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"É sobre ter alguém que te acalme quando você não está bem ."
Fabiana Dias ✍🏻
17/08/25
Pensei que seria você A pessoa que quebraria a barreira do que sou por fora e pudesse ver o que tenho a oferecer por dentro Mas você nunca tentou cruzar essa linha Você quebrou outra parte de mim.
Toda vez que uma mínima lembrança boa tenta me atravessar, junto dela vem o peso esmagador do que foi viver aquilo. É como se a saudade tivesse veneno escondido na ponta da língua, porque não importa se eu penso em um sorriso ou em uma palavra que parecia sincera, a memória seguinte é sempre a mesma: o desespero de não ter um dia de paz. Nunca houve trinta dias seguidos em que eu pudesse respirar fundo e acreditar que estávamos bem. Era sempre uma montanha russa, um sobe e desce que me partia em pedaços, e eu me agarrava à esperança cega de que, talvez, um dia, as coisas se equilibrassem. Nunca se equilibraram.
Eu lembro da instabilidade como quem lembra de um pesadelo que ainda dói na pele. As discussões sem sentido, os silêncios carregados que me faziam andar na ponta dos pés dentro de algo que deveria ser meu refúgio. Eu lembro de como eu implorava em silêncio por uma trégua, por uma semana sem explosões, sem acusações, sem virar o alvo da sua tempestade. E o mais cruel era perceber que eu me acostumava com isso, como se fosse normal. Eu aceitava migalhas de calmaria como se fossem milagres, quando na verdade eram só intervalos antes da próxima guerra.
As crises de ansiedade se tornaram minhas companheiras mais fiéis. Eu vivia com o coração disparado, como se a qualquer momento tudo pudesse ruir, e sempre ruía. Eu não conseguia dormir direito, acordava no meio da noite com o peito apertado, tentando controlar a respiração, tentando convencer a mim mesma de que eu ainda estava segura. Mas nunca estive. A insegurança era constante, o medo de qual versão sua eu encontraria no dia seguinte me deixava sem chão. Eu nunca soube onde pisava.
A dor no peito se tornou física, uma marca invisível que me acompanhava em todos os lugares. Eu perdi a fome, perdi o sono, perdi a vontade de aproveitar as coisas simples. Vivia com o estômago embrulhado, com a cabeça pesada, com a sensação de que algo em mim estava sempre prestes a desmoronar. E tudo isso por insistir em acreditar em algo que só me destruía. Hoje eu entendo que amar não era pra ser assim, que ninguém deveria pagar esse preço por segurar uma relação. Mas eu paguei. Até quase não sobrar nada de mim.
E é por isso que agora, quando a saudade tenta me enganar, eu me lembro de tudo isso. Eu me lembro das lágrimas escondidas, das noites mal dormidas, das palavras cruéis que me atravessaram como facas. Eu me lembro da sensação de ser pequena, de ser insuficiente, de estar sempre errando mesmo quando eu só estava tentando acertar. Essa é a lembrança real, essa é a marca que ficou. Não foram os poucos momentos bons que definiram aquilo, foi o peso insuportável de conviver com a instabilidade que me devorava por dentro.
Então, não. Eu não tenho saudade de você. Eu tenho trauma. Eu tenho cicatrizes. Eu tenho uma ferida que ainda pulsa quando tento pensar no que restou. E se alguma vez eu me pego lembrando do que parecia bonito, eu me forço a encarar a verdade: não valeu a pena. Nada que machuca tanto pode ser chamado de amor. E se algum dia eu voltar a sentir falta, que seja apenas da pessoa que eu fui antes de tudo isso, porque essa, sim, merece ser lembrada com carinho.
Não houve amor suficiente pra justificar tanta dor, não houve carinho capaz de apagar as noites em claro, não houve abraço que sustentasse a avalanche de crises que me engoliam. Toda vez que minha mente tenta pintar uma cena bonita, eu rasgo esse quadro com a lembrança da angústia, do medo constante, da instabilidade que me matava por dentro. Não existe saudade que suporte a verdade: foi um inferno.
Eu não vou mais suavizar, não vou mais inventar desculpas pra justificar o injustificável. Foi tóxico. Foi pesado. Foi cruel. Eu me destruí acreditando que se eu resistisse mais um pouco, tudo mudaria. Mas o que mudou foi a minha saúde, o meu corpo, a minha paz. Eu saí daquela história menor do que entrei, mais fraca, mais calejada, e isso não é poesia, isso é sobrevivência.
