Anunciando de megafone, finalmente vou liberar esse filho que guardo comigo há meses. Vamos lá!
SINOPSE: Se perguntassem a Annelyne o que a fez deixar Campbell provavelmente teria uma lista de motivos na ponta da língua. Bastava perguntar.
Com uma carreira de sucesso no cinema foi forçada pelo tio e sua empresária a entrar de férias e relaxar, afinal o casamento de sua irmã estava próximo, teria que voltar para casa cedo ou tarde. Então dez anos depois de sua partida para Los Angeles, Anne se vê obrigada a voltar para sua cidade natal, Campbell. Um lugarzinho perdido no meio do Texas.
Rever a família e os amigos. Encarar o lugar onde cresceu e onde sente que se perdeu. Ter que lidar com o passado não era seu ponto forte, principalmente quando sua partida não foi fácil.
Embora Annelyne soubesse todos os motivos que a fez deixar Campbell, o que ela não sabia era que havia uma lista igualmente numerosa de motivos para ficar.
GÊNERO: Romance, comédia romântica
CLASSIFICAÇÃO: +14 [palavras de baixo calão, insinuação de sexo, consumo de drogas]
BETA: Ana @romancesbaratos
E a estréia vai acontecer no dia 09/03. Por enquanto contamos apenas com a sinopse, mas você já pode adicionar o livro na sua biblioteca do Wattpad e ficar atualizado sempre que tiver algo novo.
Passando pra divulgar essa história MARAVILHOSA que eu estou tendo a honra de betar e que vai ser estreiada ano wattpad no dia 9 do mês que vem. Nem acredito que faltam só duas semanas, que orgulhinho dessa escritora sensacional ❤️❤️
Esse spoiler bem amoriznho é especial pra quem tava me dizendo que essa história é muito triste. Bem, é um pouquinho, mas acho que a vida se balança em momentos bons e ruins. Às vezes a balança pende pro lado que a gente não gosta, mas às vezes pende pro lado certo e te enche de coisas boas <3 Espero que gostem!
“Eu gosto do seu sorriso.” Disse Iraque.
“O que?” Perguntei, porque realmente não estava prestando atenção.
“Você é bonita.”
Ergui as sobrancelhas.
“Você é engraçado.”
Russ gemeu, lambendo os dedos após engolir qualquer vestígio de queijo.
Quando a mãe de Australia Velibor deixa sua família e vai embora de casa, seu irmão gêmeo, Caribe, tenta cometer suicídio e é internado em uma clínica psiquiátrica. Sem permissão para vê-lo e decidida a reencontrá-lo, Australia conhece Iraque, paciente do hospital e sua única chance de conseguir o que quer.
Uma pesada bagagem emocional, pedaços de dois corações e um pouco de psicologia podem aproximar Iraque da Australia mais do que qualquer avião jamais poderia. Iraque é primeiro país a declarar guerra contra si mesmo. Australia é a primeira ilha-continental politicamente válida a se perder em seu próprio oceano de pensamentos autodestrutivos.
Como isso seria geograficamente impossível, os dois se forçam a buscar respostas em algo maior. Maior que a geografia. Maior que o Iraque, maior que a Australia. Em estrelas, em metáforas, em provérvios latinos, em abismos, em tudo que os olhos possam alcançar. Afinal, um abismo atrai o outro.
Essa história começará a ser publicada no dia 20 de janeiro de 2017 no tumblr e no wattpad. Você também pode assistir o booktrailer, escutar a playlist e, se puder, reblogar para divulgação <3
Olá, escritores! Sejam bem-vindos ao Sad Writers Club, um blog elaborado por quatro amigas que se aventuram no universo da escrita criativa, dedicadas a escrever e sofrer com suas próprias criações. E é nesse misto de amores, dores, e fascínio pela ficção que pretendemos postar dicas, matérias, e outros posts úteis para quem lê ou escreve.
O Sad Writers Club surgiu em resposta às nossas angústias enquanto escritoras, e o nome não poderia combinar melhor. Criado com muito carinho, o SWC fora planejado para satirizar os esteriótipos e trazer projetos para qualquer um que também seja apaixonado por narrativas.
