁺₊ Aurora não era o tipo que forçava os outros a falar quando não queriam e quando não estavam em posição de pacientes na enfermaria, se Enid preferia apenas respirar um pouco sozinha, mesmo que naquela estufa abafada e com cheiro duvidoso, Aura deixaria que ela fizesse isso. Mas precisava falar algo antes de decidir realmente a deixa em paz, afinal sabia que a repercussão que acarretaria se não falasse.
"Tudo bem, você sabe que sou igual psicólogo, minha boca é um túmulo." Iniciou, "Mas se eu fosse você não mexeria nessa planta, ela vai te dar uma coceira danada o resto do dia" completou avisando-a, uma grande maioria dos campistas reagi quase como uma alergia ao tocar naquela planta que a outra estava direcionando as mãos, não era uma hera venenosa mas os sintomas podiam ser parecidos.
O aviso da menina fez Enid recolher a mão rapidamente. — Por Shiva! — exclamou assustada. Com sorte não havia realmente tocado na planta, apenas fingia que o fazia, mas ainda assim verificou a mão para se certificar de que não havia nada de errado com ela. Abriu um pequeno sorriso cansado para Aurora, suspirando antes de dizer apenas: — Obrigada. —, mas sentia-se compelida a dizer mais, a falar as coisas. Os filhos de Apolo costumavam ter esse efeito, de fazê-la querer desabafar suas mágoas. E ela convivia com muitos deles em seus turnos na enfermaria, estava acostumada, de certa forma, mesmo que ainda fosse embaraçoso. — Não quero perturbá-la com os meus dramas. Já me foi dito que eu posso levar as coisas muito mais profundamente do que devia.
Atores e Atrizes utilizam seu dom para trazer felicidade e tirar um pouco do peso da realidade por alguns segundos ou até mesmo jogar na cara de forma bem específica o que está de errado. Isso era arte, mas Mina gostava da parte de distrair os outros do que realmente os preocupava, e sempre tinha um pouco disso com Enid. Sempre achou que amiga carregava pesos em seus ombros que ainda não havia conseguido entender. Utilizando os braços e toda sua expressão corporal tentou demonstrar para Enid tudo que havia acontecido. "Eu corri de lá para cá, perdi minha dupla, jurei que tinha ofendido todos os deuses romanos, depois ajudei a deixar tudo roxo, inclusive minha roupa. Sem corpos, tirando o meu envergonhado que até fruta de oferenda eu comi, sem querer." Ainda ficava vermelha ao lembrar-se do ocorrido. "Animada? Vou pegar mais duas taças de vinho para nós, o que acha?"
Acabou dando uma risadinha com a explicação de Mina de tudo que havia lhe acontecido. Enid adorava a maneira como ela se expressava e, no fundo, desejava ser um pouco mais assim, mas gostava de observá-la fazendo isso. — Tenho certeza que, se você ainda não foi atingida por um raio ou esganada por algum romano, é porque não ofendeu nenhuma tradição muito gravemente. O pior que pode acontecer é você descobrir que aquela fruta de oferenda ficou inteira na sua barriga e começar a dar raízes aí. — brincou cutucando-a na barriga, mas logo caiu na risada. Mina sempre deixava o clima mais leve e Enid agradecia profundamente por isso, pois às vezes sentia que tinha uma nuvenzinha de tristeza sobre sua cabeça que minava a alegria de todo mundo sempre que entrava em algum recinto. — Suco, por favor! — lembrou-a rapidamente, acompanhando-a. — Não sei se animada é a palavra certa, mas é... Diferente, acho. E você? Está gostando disso tudo?
