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@kpixaba
Ainda me lembro como começamos a conversar.
Quando você sair da tempestade, não será mais a mesma pessoa que era quando entrou.
Eu tinha uma amiga que era meio depressiva. Não com a doença do século, mas ela gostava de romantizar a tristeza. Para ela, ficar sozinha em seu quarto, com as janelas fechadas, usando preto e ouvindo músicas indie-sad era a coisa mais legal do mundo. Compartilhar fotos de lápides e citações de filósofos que discorriam sobre a dicotomia vida x morte era seu passatempo. Gostava de ver filmes com uma pegada noir, com temáticas mórbidas ou sobre psicopatas. Há alguns dias essa amiga me enviou um link com formas de se cometer suicídio. Pensei “pronto, é agora que ela vai se matar”, mas isso não chegou a acontecer. Não com ela. Eu sempre lhe falava “nossa, essa sua tristeza não é tão legal”, “vamos sair, tomar um ar, se divertir”, “você precisa de uma prainha”, mas ela não me escutava. Sempre ficava presa em casa em seu mundo particular, cultivando a tristeza, mas acontece que ela era feliz assim. Eu, por outro lado, com todo esse positivismo, e querendo animar ela, eu era triste. Não demonstrava minha tristeza. Eu achava que isso era ser fraco e como versava Vinícius de Moraes “é melhor ser alegre que ser triste”, então eu sempre tentava ser alegre. Mas eu não era. Eu não era feliz. Eu nunca fui Feliz. Quando ela me mandou aquele link, um gatilho foi puxado na minha cabeça. Era isso. Eu já não aguentava mais fingir felicidade e precisava dar um basta nisso. Hoje eu ainda não sou feliz, mas não tenho mais com o que me preocupar, não tenho mais que fingir, porque eu não existo mais.
Eu não existo mais.
a gente diz estar acostumado com as idas e vindas, com decepções e despedidas mas é tudo mentira,
sempre dói como se fosse a primeira vez.
-a cinco passos de você
Do que vale a vida sem amor?
O vazio
aqui dentro
já não se escuta
as batidas do meu coração
apenas o som que ecoa
depois que me disse não
Marcus da Costa (Eliminável)
But don't write if it hurts. I will write.
Virginia Woolf.
Deixar você não foi uma tarefa fácil, ouso até em dizer que foi uma das despedidas mais dolorosas que tive em toda minha vida
Te olhar nos olhos com o coração machucado, com um nó na garganta e segurando as estribeiras para não desmoronar, sem sombra de dúvidas foi doloroso
Ignorar meus sentimentos, mutar meu coração e finalmente dar voz a razão foi árduo, mas necessário
E era isso que eu precisava compreender
A vida nem sempre se trata das coisas que desejamos ou almejamos, as vezes é sobre aquilo que necessitamos