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@mccoyt
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sete e meia, o sol raiava. com certeza, tyler mccoy nunca fora uma pessoa matutina, e tampouco hoje, como atual gerente da ex-imobiliária do pai, tinha a obrigação de acordar cedo. entretanto, há muito tempo se acostumara a fazê-lo em prol de manter o exemplo e começar o dia com a sensação de dever cumprido. não era incomum vê-lo trabalhando externo, ainda fazendo o trabalho dos corretores e ensinando aos mais jovens a como fazê-lo - pois, por mais surpreendente que fosse a sentença, sim, tyler mccoy tornara-se bem sucedido em seu trabalho e capaz de ensinar algo a alguém. contrariando e calando a boca de todos que um dia chegaram a dizer que a estrela esportiva da USC era apenas um grande corpo bonito sem cérebro, ele até que tinha bastante pra compartilhar. inclusive, ensinamentos sobre o melhor jeito de cuidar da própria família, porque nesse quesito, ele acreditava que era um dez de dez.
falando em sua família, a mulher que dormia tranquilamente ao seu lado era um dos maiores lembretes do porquê devia acordar todo dia. mesmo após tantas turbulências, ele ainda continuava ridiculamente apaixonado por callisto tal como no primeiro dia em que a vira chorar, há mais de dez anos atrás. não satisfeita em tomar-lhe o coração e lhe fazer de gato e sapato, aquela abusada de palavras ferinas ainda lhe dera o melhor presente que poderia ter recebido em sua vida - o qual, com certeza, seria acordado aos beijos logo mais, assim como faria com a mãe dele agora.
piscando devagar ao que os tímidos raios de sol transpassavam as cortinas claras, tyler acordou pronto para um novo dia. arrastou-se de lado na cama até abraçar a morena pela cintura, enterrando o rosto entre os cabelos cheirosos enquanto a apertava contra seu corpo quente. “ ━━ bom dia, raio de sol. tá na hora de levantar. ━━ ” os lábios trilhavam um caminho em suas costas e ombros, em direção a nuca, em beijinhos demorados. “ ━━ antes de brigar comigo por eu estar te chamando a essa hora da madrugada, você pediu ontem que eu te acordasse por causa do check up da dot com o dr. varma às 10h30. ━━ ” não deixou de sorrir ao falar baixo e lembrá-la do favor, enquanto uma das mãos acariciava o abdômen da callaway por baixo da blusa de pijama e das cobertas e o mais velho apoiasse a lateral do rosto em suas costas. apesar de realmente precisarem levantar em algum momento, ainda assim o mccoy não parecia tão disposto a fazê-lo, dado ao abraço confortável.
@calliexcallaway
perfectbxy:
𝐆𝐀𝐑𝐀𝐆𝐄 𝐁𝐀𝐍𝐃 𝐅𝐄𝐄𝐋𝐈𝐍𝐆𝐒.
« Pela vigésima vez, Dave, a culpa não é minha. » no começo, as provocações eram engraçadas. claro, porque era sim tudo um plano maligno de miguel que havia reservado o auditório para que ele e dave pudessem ensaiar e escolher as próximas músicas que tocariam no show no mesmo horário do ensaio do clube de teatro. quer dizer, com um conflito de horários, apenas: enquanto ele havia reservado o lugar das 19h30 às 20h30, o grupo teatral reservou a sala das 17h às 20h. claro que era culpa de algum secretário ou estagiário que aceitou o pedido dos dois grupos, no mesmo dia, com um conflito de horários, confirmando com os dois. agora, o hispânico havia aguentado pelos últimos trinta minutos david falando na sua orelha algo sobre “sabotagem”, “irresponsabilidade”, e todas as coisas que miguel já havia aprendido a ignorar. e claro, como se o cenário já não fosse irônico o suficiente: o grupo de teatro estava encenando school of rock. atrás das cochias, onde miguel estava com o baixo nas costas e dave com sua guitarra, foram confundidos pelo menos três vezes pelos pobres novatos e calouros, o que não ajudava na paciência de ninguém. mas, ainda bem, já era 19:55, e a líder do grupo de teatro já havia se desculpado e começado a pedir para que as pessoas arrumassem as coisas um pouco antes do normal. « Tá vendo? Até que deu certo no final, não precisava chorar. Até onde eu sei, não tinha ninguém reservado depois de mim, então a gente pode ficar uns trinta minutos a mais também, ok? » falou devagar, como se estivesse explicando a uma criança. fora interrompido, no entanto, por um barulho altíssimo vindo do palco: a bateria estava sendo tocada mais uma vez. « Dio mio, por favor, acaba con mi sufrimiento. » miguel murmurou, uma das palmas da mão escorrendo pelo rosto assim que o barulho se fez presente. sério? quando finalmente estava conseguindo acalmar a fera o’connor? quem diabos era a pessoa que não havia entendido que o tempo do teatro havia se encerrado?
