Não é tão óbvio medir o tempo.
Sempre esperei o tempo passar segurando os ponteiros, dominando o que era necessário para que ele não me atropelasse. Nunca deu certo. Sempre tentei olhar o relógio e encontrar horas iguais; dizem que dá sorte. Mas as horas que vejo estão sempre desiguais. Sempre…
O sempre é muito tempo.
O muito é muito tempo.
Cresci aprendendo que tempo é algo cruel, que mastiga a gente com dentes afiados e com muita fome! Tempo é lascívia pura, o tesão que a vida provoca todas as vezes que acordamos- e vivos, querendo viver. Pois, há quem acorde morto, querendo apenas vagar… e isso é quase morrer. Tempo também é sobre saciedade, aquela vontade suprida do âmago; Na maioria das vezes somos insaciáveis e só desejamos mais. E mais…
E mais;
E mais;
E mais;
E mais;
E MAIS!
Tempo é sobre o meu amor…
Não amor dos outros, o amor que está sendo dito nas telas, nas fotos ou nas histórias de bar. É o meu amor. O amor que eu leio nos livros e imagino você. O amor que Lispector declara de forma delirante e bruta. O amor que Fernando Pessoa dedilha tão suavemente em versos cheios de palavras rebuscadas. O amor que eu declaro todos os dias em pensamento, que me seguro para não escancarar, que digito mil vezes e apago outras mais. O amor que tento deixar para trás mas ainda não me sinto preparada.
Não é tão óbvio medir o tempo.
Não é tão óbvio medir o amor.
Não há medida, peso ou altura que me faça te deixar para depois. Mesmo que eu racionalize todo o sentimento, mesmo que me faça Shakespeare e dramatize a verdade para enganar a mim mesma na tentativa de fazer o tempo parar e estancar tudo que meu peito derrama. Mesmo assim, o amor não é tão óbvio e assim sendo, os caminhos não se desenham tão facilmente entre duas pessoas. E é menos óbvio ainda quando essas pessoas encontram-se para viver o amor olho no olho, pele na pele.
O amor não é óbvio.
O tempo também não.
Talvez, o óbvio, não exista.
Talvez o óbvio do tempo seja deixar que tudo se coloque no devido lugar com calma. Com pausa. Mas o amor… o amor não! O amor não tem óbvio.
E o nosso é a evidência disso.














