tem a concepção que o medo ( semelhante a tantas outras emoções mundanas ) existe por um motivo. lembrar-nos que todos sem exceção alguma têm uma fraqueza. não há porque rejeitar ou negar a existência dele, apesar de lhe parecer estúpido nutrir algo por uma mera fantasia. medo é uma palavra muito forte, uh? incitou num meditar efêmero em demasia, o sorriso jocoso esculpe os lábios avermelhados pelo frio. é mais uma sensação estranha, sabe? um lance que não importa. também não está tão sóbrio assim para pensar sobre a importância, afinal aquilo nem ao menos lhe acrescenta algo ! por quê? você sentiu alguma coisa? apesar de perguntar torce por aquele assunto ser encerrado logo, após tanto tempo no circo o assunto já se tornou tão… entediante. a água, por outro lado, lhe cativa em significância ao submergir o corpo arrepiado na superfície. é surpreendido, porém, pelo jeito que ela se agarra em si tão subitamente. o que é isso aqui? que tipo de salva vidas você é? alfinetou ao envolver o corpo feminino junto ao seu, as mãos firmes peregrinam pela superfície das costas até firmar-se a cintura onde segura com certa posse. vou fingir que não vi isso, uh? provoca ao soprar em confidência enquanto a derme resvala junto a dela, a água aos poucos para de incomodar tanto ao habituar-se. não precisa dessa desculpa, sabe? 'pra se agarrar desse jeito em mim, babe. retrucou com um sorriso dissimulado, o som da risada demonstra em partes a brincadeira implícita. 'cê precisa mergulhar, vai. incentivou ao dedilhar os dígitos sob a derme, o corpo afundando levemente na água. sempre tem um jeito melhor de se aquecer, uh? a sentença ressoa num timbre rouco & astucioso, o resvalar do lábio na cartilagem da orelha direita diante um sorriso oblíquo.
❛ ( lentamente pensa em ignorar as coisas que outrora aconteceram naquele lugar. apaga de pouco a pouco, substituindo o antes pelo agora. não é por medo somente, por se assustar com coisas que não tinham a noção do que eram, mas sim porque a companhia a faz desfocar daquilo, porque o álcool em sua corrente sanguínea é o bastante para lhe deixar deveras feliz. e certamente felicidade e medo não eram boas correspondentes. acho que senti o mesmo. uma sensação estranha que... é melhor deixar lá dentro. diz somente. ao fim tudo que pudesse passar por sua mente foi rapidamente substituído pelo frio que subia em seu corpo. não era justo ele falar de sua profissão porém. o corpo alcoolizado podia até pertencer a uma salva vidas, mas a mente não lembrava nem um pouco disso. quieto! exclamou, uma mão subindo até aquela boca para impedi-lo de tirar sarro de si. quiçá, as coisas que aconteciam carregava leveza que se contrariava ao jeito que se segurava a ele, como quem não desejava soltar. você não viu nada, oliver. retira a mão para que volte a segura-lo pelo pescoço, a respiração se acomodando enquanto as partes que tocam a agua gélida param de arder com o contraste de temperatura. a aproximação daquele quiçá é pequena demais, mas ela não liga, principalmente quando ri da frase alheia. como você descobriu que eu sou louca para ficar me agarrando a ti? o responde em um tom de brincadeira, umidificando os lábios ao que sente o sabor da água salgada já em si. está realizando meus sonhos obscuros aqui. sussurra enquanto o sorriso com leve devassidão não sai da face. com o afundar alheio, a derme arrepia e ela se segura mais no outro. de fato, não era nem um pouco semelhante a uma salva vidas, mas não liga tanto. não ali. temos, não é? eu acho que precisamos dessa outra forma, oliver. as dedos arrastam levemente na pele daquele, uma singela provocação enquanto as pernas soltam o corpo alheio para tocar a areia. diferente do que se espera, ela não se afasta. a respiração falha em contato do gelo mas ela finge não ligar. marla o observa focadas naqueles olhos, como se buscasse algo que ainda não obteve. você vai me ajudar a me manter aquecida? )