@rockitdave && @mccoyt
Por que as pessoas precisavam ser tão irresponsáveis? Será que mais uma vez, David O’Connor levaria a banda nas costas? Há três dias o moreno precisou colocar em suas listas de preocupação a desistência do baterista e agora lidava com a irresponsabilidade do baixista. O que era aquilo? Uma creche? Definitivamente David não era familiarizado com crianças e sua curta paciência era reconhecida por muitos, incluindo por García que parecia pouco se importar. Dave ignorava qualquer tentativa de reconciliação de amizade com o homem, a volta do outro para a banda era temporária e, por mais que soubesse que deveria agradecê-lo por não ter abandonado o Disciples Of California como Hugh fez, o O’Connor não queria ter que admitir a ponta de gratidão que sentiu. Abandonou a guitarra por um instante e foi em direção ao espelho tentar ajeitar a franja que já estava com um caimento que incomodava o olho castanho. “Você é burro? Eu faço parte dessa merda de grupo de teatro, mas felizmente não vou participar dessa vergonha de peça que, pra ser bem sincero, tá uma merda. Eu vi os ensaios e você, Sam, você é péssimo. Parece que tá lendo o texto” articulou de maneira irritada para o que jurava ser o milésimo calouro a perguntar sobre sua participação ou não naquilo que ainda chamavam de musical. Assim que percebeu a tentativa de desculpas feitas pelo líder do grupo, se aproximou mais uma vez para pegar o instrumento e seguir ao palco “Fala sério, Miguel, minha intenção era te ignorar o dia todo, mas eu chorando? Por isso? C’mon, eu devia ter expulsar da banda por não saber nem que The Cure já dizia que boys don’t cry.” com as mãos já posicionadas para afastar a cortina que impedia sua visão ao palco, David ouviu o García comentar algo que o fez se sentir culpado por ter faltado em tantas aulas de espanhol no ensino médio, mas, que subentendeu o contexto pelo som da bateria “Shh, Míguel” levou uma das mãos para cobrir a boca do baixista “Ouve só… melhor que o Hugh, não acha não?” perguntou enquanto tentava imaginar quem poderia tocar bateria tão bem e ainda ser daquele grupo de losers do teatro “Aposto cinco pratas que vou conseguir convencer a pessoa misteriosa a ensaiar com a gente pelo menos hoje. Fechado? Fechado” respondeu antes mesmo de esperar a opinião do outro. Abriu a cortina como quem tinha pressa e seguiu até a frente da bateria com algumas palmas “Olha só se não é um futuro astro do rock aqui… carinha do basquete?” o sorriso se tornou numa expressão de decepção, talvez Dave tivesse certo preconceito com esportistas “Sério mesmo? Okay, retiro o que disso, Míguel, não sei se ainda tô querendo fazer a proposta dos cinco dólares”
Apesar de ter conseguido a liderança do time apenas naquele ano, as pessoas pareciam já ter entendido desde cedo de que o McCoy seria o típico capitão engajado – leia-se: facilmente convencido. Não apenas com as obrigações do time, mas maleável e inocente o bastante para que também fosse tapeado e usado para fazer com que seus garotos também utilizassem os músculos bem cultivados para fazerem mais do que enfiarem bolas em cestos. Neste caso, ter sido solicitada pelo professor responsável a ajuda dos rapazes para que auxiliassem com o cenário e também emprestarem alguns dos uniformes extras para a peça que estava sendo produzida. Tyler nunca diria não, ainda mais sendo um low key defensor das artes por não ter tido muito apoio dos pais ou dos amigos. Na realidade, tivera; desde que fosse um hobby que não o distraísse de suas obrigações de brilhar em campo e mais tarde nos negócios, Ty podia vestir-se com um colã rosa que o senhor McCoy não se importava. Tudo servia pra fazer graça, pra ser descolado. Ainda assim, não do jeito que Tyler gostava. Para uma pessoa tão oblíqua quanto o filho único do homem, ele levava o entretenimento com muita seriedade. Coisa que talvez seus amigos, sua namorada, seu time ou qualquer pessoa que o admirasse na universidade e antigo colegial provavelmente não entenderia, se vindo dele.
Era até engraçado, levando em consideração que o jovem McCoy podia realizar muitas coisas. Apesar de não dançar bem, se ele se esforçasse, podia fazê-lo bem. Não era o melhor cantor que conhecia, mas também não era desafinado e tinha um timbre bonito, apesar de comum. Atuar? Textos não eram com ele, mas improvisação com certeza sim. Então sim, podia fazer muito. Mas o que mais tinha segurança em fazer, até então, era algo que amava e praticava desde cedo, para gastar energia e desfocar um pouco do basquete: a bateria. A sua, há quatro anos dentro da garagem enorme da casa dos McCoy, lembrava muito a que se encontrava no palco naquele momento e foi ali que, largando a caixa de uniformes, sentou-se no banco pela primeira vez em pelo menos três anos. Sorriu, ajeitando o microfone desligado em frente à bateria rente ao rosto, brincando com as baquetas antes de começar a tocar. Nada novo, pelo contrário, uma música que sua mãe amava escutar na cozinha quando acompanhava a empregada entre risos e passos bregas que havia aprendido com ela. Podia ouvir a guitarra frenética e os saxofones em sincronia de Elton John enquanto acompanhava com a batida no instrumento, um pouco mais acelerado do que o normal. Em sua cabeça a voz incomum do cantor aparecia como parte do dueto enquanto cantava alto. “I don't like those, my God, what's that??! Oh it's full of nasty habits when the bitch gets back!”
Teria continuado a tocar se não fosse a interrupção do irmão de Tomás e do amigo de irmão de Tomás. “Ah!” Com um daqueles seus sorrisos abertos, Tyler acenou com as baquetas entre os dedos fechados, amigavelmente. “E aí, irmão do Tom e amigo do irmão do Tom! Tudo tranquilo?”
Na contramão do clima esperado de todo o hemisfério norte, a onda de calor que assolava todo o território do estado da Califórnia naquela tarde definitivamente não se parecia em nada com um dia típico de outono – ao invés do sopro gélido comum aos dias de setembro, que geralmente mantinha o corpo estudantil preso às cafeterias na companhia de bebidas quentes, os intensos raios solares cobriam todo o campus da universidade, não restando um metro quadrado que não ultrapassasse a sensação térmica de, ao menos, quarenta graus. – É disso que nós estamos falando! – a loira exclamou, colocando-se sob a ponta dos pés, como se os centímetros à mais pudessem fazer alguma diferença. – Você me ouviu muito bem reitor McDonell, não adianta fingir que o corpo estudantil não exige reparações imediatas! – com o indicador direito erguido, a Rhodes anunciava a indignação de, no máximo, meia dúzia de estudantes que tinham o segundo período livres e, coincidentemente, compunham o Clube de Ambientalismo, Ecologia e Conservacionismo pela Responsabilidade Socioambiental da USC – ou simplesmente CAECRS-USC, como ela preferia chamar. Sendo ela a fundadora, líder e tesoureira do clube, Lennon não apenas se encarregava de decidir a agenda de reivindicações da associação, mas também os tópicos de discussão e os métodos pelos quais o seleto grupo deveria fazer uso para provocar mudanças significativas na instituição de ensino. E embora o clube não fosse exatamente muito popular entre os estudantes, que, segundo Lenny, estavam acostumados a engolir quaisquer mentiras inventadas pela mídia corporativista norte-americana, a surfista muito se orgulhava da atuação política que o grupo prestava à comunidade acadêmica – no ano anterior, a vitória mais significativa fora a substituição dos papéis de tipo branco por opções mais ecoconscientes, como o papel reciclável de tipo C produzido por comunidades de cultivo da Costa Rica. Agora, protestavam contra a construção de mais um mega estacionamento dedicado ao centro poliesportivo do campus. – Você é uma vergonha para os Estados Unidos, a história irá se lembrar de tudo isso. – grito uma última vez antes de ser recolhida pelo segurança brutamontes que guardava a porta do prédio. – Me larga, sai. – resmungou, desvencilhando-se das garras do empregado. – Uma hora ou outra você vai ter que me ouvir, Ronald. Eu tenho o dia todo! – cruzou os braços, referindo-se ao homem pelo primeiro nome, firmando os dois pés sob a escadaria do enorme prédio, disposta a aguardar o tempo que fosse para poder fazer suas considerações.
