↳ Marcel & Arthur’s relationship moodboard: 1/??
❝ I hate you, then I love you. It’s like I want to throw you off a cliff, and then rush to the bottom to catch you. ❞
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↳ Marcel & Arthur’s relationship moodboard: 1/??
❝ I hate you, then I love you. It’s like I want to throw you off a cliff, and then rush to the bottom to catch you. ❞
↳ Marcel and Neo’s friendship moodboard: 1/??
❝ I may be drunk, Mister, but in the morning I will be sober and we will still be friends. ❞
nice invasor. || Marcel&Arthur || FLASHFOWARD
arthurw-harris
ᴀǫᴜᴇʟᴀ ᴇʀᴀ ᴜᴍᴀ ᴛᴀʀᴅᴇ ᴛʀᴀɴǫᴜɪʟᴀ ᴅᴇᴍᴀɪs ᴘᴀʀᴀ ᴏ ɢᴏsᴛᴏ ᴅᴇ ᴍᴀʀᴄᴇʟ. Não tinha nenhum cliente para aquele dia em qualquer de seus dois trabalhos, Winter lhe avisara que não poderiam sair porque tinha que cumprir plantão no serviço, as garrafas de álcool já não lhe eram companhia o suficiente e não era mais divertido testar a sua excelente pontaria com o arco-e-flecha dentro de casa (o vaso quebrado confirmava aquilo). O ruivo estava completamente entediado, e, por mais que aprendera a conviver com o tédio durante toda a sua vida miserável, o último semestre havia sido deveras agradável demais para se sucumbir às profundezas do poço inigualável do marasmo novamente.
Para começar, o tal louro universitário, Arthur Harris (simplesmente se recusa a chamá-lo de Arthur White), que conhecera de uma maneira não muito simpática havia quase um ano atrás, acabou tornando-se muito mais próximo do que pensou que tornaria. Na primeira vez que conversaram (ou melhor, que discutiram), juraram um para o outro que não iriam mais se ver; entretanto, pela ironia do destino, bastaram-se apenas mais dois encontros -- um deles com o bruxo à beira da morte (carregava a cicatriz horrenda no ombro até aqueles dias!) -- para que a amizade dos dois acabasse se firmando. Não apenas a deles, claro: A morena, Madison Green, responsável pela terceira reunião dos dois também ficara extremamente mais próxima dos dois rapazes. E depois de terem se encontrado casualmente naquele bar e acabarem causado tantas repetitivas confusões ao lado um do outro ao longo desses meses de convivência, os três tornaram-se ótimos amigos. O trio ficara tão íntimo que agora era considerado estranho caso não dessem notícias sobre o estado um do outro ou não invadissem a moradia de um deles para passar a tarde.
E o tédio da situação em que Marcel se encontrava implorava para que ele passasse na casa de um deles.
Teve que escolher, obrigatoriamente naquele dia, a casa do louro, o que não era a melhor opção, visto que a garota era a melhor cozinheira dos três. Infelizmente, Madison avisara-os um dia antes que passaria o dia fora em algum dos protestos sobre o direito dos animais, pedindo “carinhosamente” para que Marcel não a procurasse -- não que precisasse pedir, é claro; ele ainda possui um certo trauma de protestos onde placas seriam acertadas em sua cabeça. Portanto, a casa dela não seria uma opção para matar o tempo. Logo, Arthur era sua única opção (o que significaria que aquela noite terminaria em pizza). O informante sequer se dera ao trabalho de enviar uma mínima mensagem de texto para o louro enquanto dirigia-se a casa dele: Era um domingo monótono, e era a obrigação de Arthur era estar em sua casa para impedir Marcel de se matar de tédio.
Quando chegou ao apartamento do garoto -- o porteiro deixou-o entrar tranquilamente; seu rosto já era conhecido --, em um gesto amigável de avisar ao outro que era ele quem estava ali, apertou a campainha infinitas vezes, mostrando ser o implicante babaca de sempre. O louro demorou um tanto para atendê-lo (e Marcel não sabia se era porque ele estava testando a sua paciência ou se era porque ele realmente estava fazendo alguma outra coisa e precisou terminá-la antes de atender a porta propriamente -- ele sinceramente esperava ser a segunda opção). ❛❛Eu estou com tédio.❜❜ disse, assim que Arthur finalmente abriu a porta, erguendo uma sobrancelha, suas expressões claramente dizendo: “O que você está esperando para me divertir?”.
i refuse to be helped by y... nevermind, come here. || Marcel&Arthur
Os olhos de Arthur estavam arregalados diante da cena a sua frente. Observava o ruivo com a cabeça enterrada no braço, seu jeito presunçoso desaparecido por completo. Abriu a boca para dizer algo, mas a fechou quase que imediatamente, sem querer invadir a privacidade do outro. Se aproximou mais uma vez, e, com todo o cuidado possível, colocou a munhequeira no pulso do outro, se amaldiçoando mentalmente por tê-lo trazido para casa em primeiro lugar.
Olhou para o péssimo trabalho que tinha feito e por um breve segundo se sentiu mal por ser tão ruim naquilo, até que algo dentro dele o lembrou que aquela não era de forma alguma sua obrigação. Arthur nasceu e cresceu sabendo o que faria quando fosse mais velho, qual faculdade cursaria e qual era seu real talento, isso seria obvio para qualquer um que prestasse um pouco mais de atenção no apartamento do loiro. Haviam inúmeros quadros que ele mesmo havia pintado expostos nas paredes e ainda dois cavaletes que seguravam as telas não finalizadas. A casa inteira tinha o cheiro peculiar de tinta. Arthur nasceu para ser um artista e não um advogado, menos ainda um médico. Não sabia cuidar de ferimentos da maneira correta, não sabia tratar nenhum dos machucados do ruivo do jeito certo. Talvez devesse ter ligado para Sean, talvez ele, por ser estudante de medicina, tivesse uma noção maior do que fazer, mas agora era tarde demais.
Deu de ombros, abraçando a ideia de que o estrago feito não era sua culpa, e então passou a pensar em qual seria seu próximo passo. O que faria agora? Expulsaria o ruivo da casa e o jogaria naquele estado novamente na rua? Isso não daria certo. Seus pontos mal feitos logo iriam abrir e a ferida ficaria ainda pior. Harris olhou para o próprio sofá e suspirou, se xingando mentalmente por estar sempre se metendo no assunto dos outros e se colocando em situações como aquela. “Já está tarde e, se quiser, pode dormir no sofá.” Foi até o quarto e voltou com um lençol e um cobertor limpos. Estendeu o lençol no sofá, para que dessa forma o sangue não manchasse o estofamento, e então jogou o cobertor mal dobrado no canto inferior. “Quer saber? Eu realmente não me importo, mas se você for embora daqui agora, seus pontos vão sair e seu pulso vai doer ainda mais.” Deu de ombros e se virou, esfregando os olhos devido ao sono que finalmente o atingia depois que a adrenalina por fim abandonou seu sangue. “Boa noite.” murmurou de maneira certamente grosseira e então entrou no próprio quarto, batendo a porta atrás de si e deitando na cama. Adormeceu mais rapidamente do que pensou ser possível, vindo a se perder no mundo dos sonhos sem se preocupar mais com o ruivo ou quem quer que fossem as pessoas que estavam atrás dele.
