Sten continuava vivendo a vida dele, tendo sua pequena família falsa ainda por perto e a companhia frequente de Tory, já que o melhor amigo havia saído do estabelecimento em que trabalhavam, não tinha mais com quem conversar ou implicar de forma gratuita. Ainda tinha a vida em horários trocados, agora mais controladamente porque ele estava fazendo… pasmem… terapia. Não falava nada, eram algumas horas em completo silêncio até que terminasse, o médico lhe passava a receita e pronto. E naquela jornada de despertar e perder tudo aquilo com o descontrole emocional que interferia diretamente com o seu precioso sono, Sten sentiu falta de um elemento que não fazia mais parte de seu círculo… era estranho lembrar dele sempre que via um kit kat ou quando via um pudim, eram doces que sempre gostou, mas que agora tinha um nome e um rosto.
Sten sempre foi desapegado, se fosse adotado e devolvido, ele lidaria muito bem com isso, porque era só esquecer e seguir a vida. O mesmo servia para amigos e até mesmo possíveis romances, apesar de nunca ter vivido um de fato… ainda sim. Quando estava no balcão do bar, limpando e organizando tudo para poder voltar pra casa, ele recebeu a mensagem e ficou alguns longos segundos apenas lendo e relendo só pra ter certeza de que não era um tipo de pegadinha.
Certo, limpou o balcão, secou os copos e organizou a bancada, recolocou as garrafas na adega e então se despediu dos poucos funcionários que ficavam, foi direto pro ponto de encontro, já que o sol havia nascido a pouco tempo e o calor da manhã já tomava conta de seu corpo, apesar de ainda frio o suficiente para estar com um casaco cobrindo seu corpo inteiro. Foi nesse caminhar calmo que ele foi até o café, mas definitivamente não esperava que seu corpo inteiro ficasse trêmulo só de olhar para o rosto bonito, respirou fundo, tentou acalmar as mãos e continuou os passos até se aproximar o suficiente para que pudesse cumprimenta-lo adequadamente. “Perdeu o meu telefone?” Perguntou direto e sem rodeio, com uma expressão não muito amigável, mas ainda sim, era o Sten. E então se sentou na cadeira a frente da dele, acenando para um garçom antes que ele falasse qualquer coisa. “Pode trazer um chocolate quente, por favor? E waffle com manteiga. Não vai pedir nada?”
nunca havia notado e quisto tocar tanto o cabelo de alguém. quer dizer, talvez, os fios de daisy, seu primeiro amor - mas isso era compreensível, afinal, a amava. sten era. . . sten, alguém que muito queria por perto e muito se arrependia de ter colocado para longe. simples. com certeza, querer colocar os dedos nos cachos adoráveis mais tinham a ver com admiração.
mas então ficava as dúvidas sobre o motivo do frio no estômago misturado à felicidade esquisita por vê-lo pessoalmente; bem ali, em sua frente. infelizmente, pete não sabe externar tal sentimento: ocupa-se com a mesma cara de cachorro perdido de antes. os lábios partem, ele puxa o ar pronto para responder o corte sem rodeio de sten, mas nada sai. não quer responder, porque acredita que nada que dissesse iria mudar os fatos e o principal: era a primeira vez que falava e via sten desde muito tempo.
pete se endireita na cadeira. com os braços rente ao corpo e mãos sobre o colo, faz-se em silêncio por instante. faz-se, somente, um observador que não percebe que está tão imerso naquilo que observa. pete se perde desenhando os traços que do rosto e corpo, até onde podia ver, de sten à procura de partes que haveriam mudado. o cabelo certamente era novo.
— tu combina com o cabelo assim. — percebeu um segundo depois o que havia dito e que, definitivamente, não tinha nada nem por um segundo semelhante no café. — um cappuccino médio, por favor. — pede após um pigarreio, mostrando um breve sorriso educado para o funcionário.
ele espera tornarem a ficar sós para voltar atenção para sten. pete respira fundo e estica discretamente os lábios. — como tu está? — precisava saber aquilo; parecia coça sua língua desde o momento que o viu.
e desejava, mais que muita coisa, que fosse uma resposta boa.
— desculpe. por ter sumido, me desculpe. — cospe. ele tenta deixar claro o motivo de seu pedido, bem como a sinceridade em tal pedido, mas é simplesmente esquisito. pete nunca pedia desculpas, pois nunca se arrependia do que fazia. e assim, sem jeito, ele coça o pescoço e abaixa os olhos rapidamente antes de voltar para o mais novo. — eu vou me mudar. queria saber se. . . eu passei os últimos tempos com minha própria companhia e, mhm, eu só. . . consegui pensar em ti quando conclui que não queria empacotar sozinho de verdade. — ele balança os ombros. não teria mais, era só aquilo o que conseguia colocar em palavras naquele momento.