Sentada junto aos degraus de cimento, Lennon rapidamente levantou-se quando observou uma movimentação junto à porta, esperando que fosse, enfim, o reitor, mas a figura masculina era, na verdade, muito mais jovem e informal que o velhote. – Ei, ei, ei. – a garota protestou, impedindo a passagem do moreno colocando a mão em seu peito. – De onde você veio? – questionou, mantendo as sobrancelhas franzidas. – Me falaram que o reitor ‘tava numa reunião com o secretário de educação. – um rápido olhar enfurecido fora lançado para o segurança grandão, dando-se conta de que o encontro de autoridades não passava de uma mentira. – Era com você que ele ‘tava? – a pergunta continha o devido julgamento quanto à importância do jovem rapaz. – O que era tão importante que ele não poderia nos atender, hein? – com as mãos apoiadas sob os quadris, o tom inquisitório da estudante não era nenhum pouco discreto. – Ou vai me dizer que o campeonato de basquete é mais importante que o planeta terra? – no fundo, Lennon sabia qual era a resposta daquela pergunta – não era segredo nenhum que o departamento esportivo da instituição recebia doações milionárias todos os anos, enquanto as outras atividades tinham que se contentar com rifas e lavagens de carro para juntar alguns trocados – mas estava disposta a comprar tal briga, se necessário.
w/ @mccoyt
Era a terceira vez consecutiva na semana que tinha que parar na reitoria para ouvir as palavras de Donald McDonell (nome o qual o McCoy frequentemente trocava por Ronald McDonald junto aos amigos) sobre coisas que nem mesmo queria saber por enquanto. Por ser filho de quem era, muitas pessoas estavam interessadas em conversar com Tyler sobre o setor imobiliário e as oportunidades milionárias que compunham o pequeno – humildemente falando – império do pai, e o reitor não fugia da média. Tyler não era o maior fã dessa história, afinal, se a instituição realmente estivesse interessada em comprar um terreno de não sei quantos hectares para a criação de um novo polo de estudos, que falassem com seu pai, que sabia explicar sobre o terreno de não sei quantos hectares, inferno. Não era por meio dele que conseguiriam um desconto, até porque estava fugindo de tais responsabilidades – resumidamente, fugindo de ter que passar mais de vinte minutos falando de lugares que nem conhecia, pra ele, casa de rico era tudo igual. Tudo o que ele queria era poder aproveitar a faculdade com os caras, dar uns pegas na namorada por mais fajuta que fosse a relação e, pelo amor de deus, jogar basquete e tocar bateria.
Não costumava reclamar das coisas, mas com o humor que estava, aquele Sol mais atrapalhava do que lhe deixava feliz. Não tinha vontade nenhuma de ir pra aula e vontade nenhuma de ir pra praia, então o meio termo era o inferno da área externa do campus em alguma sombra de árvore ou qualquer lugar que tivesse um ar condicionado e não precisasse ler ou entender nada. Descendo os degraus da construção, percebia uma pequena movimentação em frente à mesma, como um protesto ou algo do tipo (embora o número de pessoas lhe tentasse a acreditar que não) sobre coisas que ele não tinha muito interesse – como a extinção de peixes amazônicos ou o direito de usar chinelo na sala de aula, por exemplo, pois deveria ser uma dessas duas coisas. Distraído com a movimentação e o maldito Sol e o maldito calor, se não fosse a mão que lhe afastara de seu rumo, o McCoy nem teria parado. Olhou com as orbes apertadas para a loira carrancuda que lhe barrava a passagem, não fazendo muito para tira-la dali. Na realidade, ficou apenas parado. Estava exausto e entediado demais pra resistir. Com a pergunta recebida, olhou para ela, e depois para o prédio, e depois para ela novamente. “Ora, eu tava lá dentro. Tem uma porta ali, você me viu passando por ela.” Respondeu simples e desprovido de maldade, levando as mãos até os quadris. “Recebi uma promoção e nem fiquei sabendo. Grande dia.” Resmungou, encarando a moça à sua frente.
Ela parecia bem irritada. Também, quem não estaria naquele dia castigado? Entretanto, não era motivo pra levar esporro de graça. “Sim. Ele queria discutir sobre umas coisas que eu com certeza não sou o melhor explicando, posso ir embora ou vai me fazer re refém contra o Ronald McDonald pra salvar guaxinim do centro de controle de zoonoses?” Respondeu, franzindo o cenho e preferindo manter-se ambíguo sobre os assuntos do homem. Era distraído e ingênuo, não burro. Por que a loira ‘tava metendo tanta banca? Tyler abriu a boca para rebater duas vezes, mas não soube exatamente o que dizer, o que o fez levemente levantar o queixo. “Não era de esporte que estávamos conversando! E que negócio é esse de planeta Terra você tá falando? Pra sua informação, o campeonato é importante sim, valeu? Por que tá desmerecendo o basquete?”
