"Expose yourself to your deepest fear;
after that, fear has no power,
and the fear of freedom shrinks and vanishes.
You are FREE."
(Jim Morrison)
Sweet Seals For You, Always

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Misplaced Lens Cap
d e v o n
Jules of Nature
wallacepolsom
DEAR READER
occasionally subtle
hello vonnie
Game of Thrones Daily
Show & Tell
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Origami Around
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH
2025 on Tumblr: Trends That Defined the Year

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Lint Roller? I Barely Know Her

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@ladomw
"Expose yourself to your deepest fear;
after that, fear has no power,
and the fear of freedom shrinks and vanishes.
You are FREE."
(Jim Morrison)
When we meet again.
I always wonder where you are, who is with you, if you are happy… It’s never easy to accept and live with the loss of the ones we truly love, that’s why it’s more comforting to imagine that you are in a better place than we are. But are you really? I guess we will never know, will we? Or maybe we will, when we meet again.
There are so many things I would like to tell and show you that I wouldn’t even know where to start. I remember you were so amazed with Internet and sending emails… My God, you can’t imagine what we have nowadays. It’s insane. You used to think it was bizarre to carry a cell phone around all day (it could ruin a wonderful time at the beach if one received a emergency call… ahah), but today we all have one. Or two. Even kids!! Speaking of kids, you would be so proud of your grandson Gael. He carries our last name and the color of your eyes. Oh, and he loves to speak English. He will be three next month and already knows the colors, shapes and counts till 10. He visited his dear cousins in the U.S. last year and they had a blast together. You would love to see that. I hope you did.
I wish you could have seen all of this with us. I wish I could show you my photographs and ask you for some tips on my English classes. I wish we could travel together and dance to Jerry Springsteen. (And of course I would continue laughing and saying how a terrible dancer you are...). I wish we could sit in front of the sea having a cold beer and just talk about life as two adults. I wish I had more time to make it up to you since I was just a selfish little brat when you left… Well, I still am, but I guess I’m a little more mature now. I think I could even choose the daddy bear hug today... Wish I could have one now, actually. I hope I will, when we meet again. And when we do, I hope to see you smiling as you are in the photo.
You know, it really doesn’t matter where you are and who you are with, as long as you always remain here with us. And you do.
We love you, Dad.
Igreja Matriz de Itabaiana, Sergipe. Julho de 2015. Enquanto não começava a cerimônia de casamento, eu circulava pela igreja buscando luzes, detalhes e histórias pra registrar. Foi aí que eu avistei uma senhora de vestido branco ajoelhada na terra preta do pátio da igreja arrancando minúsculas ervas daninhas com as mãos firmes e calejadas. Pedi para fotografá-la e com um sorriso cansado no rosto, resumiu a sua história em poucos cliques. Dona Aparecida tem 51 anos e 38 de casada. Teve 19 filhos (sim, de-ze-no-ve), sendo que destes, 4 não sobreviveram. Como o marido nunca trabalhou – por preguiça, alegou ela – o único sustento vem dos seus pequenos bicos, como vender produtos na feira e catar ervas daninhas todos os sábados na Igreja da Matriz, onde recebe R$40 pelo serviço. A agradeci por ter compartilhado parte da sua história comigo e saí diferente do que cheguei. A vida dando suas lições quando menos esperamos... E, já que eu estava na casa Dele, solicitei em silêncio: “Se não der conta de olhar por todos, que priorize seres como Dona Aparecida.”
“-Tá sentada? É que não quero que a minha inveja te derrube...”.
Esse foi o texto lançado por um amigo fotógrafo (e comediante) quando o contei sobre a jornada que faria com a Coutto Orchestra para captar sons, imagens e outras particularidades na região do Velho Chico. Exageros à parte, realmente percebi o quanto era privilegiada por ter sido escalada para acompanhar uma equipe de músicos e profissionais que tanto admiro num projeto tão singular.
No início do mês demos o primeiro mergulho no projeto que até então, era composto apenas de ideias na cabeça e na tela do computador. Seguimos para Poço Redondo, município que já havia me acolhido em outros três diferentes momentos da minha vida. Independente do tipo de trabalho que estava realizando, em todos esses momentos a câmera fotográfica foi minha parceira e dessa vez não foi diferente. O meu papel nesse projeto é de documentar o encontro entre a Coutto Orchestra e os sons, seres e elementos inspiradores pelos quais nos deparamos ao longo da jornada. A cada “aprochego”, aperto de mão, prosa, sorriso e olhar curioso, ali estamos a perpetuar essas memoráveis cenas. Cada ruído captado servirá como inspiração para os meninos da Coutto continuarem trabalhando no novo disco e, cada imagem capturada mostrará ao público como se deu esse mágico processo.
