Sei de que toco a minha pele e ela pulsa. Vai pulsando o meu tecido conjuntivo enquanto o mais se termina. Lá na encosta da superfície, o mel caindo ao chão, na terraplanagem de abelhas inexistentes.
Perto, assumo o teu medo como brusca medida. E me ensina não saber aproveitar a tua ausência.
Curvo tudo o que diz como se soprasse em mim qualquer fenômeno que me fizesse rodear o quarto, pálida, com as minhas mãos insones, em cãibra. Determinante em conhecer teu gosto, tento apalpar aquilo que me disse sobre os teus gulosos olhos. (Ainda mais quando tudo se trata sobre olhos nessa Terra, quando as tuas sentenças se fazem enquanto me mira, e enquanto tua pupila se move como um espetáculo de dança, projetado por anos).
Eu sei para onde teus anseios fugiram como um material histórico que alguma vez escondeu suas heranças, que afasta uma névoa com medo de se perder, de não me ver soluçando pelo encontro com o frio, naquelas montanhas. E percebo que as outras superfícies se fazem por construções que me foram passadas sem garantias.
Talvez te mostre que não há forma melhor de me ver do que nas madrugadas de onde tenho voz rouca, que penso numa praia vazia, apenas pouca anunciação, e os peixes nadando tão raso sem medo de serem apanhados, por não existirem pescadores à borda. Ali temo de que não consiga se aprofundar em mim, de não ser possível que se exponha ao risco de achar seu interior recortado e perfurante, que queira ainda ser intacto se não conhece a estrutura dessa praia - e sabe o que digo, e o que quero transmitir, com essas linhas e metáforas, pois as trabalhamos como se fossem nosso código de conduta.
Mas, no profundo, anseio, pelo o que senti surgir, com o que tenho em alma, de que possa envolver teus braços por aqui, mesmo trêmulos e aflitos, com medos irreversíveis, e que chore um pouco para diminuir os sofrimentos que conheci da tua história.
(Tuas palavras, na solidão, carecem, como uma lupa que teima em dividir o horizonte em meio termo).
Olhos turvos