Dúvidas? A nossa ask está aberta para qualquer comentário!! Até breve!!
viu, li 10 capítulos da tua web KDEWJSKJ não tive tempo d ler o resto q meu sobrinho tá ali pra ser parido -qq. mas só queria dizer: tua escrita tem um toque tão elegante e simples, mas rebuscado e bem-pensado ao mesmo tempo. eu 100% imagino posso usar uma metáfora sendo um livro um dia, e eu 100% espero que você tente torná-lo em um. eu sinto que possa encontrar um sucesso inesperado :c aaaa mas historinha miserenta d boa T__T
entao, não sei há quanto tempo isso tá aqui porque dei uma louca e SUMI do tumblr. mas voltei agora e tô muito emocionada com a sua mensagem, obrigada, mocinha ❤️ espero que você consiga terminar a história e também espero que se torne um livro um dia, seria incrível! agradeço demais pelo carinho
Esse spoiler bem amoriznho é especial pra quem tava me dizendo que essa história é muito triste. Bem, é um pouquinho, mas acho que a vida se balança em momentos bons e ruins. Às vezes a balança pende pro lado que a gente não gosta, mas às vezes pende pro lado certo e te enche de coisas boas <3 Espero que gostem!
“Eu gosto do seu sorriso.” Disse Iraque.
“O que?” Perguntei, porque realmente não estava prestando atenção.
“Você é bonita.”
Ergui as sobrancelhas.
“Você é engraçado.”
Russ gemeu, lambendo os dedos após engolir qualquer vestígio de queijo.
Continuei indo ao GAP por alguns dias. Na segunda, fiquei parada no lugar de sempre, ao lado da cadeira vazia de Iraque. Petrificada, esperei que ele entrasse na sala atrasado, como na primeira vez. Isso não aconteceu. Quando ele não apareceu na sexta, esperei todos irem embora para explodir.
“Onde ele está?” Explodi para Fidel, sem me preocupar em ser educada. Eu não o havia perdoado por me fazer deixar o hospital no dia em que quase vi o Caribe. E ele sabia disso.
“Ele foi embora.”
Balancei a cabeça. Era verdade. Ele me manteve distante de Caribe por quase um mês e, em retribuição, recebeu alta. Estava livre.
“Ele engoliu comprimidos.”
“Ele jurou que não foi intencional. Ele sempre teve os pesadelos e nós nunca soubemos como consertar.”
“E agora vocês sabem? Agora vocês podem simplesmente mandá-lo embora?”
“Não o mandamos embora, Australia. Ele está medicado com o antidepressivo que funcionou melhor nos últimos três meses e um novo medicamento para ansiedade que deve combater os pesadelos. Ele foi monitorado em casa por uma semana e garantiu que não teve mais nenhum sonho.”
“Monitorado em casa? Então, ele está em casa?”
“Suponho que sim.”
Joguei a minha mochila sobre o ombro esquerdo e dei as costas.
“Allie.” Suspirei, olhando para ele. “Se não conseguir encontrá-lo, deixe ele ir.” Foi tudo o que disse.
Assenti, em agradecimento, e segui em frente. Dirigi com o rádio ligado até a casa de Iraque e estacionei no mesmo lugar que estacionamos na noite na qual vimos as estrelas.
Bati na porta várias vezes, mas ninguém apareceu. A empurrei com leveza, e ela se abriu. Dei de ombros e entrei.
Atravessei a sala de estar e comecei a subir a escada de mármore. Estava ficando acostumada, pensei, enquanto me dirigia para o seu quarto. A porta estava aberta, e eu enfiei a cabeça para dentro.
O quarto estava completamente diferente de como era antes. Os livros haviam sido colocados na estante, havia um violão posicionado no canto, ainda que eu nem soubesse que ele tocava violão.
Todas as paredes estavam cobertas por pôsteres de bandas e filmes dos anos oitenta. Cada um deles tinha um aspecto meio gasto, como se houvessem sido arrancados das paredes azuis e então colados outra vez. Não era uma decoração nova. Era apenas recente.
A persiana estava aberta e a luz solar dava um aspecto muito mais vivo ao quarto.
Caminhei até a janela aberta e fiz algo que queria fazer há duas semanas: estiquei o pescoço e olhei para o lado de fora. Eu conseguia ver onde os girassóis haviam sido plantados, mesmo que, agora, não tivesse mais nada ali.
“Ele não está aqui.”