Além do registro documental, tentei fazer também um registro mental do que se passou durante aqueles primeiros contatos que tivemos na região banhada pelo São Francisco, fascinante rio que nos acolhe e nos guia... Alisson Coutto liderando a expedição como um sábio e incansável marujo, Vinicius Bigjohn se dividindo em vários para conseguir captar o áudio e a essência das experiências (além de sacanear a barulhenta câmera da fotógrafa, claro), Fabinho Ribeiro em estado de euforia e total entrega ao Velho Chico e Rafael Ramos fazendo a alegria da molecada de Bonsucesso ao tocar os maiores hits do sertão... digo, verão. Enquanto isso, nos bastidores, Marcolino Joe registra tudo com os olhos atentos e a câmera na mão, ao mesmo tempo que guia o seu assistente e fiel escudeiro Luan Allen, vulgo “o cara que tem o melhor estágio do mundo”. Para completar a embarcação de peso, três mentes jovens e criativas acompanham todo o processo com a tarefa de criar a identidade visual desse novo projeto. Bruno Sousa, Isabele Ribeiro e João Hungria formam o 30meia3 (save the name). Todos esses - e tudo isso - sob os cuidados e estado de graça do produtor Fernandinho Montalvão.
O luxo dessa jornada não está relacionado a hotéis glamorosos ou pratos gourmet, mas sim passar a noite cantando e dançando com a comunidade local e acordar apreciando uma vista espetacular a um passo da nossa porta. A simplicidade encontrada pelo caminho é evidente e libertadora. Navegamos juntos rumo ao desconhecido, mas a cada remada acumulamos as mais incríveis vivências com a certeza que deixamos pra trás sorrisos e boas lembranças.
E todas essas experiências poderão ser sentidas através do disco VOGA.
Acesse, contribua e vivencie também essa experiência.
https://www.catarse.me/couttoorchestra
Não, solidão, hoje não quero me retocar
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar
Bonita...
(Chico Buarque/1989)
Fotografia: Divina Pastora, Sergipe. 2013.
CV MELISSA WARWICK
Na tentativa de fazer uma homenagem à fotografia, decidi contar a trajetória de todos os empregos que tive até finalmente conseguir descobrir o que queria ser quando crescesse. Dos empregos mais peculiares aos super maçantes, dos efêmeros aos mais banais. Todos construíram a minha verdadeira carreira de vida e me guiaram para ter um olhar mais apurado para o mundo.
(...)
Comecei aos 17 vendendo agendas da Tribo. Achava que como eu curtia, todos iriam curtir também. Vendi duas, uma pra mim e uma pra minha mãe. O resto virou presente de aniversário e de Natal. E esse foi o primeiro sinal de que eu era uma péssima vendedora.
Ainda não convencida que não levava vocação pro negócio, parti para minha primeira experiência de trabalho de gente grande aos 18, como vendedora da loja Cantão (na época em que ainda era acessível para meninas adolescentes da classe média, como eu). O tempo de três meses de experiência foi o suficiente pra perceber que aquela não era a minha, então me despedi das colegas descoladas de trabalho, com algumas peças de roupas ótimas, um tamanco preto nos pés e mochila jeans nas costas, claro. E o salário ó!
Como o cool da época era trabalhar em loja do shopping e eu ainda não estava 100% convencida de que eu não tinha talento algum para vendas, aceitei o convite de trabalhar na primeira Levi’s que iria abrir em Aracaju. Éramos obrigados a escolher – e pagar - uma calça jeans e pelo menos duas blusas pra trabalhar. Era super sincera com os clientes e dizia na lata quando a roupa não ficava legal. Saí de lá um mês depois pegando a diferença das roupas que comprei. Caia fora e levi’sua sinceridade com você, querida.
Aos 19 dei um grande reviravolta na minha vida e decidi largar curso de comunicação na UFS, amigos espetaculosos, vida boa na casa da mamãe com carro, comida e roupa lavada pra me aventurar nos EUA. Ah, foi aí que a minha biografia profissional adquiriu volume... O meu primeiro emprego durou um dia. Vi no jornal um anúncio que perguntava se eu gostava de trabalhar com arte, gente legal, ao ar livre e sem pressão. “Claro!”, eu respondi. Na verdade, o trabalho era pra vender quadros com mensagens motivacionais pelos estabelecimentos da cidade. Perfeito para mim que não tinha o dom de vender, estava com o inglês enferrujado, não conhecia nada na cidade dirigia um Fox 91 caindo aos pedaços. Após ser expulsa de vários estabelecimentos que não permitiam a entrada de ambulantes, ter apelado pra um velhinho na rua dizendo que era brasileira e que precisava muito vender pelo menos uma porra de um quadro, o carro quebrou no meio do estacionamento de um lugar que eu não sabia qual era. Resultado da doce experiência: o dono da empresa teve que interromper a malhação dele pra consertar o trambolho do carro e eu poder ir pra casa para nunca, nunca, nunca mais voltar. Meu irmão chorava toda vez que eu contava essa história, tadinho.
Depois dessa excêntrica experiência, resolvi arranjar um emprego sério e que me pagasse bem. Fui trabalhar como coladora oficial de adesivos na fábrica de bicicletas da Specialized. 87 mexicanos, 23 vietnamitas, 4 coreanos e eu. A mexicana de 107 anos (só de tempo na empresa) que trabalhava ao meu lado não gostava de mim. Não sei se era porque eu passava muito tempo estourando plástico bolha ou se porque os hermanos me achavam simpática, mas ela tocou o terror pra que eu saísse daquele emprego dos meus sonhos. Um dia, ao me ver sentada na grama comendo uma marmita fria junto com meus colegas specializados, pensei para mim: sou cidadã americana, falo inglês fluente e não preciso dessa merda! Então ergui minha cabeça, abracei os poucos amigos que ali fiz e segui sem olhar pra trás. A mexicana e eu demos graças a Deus. Mas até hoje quando vejo uma bike da Specialized por aí não consigo conter o pensamento: será que aquele adesivo foi colado por mim?
