18 de fevereiro, 2023
amar sempre foi minha maior incógnita
minha maior dor, ou meu maior prazer
são exatas duas da manhã num pós sábado de carnaval
rodopiei nas esquinas do centro
provei do álcool mais puro que um quiosque sucinto poderia me oferecer
e ainda sim, quando me vi encarando meu reflexo numa vitrine de uma antiga sapataria fechada
ou nas poças recém formadas da leve chuva que caiu pela manhã
não me reconhecia mais sem você
senti teu cheiro mesmo inundada pela multidão, e no meu mais alto suplico
me embriaguei em lágrimas violentas,
me vi odiando; odiar? creio que sim
odeio não poder escutar teu nome sem suspirar com a maior agressividade que meu peito sustenta
odeio não poder beber tranquilamente, por medo de discar teu número
odeio tocar outros corpos pra voltar ao teu gosto
odeio olhar outra vasculhando incessantemente tuas características
e me odeio ainda mais quando noto que vou embora quando não encontro, nem umazinha,
me pego sentindo tua falta
acabo sussurrando
"volta pra mim"
mesmo quando sei que não devo, não posso
minhas tentativas já cessaram, a dor já formou sua pungente muralha em meu âmago
me torno um prisioneiro, talvez uma serviçal
aguardando sua sentença ou liberdade
.acabo te esperando.
inconscientemente
no entanto,
pacientemente.
assim, não me obedeça, por favor, não volte
.não volte.
se você vier, você sabe que vou destruir tudo
toda a muralha, todo o temor;
para reestruturar ao teu lado,
para reparar nossas feridas
[que você mesma causou]
não me escuta
não me atende
apenas continua, mesmo que eu implore pelo teu colo
me deixa aqui, quieta
talvez um dia eu pare de sussurrar
e resolva gritar o quanto ja passou
o quanto não me encontro mais na melancolia de aguardar qualquer mínima dedicatória de outro livro empoeirado
[sempre foi o seu forte]
G
(achei esse perdido nas notas e vou postar sem edição, talvez eu mude depois)


