ᴍᴀʀᴄᴇʟ ɴᴀᴏ ʟᴇᴠᴀɴᴛᴏᴜ ᴀ ᴄᴀʙᴇçᴀ ᴜᴍᴀ ᴠᴇᴢ sᴇǫᴜᴇʀ ᴇɴǫᴜᴀɴᴛᴏ ᴀʀᴛʜᴜʀ ᴏ ᴀᴜxɪʟɪᴀᴠᴀ. Afinal, as lágrimas de dor, mesmo que poucas, ainda lhe escorriam pelas bochechas; e não era como se ele pudesse se dar ao luxo de deixar que o louro o visse naquele estado. Por isso, esperou que ele terminasse seu discurso completamente monótono, colocasse as coisas no sofá e se virasse para ir para seu quarto, para apenas depois levantar a cabeça, seus olhos tão vermelhos quanto o próprio cabelo por conta das lágrimas raivosas. ❛❛Boa noite, fedelho.❜❜ rebateu, com um tom igualmente grosseiro ao do louro, ouvindo a porta se fechar atrás dele logo em seguida. Suspirou, limpando as lágrimas com as costas da mão boa. Olhou para a munhequeira colocada em seu pulso machucado, e sentiu vontade de arrancá-la e fazer o universitário engoli-la -- mas esse pensamento lhe ocorreu mais pela raiva da dor que o rapaz lhe infringira do que qualquer outra coisa.
Levantou-se da cadeira logo em seguida, sentindo (por mais que não quisesse admitir) que a dor tanto no ombro quanto no pulso já estava começando a melhorar. Era verdade, o garoto fizera um péssimo serviço -- ele era um inútil --, mas pelo menos resolvera ajudá-lo por algum motivo que Marcel não tinha a mínima ideia de qual era (e que não iria agradecê-lo por ele). Puxou o amuleto do bolso, vendo que o brilho deste havia se apagado quase que completamente. Pressionou os lábios um contra o outro; sabia que o real desconforto viria assim que a luz se extinguisse por completo. Guardou-o e olhou para o sofá que o rapaz havia arrumado com o cobertor e os travesseiros, e, de repente, sentiu o sono e o cansaço atingirem-lhe feito um tapa. Afinal, ele havia sido esmurrado por (e levado um tiro de!) dois brutamontes não fazia nem uma hora. Bocejou, e, ao colocar a mão no rosto (um simples reflexo do gesto sonolento), lembrou do sangue ainda presente em seu rosto. Entretanto, entre lavar-se e perder alguns segundos de sono com isso era muito cansativo -- aliás, com sorte, poderia sujar os travesseiros que o rapaz havia lhe emprestado, como uma mínima revanche. Então, sem nem pensar duas vezes, deitou-se com cuidado no sofá do louro, tendo uma atenção especial para com as costuras do ombro e o pulso quebrado enquanto o fazia.
Por incrível que pareça, não ficou encarando o teto da casa do estudante por muito tempo; talvez o cansaço estivesse tão forte que isso fosse um fator para que ele adormecesse mais rápido (o informante costuma demorar horas para pegar no sono). Porém, por mais que tivesse dormido depressa, acordou tanto quanto (segundo o relógio da sala, eram duas e meia da manhã quando Marcel viu-se desperto novamente): A perseguição dos bruxos da Benignus causara-o pesadelos horríveis, em que seu corpo era metralhado e todos os ossos lhe eram quebrados -- e que aquele garoto que antes o ajudou virara as costas para ele, deixando-o para a morte envolto em uma poça de sangue (mas isso era um detalhe que preferia ignorar). Seus lábios estavam secos quando acordou, e ele não se sentia confortável ali. Dormir na casa de um desconhecido enquanto estivesse sóbrio -- porque ébrio já o fizera várias vezes -- não era uma sensação boa, principalmente se esse desconhecido acabara de aparecer em seus sonhos conturbados. Em um piscar de olhos, Marcel levantou-se do sofá, já sentindo as dores por causa da costura -- os efeitos do colar deveriam ter acabado (ele não iria parar para conferi-lo agora) --, abandonando a casa do louro o mais rápido possível. De preferência, não o veria mais, e agora falava sério quanto à isso; não seria como da última vez, em que prometeram não se ver e haviam acabado naquela situação, certo? Não, não, ele não queria mais pensar nele. Nem naquele dia. Apenas queria voltar para sua casa, sentir-se seguro mais uma vez protegido pelas paredes que podia chamar de suas. ■
No one understands this universe like you do.
i refuse to be helped by y... nevermind, come here. || Marcel&Arthur
Observou o ruivo tentando desabotoar a camisa com apenas uma mão e soube quase que imediatamente que aquele era um esforço inútil, então quando ele fez a pergunta Arthur apenas revirou os olhos e se aproximou do outro, desabotoando-a o mais rápido que conseguiu. Tentava não pensar o quão estranho a situação era. Estava no meio da sua sala, tirando a blusa de um completo estranho. Um homem, a propósito. Quando terminou, escorregou apenas um lado da camisa para baixo, expondo o ombro machucado e contorcendo o nariz ao vê-lo. Sabia que um ferimento à bala geralmente se encontraria em situações piores, porém aquele já não era uma imagem muito agradável.
Desviou os olhos para procurar dentro do kit uma pinça com a qual pudesse tirar a bala que deveria estar presa em algum lugar ali dentro. Quando por fim a encontrou, levantou-a até o machucado e cuidadosamente passou a procurar a bala, tirando-a com facilidade. Surpreendentemente, o metal não estava enterrado tão profundamente quanto Arthur pensou que estaria. Era quase como se o corpo a estivesse expulsando, o que fez o loiro cogitar por um segundo se o amuleto não estaria fazendo tal trabalho, mas então pareceu perceber o quão idiota a ideia era. Em seguida, voltou até o kit e pegou o anti-séptico e um pedaço de gaze. “Isso pode arder um pouco” murmurou enquanto derramava o conteúdo sobre a gaze e a passava no ombro do ruivo, tentando desinfetar a ferida e impedir uma futura infecção. Depois de limpo, Arthur começou o processo de costura. Seus pais já poderiam ter lhe ensinado o passo-a-passo inúmeras vezes, porém nunca foi um dos melhores alunos. O homem perfurava a pele do ruivo com a agulha e então puxava a linha, sabendo que suas mãos tremiam um pouco e que não tinha habilidade alguma. Pensava no quão desconfortável aquilo era para o outro, mas então o único pensamento que invadia sua mente era o de que se ele quisesse um tratamento melhor, deveria ter ido para um hospital. Quando deu o último ponto, fez uma pequena careta ao analizar o resultado e perceber que aquilo renderia ao ruivo uma feia cicatriz. Pegou o anti-séptico mais uma vez e o derramou sobre a ferida fechada. “Espero que não infeccione” disse mais para si mesmo do que para o outro. Se aquele amuleto realmente funcionava para alguma coisa, esperava que fosse bom o suficiente a ponto de terminar de curar o machucado.
“Você quer tomar um banho para limpar todo esse sangue no seu rosto?” perguntou, apontando inconscientemente para a porta do banheiro. Mexeu a cabeça ao se lembrar do pulso do ruivo. Se ele nem ao menos havia conseguido abrir a camisa sem auxílio, não conseguiria tomar banho sozinho e o último desejo de Arthur em todo o mundo era ajudá-lo com isso também. Já havia tido contato físico o suficiente com o outro naquele pequeno período de tempo em que desabotoava sua camisa, não precisava passar nem mais um segundo tão próximo dele.
Em um movimento rápido, Arthur esticou o braço e pegou a mão do ruivo, ignorando qualquer expressão interrogativa que o outro pudesse ter estampada no rosto. “No três.” sem ter certeza de que o ruivo sabia o que Harris faria em seguida. “Um…” disse, e com o pensamento de que deveria pegá-lo de surpresa, trouxe seu pulso rapidamente para cima. Ouviu o grito do outro e só então pareceu perceber que, na verdade, possivelmente havia apenas quebrado algum de seus ossos. “Desculpa por isso. De novo?” E antes que pudesse lhe impedir, segurou sua mão com mais força e a puxou para frente, agora deixando-o na posição correta. “Vai precisar imobilizar isso por um tempo.” murmurou, voltando seus olhos mais uma vez para o kit, agora em busca de alguma espécie de munhequeira.