Mais um trauma adquirido, chegou a hora de fazer algo que eu realmente gostava. O do que eu gostava na época? Cinema. Ah, então vou trabalhar num cinema, claro! Mas como no meu CV não tinha nada que demonstrasse que eu era apta para trabalhar num cinema, resolvi dar uma mentidinha de leve e dizer que já havia trabalhado no Cinemark de Aracaju. E funcionou. Meu salário reduziu drasticamente e fui obrigada a tirar o meu piercing pra parecer uma pipoqueira mais alinhada, mas no dia em que fui aprovada pra trabalhar no Century 16 eu era a pessoa mais feliz do mundo. Comecei como mera pipoqueira, mas a minha ambição me levou além. Depois virei caixa, logo já assumia o café inteiro sozinha e até ganhei prêmio de melhor funcionária do mês. Mas eu ainda queria mais. Eu queria chegar à sala de projeção. E um belo dia, me chamaram pra treinar lá em cima. Fiquei tão nervosa que arranhei dois filmes inteiros por colocar a película no lugar errado, mas por sorte só levei uma bela de uma chamada do gerente geral Lombardi (só o vi essa única vez) e fui promovida para gerente projecionista. Foi o ápice da minha carreira em terras norte-americanas. Não tinha tempo pra ir ao banheiro, mas já ganhava o dobro do salário desde que entrei. Eu usava terninho preto, montava os filmes, assistia-os antes de todo mundo, tinha pipoca de graça, refrigerante à vontade e status. Estava com 20 anos and living The American Dream.
Meses depois tudo mudou de novo e eu já estava morando em outra cidade americana, descobrindo outro dom: o de fazer bons drinks. Após frequentar um curso de bartender num bar perto de casa, o professor e dono do estabelecimento gostou tanto de mim que me contratou pra trabalhar duas noites por semana lá. Como eu ainda não tinha idade pra beber legalmente, ele liberava apenas umas Smirnoff Ices com Blue Curaçao pra eu ficar legal. E assim ficávamos: eu, ele e Diana Krall cantando Cry me a River, all night long. E quanto mais eu tomava aquela bebidinha azul, mais rios eu chorava... Eram noites escuras e vazias aquelas.
Na mesma época eu fui chamada pra assumir outro balcão do lado desse bar, mas num estabelecimento com um perfil diferenciado e bem mais animado. Este oferecia corpos femininos nus e dançantes para entreter velhos solitários, casados frustrados e brasileiros quebrados. Comecei como bartender servindo refri, sucos e energéticos (já que a lei do bairro não permitia álcool e periquitas avulsas no mesmo ambiente), mas depois consegui dois dias como garçonete e aí foi que consegui ver de perto como a parada funciona. No começo ficava nervosa e cheguei a derramar red bull no colo de um dos telespectadores, mas para a minha sorte ele estava tão entretido que nem notou. Depois fui tirando de letra e passei a recusar ofertas para dançar nua na mesa às gargalhadas e intimava gorjetas sem embaraço. Com o tempo, consegui manejar com maestria o ato de servir a bebida do cliente enquanto ele administrava um par de seios plastificados na cara. Foi a época em minha vida que mais vi pernas e bocas abertas. Foi memorável. E sempre que conto essa experiência profissional as pessoas riem. Né?
(continua...)
ENQUANTO ESPERO.
Quem espera sempre alcança. Mas o que a gente espera, afinal? Espera o avião partir, o amigo se arrumar, o filho nascer, a hora de morrer. Tem gente que detesta esperar. Meu pai sempre carregava um livro com ele, caso tivesse que esperar. Era pra não perder tempo, dizia ele. Será que dizia mesmo? Sei lá. Só sei que ele não gostava de esperar... Mas também tem gente que adora. Esperar no aeroporto, esperar visitas em casa, esperar o dia do aniversário chegar. E aí o grande dia vem, o grande dia passa, e a gente volta a esperar. Espera o amigo voltar, o ano passar, o esmalte secar ou um grande amor chegar. E quando não chega, faz o quê? Espera a frustração passar. “Para quem sabe esperar, tudo vem a tempo”, dizia um sábio poeta renascentista. Pois eu espero. Espero que ele tenha deixado em algum lugar o guia de como saber esperar. E enquanto não o encontro, ficarei aqui esperando aprender a esperar.
Série "Enquanto (te) espero". Aeroporto de Guarulhos, São Paulo. Setembro, 2014.
Por Melissa Warwick
SAIA DA BOLHA (em até 10x sem juros)
Era o que dizia um professor meu no segundo ano científico. “Saiam da bolha!! Deixem o seu mundinho de conto de fadas e vão para a periferia pra ver o que está acontecendo por lá!”. Como ousa um professor de colégio particular mandar os seus alunos brancos da classe média irem à periferia? Mas ele o fez. E estou certa de que, como eu, muitos lembram desse sermão até hoje. Sorte a nossa.
(...)
