é gostoso rir com você no meio do meu caos.
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@oldfemale
é gostoso rir com você no meio do meu caos.
Oi, bom dia (boa tarde, boa noite)!
Torço para que este e-mail te encontre bem.
Na verdade… não. Porque me dói o peito saber que, mesmo depois de tanto tempo longe de mim, você esteja — de fato — bem. Sim, há egoísmo nas minhas palavras. Mas acho meramente justo, dado o quanto é difícil seguir em frente.
Por aqui, as coisas estão boas. Boas ao ponto de eu estranhar tamanha calmaria. Mas não nego que passei por poucas e boas também. E sinto que, se você estivesse aqui, seriam só "boas".
Essa semana notei uma visita sua às minhas redes sociais, e confesso que há algo em mim implorando para que essas visitas se repitam, se repitam e se repitam… até você finalmente me mandar um "oi" e dizer que sente minha falta. E, num primeiro momento, eu me reservaria ao direito de te ignorar. Mas, tão cedo, cairia no seu papinho — não cairia me jogaria.
Também faço visitas recorrentes ao seu perfil, na esperança de finalmente ver por quem eu fui trocada. E, quem sabe, colocar um ponto final nessa relação de idas e vindas. Furacões... e só furacões mesmo.
Você me fazia um bem danado. Era de se esperar que sua partida me fizesse bem também? Não fez.
As pessoas têm chegado na minha vida, e eu não as deixo sentar do meu lado — porque o lugar está reservado para alguém que eu nem sequer sei se ainda vive. Não há sinais de volta iminente, nada que aponte que a espera valha a pena.
Está reservado a você.
E, sinceramente, sua volta não vai me fazer bem. Eu sei. Você sabe. E gosto de pensar que é por isso que você não volta mais.
Em todo caso, estarei aqui. Onde você me deixou.
Com amor, Mo
Te assustei num verão,
quando seu rosto se aproximou do meu e eu deixei.
Quando seus olhos me tateavam, e eu retribuí sorrindo.
Te assustei numa sala transbordando de pessoas,
quando meus olhos cruzaram com os seus
com tanta facilidade
que poderíamos jurar que só havia nós.
Te assustei numa noite de inverno cortante,
quando suamos e perdemos o fôlego,
como quem corre uma maratona
mas não sai do lugar.
Te assustei numa troca de mensagens,
quando eu disse que sentia sua falta
e que talvez aquela fosse a dor mais aterrorizante em anos.
Te assustei numa quarta-feira de outubro,
quando disse que você era meu exemplo mais difícil de amor.
E me assusta saber que, dentre tantos outros, aprendi o amor com você.
Foi numa terça-feira barulhenta de São Paulo que a sua ausência se fez presente.
Ela puxou uma cadeira, sentou ao meu lado e me chamou para uma conversa íntima.
Pude sentir que éramos amigas há anos — talvez porque, de fato, fôssemos.
Ela me confessou que, antes mesmo de você ir embora, já estava ali.
Estava nos dias frios, nas conversas de madrugada, até mesmo nos olhares que a gente costumava trocar.
Me senti mal. Acusei-a de possuir terras que não eram dela, como quem invade um território inimigo, rouba tudo o que há ali e governa sobre aquilo.
Mas ela me disse, calmamente, que a terra que não é de ninguém — é terra de todo mundo. Achei engraçado, porque podia jurar que era uma discussão política minha e sua.
No fim, ela me consolou e perguntou se podia ficar um pouco mais comigo.
E eu agradeci, porque algo seu quis ficar.
Mesmo que fosse a sua ausência.
é estranho sentir tanta falta de alguém que nunca esteve completamente aqui.
ochromakopia
Oi, bom dia (boa tarde, boa noite)!
Torço para que este email — diferente de mim — te encontre.
Por aqui tudo vai bem, as coisas estão melhorando bastante. Tenho a leve impressão que as coisas estão fluindo bem como justiça por tudo o que eu sofri nos últimos meses.
Ainda existe uma parte de mim que deseja mais do que tudo a sua volta, despretensiosa como de costume. A outra parte só me lembra que macarrão é melhor quando cozido sem óleo, ou que a escada bamba no canto da minha cozinha precisa desesperadamente ser trocada. Lembra também de sempre especificar para qual centro eu estou indo (se o da cidade ou do bairro) e mais ainda, de ser gentil com quem menos tem ou nada tem.
Ainda detesto dias de clássico, ainda mais se é o seu time jogando. Criei uma raiva quase que religiosa sobre ele, inclusive. Talvez porque eu sinta inveja, até ele em toda a sua insignificância, te tem.
Estive com outras pessoas, outros papos, outras bocas, outras histórias, outros corpos. Mas ainda não é você. E por mais que você esteja longe de me ver dessa maneira, espero que haja algum ponto em você que se lembre de mim, mesmo que por frações de segundos.