ᴛᴇʀ ᴀ sᴜᴀ ᴄᴀᴍɪsᴀ ʀᴇᴛɪʀᴀᴅᴀ ᴘᴏʀ ᴜᴍ ɢᴀʀᴏᴛᴏ ʙᴏɴɪᴛᴏ ɴᴀᴏ ᴇʀᴀ ᴜᴍᴀ sɪᴛᴜᴀçᴀᴏ ᴇsᴛʀᴀɴʜᴀ; ɴᴀᴏ ᴀᴏ ᴍᴇɴᴏs ᴘᴀʀᴀ ᴏ ʀᴜɪᴠᴏ. Contudo, o garoto bonito (ele precisava admitir que, apesar de imbecil, o louro que o auxiliava era realmente atraente) em questão era um pivete irritante; um pivete irritante que sempre se metia aonde não era chamado. Por conta disso, desviou o olhar com um certo constrangimento enquanto sentia as mãos do outro indo de encontro aos botões de sua blusa, abrindo-os um por um. Permitiu com que ele deslizasse uma das mangas de sua camisa para baixo, deixando o ferimento feito pela bala exposto. Deixando com que o louro retirasse a bala como julgasse melhor, apenas voltou a encará-lo quando viu, pelo canto dos olhos, a confusão no rosto do outro ao perceber a facilidade com que a bala havia sido retirada. Até soltou um riso malicioso ao observá-lo, como se aquela fosse a afirmação de que tinha razão sobre os efeitos do amuleto. Não respondeu ou sequer se mexeu enquanto o louro desinfetava seu ferimento; apenas, pela ardência, contorcia o rosto vez ou outra.
O que o preocupava mesmo -- até fizera seu sorriso sumir -- era o que viria em seguir: A costura. Engoliu em seco ao observar a agulha nos dedos do garoto. Mais uma vez desviou o olhar, e só voltou a encarar o machucado quando o procedimento deu-se por terminado. Reprimiu uma exclamação de surpresa ao ver o resultado: Realmente, aquilo lhe causaria uma feia cicatriz. Suspirou, com raiva, reprimindo os xingamentos que faria ao garoto com o mantra na cabeça de que preferia muito mais uma cicatriz no ombro do que um amuleto tão precioso nas mãos de humanos céticos. Com a mão livre, puxou a manga da camiseta de volta para o lugar, mas sendo incapaz de abotoá-la de volta -- aliás, tinha a ligeira impressão de que voltaria para a casa com ela aberta, pois tinha quase certeza que o rapaz não o ajudaria com as vestimentas mais uma vez.
Estava quase esboçando um mínimo de gratidão pela ajuda quando o louro inventou de fazer aquela belíssima pergunta sobre o banho. Marcel levantou ambas as sobrancelhas, como se dissesse “um banho? Sério mesmo?”, tentando fazer o outro lembrar-se que ele estava com um dos pulsos quebrados, e que, portanto, um banho não era uma opção. O garoto, felizmente, pareceu perceber aquilo por conta da forma a qual balançou a cabeça (ele não era tão idiota quanto o ruivo supunha, então). Com um suspiro, o informante abriu a boca, em mais uma tentativa de expressar uma ínfima gratidão, quando o louro trouxe seu pulso quebrado para perto dele. Reprimindo uma careta de dor, Marcel encarou-o, confuso, sem ter a mínima ideia do que ele estaria fazendo. Contudo, quando o louro começou a contagem, tudo havia ficado claro; e, sinceramente, o desconforto que o outro lhe causara com a má costura no ombro era o suficiente. Abriu a boca para reclamar, mas, antes que sequer pudesse recolher sua mão de volta, o outro trouxera seu pulso para cima.
A dor fora inenarrável. Talvez ela só pudesse ser representada pelo berro agoniante que escapou dos lábios do mais velho. Estrelas de dor explodiram na frente de seus olhos. Cerrou o outro punho com tanta força que suas unhas machucaram a palma de sua mão. Como se não bastasse, o mais alto, pedindo rápidas desculpas -- desculpas essas que o ruivo mostraria bem aonde o louro deveria enfiá-las se não estivesse ocupado demais agonizando --, puxou o punho do mais velho mais uma vez. Outro grito pôde ser ouvido, e este fora até mais alto que o primeiro. Cerrou os dentes com tanta força que pensou que poderia quebrá-los. Colocou o antebraço do braço bom em cima da bancada, escondendo o rosto nele. Lágrimas de dor brotavam nos cantos de seus olhos, e a sua única vontade no momento era a de rasgar a garganta do garoto. tinha muitas facas por ali, não ia ser muito difícil. Entretanto, ao lembrar-se que um assassinato era a última coisa que precisava no momento (e que poderia simplesmente jogar uma maldição no universitário depois) acalmou os seus pensamentos psicóticos. Apenas ficou ali, com o rosto escondido no antebraço, esperando com que o mais novo imobilizasse seu pulso da melhor forma possível. ❛❛Seu fedelho maldito...❜❜ murmurava para si mesmo, tentando não transparecer o próprio choro. Nunca agradecera tanto ao fato de não ter agradecido alguém quando teve a chance.
this is like meeting ghosts. || Marcel&Madison&Arthur
Enquanto se sentava à mesa, a morena soltou um riso fraco com o comentário do amigo. Não, ela não se arrependera de não ter matado Marcel, pois, mesmo que ele fosse a pessoa mais odiosa do planeta – o que aparentemente não era o caso – a garota nunca desejaria ser a responsável pela morte de alguém, aquele seria um sentimento de culpa com o qual ela provavelmente seria incapaz de conviver. Madison voltou seu olhar para Arthur, e ainda que sorrisse simpaticamente para ele o encarou por alguns segundos, torcendo para que ele percebesse pelo seu olhar que havia percebido que algo de curioso estava acontecendo ali. A sua vontade era perguntar se eles já se conheciam, mas algo a impedia de fazer aquilo naquele instante, mas com toda a certeza o faria futuramente. Surpreendeu-se com a tentativa mal sucedida do ruivo de puxar assunto, mas não pode evitar se sentir grata por ela. Mesmo depois de vê-lo sangrando, era a primeira vez que o enxergava tão vulnerável.
Era possível enxergar o nervosismo em cada músculo facial de Marcel e perceber no timbre de sua voz, enquanto falava, que algo havia de errado. Era como se aquela fosse uma pessoa completamente diferente daquela a qual atingira com uma placa na semana anterior. — Hm… Claro. Muita coisa pode acontecer em uma semana. — Ela concordava, porém a expressão em seu rosto ainda delatava a confusão que sentia. Ainda não conseguia compreender o desconforto que ambos os rapazes sentiam naquele momento. Tinha certeza de que ninguém estaria animado, mas desconfortável? Nunca. — Mas para a sua infelicidade, eu participei de mais dois protestos essa semana. — Disse sarcasticamente. — Brincadeira. Na verdade eu não fiz nada de muito interessante, só estudei… Muito. — Naquele momento a morena olhou a sua volta, procurando por alguém que pudesse atendê-los, mas aparentemente não havia nenhum atendente livre ou interessado em anotar seus pedidos. — Logo pergunto sobre sua semana, Marcel. Mas acho melhor a gente pedir algo para beber, não?! Eu vou até o bartender já que ele não vem até mim. — Ela provavelmente beberia um suco ou algo leve, mas sentia a necessidade que os garotos tomassem as suas doses de álcool, pois assim provavelmente a tensão se dissiparia. — O que vocês vão querer? — Perguntou olhando para ambos, tentando forçar certa animação, pronta para anotar mentalmente o que seria repetido ao homem atrás do balcão.
Tentava não se intrometer na conversa dos outros dois, porém isso era algo basicamente impossível para o loiro. Escutava as perguntas desajeitadas de Marcel e ria um pouco, pensando que, ao menos, ele não era o único ali se sentindo desconfortável. Nos dois únicos encontros que os dois tiveram antes, o ruivo nunca deixara seu lado presunçoso sumir, sempre agindo de maneira superior mesmo nos momentos em que parecia mais vulnerável, porém ali, agora, agia quase como se fosse uma pessoa tímida tentando puxar um assunto. Ao escutar a afirmação de Mad, não pôde se impedir de responder algo. “Pare de mentir. Vi você em três festas só essa semana, sério. Você não engana ninguém com essa carinha angelical, Mad.” Arthur adorava provocar a amiga com comentários como aquele. Qualquer um que a conhecesse bem saberia o quão improvável seria vê-la em tantas festas em um período curto de tempo, mas algo dentro do loiro lhe dizia que Marcel não sabia nada sobre ela. Torceu o nariz se perguntando mais uma vez o que faziam ali então, já que era incapaz de encontrar um motivo plausível.