A face de Caspian suavizou conforme Enid foi se explicando e ele se segurou para não começar a rir. Era lógico que era isso que estava preocupando a melhor amiga. Ele esquecia que nem todos tinham a cara de pau ou bom senso igual ele. "Ah, ele achou meus cigarros e tivemos uma pequena e não muito animada discussão sobre isso." Decidiu deixar aquele assunto de lado pelo momento e ir perturbar Enid sobre o que ela realmente estava preocupada. "Você vai ganhar uma maldição, no mínimo, e sim é bem desrespeitoso com nossos colegas romanos." Mentiu, pois não se importava muito, mas sabia que Enid ficaria mais preocupada. "É exatamente por isso que estou animado. Uma coisa os romanos souberam fazer. Pensando que eram chatos por suas regras e condutas, mas olha que surpresa! Estou louco para beber e trabalhar minha fertilidade. Vai me dizer que nenhum rostinho aqui faça você se animar um pouco? Romanos, romanas, gregos e gregas alguém deve fazer seu tipo. Eu posso te ajudar, se quiser."
Enid encarou o irmão com seriedade e julgamento. Muito julgamento. Então deu um tapa forte em seu braço. — Você anda fumando Park Changbin? Vou deixar o Cass fazer churrasquinho de você e ainda distribuir sua carne para os monstros da floresta, que coisa feia. Já não basta as trocentas maneiras como nós podemos morrer, ainda quer morrer de câncer de pulmão? Que decepção. — cruzou os braços enquanto o repreendia, se sua mãe estivesse ali provavelmente puxaria a orelha do rapaz e o deixaria de castigo no quarto pelo resto de sua vida. Olhou pra ele assustada ao ouvir sobre a maldição, sabia que alguns campistas eram amaldiçoados pelos deuses e definitivamente não queria entrar naquela estatística. — Que horror, o que será que seria uma maldição de Júpiter? Não poder tocar em ninguém sem levar um choque? Ou algo muito pior? — sentiu um arrepio percorrer sua espinha, parecia que ia ter que aguentar aquela festa inteira, afinal. Fez uma cara de nojo e lhe deu outro tapa no braço ao ouvi-lo falar sobre "trabalhar sua fertilidade". — Olha o tipo de coisa que você fala pra mim, Caspian. É claro que não tem ninguém. Eu jamais poderia esconder uma coisa desse tipo de vocês. E não quero "trabalhar minha fertilidade" com qualquer um. Minha religião não permite isso, e eu não quero. Vou encontrar alguém que eu ame, me casar e então deixar nosso amor florescer durante a nossa noite de núpcias. Mas você é livre pra ir lá "trabalhar sua fertilidade", não deixe que minha presença puritana e irritante te impeça. — fez um gesto abrangente com a mão, apontando para as pessoas ao redor da fogueira.
De todas as pessoas daquele acampamento, talvez aquela que mais a entendia era Enid. Não porque tinham vivido muitos momentos juntas, ok, talvez fosse aquilo... Mas elas haviam perdido alguém importante para elas, no mesmo momento. A mesma pessoa. Inferno. Como ela sentia falta de Lyanna e ao mesmo tempo que tinha Enid para preencher esse vazio, ela ainda se sentia confusa com tudo aquilo. Parte de si queria se afastar, talvez assim pudesse deixar todo o seu passado de lado. — Não sei se sinto falta da nossa vida antiga, na verdade, não existia muito, não é? O antigo não era bom e o novo também não é. Nas duas possibilidades a perspectiva do futuro era nula, mas... Você quer mesmo falar sobre isso?
