Wanna Take You Home Tonight | VinixKen
Vinícius não pôde conter um sorriso ao sentir que causava boas reações em Ken, e involuntárias. As unhas afundaram mais nas pernas do cirurgião, o que fez com que ele voltasse a distribuir beijos pelo pescoço do outro. Pelo menos até que ele se afastou, trazendo Vini consigo pela gravata.
Completamente à mercê daqueles lábios vermelhos e do dono deles, Vinícius obedeceu e ergueu-se do sofá até que os dois estivessem de pé, e tão próximos que podia sentir cada movimento do outro, o calor de todo o seu corpo irradiando como um sol. Queria voltar a tocá-lo com as mãos, queria beijá-lo, despi-lo, admirá-lo, mas sabia exatamente para o quê se inscrevera quando dera a Ken o controle de tudo. E, sendo sincero, Vinícius amava aqueles jogos.
O sorriso desapareceu do rosto do mais velho quando Ken começou a falar daquela forma enquanto brincava com as roupas dele. Os olhos passavam das mãos para a boca do oriental, mesmo que fosse difícil diferenciá-los à meia luz e com a proximidade deles. Foi quando percebeu quão pequenas e delicadas as mãos dele eram, e quase ao mesmo tempo que começou a se perguntar como seria senti-las no corpo, Ken terminou de abrir sua camisa e deixou os dedos tocarem o abdome nu de Vinícius – que fez cambalhotas quando os sentiu. Em que momento o clima havia se tornado tão pesado de intenção e desejo sexual ao redor deles, Vini não sabe, mas a maior parte era provavelmente por culpa dele.
O que Ken disse não foi exatamente um pedido. Porém, antes que pudesse se impedir, Vinícius estava se ajoelhando, os olhos presos nos de Ken, as mãos procurando suporte nas coxas do outro. Ele lambeu os lábios, que de repente estavam secos novamente, e encarou o rosto de Ken por mais um segundo, apreciando o novo ângulo e novamente pensando nele como um deus. E como um deus deveria ser adorado. Vini ergueu as pernas de Ken, uma de cada vez, para que pudesse espalhar beijos por toda a extensão das botas de couro. Só quando se deu por satisfeito voltou a olhar para cima. Ele não podia ver, mas o azul de seus olhos havia praticamente desaparecido, sendo vencido pelo preto pesado das pupilas dilatadas. Pesado como o ar ao redor deles.
Não, Vinícius não seria seu primeiro cliente a lhe obedecer como um cão fiel, ou ousar fazer algo tão banal como beijar suas botas daquela maneira. Dentre os homens que frequentavam o café, o desejo de submissão era quase dominante. Todos eles pareciam ver no mestiço uma espécie de escape de suas vidas ou a realização de desejos obscuros e reprimidos, e Kenichi assumia, tinha mais do que prazer em conceder à eles tal fantasia. Mas nenhum deles tivera a intensidade que aquele homem tinha tampouco a beleza, sem contar o par de mãos firmes que nunca perdiam o caminho de alguma parte de seu corpo.
Poderia facilmente se perder naquela brincadeira, se esquecer de várias promessas e juras que fizera a si mesmo quando passou a trabalhar naquele lugar, tamanho era o clima que criou-se em torno de ambos. E usando de muita concentração, o japonês levou uma das mãos aos cabelos do mais velho, iniciando o contato com um leve toque, quase como um carinho sobre os fios alheios antes de capturar uma boa porção destes e os puxar, sem muita força, o suficiente para afastar o rosto bonito de suas pernas. Os lábios cobertos pela cor vermelha agora exibiam um sorriso lascivo, ao passo que um de seus pés agora encontrara ponto certo sobre o peitoral de Vinícius.
- Há quanto tempo frequenta este lugar, doutor? - A voz era baixa, rouca, um risco suficiente alto para que o homem abaixo de si escutasse. Soltou seus cabelos conforme firmava o pé sobre sua pele, incluindo o salto extremamente fino, o empurrando para baixo numa ordem muda de que queria este no chão. - Foi aqui que aprendeu a ser tão submisso?