dearlina:
“Deus da linguiça?” perguntou boquiaberta, como se realmente estivesse ofendida com o comentário do parente “Acha que a gente acorda bebendo cerveja também?” franziu o cenho “Falou então, americano que cultua hambúrguer e George Bush. Pelo menos eu tenho a Merkel como chanceler” mostrou a língua de volta, sentindo como se todos os anos longe de Tyler estivessem marcando presença e agora estavam na fase infância. “Eu não sei. Essa palavra é meio estranha, mas confio em você” disse sem ter muita certeza de nada mais naquela altura da conversa. Diversas palavras novas e que tentava associar ao assunto de alguma forma, mas se tivesse o direito de dizer, trêsglot ou triglota nem ao menos parecia uma palavra de verdade, só não tinha coragem de dizer isso a McCoy. “Ei, calma aí” comentou antes de ouvir todo desespero sobre ele ser ou não lerdo “É, é, carpe diem… acabou o show Tyler?” perguntou entre risadas “Eu disse que eu não entendo de astrologia. Sério. Quem entende é a minha mãe e eu só lembro das principais características de cada um, mas nem isso eu sei se tá certo” deu de ombros “Sou canceriana e nem por isso eu choro toda hora ou me apaixono por todo mundo” disse em plena convicção, mesmo que por um minuto se questionou sobre as duas alternativas, sendo uma realidade até que bem possíveis ao se tratar de Lina McCoy. Considerando ainda o combo de chorar por estar apaixonada. Bingo! “Ingleses comem batata, a gente come salsicha” o corrigiu “Ah e bebemos cerveja mesmo” comentou, concordando em partes com as características clichês que eram destinadas aos alemães. Talvez não ela e sua mãe, mas seus avós mantinham os estereótipos bem vividos, principalmente ao falar bravos, mesmo sem estar realmente numa discussão “Sinto muito, Ty” por mais que sua curiosidade implorasse para que ela perguntasse, sabia que não era bem uma questão boa a ser levantada. Não se recordava de antes já ter comentado sobre essa ex namorada e não sabia ao certo se ele tinha ou não superado a separação. “Que? Não” fez uma expressão de indignação. Tyler parecia sua mãe, já que a mulher sempre levantava a pergunta sobre qualquer pessoa ter potencial para namorar a filha. Lina já tinha aprendido a lição e não comentava mais sobre nada disso com a mãe. “Mikkel era fofo, mas nunca namoramos. Ew” se recordou das inúmeras vezes que o ás de xadrez sentava com Lina para conversarem e o assunto sempre era o mesmo, União Soviética. Não era possível que alguém tinha um fascínio ainda por aquele tema. “Cantora. Ela canta 99 Luftballons” respondeu com certa naturalidade “Acho que todo mundo já ouviu. Bom, não sei aqui, mas meu pai conhece” ouviu sobre Tyler praticamente agradecer pela vida. A mulher também não tinha o que reclamar, por mais confusa que algumas vezes sua família pudesse parecer, principalmente seus avós com relação a sua mãe e a escolha do pai de Lina. No entanto, nada com que fizesse a McCoy questionar sobre a vida. Nunca lhe proibido nada, seus pais sempre compreensivos e a apoiando. Aparentemente os McCoy, independente de qual continente, levavam uma boa vida “Temos sorte, Tyler” afirmou “Mas acho que você poderia ter pedido pra não ter nascido pisciano”
“Talvez na Alemanha as pessoas não acordem bebendo cerveja, mas eu já conheci muita gente lá na Alpha que sim.” O moreno não segurou uma risada tranquila, pensando que talvez não fosse nada saudável apresentar seus colegas de casa para a prima. Apesar de 70% deles serem provindos de famílias importantes tais quais as Zetas, Tyler não apostaria e nem poria a mão no fogo por ninguém alegando que nenhum deles roía a unha do pé quando ninguém estava vendo. Deus que o perdoasse, tinha amizade com a maioria, mas um ou dois não tinham limite lá dentro. Além da falta de higiene básica de alguns atletas, a casa era cheia de players baratos e irresponsáveis e esse era um motivo ainda mais importante. Tinha certeza de que provavelmente teria de fazer alguma coisa caso algum mexesse com Lina. “Eu? Cultuar hambúrguer? Garota, eu sou o cara do mac n’ cheese e do cereal de manhã! Hambúrguer tem muito colesterol e gordura, eu preciso viver bastante e ser bonito por muito tempo.” Toda a indignação da McCoy voltou em forma de réplica no tom raramente afetado que Tyler usava em momentos de brincadeira ou de real piti. Em meio à aura descontraída que rodeava ambos, o jogador constatara que aquele encontro entre eles não estava sendo tão tenso quanto pensou que seria. Ainda existia um pouco da Lina criança com quem brincava pra lá e pra cá, e que de certa forma sentira falta. Mais velha, mais inteligente, mais madura e mais bonita, mas ainda Lina. Formar laços emocionais e de confiança, para Tyler, era algo importante, dado ao fato de que não era bom em manter conversas acadêmicas ou econômicas ou qualquer coisa que prendesse a atenção de gente no mundo tão corporativo que queriam inseri-lo tão já (tão depressa para alguém que vive o momento e aproveita os louros da época mais feliz de um jovem atleta popular), e tê-la ali, como parte de seu passado seguro no qual se agarrava tanto assemelhava-se à relação que tinha com Tomás e Timoteo. Seguro, confortável e divertido. “Não se apaixone por californianos, Lina. Nenhum presta. Só o Tomás, provavelmente. Mas eu não apostaria.” Riu, comentando sobre o amigo. Provavelmente era o cara mais decente que conhecia, mas isso porque o rapaz não tinha tempo pra nada, estava sempre trabalhando em lugares que Tyler não fazia ideia. Um cara desses mal tem tempo de se apaixonar, mas mesmo assim, ele parecia obcecado o suficiente com a garota Ronaldo Fenômeno. “Acho que você tem muito o que apresentar pra mim. Eu sou um cara de gostos bem simples, então não é difícil me fazer gostar de algo.” Comentou, arqueando levemente ambas as sobrancelhas. Quem sabe, dessa forma, a ideia de curtirem coisas juntos os aproximaria um pouco mais. Tyler parou o carro em sua vaga reservada e privilegiada no estacionamento da universidade, encarando o mar de pessoas com seus livros, seus grupos e suas distinções extravagantes. Aquele momento era único para Lina, e ficava feliz de estar por perto. “Bem, prima, encare bem esse cenário, respira fundo e pensa que você vai ver isso todo dia nos seus próximos quatro ou seis anos aqui. Eu não vou estar o tempo todo perto, mas quando precisar, vou estar logo atrás de você.” Olhando nos olhos azuis da garota, Tyler sorriu. “Menos nas quintas, sextas e sábados. Dias de jogos e consequentemente, festas.” Piscando pra ela, saiu do carro, esperando que ela fizesse o mesmo para ligar o alarme e colocar os óculos escuros, afastando-se aos poucos de costas para a universidade e de frente para ela. “Te espero aqui às 17h. Bem vinda à USC!”
