As vezes gosto de morrer
no quentor de um dia frio.
E quem sabe se o que sinto é vazio
ou água salgada?
Que no fim não me mata,
mas me afoga como uma enchurrada.
(De muito eu, eu e nada).
Abisc
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As vezes gosto de morrer
no quentor de um dia frio.
E quem sabe se o que sinto é vazio
ou água salgada?
Que no fim não me mata,
mas me afoga como uma enchurrada.
(De muito eu, eu e nada).
Abisc
Propor amar, sem vírgula
sem interrogação ou carícia
amar sem fim, amar apenas.
Amar de forma pequena e só.
Amar em forma de pó.
Desejar em forma de pena, pluma
amar enquanto o amor se perfuma.
Enquanto a cama, delícia
enquanto a chama, agita
enquanto a vela, apaga
enquanto, amor... Vai para a casa.
Abisc
Queria poder sentir saudades, sentir falta
do gosto de sentir seu cheiro
do toque ao ouvir sua voz em silêncio.
De sentir menos, não chorar mais.
Me confundo toda vez que você não está
e se alguma vez estivesse me sentiria mal.
Saber que não é real
é doloroso, me parte em pedaços...
Mas sussurro coisas boas em meu ouvido
pensando... Se era sua voz
se misturando aos meus sentidos.
(Ainda te ouço gritando comigo:
dizendo, dizendo, dizendo, dizendo
coisas que carrego até hoje em meu íntimo).
Abisc
Em tua língua fui o que não poderia ser
e sem entender porquê, como?
Me vi me desculpando, me culpando
chorando sobre a sina que jurou...
Que me jurou um eu te amo.
Talvez você também tenha se confundido
sobre ser dono de alguns dos meus sorrisos
e parte do meu coração partido.
Em sua língua fui o que não poderia ser
e sem entender o porquê...
Abisc
Me ter de quatro
é muito mais do que
me ter nua, a mercê.
É me conhecer, corroer
me buscar em todas as
nuances.
Me ter de quatro é me dar a chance
de te dar: muito mais que um corpo.
É colocar sobre mim, um nós
mesmo que por pouco,
mesmo que por só...
Mesmo, sim,
mesmo.
(Tu me tens de qualquer jeito).
Abisc
adorei seus poemas. ❤
Aaaaaaaa muito obrigada ❤️
Gosto de te poetizar.
Ainda quando, não me machuca.
Depois, bem... Gosto de beber
me preeencher, virar dez copos.
E no fim pedir: mais dela
(em dose dupla).
Abisc
Transbordo poesia pela necessidade de te ter transcrito em linhas, versos, palavras tremidas.
Te escrevo pela sintonia das nossas línguas, pelas turbulências que tu silencia, por ter você, por me aconchegar, por te ler.
E enxergar tanto amor em tão poucas sílabas.
Abisc
Eu gosto de como você me transtorna.
De forma crua me borda, me fura.
Me torna arte e sem muita ternura:
Me aflige, me aflora e então florece.
Se tu me dissesse que era artista
diria apenas... Que não duvido.
Seu sorriso bilha, vicia, convida...
A beijar seus lábios e trançar carícias:
Nos fios dos seu cabelos.
No contorno das suas linhas.
Na sua palma quente.
Nas suas cicatrizes frias.
Pensar em você me sufoca,
soca, acerta.
Te escrever é só uma forma de...
Implorar para que não tenha pressa.
Você me revolta.
Por me fazer querer viver alguma vida.
Abisc
Sufocos não são sentimentos.
São lembranças, momentos.
A mente se mexendo, remoendo
e o coração torcendo, doendo.
Uma quase morte,
um suspiro forte,
um beijar com corte...
Um silêncio que absorve
o grito que não tem sorte
de ecoar o suficiente.
Sufocar, ficar doente,
é o mesmo.
(E não acaba sempre...)
Abisc
Sabe, um coração partido não partiu.
Mas não faz diferença...
Viver sob a descrença de amar
é o mesmo que dicipar no ar
todos os "talvez encontrar alguém".
Se importa, se tem, se não vem, se bens;
Se o cheiro é doce, amargo, frio;
Se sentir vazio basta, se a saudade passa...
Ou consiste em suspiros já sem lágrimas.
Corações não partem,
entenda como quiser.
(Duvido que te tiro do peito
fragmentos de um grito, doendo
E sonhos voando sob o vento).
Abisc