[flashback] Break the rules, kiss slowly, love truly, laugh uncontrollably — Abones
Aquilo provavelmente não era certo. Não só toda a situação na qual se encontrava, mas também como seus sentimentos acerca dela. Edgar não sabia dizer bem qual era o mais errado daquilo – talvez toda aquela história de ética, sobre seus valores morais e tudo mais –, mas também já não pensava sobre. Sequer fazia questão de se importar, porque imaginava que a culpa o abateria a qualquer momento caso o fizesse. E tudo o que ele queria naquela noite era diversão. Divertir-se e fazer Lucille se divertir também, aproveitar sua companhia tanto quanto ele já estava aproveitando a dela. Mesmo tendo se encontrado pela primeira vez naquele dia há menos de dez minutos. Aquilo não era normal e ele até poderia perceber se parasse para pensar no assunto. Mas, novamente, não o fez. Estava oficialmente cansado de pensar sobre suas atitudes, as consequências e o que mais fosse. E se ela aceitara o convite, então também queria aquilo tanto quanto ele. O que, no final das contas, fazia tudo valer a pena.
Aquela situação inteira parecia tão surreal que sua única reação possível foi rir. Não só rir, mas fazê-lo de uma forma genuinamente sincera. Sem aquelas risadas forçadas de um primeiro encontro, tentando quebrar o gelo e melhorar o clima. Não havia precisado e imaginava que permaneceria assim a noite inteira. Esperava, ao menos. E ria porque a lufana parecia não ser ciente do quão deslumbrante estava. Era. Não havia dúvidas de que ela era uma das garotas mais lindas de todo aquele castelo e não seria uma fantasia que a deixaria longe do posto. Deixava-a ainda mais deslumbrante, o fato de escolher uma caracterização diferente das demais. Não era uma bruxa sensual, uma policial trouxa sensual, algum e/ou qualquer tipo de criatura sensual. Não precisava de nada daquilo – a exposição exagerada, como se necessitasse ser notada – para chamar sua atenção. — Lucille Abbott! O que farei com você? Descobriu meu plano, afinal. Só estou elogiando porque quero ser elogiado de volta. Não tem nada a ver com o fato de você estar incrível. Realmente linda. — Outra risada saía de seus lábios enquanto entrava na brincadeira. Parecia tão fácil fazer aquilo quando ao lado da colega de Casa que chegava a ser impossível ficar mais do que dois minutos sem demonstrar o quanto se divertia.
Outro sinal de que aquilo estava longe de ser normal fora a corrente elétrica que pareceu percorrer todo seu corpo, começando pela mão que havia sido tomada pela outra. De acordo com o irmão mais velho, aquilo devia ser trabalho seu. Demonstrar interesse, tomar as rédeas da situação. Mas a verdade é que não se importava. Estava, em fato, admirado e realmente animado. Talvez pelo fato daquele gesto tão significativo fluísse tão normalmente, como se de fato um casal fossem. O que o rapaz não veria problema algum de tornar realidade, mesmo que imaginasse que aqueles pensamentos fossem culpa do encantamento que parecia ser jogado em si pela simples presença encantadora da garota. — Para onde quiser, boneca. — Respondeu enquanto um sorriso estampava sua face. Não havia um pingo sequer de vontade de desfazer o enlace que tomava as mãos de ambos, então apenas seguiu a outra que tomava a dianteira. — Mas eu faço o papel do homem ao buscar as bebidas e tirar para dançar, tudo bem? Não quero que Amie diga que não soube te tratar bem. — Brincou novamente quebrando o contato visual que faziam há uma quantidade considerável de tempo apenas para procurar a irmã pelo grande salão enfeitado. O que era uma tarefa impossível, visto que praticamente todos os alunos estavam lá. Assim, voltou novamente sua atenção para a companhia daquela noite.
Ela decidiu mandar tudo para o espaço. Pela primeira vez, em tanto tempo, permitiria sua consciência guiá-la livremente, fazendo o que bem desejasse. Quantas e quantas vezes abriu mão de sua vontade, pensando e priorizando os outros sem ver o tamanho do sacrifício que causava a si mesma. Não que agora fosse pisar nos sentimentos de meio mundo, não. Lucille não tinha esse direito e seu sangue hufflepuff jamais a deixaria fazer isso. A jovem Abbott só queria, em uma noite pelo menos, poder viver, ser impetuosa, aproveitar cada minuto como se fosse o último. Gravar na memória o sorriso de Edgar, para nunca esquecê-lo quando acordasse no dia seguinte e decidisse deixar de vê-lo. Merecia esse presente, tendo em vista que quando a imagem de Layla lhe inflasse a culpa, não mais conseguiria voltar a se aproximar do lufano. O lufano que fazia seu peito bater mais forte com o som das risadas que preenchiam seus ouvidos. Por isso, por ele, Lucy decidiu jogar tudo para o alto aquela noite.
Seus dedos apertaram os entrelaçados, sem que se desse conta, apenas por instinto. Sua insistência em ainda segurar a mão dele, não se tratava somente de conduzí-lo até o meio do Salão, mas era também uma maneira dela se assegurar que não estava em mais um de seus sonhos. A presença de Edgar em seu subconsciente quando sonhando havia se tornado quase uma rotina. — É. — Disse após ter sido a sua vez de soltar o riso, voltando então o rosto para o colega de Casa. Um sorriso brincou no canto de seus lábios e ela não o impediu de crescer. — Até que você não está nada mal. — Concluiu em visível tom de brincadeira, com o piscar de um dos olhos cor de mel. Se o Bones tivesse qualquer dúvida quanto a sua opinião acerca do traje que usava, bem, notar o brilho em seu rosto devia ser o suficiente. A loira teve de se controlar para não soltar um gritinho quando o viu, tamanha sua admiração pelo ídolo vestido e sobre o quão belo e fantástico o rapaz ficara. Uma combinação perfeita, que despertou o lado fã alucinada em Lucille. Se tivesse a oportunidade de um dia levar o garoto até aquele lugar trouxa, no qual assistia os chamados filmes, seria para fazê-lo ver alguma das obras primas de James Dean. Sonhar não fazia mal nenhum.
Então, ela voltou a rir. E isso não era nenhuma novidade com Edgar por perto. Ele parecia ter alguma espécie de encanto que desarmava qualquer uma de suas barreiras e fazia seu rosto se contrair em sorrisos fácil fácil. Era algo natural, espontâneo, era curioso. Ao lado dele, sentia uma segurança que não sabia explicar e o próprio mundo ao redor deles parecia diferente, mais otimista, mais colorido. Mordred, devem ter batizado o ponche de mirtilo. — Tudo bem, temos um trato. — Estacou no meio do Salão e girou nos calcanhares, pondo-se a frente dele. — Você faz o papel do homem e eu digo à Amie que se comportou. — Estendeu a mão à espera que ele apertasse e entrasse na brincadeira do acordo, e também, para voltar a ter a pele dele contra a sua. Uma noite, era tudo o que queria, dizia a si mesma tentando se convencer. Não sabia que quem prova do fruto proibido, sempre quer mais? — Se fizer por merecer, eu posso até te dar uma nota alta pras meninas. Um oito, talvez. Anna apostou que você só conseguiria um sete. — Seus lábios se curvaram, ao passo que inclinava seu rosto, em um jeito de transmitir o gracejo por de trás de suas palavras e de acrescentar um leve tom de desafio. Queria ver aquele James Dean se esforçando.