Levei um susto e, por pouco, não caí lá embaixo. Me virei, dando de cara com um Sr. West bem vestido, como no dia em que Iraque foi pego fora do hospital. Contudo, o terno estava desabotoado, a camisa amassada e o nó da gravata frouxo, como se ele tivesse se vestido para trabalhar, mas mudou de ideia e voltou para a cama.
“Para onde ele foi?”
“Eu não sei.”
“Ele vai voltar?”
“Eu não sei.”
Deixei meu corpo cair sentado na cama macia. O edredom estava quente devido ao sol, e percebi que era o que usamos para nos cobrir naquele dia, no sótão.
“Você arrumou o quarto?”
“Eu também pensei que ele fosse ficar.”
“E ele não levou nada?”
“Só as roupas.”
Escondi o rosto nos dedos.
“Quando?”
“Ontem. Quando cheguei do trabalho, ele tinha desaparecido.”
Soltei uma risada amargurada. Um dia. Eu estava um dia atrasada.
“Eu acho que não tenho mais nada para fazer aqui.”
Comecei a me levantar. Finalmente, isso estava acabando. Não do jeito que eu esperava. Mas era bom colocar um ponto final em toda essa história. Eu só queria seguir em frente.
“Espere.” Tiberius enfiou a mão no bolso da calça. “Ele deixou uma carta.”
“Para mim?”
“Não. Para mim.” Ele puxou um pedaço de papel dobrado e o desamassou, apontando para o rodapé. “Você é a única garota com quem ele conversava. Então, bem... leia.”
Corri os olhos pela sua caligrafia desleixada e pela assinatura lá embaixo, alcançando o post scriptum.
P.S.: Diga a ela para encontrar o nosso tesouro.
“Significa alguma coisa?”
Meu coração, até então quietinho no peito, começou a bater forte. Minha cabeça voou para o momento em que perguntei o que faria quando o sótão estivesse arrumado. Decidimos que a melhor opção seria guardar sua grande fortuna em uma tábua solta. Seu tesouro.
“Você se importa se eu der uma olhada no seu sótão? Não vou demorar.”
“Vá em frente.”
Passei pelo homem aos tropeços, puxando a escada e subindo o mais rápido que consegui. O lençol sobre o qual havíamos dormido ainda estava estendido no mesmo lugar. Quando olhei para ele, eu soube.
O empurrei para longe e vi, no chão de madeira, um X pintado de tinta vermelha.
Me agachei, posicionando as unhas nas extremidades da tábua e a puxando para cima. Estava meio solta, exatamente como deveria estar. A puxei. Lá embaixo, suja de terra, estava uma caixa de papelão retangular. Era a caixa da fita de Cinderela que nós havíamos assistido.
Abri com delicadeza. Não queria estragar nada. Despejei as coisas no piso devagar. A primeira coisa que caiu foi a nossa caneta. Depois, vieram as fotos presas por um grampo de papel na última página do livro.
Observei os itens concluídos, todos riscados com a caneta verde. Os riscos ficavam cada vez mais claros à medida que a tinta acabava.
Reparei que só havia quatro fotografias: a que ele tirou enquanto eu pulava na água, a da ponte de Elizabeth Newtton, a minha foto vestindo o vestido vermelho e Iraque nadando com as estrelas.
O nosso beijo havia desaparecido.
Foi quando outra coisa caiu de dentro da caixa. O pedaço de papel havia sido dobrado em quatro pedaços e desfiz a dobradura com cuidado. Era uma página de um livro do Charles Bukowski. O poema se chamava Confissão.
Li o início rapidamente até alcançar as últimas duas linhas. Iraque as havia grifado com a canetinha.
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este
monte de
nada.
no entanto
eu quero que ela
saiba
que todas as noites que dormi
a seu lado
e até mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas
e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora ser ditas
eu te
amo.
Passei o indicador em cima das últimas palavras. A tinta estava tão fraca que era como se a caneta verde acabasse ali. Mas eu a via. Espremendo os olhos marejados, eu vi. Esteve sempre ali.
E, de alguma forma, isso me fez ter certeza de que ele não iria voltar. Coloquei tudo dentro da caixa da Cinderela e apertei contra o meu peito.
Se eu pudesse usar uma metáfora, eu diria que o meu coração era uma janela e que, lendo as últimas palavras que Iraque nunca me disse, ela foi aberta de repente.