E se algum dia você tentar voltar com palavras doces, se algum dia eu mesma me pegar lembrando do que parecia leve, eu vou repetir até doer: não valeu a pena. Nenhum gesto bonito compensa a dor no peito que me tirava o ar, nenhuma promessa cobre o preço que paguei com meu próprio equilíbrio. Eu merecia mais. Sempre mereci mais.
Por isso, se existe algum fim, ele é definitivo. Não tem volta, não tem ponto fraco, não tem brecha. Você é a lembrança do que nunca mais vou permitir. Você é o retrato de tudo o que eu preciso manter longe. E se há uma gota de saudade, eu bebo junto a lembrança amarga do que realmente foi, e isso basta pra me manter firme.
Eu não sinto falta de você. Eu sinto falta de mim, daquela versão minha que ainda acreditava que amor era leveza, que carinho era refúgio, que parceria era porto seguro. E é por ela que eu escolho nunca mais me colocar no mesmo lugar. Eu não vou reviver esse ciclo, não vou abrir a porta, não vou chamar de amor o que foi só destruição.
Não há saudade, não há carinho, não há lembrança boa. Tudo termina com a consciência crua do que me custou, com a decisão firme de nunca mais voltar. E se um dia a saudade tentar me enganar de novo, eu vou lembrar: aquilo não era amor. Aquilo era a minha ruína.
Quando eu penso sobre o que é melhor pra minha saúde mental, eu chego sempre na mesma resposta:
Não dá pra continuar insistindo em coisas que me deixam exausta, que sugam minha energia e me fazem duvidar de mim. Eu já tentei por tanto tempo acreditar que se eu desse mais um pouco, se eu tivesse mais paciência, se eu fosse mais compreensiva, as coisas mudariam. Mas a verdade é que algumas coisas não mudam, e não é porque eu não fui suficiente, é porque simplesmente não é o meu lugar permanecer ali.
Tem ciclos que parecem infinitos, mas na real só continuam porque eu não tenho coragem de fechá-los. Eu insisto, eu adio, eu fico me convencendo de que talvez amanhã seja diferente, que talvez uma conversa resolva, que talvez eu consiga suportar mais um pouco. Só que não dá mais. Essa mania de tentar salvar o que já morreu é o que mais adoece, porque eu não percebo que no fundo quem está se afogando sou eu, enquanto tento segurar uma corda que já se desfez há muito tempo.
É difícil aceitar que a mudança, dessa vez, não é sobre melhorar o que existe, mas sobre ir embora por completo. É sobre não gastar mais meu tempo em algo que me tira a paz, que me coloca pra baixo e que me faz duvidar do meu próprio valor. Porque no fim, a conta chega. A saúde mental cobra, o corpo cobra, o coração cobra. E chega um momento em que não tem mais negociação possível: ou eu escolho a minha paz, ou eu continuo me destruindo.
Eu já cansei de colocar todo mundo em primeiro lugar, de justificar atitudes, de engolir coisas que me machucam só pra não ter conflito. Mas isso só me levou pra mais longe de mim mesma. O que eu preciso agora é de coragem pra virar as costas sem me sentir culpada, pra entender que sair também é uma forma de se amar, que desistir de algo que não me faz bem não é fraqueza, é sobrevivência.
O que dói é saber que parte de mim ainda tem vontade de tentar mais uma vez. Mas eu não posso continuar me enganando. Se eu voltar, vai ser o mesmo ciclo, a mesma dor, a mesma sensação de estar presa em algo que nunca vai me dar o que eu preciso. E se eu continuar, eu vou perder de vista tudo o que eu sou, tudo o que eu posso ser. Não vale a pena sacrificar minha sanidade por algo que já me provou tantas vezes que não vai mudar.
No fundo, eu sei que essa decisão é definitiva. Não dá mais pra ficar com um pé dentro e outro fora, esperando que algum milagre aconteça. Eu preciso me escolher, com todas as consequências que isso traga. E se isso significar ir embora sem olhar pra trás, que seja. O preço de ficar já se tornou alto demais, e eu não estou disposta a pagar com a minha paz.
Então, quando eu penso no que é melhor pra minha saúde mental, eu entendo que é me afastar. É encerrar esse ciclo de vez, sem desculpas, sem volta. É cortar pela raiz o que me adoece e abrir espaço pra algo que realmente me nutra, que me faça sentir leve, viva, inteira. Eu escolho isso. Mesmo que doa no começo, mesmo que pareça um vazio, é nesse vazio que eu vou me reencontrar.
!!!!!!!!!!!!!
10 da manhã>>>>>
10 da manhã>>>>>
Você foi um sonho bonito, mas acordar dele me fez perceber que nunca foi real.
Você merece alguém que explodiria o mundo por você.
Abstract
@sobmeuolhar