Esse é um relato de uma mulher branca da classe média brasileira. Sempre tive tudo do bom e do melhor. Mesa farta, cama confortável, carro pra me levar e me buscar, televisão para assistir aos meus programas preferidos, viagens de fim de ano, brinquedos na infância e muitas roupas, livros e CDs na adolescência. Tive tudo que uma pessoa almeja ter na vida. E continuo tendo. Se eu gostaria de ter mais? Ah, claro que sim. Sempre conseguimos pensar em algo que desejamos mas ainda não temos. Nós, brancos da classe média brasileira, sempre queremos mais, mesmo que esse "mais" seja sinônimo de menos pra quem nasceu com quase nada. E sinceramente, o que esperar dos indivíduos oriundos de um país que foi cruelmente explorado por um pequeno grupo de navegadores forasteiros que acreditava ser de uma raça superior a dos nativos que já habitavam aquelas terras? Assim sendo, eu deveria automaticamente me unir à classe dos brancos de classe média brasileira que também tiveram tudo na vida, mas ainda querem mais, certo?
Errado. Além da sorte de ter tido professores como Valdeck, que me instigaram a querer enxergar o que estava fora da bolha, também tive a oportunidade de viajar e conhecer mundos infinitamente distantes do meu. Com isso, a indiferença pelo estranho foi morrendo à medida que a minha admiração pelo novo crescia. E pra completar o pacote “Saia da bolha em até 10x sem juros” os trabalhos que realizei como turismóloga e fotógrafa até hoje me levaram a chãos que nunca imaginei pisar na vida. Registrei sorrisos que jamais deixarão a minha memória e conversei com pessoas que provavelmente não cruzariam o meu caminho caso eu não tivesse saído da bolha... E foi assim que a mulher branca de classe média brasileira teve contato com os seres de outras galáxias. Seres que vivem com pouco, porém são felizes com o que têm. Mulheres que nunca fizeram um selfie no iPhone, mas sorriem com uma sinceridade de encher o nosso coração de alegria. Homens que confessaram que suas vidas melhoraram de um tempo pra cá depois que passaram a receber ajuda financeira do governo, água potável e mais médicos nos postos de saúde. Crianças que aprendem a pintar e a bordar nas escolas dos seus pequenos povoados. Se a situação deles é a ideal? Não, não é. Mas os buracos que os portugueses cavaram - ou melhor, que os índios cavaram sob o comando dos portugueses - devem ser tapados antes de construirmos qualquer coisa mais sólida na superfície do nosso país.
Então, a pergunta é: você abriria mão de um carro mais bacana para que outra pessoa possa comer melhor? Deixaria de comprar uma calça mais cara pra que outra pessoa tenha acesso a um melhor atendimento médico? Diminuiria a quantidade de churrascos dominicais pra ver mais crianças na escola? Eu sim. Abro mão de ter um pouco menos para que os que realmente precisam tenham mais. Então, contrariando os caros colegas brancos da classe média brasileira, me recuso a fazer parte do seu clube. Opto pela continuidade, mesmo que repleta de mancadas e imperfeições. E não é pelo Partido dos Trabalhadores, pelos amigos "vermelhos" ou mesmo por mim, mas pelas pessoas que não tiveram o mesmo privilégio da mulher branca de classe média alta brasileira que assina esse texto.
GAEL CONQUE SECO WARWICK ou apenas, Gaelzito.
O primeiro apelido que ele recebeu foi ainda na maternidade. Era o bebê gigante. E depois vieram pequeno grande Buda, gorducho, grandão, cucuruto, pirulito, “torinho”, entre outros... Com seus braços de bolo de rolo e encantadores olhos claros herdados do vovô, Gael já chegou provocando comentários engraçados e largos sorrisos em nossos rostos. E como o tempo passou rápido... Ontem mesmo saiu da casa da nossa vizinha, deu tchau pra todos e seguiu caminhando sozinho pra casa enquanto ela o seguia, embasbacada. É isso, um menino que nasce no dia da independência do Brasil não poderia ser diferente. Nem fala mamãe ainda, mas conta até doze. Em português e inglês. Usa o tablet com mais facilidade que muito marmanjo por aí e já aprendeu a fazer carinho em vez de dar tapa (apesar de ainda curtir dar umas mordidas nos coleguinhas. rs). Prefere estar perto dos adultos e é, sem dúvidas, o melhor companheiro de viagem que uma mãe e uma avó aventureiras poderiam pedir a Deus.
Esse mês ele completou dois anos de vida, com três cidadanias e duas viagens internacionais na bagagem. Como disse um amigo meu: “esse menino veio ao mundo com um propósito”. E veio mesmo. Gael nos trouxe muitas alegrias e continua as trazendo, dia após dia. Uniu famílias, transformou lágrimas em gargalhadas, tristeza em tranquilidade, ódio em amor. Me ensinou simples lições, como de não me incomodar tanto com bagunça e a parar de julgar outras mães que não conseguem controlar muito bem os seus filhos. Sim, meu filho, só sabemos quando nós também os temos... e quando também não os controlamos tão bem assim. rs. Ele me ajudou a ser mais paciente, mais ligada e menos encanada. Se falta pasta de dente, eu uso o Tandy dele e tá beleza. Se sujou, a gente limpa depois. Se não é perigoso e ele tá entretido, é o que importa. Me estimulou a perder o pouco da vergonha que eu ainda tinha... Hoje eu saio esbarrando nas pessoas, olho pra aquele moleque gigante no meu colo, pra uma bolsa ainda maior – geralmente entulhada de equipamento fotográfico e fralda - e peço desculpas sorrindo. E (quase) todo mundo compreende e sorri de volta. Sim, meu filho, somos todos seres humanos. Erramos, nos desculpamos, sorrimos e seguimos em frente. Obrigada por mais essa lição.