closed
missxcallaway:
A mulher deu de ombros para o comentário sobre ser uma Zeta (e sobre como aparentemente repetia aquilo algum bom par de vezes - oras, e daí? era de se orgulhar mesmo). Que tinha a ver sua posição com seu interesse no rapaz que tinha bons contatos para conseguir as substâncias que lhe apeteciam? Mal sabia Tyler que Callisto não passava tão longe daquele tipo de coisa quando ele provavelmente preferiria acreditar. Tudo bem que ela não podia ser classificada como um dos jovens do campus que se tornavam dependentes de uma ajuda outra, ou mesmo pessoas como o próprio latino que faziam da rotina a diversão baseada naquele tipo de desconexão com a realidade, mas oh, ela também tinha seus momentos. Criada no meio político recheado de herdeiros ricos que nada tinham a temer, bem, ela aprendeu fácil demais que não havia qualquer consequência a seus atos. Mas o namorado certamente não precisaria saber daquela sua parte, e inclusive, nem era mesmo aquele o foco original de seu pedido. Até porque certamente não colocaria em risco aquele segredo — o fato era que precisava de outro tipo de ilegalidade, mas também não vinha ao caso. Se McCoy não queria lhe informar, ela encontraria outra maneira de conseguir aquele contato, e ele nem precisaria ficar sabendo. Não era tão difícil esconder coisas dele, Callisto bem sabia. “Deixe isso para lá” Resolveu por fim, muito embora apreciasse a frase dele. Um misto de ciúmes e prontificação, o que a deixava satisfeita. Ponderou sobre a pergunta; sim, sabia muito bem o que as meninas haviam combinado de fazer, mas não contaria nada ao rapaz, muito menos depois de não receber as informações que originalmente buscara. Olho por olho, omissão por omissão. “Claro, não há nada que aconteça lá que eu não saiba.” Respondeu, o tom de voz tranquilo combinando de jeito estranho com as palavras prepotentes. Podia sentir o toque alheio em sua cintura, o que a fez suspirar, e logo em seguida sorrir diante da pergunta. “Algumas horas e muita stamina.” A resposta veio pronta e ágil, como se estivesse o tempo todo na ponta da língua apenas esperando para sair. Ela olhou em volta, já fora do ginásio o local em que se encontravam estava vazio e escuro, próximo da escadaria da arquibancada, e a jovem sorriu. “Ou a gente pode aproveitar e se divertir por aqui mesmo.”
Algo em seu interior sempre tentava lhe avisar sobre o “deixar pra lá” de todo dia que Callisto lhe oferecia quando não tinha exatamente o que queria dele. Não que Tyler devidamente aprendesse com todos os seus erros – ele podia ser bastante seletivo sobre lições aprendidas e a aprender –, mas vivera momentos demais como aquele para não ouvir a voz da consciência lhe dizendo que, por mais que significasse vendar os olhos para os comportamentos indevidos ou antiéticos da Callaway e tornar-se impotente sobre suas opiniões às ações da namorada, era melhor não cutucar o tigre com a vara curta e acabar se incomodando por coisas que não deveria saber (ou, no seu caso, evitada porque não queria). Melhor do que ninguém, sabia que Callisto podia ser má, e já era algo que não gostava, apesar de continuar gostando da garota como era – o que também não fazia sentido algum. “Aparentemente tenho a mulher mais informada não só da Zeta mas também do campus presa nos meus braços. Eu acho que eu devia usar essa vantagem pra alguma coisa, mas ainda não encontrei uma oportunidade.” O murmurar batera contra os cabelos da morena, enquanto Tyler lhe enchia o ego e aproveitava do perfume dos fios recém lavados. Talvez fossem aqueles pequenos episódios pós-desentendimentos ou especificamente todo momento em que faziam as pazes ou entravam em bons termos que faziam com que o McCoy não desistisse de todo aquele relacionamento forjado pelo status. Às vezes era ruim com ela, mas provavelmente pior sem ela. “Não foi a coisa mais difícil que você já me pediu.” Devolveu, roçando a ponta do nariz na bochecha ainda corada da Callaway. O primeiro contato ao encaixar os lábios nos dela fora mais uma tentativa de permissão do que realmente um beijo. Ele roçara a boca nos carnudos da namorada devagar antes de propriamente tomar-lhes no beijo lento e cuidadoso, apesar de saber que não era exatamente assim que Callie gostava. Ele ainda estava pisando em ovos depois do término. Descendo novamente com os lábios pelo pescoço dela após a isca, ele sorriu breve contra a pele quente. “Pensei que os seus padrões comigo estavam mais altos, isso é saudade?”
texflxres·:
Como um daqueles pratos finos que misturam ingredientes inesperados e resultam em um inigualável presente ao paladar, assim eram os três rapazes que não partilhavam de uma semelhança sequer e ainda sim nutriam uma forte amizade, independente da improbabilidade do sucesso daquela dinâmica. Poderiam mesmo buscar com algum afinco qualquer tipo de ponto em comum, mas não havia nada. Fosse no aspecto familiar, nos planos para o futuro, nas personalidades; diabos, até mesmo na aparência! Alguns poderiam dizer que era justamente aquela diferenciação que os fazia encaixar tão bem, muito embora tampouco pudessem classificar a amizade como a mais bela e saudável do mundo. Ou do campus. Veja bem: eles de fato eram leais, como amigos deveriam ser, e tinham sempre as melhores intenções. O único problema? Nenhum dos três imbecis tinha propriedade suficiente para auxiliar um ao outro, o que eventualmente resultava em situações como a daquela noite, repleta de péssimos conselhos e diversões de segurança questionável. Claro que as falhas de caráter não eram suficiente para que parassem de ouvir os conselhos oferecidos pelos amigos membros do Triple T’s — como infantilmente haviam se auto denominado — e muito embora não tivessem qualquer história que pudesse apontar a efetividade daquele tipo de reunião e brainstorming, eles seguiam a repetindo. Bom, talvez no fim eles tinham, sim, algo em comum: aquela amizade torta era a maior base que tinham. Não que qualquer um dos três estivesse disposto a dizer algo tão meloso e emocional! Não eram Zetas, afinal de contas. A noite da Califórnia estava consideravelmente menos quente que o comum, provavelmente por se aproximar do inverno, e por isso Teo, Tom e Tyler encontravam-se aproveitando as duas melhores fontes de calor que puderam pensar; a fogueira improvisada na areia, e a bebida forte dentro do saco marrom da mercearia. Timoteo havia acabado de se servir de um gole que mais valia por três, antes de entregar a garrafa ao amigo à direita. “Mas afinal, talvez seja esse o seu talento, então. Ser demitido” Provocou, passando as costas da mão nos lábios umedecidos. “Será que não dá pra trabalhar com isso? Sei lá. Um reality show sobre como irritar seu chefe de mil e uma formas. Eu assistiria.”
@tomgxrcia @mccoyt
Com os calcanhares enterrados na areia e os joelhos semi-flexionados, Tomás acalentava-se junto à presença da fogueira, permitindo que a sensação ardente lhe cobrisse os músculos cansados e doloridos após mais um longo dia de trabalho, como era de costume. Chacoalhou os pés, sentindo os grãos brancos da beira-mar invadir os sapatos, ligeiramente perdendo o equilíbrio e tombando para um dos lados – a bebida de procedência duvidosa tinha uma cor âmbar e um gosto terrível, mas cumpria seu papel de embriagar os três amigos em questão de poucos goles e era exatamente aquilo que precisavam. Bom, ao menos era o que ele precisava após ser despedido de seu quarto ou quinto trabalho, já não sabia mais ao certo, só naquele ano: a razão, você pergunta? Alguma herdeira trilionária achou que seria uma ótima ideia levar seu Chihuahua para o ensaio de casamento de uma de suas irmãs, tudo corria bem até que o pulguento decidiu a puxar a toalha da mesa de sobremesas justamente enquanto Tom atravessava o salão com uma enorme bandeja de canapés – long story short, o rapaz tropeçou no protótipo de ratazana e cerca de três dúzias de caviar do Sul da França voaram para cima de um diplomata alemão. Ele não sabia dos demais e sinceramente duvidava de que algum deles poderia ter tido um dia pior que o seu, mas a julgar pela velocidade com a qual os outros dois ingeriam a bebida amarga, poderia imaginar que não haviam tido o melhor de todos.
