Vivo
Apenas existo na maior parte do tempo; corpo presente, mas esvaziado de significado e motivação. Raras são as vezes em que me lembro de que estou vivo. Ainda há vida em mim.
— Henrique

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@loneliness-is
Vivo
Apenas existo na maior parte do tempo; corpo presente, mas esvaziado de significado e motivação. Raras são as vezes em que me lembro de que estou vivo. Ainda há vida em mim.
— Henrique
— Cristina Peri Rossi, no livro "Nossa vingança é o amor: antologia poética". São Paulo: Editora 34, 2025.
A obediência não é um fardo, mas o privilégio que nos permite viver em sintonia com o coração de Deus.
Lucas Torres
Bom dia 💜
O biquinho
Lafayette
Everyone spread ya toe beans
Amar você é um desafio profundo. Chegamos a um ponto em que já não consigo mais distinguir com clareza quando o apego começou e quando o amor se perdeu no meio dele. Em algum momento, nossas fronteiras se confundiram — ficou difícil saber onde você termina e onde eu começo. Onde está a minha individualidade? Quem eu sou para você, de verdade, como mulher? Eu me pergunto se você ainda se preocupa em me proteger, e não em me controlar. Se ainda existe em você o desejo genuíno de reconstruir tudo ao meu lado, com a pessoa que eu me tornei e com a pessoa que você também se tornou. Porque a verdade é que antes éramos quase crianças tentando amar, tentando sobreviver um ao outro. Mas agora somos adultos — e isso muda tudo. Por isso eu me pergunto, com o coração aberto e também cheio de cicatrizes: será que precisamos recomeçar do zero? Voltar a nos olhar como dois desconhecidos que escolhem ficar? Voltar a ser namorados, depois noivos, depois casados — mas dessa vez conscientes do peso e da beleza dessa escolha? Você conseguiria deixar para trás as frustrações que carregou por tanto tempo? E eu… eu conseguiria realmente curar a dor de ter sido ferida tão profundamente por tantos anos? Porque não foi simples chegar até aqui. Eu precisei atravessar muita coisa dentro de mim para encontrar sanidade, para emergir do fundo dessa piscina rasa onde quase me afoguei em silêncio. Mas eu não quero mais viver no raso. Eu quero profundidade. Quero verdade. Quero um amor que não seja feito de dependência, mas de escolha. Não quero mais carregar sozinha a responsabilidade pela nossa evolução. Quero caminhar ao seu lado, não à sua frente nem atrás de você. Quero que seja um trabalho de dois — dois indivíduos inteiros, despertos, conscientes — que escolhem crescer juntos, todos os dias, mesmo quando é difícil, mesmo quando dói. Porque amar, para mim, já não pode mais ser sobreviver. Amar precisa ser mergulhar.
Gabriella Simone
Estou tentando, mais uma vez, elaborar tudo isso que você me deixou — tudo o que você me ensinou passando pela dor, pela rejeição, pelo amor e pelo pertencimento. Primeiro, eu te habitei de forma ingênua, sem imaginar tudo o que estava prestes a acontecer. A forma como você falava e brincava sobre os outros me deixava insegura sobre o que realmente pensava de mim. Aquilo me levava a um lugar antigo que eu já conhecia: a busca pela validação. E eu sabia que não queria alguém tão superficialmente imaturo, incapaz de enxergar a beleza do outro. Mas acho que, na segunda vez em que você me tomou, eu estava extremamente sedada. Não conseguia reagir nem aceitar que uma pessoa verdadeiramente disposta fosse capaz de tudo aquilo. Enquanto você dançava sua dança de poder, percebi que teria de ceder ao seu desejo. Eu deveria realizar seu maior sonho e te “tornar homem”. O sexo era um tabu entre nós, e isso simplesmente nos afastou. Eu era jovem demais para corresponder e não sabia que você, provavelmente, encontraria alguém que pudesse facilmente te oferecer o que queria — e que você estaria totalmente disponível a quem lhe desse isso. Porém, na terceira vez em que você se apresentou, eu não consegui elaborar. Até hoje não consigo entender como essa dominação aconteceu. Foi absolutamente sagaz. Eu me vi enterrada no horror, completamente mergulhada em paixão. Doía tanto. E eu me perguntava por que queria alguém tão inútil como você, alguém que me dava tanta felicidade e, ao mesmo tempo, tanta dor. Culpa e punição se tornaram meu alimento de amor — era isso que me fazia vibrar. Você cheirava à morte lenta e constante do ego, à superação distorcida. E você simplesmente me apagou, para seu próprio uso e benefício, garantindo minha permanência no seu show de horror. Convencendo-me de que eu estava feliz com aquele espetáculo mental, no qual eu era a vítima principal: a vítima de nunca ser suficiente. Meu coração se despedaçou. Então veio o seu quarto ato — a ilusão mais linda que já tive. Eu sonhei com você comigo. Delirava sem parar com você vindo até mim como meu amigo mais íntimo, como um cachorro leal. Mas você era mais parecido com uma cobra peçonhenta, que em algum momento precisava se alimentar de sua pequena fome de atenção. Você era escória. Fraco. Inconsistente. Ainda assim, me fez cair em um conto onde você era um rei e eu, sua súdita — até que percebi que seu próprio castelo não passava de um grande delírio da sua mente.
Gabriella Simone