O leitor de pensamentos 1
Leo: (pensando mentalmente) Caramba que dia chato, quero ir logo pra casa!
Junior: (Chegando a padaria que Leo trabalha) Oi Leo, tudo bem?
Leo: (Tom desanimado) Eae Junior, a tarde tá bem devagar, mas vou bem.
Junior: (Desconfortável) Quer fazer algo depois daqui?
Leo: (Tom de desanimo) Não sei, queria chegar em casa e me jogar na cama.
Junior: Eu preciso falar com alguém, aconteceu algo estranho e não sei o que fazer.
Leo: (Tom surpreso) É algo grave?
Junior: (Demonstrando inquietude) É melhor você vir comigo, acho que você vai entender melhor! Eu posso esperar você sair!
Leo: Ah tudo bem, mas podemos passar em casa antes, preciso tomar um banho e tirar o cheiro da padaria do meu corpo!
Junior: Tudo bem!
(Enquanto iam para casa de Leo, Junior tenta falar sobre seu problema de forma tímida)
Junior: Eu vou ser sincero, mas por favor, não me interrompe, é um pouco complicado!
Leo: (Interrompendo Junior) Fala logo Junior, para com esse drama!
Junior: É difícil Leo...
Leo: (Pensando mentalmente) Por que ele não fala logo tudo de uma vez, fica sempre nesse mistério, parece que vai morrer
Junior: (Diz em voz alta, fitando os olhos de Leo) Eu não vou morrer!
Leo: (Imediatamente fitando os olhos de Junior de forma assustada) Eu sei que não Junior... mas...
Junior: (Tentando explicar) Eu posso ouvir seus pensamentos Leo.
Leo: (Demonstrando surpresa leve) Eu sei, nos conhecemos bem, não teria como não me conhecer até nos pensamentos!
Junior: (Tom) Eu consigo ouvir o que você pensa, só o que você pensa!
Leo: (Olha para o chão com e segue andando assustado) O que você está querendo dizer?
Junior: Leo, desde que te conheci, me senti livre pra ser quem sou, me senti de uma forma que ninguém mais poderia me proporcionar, isso começou quando (fala em baixo tom) 'aquilo aconteceu' e desde então, tenho escutado seus pensamentos...
Leo: (Interrompendo Junior novamente) Quer dizer que todo esse tempo você sempre ouviu o que eu pensava?
Junior: (Rapidamente fita os olhos de Leo e o segura) Eu não sei, começou apenas como uma simples voz similar a sua, só que diferente, e que fluía na minha mente e não vinda da minha audição, por um momento pensei que estava louco. Até que de alguns meses pra cá eu vim te acompanhando da padaria pra casa e quando te ouvia pensar, esperava por algum desejo seu para que pudesse realizar, e você sempre ficava muito surpreso quando eu te presenteava.
Leo: Quer dizer que as noites da pizza... (pausa) foi você ouvindo meu pensamento? Quer dizer que depois 'daquilo' todo tempo que estava com você, você podia me ouvir?
Junior: (Tom baixo) Sim, isso só acontece quando estou perto de você. (Tom mais alegre) Eu também sempre quis uma noite da Pizza.
Leo: Junior, eu não sei o que dizer, mesmo que você possa ouvir meus pensamentos, eu não sei o que pensar, está tudo confuso...
Junior: Leo, por favor, eu sei que é tudo muito confuso, mas eu também não escolhi isso e eu não sei como fazer parar, eu acabei me acostumando, mas senti um enorme desejo em te falar, eu não conseguia conviver com o fato de ouvir tudo o que você pensa por mim.
Leo: (Com pressa) Junior eu preciso ir pra casa, por favor, me deixa sozinho, eu preciso pensar, se possível, sem plateia.
Junior: (Segurando Leo) Não vai, por favor, você sabe o quanto gosto da tua companhia e o quanto quero tá perto de você, mesmo ouvindo seus pensamentos, sinto que você também ouve os meus, não há nada que me faça tão feliz quanto está com você e o fato de ter ouvir de tantas maneiras me liga a você de uma forma que eu não sei explicar, por isso te peço, não vai embora.
Leo: (desvincilhando-se de Junior, parte em disparada para casa)
(No dia seguinte)...