Quando a morena lhe perguntou o que beberia, Harris a olhou tentando decifrar qual bebida ela escolheria. Não o surpreenderia nem um pouco se Madison voltasse com um copo de suco para ela, e, em um dia normal, o loiro não se importaria em acompanhá-la com isso. Na maioria das vezes não fazia questão alguma de ingerir álcool. Gostava de saber que tinha pleno controle sobre o próprio corpo e que não estaria realmente propício a falar besteira e fazer coisas das quais se arrependeria depois, porém aquele não era um encontro normal. Arthur tinha quase certeza de que se não se perdesse ao menos um pouco, não conseguiria ficar ali por muito mais tempo. “Um chopp” respondeu sem realmente pensar sobre seu pedido, apenas com pressa para ir embora.
ᴍᴀʀᴄᴇʟ ᴇsᴛᴀᴠᴀ ᴇɴᴛʀᴀɴᴅᴏ ᴇᴍ ᴘᴀɴɪᴄᴏ. A presença do louro o incomodava profundamente, por algum motivo em específico que ele não entendia. Seria por causa da cicatriz que ele lhe deixara no ombro? Ou por ele ter salvo a sua vida e mesmo assim não conseguir sequer agradecê-lo por isso? Não importava. Arthur estava arruinando-o. Seu sorriso simpático vacilava conforme a conversa “fluía”. Prestou atenção a cada palavra que a morena lhe dizia, e já estava pronto para respondê-la quando Arthur interveio com sua piada. Até sentiu vontade de rir do que o outro dissera, mas o seu mínimo riso foi cortado imediatamente ao lembrar-se que não gostava do rapaz e vice-e-versa, e, portanto, rir de uma piada dele tornaria tudo ainda mais estranho. Não eram amigos. Não iriam se tornar amigos. Aquilo era absurdo. E toda aquela estranheza recaía-lhe naquele instante, fazendo o ruivo vacilar cada vez mais. Foi por isso que teve que pensar bem antes de responder a morena, optando por um simples ❛❛Um uísque, por favor.❜❜ da maneira mais educada que pôde, encolhendo os ombros logo em seguida. Não estava agindo como normalmente agiria, tinha consciência daquilo; até pegou-se imaginando no que os outros dois estariam pensando ao seu respeito por conta de sua postura inesperada. Suspirou, um tanto irritado consigo mesmo, desviando o olhar dos acompanhantes, repousando-o na mesa de madeira, desejando com que Madison voltasse rápido para que ele pudesse responder à sua outra pergunta propriamente. Sinceramente, aquela situação não podia ficar pior...
Marcel & Kyle’s bromance moodboard: 1/??
❝ Goddamnit, I wish I knew how to quit him. ❞
o que seus chars herdaram de você?
Marcel herdou de mim o faTO DELE PEGAR TODO MUNDO, NÉ, ACHEI QUE ESTIVESSE ÓBVIO, COMO ASSIM.
…ok, ok. agora, falando a verdade, ele herdou o sarcasmo e a ironia. sério. qualquer um que me conheça minimamente sabe o quanto eu uso sarcasmo/ironia na minha fala. meu tom de voz é tão irônico normalmente que às vezes as pessoas não sabem quando eu falo sério ou quando eu estou sendo sarcástica. traduzir isso pra um personagem meu é uma das minhas coisas preferidas.
Phoebe herdou de mim todo o meu lado artístico. pra quem não sabe, eu quero ser uma atriz (não de tv, de cinema e série mesmo), e a determinação que ela tem pra dança é igualzinha à minha de atuação. tá certo que na história dela eu coloquei os pais adotivos dela aceitando essa veia artística e isso não é o que acontece na realidade, mas… enfim. deu pra entender.
i refuse to be helped by y... nevermind, come here. || Marcel&Arthur
Inicialmente soltou uma risada ao ver o objeto brilhante que o ruivo tirou do bolso, porém o volume da mesma passou a diminuir progressivamente, enquanto se esforçava para controlá-la. Queria acreditar que aquilo era apenas uma brincadeira idiota, mas não poderia negar os avanços claros nas condições do outro. Seus machucados estavam muito melhores do que estiveram no início e… bom, ele ainda estava vivo, não estava? “Tá, tanto faz.” murmurou, sem querer dar o braço a torcer. Observou a postura do ruivo e não pôde deixar de revirar os olhos. Será que existia alguma maneira de fazê-lo ser menos presunçoso? Arthur duvidava. “E eu realmente queria poder dizer ‘não’, mas olha que sorte a sua, acabou preso com uma das, penso eu, poucas pessoas no mundo que não querem te ver morto tanto assim.” Não que tivesse algo à favor dele, apenas não tinha nada contra. Nada que fosse tão importante à ponto de abandoná-lo ali para morrer.
Sem avisá-lo, Harris passou a caminhar na direção de seu apartamento numa velocidade razoável para que o outro pudesse acompanhá-lo tranquilamente, até que alcançaram o prédio sem conversar sobre nada importante no caminho. Quando por fim abriu a porta do seu apartamento, deu um passo para o lado para que o ruivo pudesse entrar no lugar. “Se você for algum tipo de serial killer… É, na verdade eu mereço morrer depois de ser idiota o suficiente para trazê-lo até aqui.” Deu de ombros e então apontou para uma cadeira atrás da bancada que separava a cozinha da sala. “Espere ali um momento, ok?”
Caminhou até o banheiro e pegou o seu kit de primeiros socorros que a mãe o havia obrigado a fazer. De acordo com ela, Arthur nunca saberia em que momento tal kit seria necessário. Essas eram as possíveis vantagens e desvantagens de ter nascido em uma família paranoica como a dele. Seus pais sempre pensavam estar em perigo por causa dos casos de advocacia que a empresa de seu pai vencia. O senhor Harris poderia ser uma péssima pessoa, porém era um incrível advogado e já havia colocado muitos criminosos na cadeia. Criminosos os quais, diziam seus pais, poderiam querer vingança. Era por esse motivo que Arthur sabia o básico sobre lutas e defesa pessoal, assim como o básico de primeiros socorros e como usar uma arma.
Voltou para a sala e depositou o kit na bancada, olhando para Marcel em seguida. “O seu braço precisa de pontos, você sabe disso, certo? No lugar onde levou o tiro. Última chance. Quer ir para o hospital ou me dá as honras de fazer isso por conta própria?” Direcionou um sorriso, no mínimo assustador, para o ruivo enquanto tentava disfarçar o enjoo que sentia só de pensar na possibilidade.
ʀᴇᴠɪʀᴏᴜ ᴏs ᴏʟʜᴏs ǫᴜᴀɴᴅᴏ ᴏ ʟᴏᴜʀᴏ ᴄᴏᴍᴇɴᴛᴏᴜ sᴏʙʀᴇ sᴜᴀ "sᴏʀᴛᴇ". Pensou em rebater que preferia levar mais tiros ao invés de ir para a casa dele, mas a lembrança de que poderia ir para o hospital e que lá seria uma presa fácil para os homens da Benignus (além de muito provavelmente tomarem seu amuleto de cura) fez com que o ruivo mordesse a língua e não dissesse nada. Apenas assentiu com a cabeça, seguindo o outro silenciosamente e ignorando qualquer tentativa de conversa por parte dele -- e com seu tão usual semblante frio e duro como mármore de volta às suas feições.