Saiba que passarei a minha vida inteira fazendo tudo o que estiver ao meu alcance para que esteja preparado para enfrentar as dificuldades da vida, sem que se esqueça de apreciar - e agradecer - as grandiosidades que ela nos traz. E espero que daqui a alguns anos você possa ler esse texto no seu tablet flutuante, dar um sorriso escondido de canto de boca e dizer: “Porra, mãe! Que texto careta! Mas valeu.”
Gaelzito, meu filho, meu cucuruto, meu amor... o moleque que que esculhambou com meus peitos, mas que conquistou o meu coração para sempre: que os seus dias sejam repletos de luz, serenidade e de muita, muita, muita energia positiva.
Com amor, da sua mama Mel <3
Das lamentações
das divisões
das contenções
das discórdias
De pedra
alvenaria
madeira
de barro
Sujos
fragmentados
majestosos
coloridos
Separam
protegem
barram
conectam
Eles falam
se comunicam
indicam
e mostram o caminho...
Sigamos os muros.
Fotógrafo/ídolo desse lindo ensaio: Marcelinho Hora
RELAXE, VELHO
Tenho lido e ouvido muitas explanações sobre o mesmo tema: ansiedade. E tenho me identificado com a maioria delas. Somos de uma geração que cresceu brincando na rua onde todos se falavam pessoalmente (ou no máximo pelo telefone fixo), mas que vivenciou a brusca revolução tecnológica e teve que se adaptar a ela, quer queiramos ou não. Nossos pais sabem usufruir do básico mas não precisam ser experts no assunto e nossos filhos já nascem sabendo mais que a gente. Mas nós não. Nós tivemos que sair do mundo dos papéis de carta para aprendermos a nos expressar com míseros 140 caracteres... Só assim seríamos aceitos no mercado profissional e na sociedade atual. E eu posso dizer por experiência própria que: é foda. Nós nos pressionamos o tempo todo para sabermos mais, entendermos mais e estarmos sempre mais atualizados que tudo e todos. Acordamos lendo notícias do mundo e da vida alheia antes mesmo de darmos bom dia aos nossos. Dirigimos checando nossas mensagens e seguimos em frente sem prestarmos atenção por onde andamos. Estamos cada vez mais selfies e menos coletivos. Nos adaptamos tão bem às relações virtuais que quando nos encontramos pessoalmente, ficamos sem assunto. E nos cobramos mais e mais e mais. Não deixamos o nosso smartphone sem carga por cinco minutos e, consequentemente, a nossa cabeça acompanha esse mesmo ritmo frenético. Ir ver o mar e não postar uma foto no Instagram mostrando que fomos ver o mar é como se não tivéssemos ido ver o mar. Será que no fundo, os likes passaram a nos preencher mais do que a sensação de sentir brisa do mar no rosto? Se for isso mesmo, tem alguma coisa muito errada conosco, pessoal. Como donos do nosso destino e orientadores do destino das próximas gerações, precisamos aprender a desacelerar e equilibrar os nossos anseios pra não nos desequilibrarmos de vez. Ao invés de irmos na farmácia comprar um remedinho pra nos acalmar, optemos por tomar um coco de frente pro mar. Sem o celular.
(...)
Fui presenteada com o texto abaixo em 16 de janeiro de um ano qualquer durante um dos meus deliciosos almoços no restaurante natural Ágape. Um gesto simples que pode inspirar as pessoas e ajuda-las a perceber que sempre é tempo de olhar pra dentro de si. Foi esse mesmo texto que inspirou o post de hoje.
“Por que não relaxar? Desligue-se e entregue-se a MIM, pois quando mais pressão e aceleração houver em sua vida, menos você conseguirá produzir. Permita-se fluir com a natureza, com a maré, e faça o que tem que ser feito com simplicidade, natural e alegremente. Por não aproveitar a vida em vez de vive-la com uma determinação sombria, forçando-se a se fazer coisas aqui e ali sem saber qualquer alegria e amor? A vida é maravilhosa quando se está em harmonia com ela e não há resistências inúteis. Por que complicar as coisas pra você mesmo? Faça deste dia de hoje um dia especial e só veja o que há de melhor em tudo. Agradeça por tudo. Aproveite tudo como deve ser aproveitado. Eu quero que você aproveite a vida. Comece olhando a beleza da natureza à sua volta e você perceberá que uma coisa linda leva à próxima, até que toda a sua vida estará repleta de encantamento e alegria.”
(NUTRINDO UMA NOVA CONSCIÊNCIA)
PERSONAGEM
É verdade que eu sempre preferi fotografar o encantador universo feminino, mas ao deparar-me com a letra de uma música que havia escrito pra um antigo amor, passei a buscar nos meus arquivos os registros deles, dos homens. Meus homens. E lá estavam eles, meio acuados e tímidos dentre tantas mulheres, mas sempre marcantes e fascinantes. Homens que passaram pela minha vida por muitos anos ou apenas por alguns segundos em frente às minhas lentes. Essa canção é pra vocês.