Não pôde evitar um sorriso triste, voltando-se novamente para o altar para que Ophelia não visse seus olhos voltarem a se encher de lágrimas com a resposta. Fixou o olhar em sua vela, que já estava quase inteiramente queimada, uma poça de cera a cercando de maneira patética. Exatamente como Enid se sentia, uma poça patética com o brilho quase se extinguindo. Não conseguia se livrar do sentimento de que a amiga a afastava, pouco a pouco, mas não podia fazer nada sobre isso. Apesar das cicatrizes que compartilhavam, eram muito diferentes uma da outra. Enid era frágil, um livro aberto sobre seus sentimentos, uma garotinha boba, enquanto Ophelia era feroz, resiliente e muitas vezes escondia os seus sentimentos sob uma camada de raiva e instintos de batalha. Lyanna costumava ser a cola que unia aquele trio, o equilíbrio entre elas. Mesmo depois de partir, quando se tornou um carvalho, parecia que ela ainda estava lá, olhando pelas amigas e mantendo-as juntas. E até isso tinham perdido, o que parecia ter afetado profundamente o seu laço. Agora tudo parecia uma bagunça e Enid temia que as coisas talvez nunca se consertassem. — Eu não estava falando disso. — falou baixinho, a voz falhando ligeiramente. — Estava falando do Acampamento Meio-Sangue. Das cantorias na fogueira, as festas clandestinas no Chalé 12, os campos de morango, fugir das harpias quando ia te visitar no Chalé 13... — as lágrimas voltaram a rolar por seu rosto, mas torceu para que Ophelia não as visse. Muitas vezes sentia-se patética e boba perto da outra, que sempre havia sido tão cheia de ferocidade. — Deixa pra lá, é bobeira minha. Esquece que eu disse alguma coisa.
— 🌬️🔥 ELE ABRIU UM SORRISO divertido ao constatar que havia atingido sua meta: assustar Enid. Em seguida, cruzou os braços na altura do peito, voltando a atenção para a fogueira diante deles; Piero apreciava rituais, principalmente os ligados à natureza, então mesmo que fosse algo dos romanos, realmente estava se divertindo com tudo aquilo. "Minha dupla me contou que isso serve para atrair o amor ou fortalecer o amor próprio. É algo relacionado ao hibisco mesmo." Comentou brevemente, resgatando nas memórias o suficiente para formular uma resposta decente. Não que Piero fosse o semideus mais estudioso de todos, mas gostava de se aprofundar em tudo que pudesse e, genuinamente, lhe chamasse a atenção. "Fertilidade, acho que qualquer mulher ou homem desse lugar, na nossa idade, já tá tendo naturalmente. Por isso é que precisamos tomar cuidado com todo esse vinho." Brincou. "Se Quíron não se atentar, talvez tenhamos de abrir uma creche em nove meses, e duvido que a Lupa ia gostar muito de um bando de legadinhos berrando por aí."
— Hm. — respondeu simplesmente, olhando para a fogueira. — Acho que amor próprio deve ser útil mesmo, as pessoas precisam disso. — então Enid agarrou um punhado bem grande de hibisco e jogou na fogueira, torcendo para aquilo funcionar. Amor próprio nunca era demais e ela tinha de menos. Arregalou os olhos com a fala dele sobre a fertilidade, instintivamente colocando a mão sobre a boca, escandalizada. — Por Shiva, você acha que vão realmente levar pra esse lado o negócio de fertilidade? — olhou preocupada ao redor, com medo de enxergar as pessoas tirando suas roupas ali mesmo ao ar livre sem nenhum pudor. Mas tudo o que viu foram pessoas rindo alto com suas canecas de vinho e um ou outro casal flertando. Nada que fosse motivo para fazê-la querer sair correndo dali o mais rápido possível. — Quero dizer, não julgo ninguém, todo mundo é livre pra fazer o que quiser. Desde que eu não tenha que ver nada. — podia se sentir corando só com a menção daquele assunto, e torceu para que tivesse escuro o suficiente para Piero não ver. Odiava ser tão infantil e inexperiente com esse tipo de assunto, mas não tinha como mudar isso a essa altura da vida. — Apesar de que, Lupa não acharia bom ter vários legadinhos por aqui? Não chega nenhum semideus novo há meses, e se estivermos sendo extintos?
