Of all the fish in the sea, would you go to the ball with me? | Jazmín & Hector
Nada em Jazmín era comum, nunca fora e nunca seria. Vergonha, então, era algo que a cega desconhecia ter há muito tempo. Diferentemente das outras garotas, também, Jazmín não se preocupava nem um pouco com o baile, nem se animava verdadeiramente para ir vez que, bem, não havia muito que uma cega pudesse fazer em uma multidão para se divertir. No entanto, gostaria de ir, era bastante solitária na maior parte do tempo, sabia que se arrependeria se não fosse, mas... Ir acarretaria em outro problema: achar um par; já que ir, porém sozinha, não seria de muita ajuda.
Com seus botões, Jazi ficou pensando durante seu turno no Três Vassouras, esperando que um certo rapaz viesse ao bar, o que não aconteceu. Na cara de pau que tinha, Jazi então resolveu ir até ele e convidá-lo, rumando para o Dumbledore Institute, mais exatamente para ala onde ficavam os dormitórios masculinos. Um moço gentil a ajudou a chegar à porta do dormitório de Hector, onde Jazmín deu três batidas ritmadas na porta, suaves porém altas o suficiente para que fossem percebidas. Esperou até que ouviu a porta ser aberta, apertando a mão com certa força em volta da coleira de seu crupe para que este não atacasse por engano a figura masculina, que Jazi reconheceu pelo simples fato de tentar ler a mente e não conseguir. Sem falar, é claro, no perfume que associava a ele.
Limpando a garganta e dando um sorriso amigável, desandou a falar “Então... Um diabrete me contou que você gosta de coisas incomuns, e o que mais fora do cotidiano do que acompanhar uma cega ao baile de inverno?” ergueu uma sobrancelha, soltando uma risada baixa e bem humorada “Pra deixar bem claro, sim, eu estou te convidando. Essa coisa de que garotos devem chamar as garotas é coisa do passado, não acha? Enfim, se você já tiver um par, por favor, vamos ignorar a vergonha que eu passei e fingir que estou aqui por engano para cobrar alguma conta do Três Vassouras, ok? Ok.” a ansiedade era detectável em sua voz e em sua forma de tagarelar, mas não que ela estivesse nervosa ou algo do tipo “E, bem, você também tem a opção de me dizer não... Eu vou levar na boa, sério, o máximo que eu posso fazer é espalhar por ai que você é um preconceituoso que não aceitou ir comigo só porque sou cega.” seu tom era brincalhão e, sim, ela estava usando descaradamente sua condição especial e colocando-o em uma situação um pouco delicada, o que a divertia, mesmo que não estivesse falando sério. “Mentira... Ou não.” ela tentou manter um tom sério, mas acabou por rir. “Mas, se você aceitar... Bem, acho que ai seria ideal...” completou baixinho, então calando-se e comprimindo seu sorriso ao morder o lábio inferior, esperando pela resposta alheia.