— Já que estamos sendo sinceros um com outro, eu admito: roubei sua cueca quando fui te visitar no verão passado. Mas a culpa não é minha. Ela era tão macia, e tinha uma estampa legal, oras. — admitiu, ainda sob o efeito do álcool.
Helena não era muito de beber. Mas em algumas situações era necessário. Ou ela afogava a raiva e/ou tristeza na bebida, ou o outro método era muito mais prazeroso e bruto: sexo. Mas, quando irritada, nem aquilo funcionava para deixa-la calma. A bruxa estava estressada com o excesso de atividades, tanto escolares quanto próprias que tinha de fazer. Fora a TPM, que resolvera atormentá-la recentemente.
A garota rodopiou o corpo de Hector, agarrando a sua cintura e voltando ao passo da dança, seguindo o ritmo de uma música qualquer que tocava na rádio. Já havia perdido as contas de quantas doses de mulled mead havia bebido em menos de vinte minutos que estava ali.
Quanto à Hector: ambos se encontraram ao acaso. Uma Holmes fervendo de raiva cruzara seu caminho sabe-se lá pra onde, já bêbada. E ambos seguiram para uma pub bruxa, sem muitos detalhes. Apesar de estar fora de si, Helena sabia que sua companhia era afável só pelo perfume. A bruxa gostava muito do mais velho, não por ter pertencido a mesma casa que a sua, mas sim por sua peculiar personalidade que a atraíra de primeira. A bruxa não se recordava de como o havia conhecido, talvez por quê na ocasião ela também estivesse bêbada, mas isso é um detalhe desprezível.
Voltando ao presente, Helena riu por nada e voltou ao seu passo de dança – nem um pouco elegante, vale observar. – sendo acompanhada pelo amigo, que, também estava bêbado.
— And I sing, hey, yeah, yeah-eah. Hey, yeah, yeah. I said, hey! What’s going on? — cantou, apoiando a cabeça no peito do amigo, soltando palavrões ao ritmo da canção. — Posso dormir com você hoje, príncipe de Troia? Quero pegar uma cueca azul sua que não pude pegar da última vez. Calvin Klein, certo?
O Hoffman deu um leve tapa sobre a mesa, apontando o dedo indicador para a morena em sua frente. -Sabia que tinha sido você, Holmes! -Exclamou com uma expressão chocada antes de soltar uma alta risada, dando mais um longo gole em sua bebida. Não que fosse seguro para ele beber, e não era mesmo, mas havia tombado com uma Helena mau humorada e ele próprio estava entediado então, por que não sair para beber? Hector tinha noção de que o álcool afetava sua hiperatividade e que poderia ter alguma crise a qualquer instante, mas ele conhecia bem a si próprio para ser cauteloso o bastante.
De qualquer forma, ele jamais dispensaria a chance de trazer o humor de Helena de volta. E se havia alguém capaz de fazer alguém irritado rir esse, sem dúvidas, era Hector Hoffman. Já havia sido uma vitória convencê-la a acompanhá-lo, e agora, entupidos de álcool e total descontrole. Os dois dançavam de forma totalmente desengonçada no meio da pista, sem sequer ligarem para a quantidade de mico que estavam pagando. Hector realmente sentia-se em casa com pessoas como Helena, que se pareciam absurdamente com ele e curtiam a vida a seu próprio modo, mas sempre da melhor e mais intensa forma que podiam.
O melhor daquela ocasião era fazer uma das coisas favoritas no mundo, após transfiguração, é claro, que era cantar. Hector era horrível naquilo e já ouvira milhares de vezes os parentes gritando para que ele parasse de fazer um show de horrores no banho. Porém, entretanto, todavia, o moreno pouco se importava, afinal, quando escutava alguma música que gostava não existia força no universo que o impedisse de cantar junto.
Tinha um dos braços em volta da cintura de Helena, que cantava junto a ele, provocando altas risadas do escocês, e o outro segurava uma garrafa de Merlin-Sabe-O-Que, utilizando-a como microfone vez ou outra. Balançava com a morena pelo local, abrindo um sorriso ao ouvir a pergunta dela, tomando um último gole do conteúdo de sua garrafa.
-Mas é claro que pode, rainha de Esparta. -Murmurou, repousando o queixo no topo da cabeça da mais nova. Não se lembrava exatamente de quando começara, mas utilizava referências à Guerra de Tróia com Helena constantemente, afinal, seu nome viera em homenagem à essa história em especial, que a avó insistia em repetir em todos os seus aniversários. -Ah, você nem ouse! Daqui a pouco vou ser obrigado a andar nú por falta de roupas. -Retrucou. -Não que eu ache que alguém vá se incomodar minimamente com isso. -Deu de ombros com um riso anasalado, rodopiando a morena em sua frente antes de voltar a puxá-la para perto.