(...)
O personagem do meu filme
É discreto e gentil
Delicado e tão sutil
Sensível como um gentleman...
O personagem do meu conto
É o tal,
Nunca morre no final
É o vilão, mocinho e o herói...
O personagem do meu livro
Toca cavaquinho e percussão
Prefere vinil à curtição
E toma whisky red label...
O personagem da minha novela
É o galã, encantador, um rock star
Faz-me sorrir e até chorar
Não perco um só capítulo...
O personagem do meu curta
Tem que ser, a estrela principal
Meu astro hollywodiano nacional
Para sempre vou amar-te
O personagem da minha vida é você...
DEIXA ELA SER
Mulher africana
Mulher sergipana
Do Afeganistão…
Mulher trepadeira
Mulher que vem da feira
Mulher que é sem noção...
Seja
Gueixa
Deixa...
Ela ser mulher
Mulher ainda moça
Mulher que lava louça
Que sempre dá a mão...
Mulher que fica louca
Mulher que tira a roupa
E a que sempre disse não...
Puta
Luta
Grita
Deixa...
Ela ser mulher
Mulher inteligente
Que planta a semente
Pra sair da solidão
Mulher que compreende
Mulher que nunca aprende
Sua vida é uma lição...
Santa
Canta
Chora
Sente
Deixa
Ela ser mulher...
(Melissa Warwick / dezembro, 2007)
AOS PRESENTES
Durante os preparativos da minha formatura em 2007, a comissão organizadora me pediu pra escrever um texto aos “ausentes”, já que meu pai havia falecido poucos anos antes. Pensei muito e cheguei à conclusão que faria muito mais sentido escrever para os presentes, assim aproveitaríamos a presença física dos nossos entes queridos para expressar o que estávamos sentindo por eles ainda nesse plano espiritual.
Hoje, sete anos depois, resgato esse texto em homenagem à minha querida vó Edda, que concluiu a sua missão nessa vida após ter se dedicado de corpo e alma aos seus. Ela partiu aos 80 e poucos anos (como ela mesma gostava de dizer) completamente sã, sorridente e cheia de alegria por ter visto seus filhos amadurecerem, seus netos crescerem e claro, por ter segurado nos braços o seu primeiro e único bisneto, Gael.
Uma mulher que abriu mão da sua própria vida para zelar pela dos outros. Obrigada por tudo, minha amada vozinha. Nunca esqueceremos o que fez por todos nós.
*Para ilustrar o texto, selecionei fotografias feitas durante algumas das minhas idas a Jaguarão, pacata e bela cidade gaúcha onde eu nasci, onde minha mãe se criou e onde minha vó escolheu como lar para o resto da sua vida.
(...)
"Saiba aproveitar os momentos simples
Aqueles que se tornam únicos e especiais
Que compartilhamos com a pessoa que amamos.
Tente descobri-la e conhecê-la cada vez mais
Pergunte qual a sua música preferida
O que ela já fez e o que ainda deseja fazer
Se gosta mais de doce ou de salgado
Se ela riu mais que chorou
Com quantos amores se encantou...
E com quais se decepcionou.
Caminhe com essa pessoa na areia da praia
Ouvindo o que ela tem a dizer
Falando também um pouco de você.
Sente com ela e admire o pôr-do-sol
Sem pensar na hora de partir
Demonstre, nos mínimos gestos e palavras
O amor e a gratidão que tem por essa pessoa
Porque um dia, poderá sentir vontade de abraçá-la
De falar algo que não teve coragem de desabafar antes
De saber alguma coisa a seu respeito, por mais boba que seja
E haverá possibilidade dessa pessoa não estar mais aqui pra te responder...
Ame e demonstre o seu amor, agora e sempre."
Melissa Warwick
Maratona FNAC
O fotografo irlandês Colin Prior uma vez disse que o importante não é ganhar um concurso, mas sim ser reconhecido por realmente ser bom em alguma coisa. Eu nunca ganhei um concurso (ainda), mas já participei de alguns e com eles adquiri um pouco de experiência e muitas histórias pra contar. A mais interessante de todas, sem dúvidas, foi a da Maratona FNAC, em Barcelona. Era outubro de 2008 quando ouvi falar desse concurso de fotografia organizado por uma das maiores lojas de venda de produtos culturais e eletrônicos do mundo. Na verdade, não se falava em outra coisa na cidade. E eu, é claro, iria participar. No grande dia, todos os fotógrafos - entre eles profissionais, amadores, amantes, aspiradores e ousados - formaram uma fila quilométrica para receber as instruções do tão falado concurso. Ao chegar a minha vez, recebi um saquinho de papel marrom com a logomarca da empresa e um manual com as instruções da maratona. As regras eram simples e claras: deveríamos fazer uma foto com o saco em algum canto da cidade, criando assim uma correlação artística e criativa entre a FNAC e a capital da Catalunya. A foto deveria ser entregue no final do dia ainda no cartão de memória, sem direito a nenhum tipo de pós-tratamento. As três melhores, levariam a melhor.
