breaking the habit || noah x heidi
Ela não esperava que Noah se aproximasse ou tomasse alguma iniciativa. Sempre o viu como um homem doce e gentil, e de certa forma, um pouco “lerdo”. Por isso não teve reação alguma ao notar a aproximação dele. Simplesmente não esperava que o viria a seguir. Não esperava, mas queria. Seu coração batia acelerado, porém Heidi não sabia dizer se era devido a bebida ou à excitação do momento. Provavelmente os dois. Quando a aproximação dele tornou-se muito mais a qual estava acostumada, uma pequena e racional parte de seu cérebro lhe dizia o quanto aquilo era estranho. Lhe lembrava que talvez, ainda não estivesse preparada para seguir em frente. Entretanto, Heidi mal deu ouvidos a fina e baixa voz da razão presente em sua cabeça. Tudo o que ela queria no momento era os lábios de Noah, que estavam tão próximos que ela deixou-se ser dominada pelo impulso que tomou seu corpo, fazendo com que se curvasse para acabar com toda a distância ainda presente entre seu corpo e o daquele homem que tanto desejava.
A intensidade com a qual correspondeu ao beijo de Noah surpreendeu Heidi. E a alegria que sentiu também. Aproximou-se mais dele, colocando uma das mãos no rosto do homem, não querendo que ele se afastasse. Não achava que beijá-lo fosse causar tantos sentimentos conflitantes. Por um lado, sentia-se como uma adolescente apaixonada, como se pela primeira vez houvesse encontrado seu príncipe encantado. Entretanto, o outro lado lhe dizia que já havia encontrado seu príncipe encantado, porém este fora levado por sua causa. Porque era uma aberração, um descuido da natureza. De repente, a tristeza de não saber qual fora o destino de seu noivo invadiu a morena, obrigando-a a se afastar do gentil Noah. Não poderia fazer isso, mesmo que estivesse ansiosa por diversão, ansiosa por ele. O lado racional que havia sufocado antes estava certo. Heidi não estava pronta para seguir em frente.
— Não posso. Me desculpe, Noah. — ela disse, a voz baixa e triste. Passou as mãos nos olhos. Não podia deixar que ele a visse chorando. Não podia permitir que ninguém a visse chorando. Antes mesmo de esperar uma resposta do dono do pub, Heidi rapidamente deixou o local, ansiosa pela solidão de seu lar.
Quando Heidi cortou a irritante distância entre eles, foi como se um buraco há muito tempo feito em seu coração, voltasse a se encher. A sensação de totalidade que ele sentiu casou perfeitamente com a sensação de aconchego que se formava em seu peito. Noah inclinou o rosto para direita, e parou quando a mão quente de Heidi encostou nele. O pub poderia pegar fogo que ele não moveria um músculo. O momento não poderia ser interrompido, não por ele. O desejo que sentia pela mulher lhe encheu de felicidade, fazendo-o sorrir entre beijos. Há quanto tempo ele não sentia o calor de outro corpo? Há quanto tempo ele não sentia o frio no estômago causado pelo... Amor? Não, não, ainda não era aquilo. Ainda estava muito cedo para usar uma palavra tão forte.
Heidi recuou, e Noah percebeu que alguma coisa estava errada. Tentou olhar para a morena, mas não conseguiu identificar sua expressão. As palavras que ela proferiu atingiram Noah em cheio. Foi como uma faca atravessando seu peito. O que ele tinha feito de errado? Não era possível que o sentimento não havia sido recíproco. Noah piscou algumas vezes, ainda tentando processar o que Heidi dissera. Foi como se o acordassem de um sonho muito bom para descobrir que sua casa estava em chamas. — Mas... Heidi... O que foi? — Suplicou, buscando mais informações. Não que fosse aceitar qualquer desculpa que ela lhe desse, mas merecia ao menos uma explicação. Mas tudo o que Heidi fez foi levantar e sair do pub. Noah ficou atordoado com aquela ação. E em seguida, veio a tristeza. Seus olhos marejavam. Ele nunca se importara com a solidão antes, mas quando Heidi saiu pela porta, foi como se levasse com ela a sua felicidade. Noah desferiu um murro no balcão, deixando uma cratera do tamanho de seu pulso na madeira. As lágrimas saíam, uma a uma, e ele não se importava em limpar elas. Não havia ninguém olhando. Não havia ninguém. Estava só. Como sempre.
