Um riso soprado escapou dos lábios do García após o comentário do colega, fazendo-o desviar a atenção das chamas do fogo para o rosto do mesmo, balançando o queixo de um lado para o outro. – Você sabe de uma coisa? – os dedos agarram a garrafa que lhe foi passada, trazendo-a para perto da boca. – Talvez você tenha razão. – anunciou antes de dar um longo gole na bebida que lentamente matou toda a sensibilidade de suas papilas gustativas. – Talvez o meu talento realmente seja ser demitido, Teo. E também levar mil foras e ser um fracassado pra sempre. – o desabafo saltou para fora do peito de Tom com a mesma velocidade com que ele virou a bebida alcoólica. – Cruzes, o que é isso mesmo? – se o primeiro gole do licor era ruim, então o retrogosto era pior ainda, deixando uma sensação nada agradável na boca – realmente, aquela não seria sua primeira opção para afogar as mágoas, mas era tudo o que haviam conseguido àquela hora. – Eu encontraria um jeito de ser demitido disso aí também, pode ter certeza. – deu de ombros, encaminhando a garrafa para Tyler que, tradicionalmente, parecia não ter ouvido uma palavra sequer do que havia dito. – Mas é sério, galera. Se vocês souberem de qualquer coisa… Qualquer coisa mesmo. – admitiu, enfiando as mãos no bolso, dando-se por vencido pela realidade que vivia. – Eu faço de tudo, é sério. – abaixou a cabeça, batendo as mãos umas contra as outras, livrando-se da areia.
Existiam, no mundo inteiro, três motivos pelos quais Tyler perderia uma comemoração de jogo ganho – afinal, jogo ganho era sinônimo de bebida grátis e bajulação sem fim em festas dadas apenas por causa do sucesso do time. O primeiro, por motivo de decoro, era uma emergência familiar ou a morte de alguém, independente de quem fosse desde que fosse próximo de sua família (seu pai e sua mãe nunca perderiam um enterro, apesar da estranheza da afirmação). A segunda, claramente mais delicada, era uma emergência provinda de Callisto, pois dependendo da gravidade da situação provavelmente colocaria sua própria vida em risco. Por fim, sentados ali com ele na areia fofa, encontravam-se dois elementos que compunham seu terceiro e último motivo: provavelmente duas das únicas pessoas que realmente colocariam as mãos no fogo por ele em qualquer situação. E era cristalino que, no momento em que um tinha um problema, todos deveriam estar ali presentes pra oferecer pelo menos apoio moral.
Não que o McCoy estivesse entendendo tão bem o motivo de terem se reunidos ali pra beber álcool vagabundo e sentir cheiro de maresia e sujeira no cair da noite, afinal, pescara o assunto por tabela e pelas beiradas – levando em consideração que se distraíra algumas vezes com barulhos externos de carros, pessoas e uma gaivota –, mas escutara o suficiente pra sintetizar que Tom mais uma vez perdera algum dos trabalhos (dos quais Tyler desistira de tentar gravar as funções na memória e frequentemente acabava fazendo convites dentro e fora de hora pra fazer alguma coisa enquanto o rapaz estava trabalhando) e que provavelmente estava descornado. Da vida. Da vida e do amor. Até então, ele sabia o quão besta ele era pela garota loira de cabelo dourado e que jogava futebol feito o Shevchenko em campeonato, mas estava um pouco desatualizado sobre as novidades. Ignorando toda a história que ouvira pela metade de Tomás, tomou um gole daquela água suja como se aquilo fosse lavar sua alma e a alma dos amigos, completando um ciclo de amizade e possível chance de desenvolver uma cirrose no futuro. O importante era dar apoio, né? “E daí que você fez o alemão passar vergonha? Que se dane o alemão, ele nem é daqui! Você consegue outro emprego com certeza, porque você é um cara competente, cara.” Com toda a certeza do mundo, outro gole foi dado. As coisas sempre aconteciam com muita facilidade para o McCoy, então não via como um cara bacana como Tomás poderia ficar sem um emprego ou o que quer que fosse. Ele tinha mais não sei quantos! “Se tudo der errado, você pode trabalhar pro meu pai. Acho que começaria pelo serviço burocrático, mas vai saber o futuro, né? A gente um dia poderia trabalhar juntos se você vingasse lá. No final das contas é onde eu vou morrer e fossilizar pra virar placa e os estagiários verem no futuro.”
“Aliás, fala aí o que tá rolando. Que história é essa de levar fora e não sei o que? Perdedor você não é mesmo que você tenha essa mania depreciativa, mas tenho minhas dúvidas sobre você não ter levado um fora mesmo.” Comentou. Sinceridade era tudo!