Ao chegar no apartamento do louro, foi surpreendido pelo quão grande ele era. Na verdade... Não, não tanto assim. Já tinha uma suspeita de que o garoto era um tremendo filhinho de papai, talvez por causa de seu jeito mimado ou da faculdade em que estudava. Não importava. Apenas revirou os olhos quando o rapaz comentou sobre o ruivo ser um provável serial killer, mas não sem antes murmurar um: ❛❛Agora veja só quem está com sorte. Preso com um dos, penso eu, poucos que não te matariam numa situação dessas.❜❜. Infelizmente, o outro pareceu não ouvi-lo (ou pelo menos ignorou o comentário), então bastou-se a dirigir-se para a caeira atrás do balcão onde lhe fora apontado e ficar por lá mesmo.
Quando o louro voltou com a caixa de primeiros-socorros, Marcel engoliu em seco ao ver o sorriso assustador no rosto dele -- até pegou-se pensando quem estaria mais assustador naquele momento: O outro, com seu sorriso psicótico, ou ele mesmo, com todo aquele sangue espalhado no rosto. Pelo o que se lembrava, ele era colega de um antigo cliente seu que cursava direito, e não medicina. Queria poder dizê-lo que não precisava de seus cuidados, que seus cortes se curariam facilmente por conta do amuleto... Mas sabia que o efeito do objeto já estava se esgotando e logo logo os ferimentos maiores iriam parar de cicatrizar e iriam piorar gradativamente. Aliás, estava ali mesmo; talvez o louro tivesse alguma habilidade em dar pontos que o ruivo desconhecesse. Hesitantemente, levou uma das mãos aos botões da camisa azul -- tingida de vermelho em vários lugares --, mas percebeu tarde demais que não poderia fazê-lo com apenas uma das mãos por conta do outro pulso quebrado. Subitamente ficou constrangido com a pergunta que percebeu que teria de fazer; afinal, normalmente a fazia em uma situação mais íntima (e com alguém que ele estivesse sexualmente interessado, de preferência).
❛❛Ahn... Você me ajuda a tirar a minha blusa?❜❜ disse, com um olhar de cachorrinho abandonado -- Marcel era péssimo pedindo ajuda, justamente por detestar isso, então não sabia o que exatamente teria que fazer ou falar para não parecer tão rude. ❛❛Sabe como é... Pulso quebrado.❜❜ e indicou-o com a cabeça, mordendo o lábio inferior.
Moodboard; Madison, Arthur and Marcel as Amy, Rory and the Doctor
um gif que represente uma das relações dos seus chars
Marcel & Mad
Marcel & Arthur
/e eu até colocaria um marcel&mad&arthur aqui, mas a ju fez isso tão bem que eu nem vou me dar ao trabalho de fazer/
this is like meeting ghosts. || Marcel&Madison&Arthur
Durante todo aquele dia a palavra “arrependimento” parecia ser gritada a seus ouvidos, e não era apenas por conta de Arthur ter deixado bem claro o seu descontentamento e preocupação ao ouvir toda a sua explicação sobre a sua situação com Marcel e o seu convite para encontra-lo juntamente consigo mais tarde. Mas a morena estava convencida de que havia sido um erro grande ter aceitado ir ao bar com uma pessoa a qual ela questionava o caráter desde o momento em que conhecera. Tinha certeza de que o ruivo não seria capaz de fazer nada contra a sua vida, afinal se encontrariam em um lugar público e bem movimentado, mas também tinha certeza de que nenhum dos envolvidos iria se divertir durante aquilo. Mas por algum motivo - talvez pela impossibilidade de se comunicarem e cancelarem toda aquela besteira antes que ela acontecesse. Sim, impossibilitados de se comunicarem em pleno século vinte e um. - todos eles continuavam com o plano. Se encontrara com Arthur - que aparentava estar ligeiramente contrariado, mas ainda assim feliz em ajudá-la - em seu apartamento, e juntos foram até o local combinado.
Assim que adentrou o lugar, seus olhos começaram a analisar cada rosto ali presente, na tentativa de localizar aquele com quem se encontrariam. — Marcel? — Chamou ao avistá-lo. Aproximou-se da mesa onde Marcel estava lhes esperando, dando um sinal com a cabeça para o amigo, indicando que aquela seria a companhia dos dois naquela noite. Quando ouviu o ruivo lhe chamando de “Mad”, ela fora incapaz de esconder o estranhamento que sentira, franzindo o cenho ligeiramente. Tinha a completa certeza de que o rapaz a odiava e que não eram íntimos o bastante para se chamarem por apelidos. — Tudo bem contigo… Marcel? — Cumprimentou, oferecendo-o apenas o esboço de um sorriso, pois ainda se sentia desconfortável e insegura com toda aquela situação. E para aumentar ainda mais o seu nervosismo, percebera que a energia a sua volta começara a se tornar mais densa, e que o ruivo parecia estranhar a presença do moreno consigo. Será que ele não acreditou quando eu disse que ia trazer um amigo comigo? De qualquer maneira, apresentações eram necessárias. — Esse daqui é o Arthur, ele veio se prontificar de que eu saia viva desse encontro. — Brincou, sem realmente achar muita graça no que dizia. — E Arthur, esse é o cara que eu tentei matar. Mas pode chama-lo de Marcel. — Continuou. Tentando compreender aquela súbita negatividade que pairava sobre os dois, como pequenas nuvens carregadas.
Estar atrasado para eventos dos quais não gostaria de participar era comum para Arthur, porém, nas raras vezes em que estava animado sobre algo, conseguia passar o dia inteiro sem tirar isso de sua cabeça. Conhecia a morena há bastante tempo agora e mesmo assim a ideia de sair com a menina ainda o deixava ansioso de certa forma. Não tinha ideia de quem seria a outra pessoa que os acompanharia naquela noite, mas também não se importava, já que estava indo por Madison e nada mais. Claro que se soubesse que tal pessoa seria o ruivo, Arthur reviraria os olhos e tentaria convencer Madison à desmarcar. Ela já não parecia muito animada com o assunto, provavelmente não ficaria tão irritada se ele sugerisse isso, porém veio a descobrir o fato tarde demais.
Por morar próximo à ela, no horário marcado foi até seu apartamento e os dois seguiram juntos para o bar. Ao chegar lá, caminhou atrás de Mad até alcançarem a mesa, já que não conhecia a pessoa com quem sentariam. Provavelmente nem teria notado o ruivo ali, não fosse pelo estranho fato de Mad estar seguindo em sua direção. “Por favor não, por favor não.” falava baixinho, sem saber se a morena era realmente capaz de ouví-lo. Na tentativa de impedir sua expressão de desgosto quando por fim sentaram-se a mesa, Arthur riu do comentário dela sobre ter tentado matar o ruivo. “Deve estar arrependida por não ter conseguido” murmurou por baixo da respiração, esperando que apenas Madison fosse capaz de ouvi-lo.
“Marcel…” parecia estranho por fim associar um nome ao rosto, porém Arthur deu de ombros e em um último esforço estendeu o braço para apertar a mão dele. Será que a situação parecia tão ridícula aos olhos dos outros, quanto parecia aos dele? E então, antes que pudesse descobrir, se voltou para Mad, ignorando o outro completamente e decidido de que faria isso a noite inteira.
ғᴏɪ ᴏ sᴇᴜ ɴᴏᴍᴇ ᴅɪᴛᴏ ᴘᴇʟᴏ ᴏᴜᴛʀᴏ ǫᴜᴇ ᴏ ᴛɪʀᴏᴜ ᴅᴇ sᴇᴜ ᴛʀᴀɴsᴇ ᴛᴇᴍᴘᴏʀᴀʀɪᴏ. Rapidamente, assim que o louro largou a sua mão após o cumprimento, chacoalhou de leve a cabeça, voltando a sentar-se naquelas cadeiras não muito confortáveis. Entretanto, acabou percebendo, pelo modo como o outro virou-se para a morena, que ele estaria disposto a ignorá-lo. Ah, não. Não deixaria que ele estragasse sua noite, não tão facilmente assim. Portanto, assim que os três já estavam acomodados, Marcel virou-se para Madison, com as mesmas expressões simpáticas de antes. ❛❛Então...❜❜ começou, percebendo tarde demais que perdido totalmente o senso de fala. Todo o charme que havia preparado para que o anjo ganhasse sua confiança e amizade havia sido jogado por água a baixo por aquele maldito universitário, e Marcel o odiava por isso. Sempre estando lá para atrapalhá-lo, incrível.
