breaking the habit || noah x heidi
Quando Heidi cortou a irritante distância entre eles, foi como se um buraco há muito tempo feito em seu coração, voltasse a se encher. A sensação de totalidade que ele sentiu casou perfeitamente com a sensação de aconchego que se formava em seu peito. Noah inclinou o rosto para direita, e parou quando a mão quente de Heidi encostou nele. O pub poderia pegar fogo que ele não moveria um músculo. O momento não poderia ser interrompido, não por ele. O desejo que sentia pela mulher lhe encheu de felicidade, fazendo-o sorrir entre beijos. Há quanto tempo ele não sentia o calor de outro corpo? Há quanto tempo ele não sentia o frio no estômago causado pelo… Amor? Não, não, ainda não era aquilo. Ainda estava muito cedo para usar uma palavra tão forte.
Heidi recuou, e Noah percebeu que alguma coisa estava errada. Tentou olhar para a morena, mas não conseguiu identificar sua expressão. As palavras que ela proferiu atingiram Noah em cheio. Foi como uma faca atravessando seu peito. O que ele tinha feito de errado? Não era possível que o sentimento não havia sido recíproco. Noah piscou algumas vezes, ainda tentando processar o que Heidi dissera. Foi como se o acordassem de um sonho muito bom para descobrir que sua casa estava em chamas. — Mas… Heidi… O que foi? — Suplicou, buscando mais informações. Não que fosse aceitar qualquer desculpa que ela lhe desse, mas merecia ao menos uma explicação. Mas tudo o que Heidi fez foi levantar e sair do pub. Noah ficou atordoado com aquela ação. E em seguida, veio a tristeza. Seus olhos marejavam. Ele nunca se importara com a solidão antes, mas quando Heidi saiu pela porta, foi como se levasse com ela a sua felicidade. Noah desferiu um murro no balcão, deixando uma cratera do tamanho de seu pulso na madeira. As lágrimas saíam, uma a uma, e ele não se importava em limpar elas. Não havia ninguém olhando. Não havia ninguém. Estava só. Como sempre.
Estava a alguns metro do pub quando finalmente parou. Respirou fundo e colocou a mão na testa, pensando. Sentia-se extremamente culpada. Sentia-se a pior pessoa do mundo. Como poderia ter feito aquilo com seu amigo? Aquele que sempre parecia estar disposto a ouvir seus problemas e ajudar, aquele que sempre estivera presente quando Heidi precisava. O antídoto para seu sofrimento. Noah. Enquanto pensava no quão horrível era, mais lágrimas deixaram os olhos da policial, mas rapidamente ela as limpou, decidida a não deixar mais nenhuma escapar. Não era esse tipo de mulher. Não ficava chorando pelos cantos, claramente sofrendo. Não. Sua dor, sua mágoa eram guardadas em um lugar de onde dificilmente seriam desenterradas. Nesse mesmo lugar, Heidi guardou a torturante dor que sentia naquele momento. Respirou fundo novamente, como se o ar pudesse lhe dar coragem para fazer o que estava prestes a fazer.
Lentamente, voltou-se seus passos para o pub, já assumindo a habitual pose de mulher segura e independente, perfeitamente escondendo toda a tempestade de sentimentos que ocorria dentro de si. Estava determinada a pedir desculpas à Noah, esquecer aquilo. Ele era seu amigo e não queria perdê-lo, muito menos fazer algo que complicasse a amizade ou a colocasse em risco. Entretanto, quando entrou novamente no estabelecimento e o viu, esqueceu-se de tudo o que pretendia dizer ao homem. Suas costas estavam tensas, algo parecia terrivelmente errado. Com passos curtos e lentos, Heidi se aproximou dele e não precisou observar por muito tempo para notar que ele limpava algo em seu rosto. Alarmada, a morena percebeu que tratavam-se de lágrimas. Por um segundo, achou cômico vê-lo chorar. Noah sempre parecera tão bem consigo mesmo, tão forte e confiante... Então rapidamente censurou-se por ser tão insensível. Noah estava sofrendo e o sofrimento dele provocava em Heidi uma dor maior do que todas as outras. Não podia permitir que ele sofresse. Não podia permitir que nada o machucasse.
Sem se importar com a reação dele, a policial postou-se ao lado do dono do pub e tomou o rosto dele nas mãos. Olhou nos olhos azuis do homem e sentiu algo diferente aquecer seu peito. — Está tudo bem. — Heidi sussurrou, deixando que seus dedos passeassem pelo rosto de Noah em uma delicada carícia.
