@sahsgravestone said: i could keep you safe. they’re all afraid of me
Não dava para dizer que Enid sentia medo de pessoas. Na maior parte do tempo, na verdade, era alguém bem sociável, conversava com todos e amava estar em uma rodinha de conversa. Porém, desde que o Acampamento Meio-Sangue tinha sido destruído e eles se juntaram aos romanos, sentia um pouco dessa sociabilidade falhar. Observava-os divertindo com uma festividade tipicamente romana e parte de si queria fugir, especialmente quanto mais alta ficava a algazarra e as risadas, por conta do vinho que subia às cabeças das pessoas. Levou um pequeno susto ao ouvir a voz da garota ao seu lado, nem sequer tinha percebido sua presença, o que por si só era assustador o suficiente. Seu desconforto estava tão evidente assim? Mas tirando isso, nunca achara Sah nem um pouco ameaçadora, então franziu o cenho com sua fala. — Por que teriam medo de você? Você é tão adorável! Qualquer um deve achar isso, duvido que tenham medo de você.
@gwynsdeadpool said: i can't even say he deceived me. i knew exactly what he was and i jumped in anyway
Apesar de ela própria não beber por conta de sua religião, Enid adorava ver as pessoas ficando bêbadas e se divertindo. Não sentia vontade de se sentir embriagada, mas achava muito engraçado quando as pessoas ficavam, não de uma forma de julgamento, mas sim de genuinamente achar interessante observar seu comportamento. Quando percebeu a garota romana lhe contando coisas que provavelmente não teria contado para uma mera conhecida enquanto sóbria, tentou não rir de seu desabafo. — Ah, Gwyn... — disse em uma voz solidária, colocando uma mão sobre um ombro da mesma. — Às vezes a gente toma decisões ruins mesmo, mas hey, pelo menos você aprendeu alguma coisa, não? — perguntou, mesmo que nem tivesse certeza do que exatamente estavam falando. Ela se referia a um ex ou um rival de luta? Não fazia ideia, mas a apoiaria de qualquer jeito.
@aurassunshine said: you know you can always talk to me
Toda aquela situação do festival fazia a cabeça de Enid praticamente girar em círculos. Ela queria algo para devolver a sensação de normalidade à sua vida, mesmo agora estando ali presos com os romanos, mas aquilo estava longe de ser algo que ela consideraria normal. Sentia-se sobrecarregada por tudo aquilo, os preparativos, as pessoas andando pra lá e pra cá, precisar andar amarrada a alguém por grande parte do dia, era demais pra ela. Então quando se refugiou na estufa, não achou que seria encontrada tão rápido, por isso deu um sorriso falso quando ouviu as palavras de Aurora. — Ah, não se preocupe, está tudo bem. Mesmo. — sabia que não enganava ninguém, mas fingiu se ocupar de mexer com algumas das plantas ali, mesmo sem nem saber exatamente o quê estava fazendo.
Olhou para a irmã com um certo ar desconfiado, pois quando começava aquele tipo de drama era por ter mais coisas envolvidas. "Tem espaço para dois? Cassiano vai me matar." Anunciou lembrando da pequena discussão que teve um pouco antes com o irmão. Suspirou e então olhou para ela tentando entender qual era o seu problema. Não estava sendo um dia fácil, e conforme a noite chegava parecia que tudo estava piorando. Romanos e seus problemas. "Aconteceu alguma coisa séria e eu estou fazendo piada na hora errada como sempre?" Caspian tinha um péssimo timing, e pela cara e fala da outra, talvez ele realmente tivesse falado besteira.
Como sempre, Caspian falhava em identificar o drama excessivo de Enid e entender que a menina estava apenas fazendo drama. — O que é que você fez pro Cass, hein? Ele não é de se irritar a esse ponto. — questionou, sabendo que os "gêmeos" raramente se desentendiam daquele jeito. Ela deu uma risadinha, achando fofo como o irmão sempre tornava as coisas muito mais sérias do que realmente é. — Minha derrota vai ser essa festa. Você viu o que eles disseram que acontece depois que anoitece? Ninguém disse diretamente, mas vinho, as coisas ficarem mais intensas e um festival pra fertilidade não são uma combinação tão difícil de constatar. — disse ela, tremelicando levemente com o arrepio que sentiu ao imaginar aquilo. — Será que vou desrespeitar Júpiter se fugir daqui e só voltar na hora de queimar a fita de couro?