Enquanto as centenas de participantes iam se dissipando pelos becos da cidade em pequenos grupos serelepes, eu segui sozinha com o saquinho embaixo do braço e minha inseparável D90 na mão. Sim, eu tinha uma câmera na mão, mas nenhuma ideia na cabeça. Então, decidi ir caminhando sem rumo e clicando tudo que chamava a minha atenção. E quando se trata de uma incrível cidade cenográfica, mi amigo, essa não é uma tarefa muito difícil... A cada esquina me deparava com uma criatura fotografando esse tal saquinho. Em cima do poste, pendurado numa árvore, dentro do chafariz, saindo do bueiro... Todos tentando encontrar uma luz que os guiasse para a tal originalidade, inclusive eu. Foi quando eu avistei uma senhora estendendo roupa na bancada de um daqueles antigos prédios do gótico. Eureca! É isso! Incorporei a fotógrafa/produtora/brasileira/simpática/destemida/sem noção e gritei lá de baixo: “señoooora! Puedes segurar mi saquito en tu varal para que lo saque una fotito?”. E depois de muitos “perdona?” “que pasa?” e “estás loca?”, ela topou e eu subi correndo a escadaria pra entregar-lhe o bendito saco. Foram várias tentativas, subidas, descidas, risadas e registros com nenhum perfil de vencedor de concurso. Mas mesmo assim, saí rindo de mim mesma e feliz da vida por ter tido coragem de colocar em prática aquela ideia maluca. Nunca mais essa cena saiu da minha cabeça e talvez, se eu não tivesse tido coragem pra abordar aquela senhora, hoje já não lembraria mais dessa minha ideia tão excêntrica. E assim continuei andando, registrando – com ou sem saquinho -, observando, conversando comigo mesma e me divertindo. A foto que entreguei foi tirada num dos clássicos cafés da Ciutat Vella, onde coloquei um tradicional bocadillo de queijo enrolado no meu saquinho com un café con leche em primeiro plano e, como fundo, uma bela fotografia de outrora de uma das principais avenidas de Barcelona, a Via Laietana. Não, ela não foi a vencedora do concurso, mas foi a minha escolhida.
Quando o resultado saiu fiquei um pouco chocada (pra não dizer indignada) ao ver a foto ganhadora. O cara tinha picotado o saquinho todo para criar um skyline da cidade de Barcelona, com direito à torre Agbar, Sagrada Família e “as porra”. Arnaldo não estava por perto pra dizer se aquilo podia ou não, mas eu achava que o saquinho deveria ficar intacto, poxa! Mas independente do resultado, saí realizada depois de passar o dia fazendo uma das coisas que mais me dá prazer nessa vida, numa cidade que sempre me encheu de alegrias e de boas surpresas. Fui pra casa com um sorriso no rosto e duas certezas em mente: a verdadeira vencedora desse concurso foi a FNAC por ter conseguido, através de uma ideia simples e genial, espalhar a sua marca pelos quatro cantos de Barcelona e estimular tanta gente a buscar um novo ângulo para se expressar através da fotografia. A outra certeza é que o Colin Prior realmente tinha razão na colocação dele, mas, eu iria além: o importante não é ganhar um concurso, mas sim se inscrever, meter as caras, ter coragem de abordar pessoas desconhecidas na rua, executar a suas ideias (por mais malucas que possam parecer), rir e se divertir consigo mesmo, clicar até criar calos no dedos e voltar pra casa com a alma leve, o coração pulsando e o cartão de memória cheio de preciosidades que ficarão para a posteridade.
Dois personagens, uma só história.
(Barcelona, dezembro de 2008)
Minha história de hoje tem dois personagens… O primeiro é um idoso de mais ou menos setenta anos que vive no meu prédio. Quase sempre que olho pela janela da cozinha lá está ele, observando o nada, fumando um cigarro atrás do outro, gesticulando para ninguém, sozinho. Era como se estivesse ali esperando a vida acabar de uma vez por todas, já que seus olhos não transmitem sequer um brilho de esperança. Cada vez que o observo, meu coração diminui um pouco e a dor da solidão ressalta como uma realidade viva e presente. Será que é isso que nos aguarda? Nascemos no meio de várias pessoas – mãe, pai, irmãos, tios, médicos, enfermeiras, visitas, flores e sorrisos – e envelhecemos em nossa própria companhia, sem ter ninguém pra nos dizer que não estamos sós? E aí que entra minha segunda personagem, uma mulher nos seus cinquenta e tantos anos, nascida e criada no Peru que, na flor da idade, decidiu vir a Barcelona para tentar fazer uma vida diferente. Chegou sem nada como muitos dos países chamados “subdesenvolvidos” (ou "em desenvolvimento") e hoje ela administra vários albergues pela capital catalana, colocou a sua filha numa das melhores universidades do país e fala com orgulho das suas conquistas. Divorciada, filhos criados e já bastante acima do peso, ela poderia ter dado como concluído o seu papel no mundo, e assim como o meu primeiro personagem, esperar à beira de uma janela a sua vida chegar ao fim. Mas ela optou por olhar para dentro e não desistir dela mesma. Passou por uma transformação física e espiritual, fazendo com que todos ao seu redor se surpreendessem com a sua atitude. Motivo de inspiração não só para mulheres da sua idade e para as mais jovens, mas certamente, para todos nós, seres humanos. Fiz um ensaio fotográfico com ela e