2017 foi um ano intenso. Não quero dizer difícil porque passei por coisas mais complicadas no decorrer dos meus 26 anos. Mas, definitivamente, intenso.
Em 2017 consegui me aprofundar em mim mesma, mergulhei em extremos emocionais, agravados pelo fato de eu vivenciar um tão sonhado intercâmbio.
Quando eu comprei minhas passagens, tinha a certeza de que seria uma experiencia incrível, cheia de boas coisas, aquelas coisas que só acontecem em viagens. Eu estava cansada de ser uma pessoa que só ouvia os outros falando sobre suas experiências. Era a minha vez, agora.
E foram experiencias incríveis mesmo.
Mas talvez, eu tenha uma natureza um pouco mais intensa e que gosta de ver as vitórias da vida por outro lado. Pelo lado do esforço e do progresso, pelas pequenas conquistas do dia a dia, que balançam o emocional mas te fazem se sentir fortes e sábios no término da tempestade.
Eu aprendi muitas coisas em 2017, coisas que eu nem consigo colocar em palavras. Eu abandonei hábitos antigos, abri espaço para novos. Percebi que consigo me virar sozinha em muitos aspectos. Emocionalmente, inclusive. Até a parte de manter um apartamento sozinha me surpreendeu.
Eu aprendi cedo que quando a gente mais precisa do apoio de alguém, a vida te deixa sozinho pra encarar aquela dificuldade. Eu me acostumei com isso, e esse ano, fui à prova mais uma vez. Eu me coloquei em situações em que me arrependi. Me arrependi de ter investido meu tempo (contado) em coisas e pessoas que não valiam a pena. Eu aprendi que insistir é furada. Dependendo do assunto, claro.
Aprendi que eu sou muito mais do que imaginava ser. E aprendi a me respeitar por causa disso também. Hoje em dia eu consigo ver quem se encaixa comigo e quem não vale tanto o esforço. Pode soar arrogante, mas o mundo tem 7 bilhões de pessoas - aceitemos o fato de que muitas delas agregariam muito na nossa jornada. Outras, não.
E não há nada pra se chatear quanto a isso! Quem não faz parte do nosso aprendizado simplesmente sai da nossa vida. Algumas vezes, a vida mesmo força isso. Aceitemos. Eu vivi o que acreditava ser difícil eu experienciar - pela primeira vez me relacionei com uma pessoa que não era metade de quem eu sou. E depositei expectativas, mas quando uma pessoa é rasa, não há o que fazer para ela se tornar funda. Quando uma pessoa não está disposta a entender a sua perspectiva, meu querido... hora de dar tchau.
Eu decidi que em 2018 eu não quero me envolver emocionalmente com alguém. Pelo menos coloquei na minha cabeça que quero evitar isso ao máximo. Porque não sei o quanto esse meu instinto sagitariano de querer buscar/conquistar alguém está valendo a pena. Quero fazer algo diferente esse ano pela primeira vez. E por mim. Não consigo mensurar o quanto eu me doei esses últimos anos para caras que eu tecnicamente sabia que não eram parte da minha jornada.
Estou feliz que consegui juntar mais dinheiro do que gastar. Realmente, meus padrões de consumo no Brasil eram bizarros e eu aprendi a dar valor pro dinheiro aqui. Apesar de esse ponto ser mais fácil na Australia, eu acredito que essa nova visão dificilmente vai se alterar no futuro. Ainda mais voltando pra um país que a grana é tão dificil de arranjar.
Venho notando minhas reações esse ano também. O emocional x racional. Muitas situações, meu primeiro instinto é ficar puta, indignada, achar que o outro está errado. Demora segundos, horas, e as vezes dias, pra eu entender o ponto da pessoa e perceber a perspectiva pelo outro lado. Isso é algo que eu quero continuar melhorando na minha personalidade. Esse mindfullness das pessoas à nossa volta.
Estou com uma energia boa para 2018. Não vou ter o réveillon de novela, com midnight kiss e toda a fantasia de uma vida ideal. Alias vida ideal é o que todo mundo prega mas poucos vivem. (Outra maxima que eu já sabia, mas esse ano veio à tona com a vivência do intercambio). Vou passar trabalhando numa balada - e essa é a tônica que quero dar pra minha vida ano que vem. Esforço. Racionalidade. O pagamento é bom, então eu não vou me atrelar à questões emocionais e culturais. Preciso fazer do limão uma limonada, nessa história! E ao ponto que estou, a racionalidade precisa falar mais alto.
Também notei que as amizades que a gente tem na vida valem ouro e que eu devia valorizar mais quem está do meu lado no Brasil. Sei alguns que estão, outros, tenho minhas dúvidas. Mas no fim das contas, a qualidade da nossa vida depende da qualidade dos nossos relacionamentos.
“Obrigada Austrália, por me incomodar, questionar e ao ser dona de tantos contrastes, me fazer quem eu sou hoje.” Que venha 2018. Um ano que com certeza também vai proporcionar as suas dificuldades. Mas olha quem a gente está se tornando!! Tchau 2017 :)