A atmosfera pesada que recaía sobre o trio era tão grande que nem mesmo os garçons ousavam chegar perto deles. Não que o ruivo se incomodasse com isso, claro; estava ocupado demais tentando não sofrer uma combustão interna. e continuar com a conversa ❛❛... Como tem passado? Faz um bom tempo que eu não vejo você--❜❜ mordeu o lábio inferior, interrompendo a própria fala. Havia visto Madison fazia menos de uma semana. Aquela pergunta não se encaixava de jeito algum na conversa que tentava estabelecer. Droga, droga, droga, xingava o mais novo em sua mente. Precisava ter sido justo você o maldito escolhido? Você só serve para me atrapalhar, mesmo. O que eu fiz para ter um fedelho me perseguindo? ❛❛... Sabe, em uma semana dá para acontecer bastante coisa. Não acha, Madison?❜❜
what in the world is a hangover cure? || Marcel&Neo
Neo jamais imaginaria que teria mais de um amigo – ou se quer um amigo –. Pior ainda: jamais imaginaria que iria para uma festa com esse seu amigo. Conheceu Nathan nas aulas de fisiologia animal e a partir daí iniciou-se uma boa amizade. Eles se davam relativamente bem, não tinha a mesma intensidade que possuía com Arthur ou Kieran, mas se davam bem, sim. Não era a primeira vez que o tal amigo havia convidado ele para sair, assim como também não era a primeira que Neo recusava por conta de ter de estudar para as provas que seriam na semana seguinte. Após passar, não teve como criar uma desculpa melhor, então acabou por ter que aceitar o convite e acompanhar o amigo na festa. Não era seu melhor ponto o de socializar, mas naquela noite a vibe era completamente outra e ninguém o via por classe social ou status da faculdade, ele era apenas um desconhecido como qualquer outro por ali. Até que foi bom conhecer novas pessoas, tanto como amigos de Nathan como as outras pessoas da festa, e foi daí que surgiu Marcel.
O ruivo tinha optado por se deitar no sofá de casa. Sorte de Neo era que sua mãe achava bom que ele estivesse saindo, socializando e trazendo seus novos amigos para dentro de casa… A questão era que Marcel era seu amigo há apenas doze horas, mas nada que mudasse o fato de que a conexão entre os dois fora boa para que se dessem realmente bem. Na noite passada, o rapaz não sabia como fazer para acalmar o ruivo que, aparentemente, estava exageradamente alegre e de bom humor, não por menos. As doses que tomara durante a festa não foram poucas e Neo quase – quase – cedeu aos copos que lhe foram oferecidos. Porém, vendo agora a situação do outro dorminhoco, sabia que tinha decidido certo.
Neo não era do tipo que acordava tarde, mas naquele dia em questão, levantou-se duas horas mais tarde que o esperado, nada tão assustador, obviamente. A noite tinha sido longa e ele ainda podia sentir suas pernas doerem de tanto pular com os ‘desconhecidos conhecidos’. No mesmo instante, tudo o que viu após passar pela sala – além do rapaz dormindo –, foi um meio de ajudá-lo ainda mais. Certamente iria acordar com fome, assim como a barriga do moreno também já o chamava a atenção para isso, e então se aprontou em pegar os ingredientes para fazer uma panqueca. Nunca fez o tipo cozinheiro, uma vez que tinha quem fizesse isso e aquilo por ele, mas não via sinal de empregados ali e tinha certeza que a mãe havia os despachado para aproveitar o feriado com a família – coisa que a mulher só pensava para os outros, mas nunca pusera em prática, não por mais de dois minutos –.
Pegou algumas maçãs e bananas, descascou-as e as pôs no liquidificador junto do leite e açúcar, assim ligando o aparelho. O som era alto e Neo pensou se aquilo não acordaria o rapaz no sofá, porém era preciso para que eles comessem a tempo, antes de terem suas barrigas famintas os implorando por comida. Neo esperou mais dois minutos antes de desligar o liquidificador e despejar o líquido nos copos de vidro esguios e grandes. Algo o fez sujar um pouco do balcão e ele olhou para trás, vendo Marcel de pé. “Caralho, você me deu um susto!” Ele riu com a própria reação e balançou a cabeça, gesticulando para que o outro se aproximasse. “Bom dia.” O respondeu prontamente, até bem mais animado do que parecia estar. Parou subitamente entre a pia e o balcão, segurando a jarra do liquidificador. “Ahm… Eu fiz suco de banana com maçã, você gosta, não é?” Uniu as sobrancelhas com a dúvida. Tudo o que queria fazer agora era aborrecer o ruivo, que parecia ainda bastante cansado, mas não para menos: as doses da noite anterior realmente fizeram efeito. “E eu deixei que você ficasse à vontade para preencher o seu sanduíche com o que quisesse. Acho que é mais fácil assim, do que botar algo que você não goste.” Deu de ombros, sorrindo para o outro, enquanto colocava a jarra na pia, despejando água na mesma e deixando lá, virando-se para o balcão por fim.
ᴇɴᴠᴇʀɢᴏɴʜᴀᴅᴏ. ᴇʀᴀ ᴀssɪᴍ ǫᴜᴇ ᴍᴀʀᴄᴇʟ sᴇ sᴇɴᴛɪᴀ. Aquela era uma sensação realmente inusitada, a de ter alguém se importando com seu estado, lhe preparando café da manhã, ajeitando-o no sofá para que não ficasse desconfortável. No fundo, queria dar um abraço no desconhecido, agradecê-lo pelo o que havia feito. Afinal, se arrastara um alcoólatra feito o ruivo para sua própria casa, ou era porque é uma boa pessoa ou porque havia se afeiçoado a ele (seja romanticamente ou não). Ficou observando o garoto por mais algum tempo antes de conseguir demonstrar qualquer tipo de reação senão o constrangimento; e, quando o fez, foi apenas para esboçar um sorriso de agradecimento -- algo raríssimo vindo de Marcel (talvez fosse a ressaca obrigando-o a fazê-lo). Ouviu-o falar sem tirar o sorriso do rosto, e, quando o garoto terminou de falar, respondeu, prontamente: ❛❛Ah, com certeza, eu gosto.❜❜ então, desencostando da porta, adentrou a cozinha. Seus olhos demoraram-se em cada móvel, como se eles pudessem lhe dar a resposta de como agir naquela situação tão incomum. Sinceramente, Marcel estaria se sentindo muito mais confortável se tivesse acordado dormindo em cima de galhos de árvores, talvez seminu e com arranhões e hematomas espalhados pelo corpo.
Sem querer insinuar que isso já tenha acontecido uma ou duas vezes, claro.
Umedecendo os lábios com a ponta da língua -- um sinal claro de seu nervosismo --, andou até o onde seu anfitrião havia colocado todos os condimentos necessários para montar seu sanduíche, murmurando um sincero “obrigado” ao passar pelo garoto. Ao olhar para tudo aquilo, teve mais um ímpeto de abraçar o moreno e agradecer-lhe por tudo aquilo, mas obviamente conteve-se. Quem era aquele ele, e por que estava fazendo tudo aquilo por ele? O que queria em troca? Não podia ser possível... O ruivo observava toda a situação e pensava quando iria acordar daquele sonho, percebendo que parara novamente nos galhos de árvore. Isso ocasionou uma vontade imensa de beliscar-se -- mas também não o fez; com certeza o rapaz acharia-o mais estranho do que já estava sendo. Bastou-se então a fazer um sanduíche extremamente simples (queijo e presunto era mais do que o suficiente) e pegar um dos copos que continham a vitamina que o outro lhe preparara.