consegui captar a nova mulher que ela tinha se tornado: leve, feliz e vivaz. Assim como o bem e o mal, a alegria e a tristeza, o desânimo e a esperança, a presença dos que nos amam e a tal solidão, teremos sempre esses dois personagens dentro de nós. O que nos impulsiona a desistir de tudo, chorar pelas mazelas da vida e lamentar pelo que nunca fizemos e talvez nunca consigamos fazer; e aquele que nos estimula a ter esperanças, a renovar e a reinventar a nossa própria história, dia após dia. Motivos para entrar em depressão não nos falta. É só abrimos um jornal ou assistirmos TV por alguns minutos. Pessoas que passaram o natal tirando lama das suas casas devido às enchentes no Brasil, um ser que se disfarçou de papai Noel nos Estados Unidos e matou várias pessoas antes de suicidar-se, milhares de crianças morrendo diariamente de fome e desnutrição na África, a crise econômica mundial, a falta de emprego que atinge os ilegais e os legais do mundo inteiro, mais um amor não correspondido, enfim... Se fôssemos colocar na balança não teria lugar na janela da tristeza para tantos e os fabricantes de tabaco passariam a rir à toa. Entrar em depressão é fácil, difícil é encontrar forças para que ela não entre em nós. Ao cairmos, não podemos simplesmente esperar uma mão amiga para nos levantar. Talvez seja por isso que temos duas. Devemos encarar a solidão como nossa aliada, e não como inimiga. Ao estarmos sozinhos, conversamos com nós mesmos e só assim podemos nos tornar nossos verdadeiros amigos. Aproveitemos esse momento para olhar no espelho e nos enxergar de verdade, dançar como nunca dançamos na frente de outras pessoas, sorrir das nossas loucuras pessoais, desligar o som e escutar os nossos pensamentos, refletir sinceramente sobre elas sem a interferência de ruídos externos. Vamos aprender a nos elogiar antes de esperar um elogio. Construir a nossa própria opinião antes de discordar de alguém por pura teimosia. Tentemos descobrir quem somos de verdade e o que viemos fazer aqui. E busquemos dentro de nós forças e esperanças para tentar mudar um pouco essa realidade que tanto nos assombra. As palavras devem se ditas hoje. O amanhã é incerto. Demonstremos o nosso amor não só com palavras, mas também com pequenos gestos – independente do sentimento ou do tempo de relacionamento. Cinco minutos do nosso dia podem transformar a vida de outra pessoa. Sorrir para um desconhecido na rua, sentar do lado de alguém e emanar boas energias silenciosamente, elogiar um bom atendimento, agradecer pela comida que alguém fez com tanto amor, valorizar mais a presença do que um presente, olhar menos a tela do computador e olhar mais nos olhos das pessoas... Sobretudo, sentir-nos felizes por ainda termos a capacidade de fazer isso tudo. Isso sim, nos faz grandes. Assim fazemos a diferença. E são atos desse tipo que movem o mundo. (...)
Acordei sozinha num dia chuvoso. Observei o velhinho da janela. Lembrei da peruana que reinventou sua história. Falei com minha mãe ao telefone. Pensei nas pessoas que fazem parte da minha vida. Refleti sobre Aracaju, Barcelona, o mundo. Sabia que meu dia poderia ser triste, mas optei por fazê-lo diferente. Sentei para escrever sobre esses dois personagens tão distintos, mas ao mesmo tempo tão parecidos... E percebi ao longo do processo que, quando somados, resultam numa só história: a nossa própria. Agora cabe a nós decidir qual dos dois personagens queremos ser.
BRIGHT LIGHT
Clarissa Pinkólas Ester, Chico Buarque, Pedro Almódovar. Seres na eterna busca de identificar, desnudar e retratar a mulher. A mulher desimpedida, desinibida, dissimulada. Cada vez mais dona de si e dos seus passos. Mulher forte, jogada, calejada, fechativa, viva, sólida, extrema. Mulher.
Este ensaio retrata a analogia da mulher consigo mesma num momento de fragilidade e, ao mesmo tempo, de liberdade. Um momento onde relembra não só a noite passada, mas também histórias passadas da sua curta e intensa vida. As imagens relatam o contraste entre a escuridão e a luz, que se relacionam respectivamente ao peso que impregna a sua consciência e à leveza que a liberta de paradigmas e fantasmas do dia a dia.
A maquiagem e roupa escuras, ainda carregando lembranças de uma noite regada a álcool, fumaça e encontros enigmáticos, contrastam com a imagem estourada, provocada pela luz solar do dia seguinte e também de uma grande angular casada com o obturador inteiramente escancarado, abocanhando-a. Certas vezes, essa luz é tão pujante que a atravessa, apagando os seus pequenos defeitos e libertando-a ainda mais dos seus medos e preconceitos. Percebe-se no seu olhar uma confusão de sentimentos como receio, arrependimento, reflexão e, paralelamente, um sorriso de satisfação, plenitude e libertação.
O controverso sempre presente, andando lado a lado. Ora silencioso, ora estrondoso. Como o ontem e o hoje. Como o belo e feio. Como o claro e o escuro. Como a noite e o dia. Como a mulher... Como tudo.
(...)
Conceito, fotografia e texto: Melissa Warwick
Modelo & maquiagem: Ticiana Siqueira
Cenário: Praia de Atalaia - Aracaju - Sergipe
Trilha sonora sugerida: Smoke city - Underwater Love
https://www.youtube.com/watch?v=aUz3fLncTTs