[ THROAT ] your muse wrapping a hand around mine’s throat. (mason)
Naturalmente, Tyler nunca fora uma pessoa agressiva. Inclusive, sempre buscava ficar de fora na maioria dos conflitos dos quais tinha conhecimento ou nos quais estava indiretamente envolvido, fosse por tentar proteger sua própria reputação quanto por realmente não gostar de participar de qualquer tipo de violência. Ainda assim, os passos pesados e o corpo ágil se movia rapidamente em direção ao vestiário do time de futebol, como se não fosse seu cérebro a comandá-los, e sim a vermelhidão no rosto e todo o ódio entalado na garganta. Não acreditava que isso estava acontecendo. Não acreditava. O McCoy podia estar ciente das infidelidades da namorada, mas existiam limites. Ele nunca ficava sabendo com quem, assim, a possibilidade de ele estar fazendo o mesmo com a Callaway era uma teoria mais aceitável e tragável pelas pessoas no campus, afinal, pagavam-se na mesma moeda. Entretanto, quando o nome de alguém que conhecia, e melhor, por quem nutria até certa admiração, estava envolvido, era de se esperar que o McCoy não fosse ficar quieto. Ouvindo diretamente de um dos rapazes de seu time após o final do treino, o capitão marchou até o local que agora estava adentrando, enquanto quase todos os jogadores de futebol estavam saindo. Quase todos, ele ainda estava ali. A força com a qual prensara Mason Gerritsen contra o armário de metal fora inesperada vinda do pacífico McCoy, embora o tamanho avantajado de seu corpo. A mão grande apertava o pescoço do mais baixo, assim como o antebraço pressionava o peito largo do jogador sem piedade alguma. “Você é um filho da puta, Gerritsen. Quem você pensa que é pra andar trepando por aí com a namorada dos outros?” Indagou baixo, a fúria flamejando nos azuis bem abertos. Fora necessário apenas um boato pra ficar assim, esperava que a verdade fosse menos que isso, pro bem dos três. “Eu pensei que você era um cara legal, eu até te defendo quando um idiota do seu time ou o Alex resolvem pegar no seu pé, e você retribui desse jeito? Sendo um arrombado? Hm?” A pergunta enfezada o fizera empurrá-lo mais uma vez contra o armário na primeira menção de movimento de Mason. “Eu estou te avisando. Pensa muito bem nos seus próximos passos se não quiser arranjar problema comigo. Você não me conhece.” Soltando-o, deu alguns passos pra trás, ajeitando a própria jaqueta do time. “Fica esperto.”
“ why do good intentions always turn out bad ? ”
Tyler tinha os cabelos cheios de feno, enquanto sentado ao lado de Emily na primeira ripa de uma cerca qualquer no Jockey. Tudo acontecera muito rápido e ele ainda estava digerindo o momento que provavelmente nunca mais passaria por em sua vida. Sua única intenção era fazer algo pelas pequenas crianças do Santa Bárbara, e agora havia simplesmente criado a maior confusão para ele e para Amelyn. Bem, como ele iria prever que se soltasse um dos cavalos – porque aparentemente ele estava com fome e queria comer aquele negócio amarelo! – enquanto Amelyn fora pegar água para si resultaria em um cavalo descontrolado dentro do estábulo por estar com medo de um estranho enorme? E que o descontrole do cavalo iria apavorar a garota assim que chegasse fazendo com que tentasse parar o animal, e que claramente teria feito com que o McCoy se apavorasse e puxasse a garota pra longe? E que, bem, isso acabasse resultado nos dois caindo dentro da tina de água e o cavalo fugindo porque Tyler tropeçara no feno? Quando o supervisor de Amelyn chegara e a vira abraçada no chão com o McCoy depois de se arrastarem pra fora da tina, até mesmo Ty perceberia que dava pra entender coisa errada. Enfim, era claro, ele explicaria tudo depois. Tinha certeza que o ouviriam, e ficaria tudo bem. “Eu acho que não dá mais pra eu tentar te ajudar, Amy. Acho que sou meio perigoso.”
do you like incorporating food into your sex life?
Creio eu que tem o tempo certo de comer cada uma das coisas, não precisamos juntá-las.
8. Your character walking in on mine in a revealing costume. (amelyn)
Tyler nunca era o cara de que dizia “não” para o que lhe pediam, afinal, ele era o amigão de todos. Era muito difícil existir alguma coisa que fizesse o moreno desviar de seu espírito generoso. Provavelmente, só o faria se fosse algum pedido realmente cabuloso. Ainda assim, vestir-se com uma fantasia de cowboy apertadíssima e no mínimo sexy – o que surpreendentemente estava fazendo-o perguntar-se se não havia saído de algum sex shop ou do inferno, porque ele não tinha a camisa pra vestir, apenas o suspensório, o chapéu, as botas e o jeans revelador – não parecia ser absurdo o suficiente, afinal, ele estava fazendo isso pela caridade. A equipe comercial do Jockey Club estaria vendendo os calendários do lugar para arrecadar fundos, dessa forma, garantindo a alimentação e a compra de novos brinquedos para as crianças do abrigo Santa Bárbara por meses. Não tinha como dizer não à Amelyn, que segurava a máquina fotográfica (bem, não era só ele que se voluntariava, ela também, pelo visto), então lá estava ele, posando pra ela dentro do estábulo. “Tem certeza que essa é a melhor posição?” Indagou, com ambos os polegares segurando no suspensório, com o pé apoiando-se em um cubo de feno e o corpo musculoso brilhante de óleo. Desistindo em um suspiro por achar-se ridículo, o moreno deu um soquinho no amontoado de feno do outro lado. “Desculpa, crise de modelo.”
Como é ter um colega de quarto tão incrível?
Você tá falando do Alex? Ele não é tão incrível, não. Às vezes ele ronca e tem pesadelos estranhos onde provavelmente tá sendo perseguido por alguém. Tô quase levando ele no médico! Tem médico do sono né? Esqueci o nome. Ele também deixa as coisas dele bagunçadas, quando menos espero to chutando uma cueca suja no chão sem querer.
Brincadeiras à parte, ele é um cara bem legal, se você tirar todo o ar de superioridade que ele tem. Tenho pra mim que posso contar com ele na maioria dos momentos em que tenho um problema quando não foi ele que causou o problema pelo qual eu tô passando. Se você tá lendo isso, Newmann, seu safado, um abraço!
como vc se sente nao sendo mais o mccoy mais legal?
Com licença, eu ainda sou o McCoy mais legal? Que história é essa? Só espera a gente chegar em casa no próximo feriado, eu vou jogar cola nos seus pôsteres do Backstreet Boys que tão na parece e colocar uns do Smash Mouth por cima!
Brincadeiras à parte, talvez não ser o McCoy mais legal faça com que eu me sinta menos sozinho. Sempre fui eu e eu dentro daquela casa, e meus pais, que embora tenham me dado muito amo, sempre tinham algo pra fazer, fosse viajar pro Sul pra cuidar de alguma filial imobiliária ou fazer algum procedimento estético de uma semana. Tendo uma McCoy mais legal em casa... Acho que é quase como se eu tivesse uma irmã mais legal.
fmk
Eu tenho namorada, gente, que isso!
Bom, mas também não tô morto, então vamos lá.
f: @rxnniebriel (tem algo nessa mulher que alucina qualquer doido.), @badlily (se não percebe o quão sexy ela é, você tá se fazendo.) m: @hbridgit (qual é, ela não é a garota dos sonhos?); @emilycvrter (ela é uma garota decente também, e dá pra conversa sobre um monte de coisa com ela!), @xamelynx (eu não sei muito sobre ela, mas minha mãe dizem que garotas boas gostam de animais.) k: kiss? talvez a @lennxnskye em uma rara oportunidade, mas eu realmente tenho medo de apanhar. a @toogreen-annette me passa a mesma vibe.
