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Benjamin Degen (American, 1976), Moon Rock, August 25, 2005. Graphite on paper, 9 x 6 in.
não é meditação não-conceitual versus elaboração conceitual, mas sim meditação não-conceitual e elaboração conceitual, uma informando a outra.
em uma dinâmica entre duas ou mais pessoas, ambas as capacidades são preciosas. recorrer - como alguns meditadores fazem - ao quietismo como default para resolver questões interpessoais e políticas pode não ser a forma mais habilidosa quando o diálogo se faz necessário na relação.
pensamentos, sendo aparências condicionadas e interdependentes, não podem ser exatamente controladas. não se pode prever qual pensamento irá surgir ou não à mente. muitos ocorrem de modo involuntário, sem que você os tenha pensado. então, em vez de tentar exaustivamente controlá-los, exercite não interferir neles nem tomá-los como sendo sua identidade.
caminha pelo espaço, as aparências do mundo são a mente.
absorve o mundo, toma para si a respiração.
inspira pelos poros toda sensibilidade do corpo.
expira pelos músculos contrações, pensamentos e descansa.
no hiato, antes de inspirar, não-esforço, não-ação. clareza natural.
encandeou-se pela luz que sustenta a forma. tingiu-se de esquecimento.
encantou-se pelo brilho da mente.
ofuscou-se pela claridade de aparências.
deslumbrou-se pelo magnetismo do conceito.
primeiro é preciso de um eu para desconstruí-lo. em alguns casos o melhor é começar pela desconstrução dos objetos. o mundo não é tão sólido. daí, aos poucos, ganha-se um pouco de tranquilidade e surge a mente. “existe” uma mente e ela é central. a pessoa com um eu frágil ganha confiança e exercita o desenvolvimento de seu eu - nada mais que seu estar relacional no mundo. em pouco tempo, ela nota que ela é a mente também. nao so o mundo mas ela. desse ponto em diante equilibra-se um eu relacioal mais realista, isto é consciente das relações ("interdependência") de todos os fenômenos.
Deixe que muros, fossas, palavras, esforços, liberdades, desejos, aparências, etc. se sustentem por si.
Atenção em fogo brando.
Anatman é um dos mais poderosos remédios já concebidos. Qualquer pessoa que pratique seriamente anatman do agregado do eu irá encontrar liberação de universos de aparências condicionadas.
Digamos que uma pessoa se identifica como sendo o corpo (skt. ahankara). Ela sofre por causa disso. Universos inteiros de formações mentais aflitivas e fúteis advêm disso. Qualquer pessoa que pratique anatman de ahankara (eu-sou-o-corpo) irá encontrar liberação de todas as aparências aflitivas advindas dessa confusão específica
Quando dizemos que algo é interessante na mente, estamos no campo da dualidade. Isso não é necessariamente ruim, mas definitivamente estamos sob o império da confusão e da morte. Esse me parece um hábito do autocentramento, e faz com que tudo seja observado a partir dessa divisão de um sujeito que observa e da coisa observada. Essa miragem de separação é tida como real. Quando vejo algo na mente, esse algo já provavelmente faz parte de uma certa delusão (”reino da forma”). Quando vejo esse algo a partir de uma percepção como "isto é interessante (e seu oposto ou, talvez, indiferença)" já estou no “reino do desejo.” Ambos os reinos são reificações, e necessariamente partilham da subscrição da dualidade como se fosse algo real. Como se esse algo interessante fosse de fato algo, e interessante.
Devaneio é uma palavra que faz sentido para nomear a contínua construção desordenada de mais e mais conteúdos mentais. A mente distraída migra de evento mental em evento mental em vão. Devaneio, do Espanhol devaneo, de de + vaneo, “vão”, que vem do Latim vanus, “vazio, fútil, oco”.
Vocês querem todos que o mundo mude de modo a poderem ser diferentes do que são agora. Mas não me convence a ideia de que as pessoas mudem com o mero advento de um mundo novo. E de qualquer modo esse mundo não tem como ser mais real ou satisfatório do que este.
Shirley Jackson, O relógio de sol
Uma morfologia das mentações pode perguntar: em que altura do corpo, sentimento básico, cor, forma, temperatura, conceitodependência, durabilidade, cheiro, textura, camadas, se toma a mente, etc. Terminou a investigação, descansa.
"Uma noite, um homem sonhou com um monstro sobre seu peito, asfixiando-o, tentando matá-lo. O homem acordou aterrorizado, e viu a criatura sobre ele. Desesperado, gritou: 'O que irá acontecer comigo?'
'Não me pergunte,' respondeu o monstro, 'o sonho é seu.'”
"Uma pessoa claramente iluminada cai no poço. Como é isso?"
What if, instead of trying to get to get to an enlightened state, you investigated the state that you're in right now? That would be wild, wouldn't it?
@Failed_Buddhist - 15 de abril 2018 via Twitter
When you encounter misfortune and terrible surroundings, do not let your inner strength wane, but bring forth confidence in your view and meditation, and release your consciousness without an object, as if you were an idiot.
Dudjom Lingpa, Vajra Essence 179