Sua missão agora era descobrir o que diabos havia acontecido na noite anterior e quem era aquela garoto -- deveria ter uma explicação lógica para ajudá-lo daquele jeito... Recusava-se a acreditar que havia sido apenas por mera bondade. ❛❛Então...❜❜ começou, não conseguindo sequer encará-lo nos olhos sem que seu embaraço ficasse altamente transparente. Imaginou naquele momento o que o rapaz estaria pensando ao seu respeito -- sendo aquilo mais um fator do seu puro nervosismo; do contrário, a opinião do rapaz sobre ele não poderia lhe ser de menor utilidade. ❛❛A festa ontem... Foi legal, não?❜❜
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O ruivo tremia. As mãos suavam tanto que apenas a tarefa de pegar a caneta para deixar aquela carta lhe pareceu algo impossível. Sua respiração saía tão entrecortada que pensou por um momento que pararia de respirar a qualquer minuto. Mas ele havia feito a sua decisão. Não poderia voltar atrás agora. E como seus motivos eram totalmente egoístas, o mínimo que poderia fazer era deixar uma última carta para Arthur. Aquele era o momento perfeito; o louro estava na universidade, e jamais iria suspeitar do que estaria acontecendo naquele meio tempo. Além do mais, Marcel seria extremamente sucinto, três parágrafos lhe bastariam: O exame médico (grampeado junto com um sulfite em branco) que o havia considerado como um suicida tendencioso já seria melhor do que mil palavras. E assim, com esforço, colocou a ponta da caneta contra a superfície do sulfite e começou a escrever:
Bonds of friendship || Kimcel
E não é que Kim Yang resolveu mesmo dar uma atenção maior para sua empresa. Quando o rapaz disse isso, muitas pessoas o ignoraram e não colocaram fé em suas palavras até por que, venhamos e convenhamos, Kim não era esse tipo de rapaz o tipo que coloca a mão na massa. Não, não mesmo. Os motivos pelos quais o moreno resolveu querer “trabalhar” são desconhecidos pela imprensa, e em sua opinião era melhor assim, mas, para si, guardava o real motivo para querer levar sua empresa para frente pessoalmente. E esse motivo tem nome, Summer Davis. Ruiva, olhar penetrante e semblante sério cuja atitude e personalidade cativavam nosso empresário mais preguiçoso do mundo. Mulher esta, única mulher, que o adorável Kim cobiçava. - Preciso tomar alguma atitude quanto a isso, Belphegor! – Falara com a entidade presa em seu corpo. ‘Sabe, ainda me surpreendo com a sua procura por mim’, o demônio devolvera seguida de uma risada satisfatória. – Eu estou falando sério, seu demônio dos infernos. – Respondeu revirando os olhos. – Tenho que fazer alguma coisa pra desbancar essa empresa de quinta que está crescendo. – Yang analisava seus números no particular de sua sala tendo como sua única companhia, Belphegor.
As janelas estavam abertas e a brisa suave do cair da noite adentrava, com o convite mais que dado. A lua, ao lado de fora, estava tímida por entre as nuvens de chuva carregadas. Sobre a mesa, vários papéis em seus diversos tamanhos e nas mais diferenciadas bagunças estavam a sua frente. Sua sala não era nenhum pouco modesta. Mesa de vidro em mogno, cadeira de couro acolchoada, sofá e poltrona tabaco sobre um tapete felpudo de mesma cor. A parede atrás, toda de vidro, mostrava Manhattan como era a noite e a luz branca, forte, revelava toda sua sala e, principalmente, um quadro de busto pintado a mão de seu pai. Aquilo o assustava. A expressão série e severa do homem que o criou com tantos mimos e regalias, chegava a nem parecer o mesmo homem.
Já cogitou procurar um informante?, Belphegor perguntou retoricamente. Naquele dia, em especial, o demônio resolvera lhe devolver o controle do corpo. Qual é ele era o demônio da preguiça e não fazia sentido nenhum trabalhar. – Claro que já, Belphegor, conversamos sobre isso ontem! – Kim ainda se questionava do por que xingava a entidade, uma vez que ele já deixara claro que era música para seus ouvidos. Então porque ainda está aqui quebrando a cabeça! Pelo inferno, Kim Yang, você é muito burro. Quando te possuí, achei que era mais inteligente, a voz de Belphegor ecoou em sua cabeça com tamanha força que lhe causou uma leve dor de cabeça. – Ei, mais calma aí valeu?! Não tô a fim de ficar com dor de cabeça de novo! – Yang revirou os olhos, repousando sobre os papéis novamente.
Era estranho de se pensar que Kim não queria resolver as coisas daquela forma. O rapaz queria resolver de uma maneira certa. Um novo marketing, uma nova campanha. – Ah se eu tivesse a Summer por aqui… Eu dispararia em vendas. – Lamentou-se. Sua garota? Sinto em te informar que aquela ruiva não irá cair na sua lábia tão cedo, a risada do demônio era perturbadora, do tipo que poderia tirar o sono de qualquer um, mas, o costume que Kim tinha com a mesma apenas o dava raiva pelo deboche feito. – Veremos meu caro Belphegor. Veremos! – Passando a canhota sobre o rosto depois levando os cabelos negros para trás, Kim bufou e deixou o corpo cair sobre a cadeira que deslizou para até perto da parede de vidro, onde ele a girou e ficou de frente para a maravilhosa noturna da cidade. – Não vai ter jeito… Não vou conseguir fazer da maneira certa! – Comentou consigo mesmo. Finalmente, Belphegor comentou do outro lado. Revirando os olhos, o chinês levantou-se de ond estava confortável e tomou o terno em mãos, assim como seu celular e logo tratou de fazer uma ligação. Suas vistas se escureceram e, de repente, ele estava no fundo de seu consciente. Ah, qual é Belphegor. Eu preciso resolver isso falara de forma repreensiva. – Não se preocupe meu caro Kim, essa parte eu cuido. E vou cuidar muito bem! – Um sorriso malicioso e diabólico surgira em seu rosto.
Depois de pegar o carro de seu hospedeiro, Belphegor dirigiu até as docas de NYC onde conhecia uma excelente pessoa que tinha informações até demais sobre os informantes da cidade. Infelizmente aquela, em particular, não possuía a informação de que precisavam mas, provavelmente, conhecia alguém que poderia ter. – Delphine! – O demônio cumprimentou a mulher, a qual havia combinado de encontrar ali minutos antes, através de uma ligação. Belphegor a cumprimentou de volta. Conhece essa mulher? Por que sou sempre o último, a saber, das coisas? – Cale a boca, Kim Yang! – Advertiu-o. Hospedeiro resistente? o demônio apertou os lábios e concordou com a cabeça. – Mas vamos direto ao assunto, não vim aqui para falar de mim ou meu hospedeiro, preciso de uma informação. – Seu tom era sério e quase tão amedrontador quanto sua risada. Mas é claro que quer. Todos que me pedem pra encontrar em um lugar afastado e escuro querem alguma informação, Delphine deu uma pequena risada quase debochada. Ai… , Kim falou antes de começar a rir. – Não me faça voltar pra o lugar de onde veio alma insolente. Como foi mesmo sua experiência para com meu Senhor? – Delphine engoliu seco e a risadinha simplesmente desapareceu. – É, achei mesmo que não foi das melhores. – Belphegor tinha um tom áspero, sussurrante já que se aproximara o suficiente da mulher e a fixara os olhos.