“sorry i’m so hard to deal with sometimes”
Depois do incidente dos sapatos, ter que carregar Teo até a Theta sem a ajuda de Tom devido aos seus infinitos trabalhos (os quais Tyler não conseguia nem entender como eram exercidos durante o dia todo), o moreno precisou ele mesmo refazer os passos de “primeiros cuidados” que o García – sendo o mais racional dos três – executava toda vez que algo acontecia com o Tico e o Teco. Depois de completar as duas primeiras tarefas básicas, como levá-lo para o segundo andar (onde caíra na escada com o mesmo devido ao peso do Flores em suas costas) e colocado-o debaixo do chuveiro gelado (não sem antes bater a cabeça do pobre coitado no box sem querer), tentou dar-lhe água e lhe deixou dois comprimidos para a ressaca no outro dia, colocando-o na cama como conseguiu – teria arremessado uma bola de basquete na cesta com mais cuidado do que o fizera, mas não tinha culpa, estava cansado. Falando nisso, decidiu que ficaria por lá mesmo. Tomou um banho e, depois de pegar roupas emprestadas do amigo, deitou na cama de um desconhecido que provavelmente nem apareceria naquele quarto depois da festa da Kappa. Acordar e agir como se estivesse na própria fraternidade para Tyler parecia estar sendo muito fácil, levando em consideração que estava fazendo o café da manhã em uma cozinha que nem era sua. Gostavam dele, certo? Ele era popular e querido por todos, duvidaria que levaria bronca. Na realidade, tudo era muito fácil para o McCoy, inclusive deixar para trás qualquer stress envolvendo os amigos, ainda mais quando precisavam dele. Podiam falar muito sobre ele; que era um banana, ingênuo, cego sobre as pessoas que gostava. Mas não se importava, ele gostava de quem ele gostava, e nunca deixaria Timoteo sozinho. Poderia ser seu irmão, e irmãos nunca deixavam uns aos outros. Virando uma panqueca um pouco queimada, percebeu o dito cujo adentrar a cozinha, escorando-se no batente. Tyler sorriu. Sabia o que o outro talvez quisesse dizer, mas que provavelmente não diria se não em tom de brincadeira. Dando um oizinho com a mão, tudo estaria lá atrás. “Tá tudo bem, cara. Quer panqueca?” Ofereceu, comendo um pedaço da que havia feito pra experimentar, mas logo tomou um gole de café pra esquecer do gosto. “Meu Deus, parece que recolhi um peido em um vidro e coloquei na massa.”
15. Your character walking in on mine piss drunk
Tyler desceu as escadas à procura do amigo, estava na hora de ir embora. Geralmente, não tinham uma hora definida para irem para seus respectivos dormitórios, mas ele mesmo tinha treino no outro dia e Teo, uma prova pra fazer – bem, Ty era um amigo dedicado, se o Flores fosse se ferrar, pelo menos que se ferrasse tendo tentado fazer o teste. Encontrara-o na cozinha da Kappa enlouquecido e pulando com pessoas que provavelmente nem conhecia ao som de MCR (Era a última coisa que esperava?), foi quando o McCoy realmente percebeu que ele estava louco de droga. Ou de álcool. Ou dos dois. Não fazia ideia, só sabia que ele devia tomar uma água antes de desidratar depois de tanto suor, exercício físico e fervo.
“Teo! Teo! Cara, vem, a gente tem que ir! Preciso te deixar na Theta!” Gritava, em meio à música alta enquanto passava pelo amontoado de pessoas em um único cômodo que não deveria estar sendo utilizado para isso – cozinha era pra comer, certo? Puxou o ombro do amigo, que nem com isso parecia parar de curtir o momento, vendo-o facilmente como um boneco de posto de combustível. “Teo, não complica as coisas, você tem coisa importante pra fazer amanhã, lembra?” É claro que não lembrava. Tinha plena certeza de que vira dois caras correndo um em direção ao outro fingindo serem cabras montanhesas com capacetes de futebol, imaginava como o amigo estava. “Vem, a gente precisa ir, man!” Puxando-o, segurou-o pelos ombros, mas não esperava o desequilíbrio e a breve falta de consciência do amigo, que depois de segundos abriu os olhos, enjoado. Foram três segundos. Três segundos de vômito em seus sapatos. “OH FUCKING SH-...”
12. Your character walking in on mine having a mental breakdown (Callie)
Apesar da irritação ainda assolá-lo junto à mágoa da discussão, e embora já não soubesse em qual estado de relacionamento se encontravam naquele momento depois do último confronto, ao ouvir de April que não conseguia contatar Callisto, Tyler não demorou mais do que quinze minutos para vestir-se como gente e entrar no carro. Mesmo que a relação de ambos fosse mais “comercial” – como ela provavelmente classificaria – do que realmente emocional e intimista, o McCoy se importava muito com a morena e, indo contra todos os conceitos pré-formados sobre sua personalidade fraca e sua falta de atenção aos detalhes, a intuição do capitão do time de basquete funcionava bem quando esforçava-se para pensar em Callisto e entender o que se passava dentro dela. Era sua namorada, aos trancos e barrancos, mas era. Estacionando na frente de uma cafeteria próxima ao gabinete eleitoral do pai dela, sua presença foi notada apenas pelas pessoas nas mesas mais próximas quando a sineta tocou.
Rodeando o espaço com os azuis levemente preocupados e cansados, encontrou-a escondida, em uma mesa do extremo canto. Nunca faria isso se estivesse em seu estado normal. Aproximando-se com uma delicadeza que geralmente não tinha, e sentou-se ao lado da Callaway. Tremendo mais do que seu celular em dias de jogo vencido, ele pensava que ela poderia explodir a qualquer momento. Talvez não fosse o namorado mais atencioso do mundo, e talvez não conseguisse claramente transcrever o estado de espírito daquela zeta debochada e comumente malvada com a maioria das pessoas fossem elas inocentes ou não, mas sabia que deixá-la sozinha não era uma opção sensata ou pouco cruel. Callisto não o olhava, era como se nem mesmo houvesse ligado para sua presença, ou simplesmente não conseguia. Não importava, ele só tinha um trabalho. Tudo o que fez foi passar o braço por seus ombros com dificuldade pelo acesso à ela e puxá-la para seu peito, trazendo as costas femininas para o mesmo ao usar o outro braço para completar o abraço. Beijou sua nuca e esperou, sem falar nada, com o rosto encostando em seus cabelos. Algumas coisas não necessitavam de explicações. Nunca precisara delas.