Start before you’re ready |POV
부산에서 춤추던 계가 바로 나야
South Korea, 2016
A vida de camarins, maquiagem, shows, viagens e agendas lotadas era algo da qual Kaien estava bastante familiarizado, afinal acompanhava seus pais desde criança, a rotina em si não era muito diferente para ele, entretanto tinha sido sempre de acompanhante. Agora quando estava se olhando no espelho do camarim se sentia diferente de todas as outras vezes, apenas não havia conseguido entender se aquilo era bom ou ruim até então, mesmo com os sorrisos orgulhosos de seus pais e o apoio incondicional de sua irmã que parecia nunca sair de seu lado ou até mesmo que durante muito tempo sempre fora seu sonho e tivera treinado muito apara estar naquele momento sentado aos seus nove anos de idade em uma cadeira de camarim, onde tinha acabado de ser maquiado e vestindo um figurino impecável.
A quantidade de fotos que apenas seus pais tinham tirado naquele período de tempo era gigante, e isto porque era apenas uma pequena apresentação de dança, pelo menos do ponto de vista da platéia e os organizadores de tudo. Pra Kaien era algo monumental, que estava fazendo seu pequeno coração bater o dobro de vezes, sua respiração estava um pouco ofegante pela ansiedade e nervosismo, já nem sabia quantas vezes tinha tentado fazer o exercício de respiração que sua mãe havia lhe ensinado e que até funcionava na hora, mas logo em alguns minutos voltava tudo de novo. A mão de sua irmã nunca parecia estar mais longe do que a distância de um braço e sinceramente ela parecia ainda mais nervosa que ele próprio, embora que quando segurava sua mão transmitia uma calma tremenda para ele.
Quando estava se aproximando a hora de começar as apresentações seus pais lhe disseram que estavam indo se sentar em seus lugares, primeira fileira, e mesmo que quisesse que estes continuassem a seu lado não disse nada apenas assentindo. Na verdade até que aqueles minutos sozinho foram de grande ajuda visto que usou para repassar mentalmente cada passo da dança, fazer isto fez com que ele se acalmasse um pouco, mesmo que ainda conseguisse ouvir o vai e vem das pessoas e também dos murmúrios do público com suas conversas paralelas enquanto ainda não começava as apresentações, a sua seria a quarta.
No período que ficou esperando teve momentos que achava que o tempo estava passando rápido demais ou devagar demais, tinha tomado provavelmente um litro de água e ido umas duas vezes ao banheiro, além de sempre ter alguém por perto o confortando e dizendo algo motivacional, algumas vezes até de maneira estranha como se ele tivesse três anos e não nove. Quando enfim terminou a apresentação antes da sua ele os nervos já estavam a flor da pele, pareceu que por um minuto tinha se esquecido de tudo e a sua vontade ao ver o público observando o apresentador no palco era apenas de querer fugir e tentar outro dia, mas quando seus olhos se encontraram com os de Sook inspirou profundamente e entrou quando ouviu seu nome indo se posicionar no centro do palco e mesmo que a posição inicial fosse voltada para a multidão a sua frente, fingiu não conseguir ouvir os aplausos iniciais, esperava apenas a música começar.
Enquanto dançava usando todo espaço do palco Kaien ficou frustrado nas poucas vezes que errou e mais ainda quando este erro lhe proporcionava outro, porém tentando seguir a regra de ouro de seu pai nenhuma vez parou de dançar, afinal como o mais velho sempre dizia ‘ você sabe a coreografia, eles não, você pode saber quando errou, eles não então termine e sorria que tudo vai ficar bem’ apenas quando terminou levantou os olhos para o mar de gente realmente focando nestes, antes quando levantava a cabeça tentava não focar em rosto algum para não ficar nervoso ou ansioso. Assim a primeira pessoa que viu na multidão foi sua mãe que estava com lágrimas nos olhos sorrindo para ele, assim como seu pai, sua irmã e algumas pessoas na multidão. Ver aquele mar de gente sorrindo e o aplaudindo era uma sensação incrível e quando teve que sair do palco sentiu uma mistura de orgulho e perda, era uma sensação incrível de quem quer mais, mesmo com toda a ansiedade de antes parecia que valia a pena cada minuto de angústia para chegar no final e sentir como se tivesse feito uma maratona até o mais alto do everest.