O demônio a soltou, esta, que deu alguns dois passos para trás. Belphegor cruzou os braços e a olhava de forma penetrantemente séria e postura firme, esperando alguma resposta. Delphine deu um suspiro fundo e pesado. Ótimo. Do que precisa?. Um sorriso satisfatório, agradecido pela mensagem ter surtido efeito, desenhou seus lábios. Mandou bem, Kim comentou impressionado. – Preciso de um informante, que saiba a respeito do dono e da nova empresa de perfumes que chegou à cidade. – Direto ao ponto, firme, sem recuar. ‘Você está procurando Marcel, um bruxo. Você pode encontrar ele na boate deste endereço. Ele usa drogas, então, se quer um conselho, apareça por lá com alguma, Belphegor não ficou nenhum pouco surpreso com a definição de quem era, até porque era conveniente demais que fosse um bruxo. – Ótimo! Pode ficar tranquila. Falarei da sua contribuição para com Lúcifer! – O que de fato não era verdade, mas alimentar esperanças que nunca iriam acontecer era divertido. Preciso aprender mais coisas com você, Kim falou com diversão no tom, assim como na risada. – Chega de conversa fiada e vamos resolver isso logo.
A boate estava abarrotada de gente, mesmo que ainda fossem nove horas da noite. Pecados. Era tudo o que Belphegor conseguia sentir ali dentro. Sua força parecia revigorar e trazer a sensação de uns dois mil anos mais jovem. – Gostei deste lugar! – Falou consigo mesmo olhando para todos os lados. O.K. Ôh Senhor do Inferno, viemos aqui a negócios. Depois você se diverte, Kim o repreendeu de forma grosseira. – Estava me perguntando quando eu ia ver o velho Kim Yang novamente! – Belphegor riu e partiu a procura do tal informante. Foi preciso parar algumas pessoas e fazer algumas perguntas, isso depois de pegar alguns números de telefones para os quais ligaria apenas para alguns. – Sempre gostei dessa forma humana de conseguir sexo! – A risada divertida e excitante atraiu um rapaz que estava a sua frente, logo, vindo em sua direção e a dançar colado, roçando no corpo do chinês. – Espero que tenha sido divertido pra você! – Belphegor sussurrou rouco no ouvido do homem e, antes de sair, deu uma piscadela para o mesmo. Ao perguntar a um barman quem era o homem que estavam procurando o rapaz, de prontidão, apontou para um corredor pelo qual poderia seguir e encontra-lo. – Primeira porta a esquerda… – Repetiu. -… Obrigado! – Sorriu para o outro e partiu para dentro do corredor. – Interessantes esses quartos em uma boate. Ainda me pergunto por que não vim para cima mais cedo! – Comentou. Talvez porque eu ainda não estivesse nascido. Sabe que está aqui por minha causa. Não resistiu ao me ver e veio correndo, Kim gargalhou. – Ah sim, com certeza! Nutro desejos carnais para com a sua pessoa, Kim Yang! – Belphegor revirou os olhos. Perfeito, agora me dê o controle de volta, tenho uns negócios a resolver. Kim sentiu seus próprios movimentos voltando. Parado, em frente a porta, o chinês respirou fundo, ah como isso me dá preguiça.
Três batidas na porta bastaram para anunciar sua chegada e entrada. – Boa noite, eu… – Seus olhos repousaram sobre o homem a sua frente, este, não acreditando ser quem era. – M-Marcel…?! – Perguntou com dificuldade devido a surpresa que o golpeara como uma raquetada em cheio na face. – Você?!
ᴍᴀɪs ᴜᴍᴀ ᴠᴇᴢ ɴᴀǫᴜᴇʟᴀ ᴍᴇsᴍᴀ ʙᴏᴀᴛᴇ, ǫᴜᴇ ᴛᴏᴄᴀᴠᴀ sᴇᴍᴘʀᴇ ᴀs ᴍᴇsᴍᴀs ᴍᴜsɪᴄᴀs, ᴇ ɴᴀ ᴍᴇsᴍᴀ sɪᴛᴜᴀçᴀᴏ ᴅᴇ ᴛᴏᴅᴀs ᴀs ᴏᴜᴛʀᴀs ᴠᴇᴢᴇs. Suspirou, olhando ao redor, vendo que tudo continuava da mesma forma que sempre esteve (lugares superficiais como aquele provavelmente nunca iam mudar). Na verdade, já fazia um bom tempo que não escolhia aquele local para fazer negócios. Não que se incomodasse com a batida contínua e um tanto repetitiva da música eletrônica; ele apenas achava o som impróprio para a situação séria e profissional na qual estava envolvido. Contudo... Sempre que ia até aquela boate, era inevitável lembrar-se de quando entrara lá pela primeira vez: Tinha acabado de se tornar um informante, e tinha pouquíssimas informações realmente relevantes. Novo no ramo, sempre preferia às casas noturnas com os quartos onde teoricamente deveriam ser ocupado por casais que queriam ter mais privacidade, pois achava que lá poderia se divertir e fazer negócios ao mesmo tempo. Desistiu dessa ideia assim que uma cliente conseguiu embebedá-lo a ponto de conseguir várias informações de graça, deixando-o com um prejuízo enorme. Quando ficou sóbrio novamente e havia notado o que fez, nem mesmo a mínima lembrança de ela tê-lo levado para a cama foi o suficiente para apaziguar a raiva de si próprio. Aquela tinha sido a última vez, ele jurara. E, como todas as promessas que fazia para ele mesmo, descumprira-a um mês depois. E depois novamente, com um espaço de cinco meses. E outra vez, depois de duas semanas... E assim por diante.
Não ia lá regular ou periodicamente, mas, por causa de suas visitas passadas, seu rosto já era conhecido por todos os funcionários ali -- e não tinha certeza se sua fama era boa ou ruim por entre eles. Ao chegar lá, teve que ignorar todos os comuns olhares curiosos dos atendentes (aquilo era definitivamente irritante), preferindo apenas ir diretamente ao seu quarto que já lhe era habitual. Era tão conhecido que sequer precisava deixar avisado que alguém passaria ali perguntando sobre ele. Chegando em seu devido quarto, surpreso por não ter barulhos constrangedores de gemidos provindo dos outros vizinhos de parede, sentou-se na única cama de casal disposta no local, suspirando, irritado. Claro que normalmente deixava com que o cliente escolhesse o local da reunião -- afinal, ele quem era o dono do dinheiro --, o que era o caso, mas ver-se mais uma vez naquela mesma cama, naquele mesmo quarto e naquela mesma maldita boate, Marcel desejou impor-se mais vezes. Simplesmente não entendia porque alguns pediam para que os encontros fossem em danceterias como aquela. Por acaso pensavam que era mais seguro? Ou porque, assim como um Marcel mais novo, pensavam que poderiam divertir-se enquanto tratavam de negócios?
Foi perdido nesses pensamentos que ouviu as batidas na porta do quarto e depois a mesma abrindo-se. Com um suspiro de irritação, levantou-se da cama, puxando algumas vezes a barra da camiseta para deixá-la minimamente apresentável. E foi quando seus olhos subiram novamente para cumprimentar de volta seja lá quem fosse que o havia contratado, deu um pulo para trás, completamente tomado pelo espanto. Não poderia crer quem estava ali, parado a pouco mais de dois metros de distância. Kim Yang. Piscou os olhos algumas vezes para ter certeza de que era ele mesmo (para ele, asiáticos eram todos iguais), e, ao ter a total confirmação de que aquela rapaz era mesmo o dono da empresa que sempre o contratava para realizar rituais bruxos, a surpresa tomou-lhe por completo. Não sabia quais eram os motivos que levaram o chinês a contratar um informante como o ruivo, e aquilo atiçava sua curiosidade. Porém, também desconhecia no que a surpresa do já antigo “chefe” iria se transformar: Em alívio, por já conhecer a fonte das informações que compraria? Raiva, por Marcel jamais ter sequer mencionado nada sobre esse segundo emprego? Em uma mistura dos dois? A incerteza o apavorava: Aquele encontro poderia significar algo estrondosamente bom ou ruim, dependendo da reação do moreno.
Com essas perguntas martelando sua cabeça, o bruxo apenas sorriu nervosamente para Kim, enquanto erguia uma das mãos e acenava para ele em um gesto igualmente nervoso. ❛❛A-Ahn... Oi, Kim.❜❜ disse, descontraidamente. ❛❛Caramba, você não cansa de pedir pelos meus serviços, hein?❜❜