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“Ouch,” reclamou ao receber o tapinha do mais novo, as risadas deixando claro que era só da boca pra fora. Nem sabia se estava rindo da reação de Jet ou só por estar tão feliz que não conseguia conter tudo dentro de si. As duas coisas se misturavam sempre que estava junto do menor. Não tardou em voltar a brincar com seus cabelos quando o viu fechar os olhos, um gesto que se tornara quase automático após tantas noites passadas ao lado dele. Ao notar o sorriso que agora exibia em seus lábios, não pôde deixar de desejar ter mais centenas delas, por tanto tempo quanto os deuses permitissem.
“Não tem nada de errado em ser um pouco infantil de vez em quando,” disse, observando como os olhos escuros de Jet brilhavam sob a luz da lua como se houvessem estrelas presas ali. “E, bem, não é tão diferente de rezar para os deuses, se você pensar bem. Talvez sua mãe esteja ouvindo. Ou Astéria. Quem sabe?” Nem se importou de ser pego olhando para o amigo, apenas retribuiu o sorriso e acariciou as costas da mão dele com o polegar. Se achava que não cabia mais felicidade dentro de si antes, não fazia ideia de como não explodiu em um milhão de pedacinhos quando Jet anunciou seu pedido. Era como se o mais novo tivesse lido sua mente. “Nunca te disseram que se você contar seu pedido pra alguém ele não vai se realizar?,” brincou, usando a mão livre para cutucar as costelas do tailandês. “Sorte sua que eu não pretendo ir a lugar nenhum.” Apertou de leve sua mão, erguendo os dedos entrelaçados como se isso fosse prova do que acabara de dizer. “Você vai ter que me aguentar até quando nós dois virarmos fantasmas. E na próxima encarnação, se depender de mim.”
❝— É bom ser um pouco de vem em quando, né?” Perguntou, mais retoricamente do que como se esperasse uma resposta do amigo, de fato. Jet precisava ficar se lembrando disso frequentemente. Que tudo bem ser um pouco infantil. Tudo bem não ser sério o tempo todo. Tudo bem deixar suas preocupações de lado um tiquinho. ❝— Sempre gostei de pensar nisso. Eu sempre senti que elas me escutavam, sabe? A maioria das pessoas que chega aqui fica embasbacado com essa história de deuses gregos sendo reais, mas eu fui pagão e devoto a eles minha vida toda. Sempre senti que me escutavam, me ajudavam e recebiam minhas oferendas. Isso está... Em falta nos últimos dias.” O sorriso de desmanchou e ele engoliu em seco ao pensar novamente na situação em que estavam. Mesmo que o chinês enchesse seu peito de alegria, era impossível ignorar 100%. Entretanto, balançou a cabeça, querendo ignorar, pelo menos por agora. ❝— Às vezes... Às vezes eu sentia que a moça da loja era Nyx, sabia? O jeito que ela me acolheu e me ensinou magia foi muito especial. E as poucas pessoas que entravam lá sempre achavam que éramos parentes.” Compartilhou, voltando a exibir um sorrisinho fraco para Way. Ele nunca antes comentou aquilo com ninguém porque achava que todos considerariam bobagem, principalmente os humanos. ❝— Se não era Nyx, ela foi uma boa mãe pra mim de qualquer forma. Um dia eu vou te levar pra conhecê-la! Quando eu aperfeiçoar meus poderes de viagem nas sombras, eu vou te levar pra conhecer minha casa. Você vai adorar as prais que tem lá! É um país lindo.” Comentou sonhador, pensando em levar Way pra viajar assim... ❝— Posso te levar pra qualquer lugar do mundo que você quiser.”
Tudo que ouvir sair da boca do melhor amigo causou cócegas gostosas no peito de Jet. Então estavam na mesma página, queriam continuar juntos pra sempre. Aquilo era reconfortante e gostoso de pensar. Não enxergava mais uma vida sem Way ao seu lado, sem esses momentos sob a luz da lua, trocando carinhos e jogando conversa fora. Way era a pessoa que mais conhecia Jet, e com quem o tailandês mais tinha facilidade de se comunicar, se abrir. Aquela companhia agradável que ele nunca mais queria viver sem. Levantou-se de onde estava apenas para deitar por cima do chinês, roçando os narizes num beijinho de esquimó, e depois escondendo o rosto no pescoço do amigo. ❝— Já ouvi falar disso, sim, mas eu não tenho medo. Sei que você não vai jogar energias negativas sobre meu desejo, pelo contrário.” Voltou a fechar os olhos, descansando naquele lugar tão confortável, apenas deslizando um pouco para o lado, afim de não deixar todo seu peso em cima de Way, porém continuando muito bem agarradinho nele, um braço na cintura alheia e uma perna por cima da do amigo. ❝— Que assim seja. Vamos ficar juntos por toda a eternidade. Pra onde você for eu vou atrás. Se a gente se perder eu vou te achar.”