Nos últimos dias, pensei muito sobre o porquê de você ter ido, e cheguei a conclusão mais óbvia, você quis. E tudo bem. No fundo, eu também queria.
Nosso mundo pessoal sempre foi pequeno demais para os dois terem espaço um no outro, reconheço isso.
Reforço, não te odeio. Não sinto raiva. Sinto saudades.
Espero que esteja bem. Espero que não voltemos a nos ver, a não ser que seja para sempre.
Com amor, Mo.
quais são os pontos da nossa cidade que eu não vou conseguir mais parar?
quais as estações que eu vou evitar descer, só pra não lembrar dos seus poemas?
quão difícil será olhar pra um céu com a nossa estrela e não pensar em tudo o que fomos?
não somos como traços na areia que se vão com um vento forte ou com a água furiosa que vem do mar.
fomos cravados em pedra, que não se apaga com o tempo, ou vento, ou água. toda vez que olhamos, lembramos.
e dói.
vai doer.
Você vai sentir minha falta em plena terça-feira?
Quando vai dizer que me ama?
Quando vai dizer que meu olhar é o suficiente para acalmar a tempestade no seu coração?
Quando suas declarações vão desaguar no meu ouvido,
ou seu peito vai se oferecer como travesseiro?
Quando vai dizer que gosta de rir comigo no meio do caos de uma semana agitada?
Quando vai me escolher?
Será que minhas piadas malfeitas vão te segurar perto de mim?
Minhas músicas vão te fazer pulsar por quanto tempo?
E aquela dança que aprendemos no centro da cidade,
até quando vai tocar os seus pés?
Até quando suas pupilas vão dilatar ao encontrar as minhas?
Quando vai fazer sentido te chamar de "amor" no meio de um almoço em família?
Quando vai fazer sentido vestir branco e te encontrar no fim do caminho?
E quais serão nossas promessas?
Até que o quê nos separe?
é que você tem o gosto salgado do mar
e me deixa com sede
toda vez que me toca
"Viver não é seguro" — e afirmo: o maior contraponto da vida é o medo. Não porque um anula o outro, e sim porque se trata de duas melodias diferentes que se aconchegam uma na outra de forma harmoniosa, sem perderem sua identidade. E, honestamente, não sei o que é viver, senão uma dança compassada entre o belo e o risco.
Estar vivo requer cautela moderada, porque quando erramos a dose, não conseguimos enxergar além do que podemos tocar. E, às vezes (ouso dizer: quase sempre), a alegria está nos lugares que não podemos ver a olho nu. E sim, talvez eu tenha uma visão muito romântica do que é, de fato, a vida, mas o céu de Ícaro só possui mais poesia que o de Galileu porque um deles só via o que era tangível.
A ideia de contraponto se torna muito mais clara quando entendemos que colocar o pé para além do que podemos ver, é libertador. Ao tempo que o medo nos impede de voar perto demais do sol.
"Deixe tudo acontecer à você [...]. Nenhum sentimento é definitivo." — Rilke
eu ainda ouço as suas músicas como se fossem minhas.
Mesmo no meio de galáxias e explosões de supernovas eu só consigo ver beleza nos olhos dele.
"O final de vida de estrelas com massas maiores que a do Sol é catastrófico e extremamente violento"
Devia ter me atentado às letrinhas miúdas
Eu te amo e te amei muito antes de entender do que se tratava. Fui programada pra te amar, o meu amor tem o seu tamanho e as suas formas. E em todos os caminhos que eu imaginei percorrer, você sempre estava no fim deles. É você, sempre foi. Mesmo antes de eu saber.
PAUSA.
No meio de todo nosso caos e todas as incertezas que estão nos afogando e nos afastando e nos desgastando e nos acabando, posso por favor dizer "pausa" pra tudo isso e querer te abraçar em meio aos tiroteios?
Posso por favor, silenciar os ruídos enquanto me perco olhando os seus olhos?
Posso por favor pensar em todas as promessas e fingir que elas são reais? Ou pelo menos lembrar dos seus olhos enquanto recitava um poema ou me chamava de amor?
Não quero me agarrar ao passado, mas é impossível não olhar pra ele quando ele era absolutamente tudo o que eu queria. Ele era você.
O passado tem nome, sobrenome, um sorriso bonito e um olhar de amor.
Queria gritar pausa e parar bem no meio de uma de suas declarações e ver aqueles olhos novamente. Ou ouvir seu coração acelerado quando me abraça, ou sentir sua respiração nervosa depois de ouvir o meu "eu te amo".
Passei por vidas e vidas passaram por mim, fui porto e fui barco. Mas nunca quis permanecer em alguém como quero permanecer em você. Peregrinei por muito tempo pra encontrar meu lugar seguro, andei muito até achar a minha estrela, corri muito pra encontrar o beijo-casa ou o peito-lar que eu tanto queria.
Achei tudo isso em você.