Agora, o vento expulsava tudo para fora. Expulsava todas as coisas boas, todas as coisas ruins e, de vez em quando trazia algumas folhas secas ou gravetos que só faziam com que eu me sentisse ainda mais vazia. Mas tudo que foi embora, já esteve aqui um dia.
E a esperança, que foi há tanto, iria voltar.
Dum spiro, spero. (Enquanto respiro, terei esperanças.)
Ai meu Deus. Ai. Meu. Deus. AI MEU DEUS. É tão emocionante pra mim postar esse capítulo. Fico feliz e triste ao mesmo tempo de pensar que a história da Australia, do Russ, do Caribe e do Iraque está finalmente chegando ao fim. Os últimos meses foram absolutamente incríveis para mim, cada comentário, cada voto, cada notificação e cada leiturazinha significou um mundo inteiro. Fez meu coração bater rapidinho. Só posso dizer obrigada. Muito muito muito obrigada por fazer parte dessa história. Parece que foi ontem que eu peguei o globo terrestre da prateleira e anotei os meus nomes de países favoritos, que acabariam se tornando algo tão importante. Ai, meu Deus. Todo mundo pronto? Eu não estou.
P.S. Quero ver esse capítulo entupido de comentários, hein? Quero saber o que vocês acharam desse mundinho <333
CAPÍTULO 20
O maior abismo do mundo está na Noruega. Uma falésia cênica a 700 metros de altura do rio Ringedalsvatnet, o que equivale a um prédio de 460 andares, uma pilha de 92 hospitais iguaizinhos a esse. A vista periférica é espetacular, e suponho que valha a pena as dez horas de viagem de ida e dez de volta. O vento contra o seu rosto tão perto das nuvens. Uma brisa simples não vale muita coisa, mas será que uma rajada poderosa poderia te derrubar?
Eu olhava para aquelas mesmas paredes da sala de espera há tanto tempo que chegava a doer. Era um lugar frio. No início, o hospital psiquiátrico era também. Mas lá, havia Iraque, Russ e o meu irmão, ainda que eu não pudesse vê-lo. Gente que aquecia o meu coração.
Iraque estava aqui também. Mas um abismo enorme nos separava.
Quando eu o vi naquele estado, pensei que estivesse morto. Pensei que eu estivesse morta. Quase pude sentir todas as minhas células sendo degradadas, a energia morrendo e o oxigênio acabando. Cambaleei até a ambulância e alguém parou para perguntar se eu estava bem. Que destino infeliz.
Eu só queria dizer a ele que o amava e, agora, estávamos ambos na emergência do hospital.
Romeu e Julieta sentiriam inveja de nós.
Fitei o relógio na parede. O sol nasceria em breve. Tirei alguns cochilos na cadeira desconfortável, mas não dormi bem. Apavorada, sequer pensei em ligar para o meu pai de um telefone público e dizer a ele que não chegaria a tempo para jantar. O deixei sozinho outra vez.
Ouvi passos e pensei que fosse Russ. Mas era o pai de Iraque. Ele me fitou por algum tempo, e então se sentou na cadeira opaca ao meu lado. Havia um vaso com uma flor ao lado de seu assento, mas era de plástico. Uma violeta de plástico.
O sol recente da manhã ia na direção dos meus olhos, e os fechei por um instante. “Quando as violetas rugirem para o sol, elas nos libertarão.”
"O que houve?" Ele perguntou, ligeiramente sem fôlego.
"Por favor, Sr. West, pare de falar. Estou tentando decidir se você vai conhecer o meu dedo médio ou o meu punho inteiro."
"Você tem todo o direito de me odiar." O homem proferiu devagar. "Mas ele é o meu filho. Me diga o que aconteceu."
Eu suspirei, esfregando as têmporas.
"A pressão dele tinha caído e o coração passou a bombear o sangue com mais lentidão. Você sabe, quando o coração bate devagar, a pressão pode cair até deixar de existir. A cabeça fica no alto, então é difícil levar oxigênio até lá. Quando a pressão caiu de repente, Iraque desmaiou. A cabeça ficou na altura do coração, assim seria mais fácil para o bombeamento de sangue. Mesmo assim, quando o encontraram na rua perpendicular à da minha casa, ele estava quase morto. Batimentos cardíacos quase nulos. Está no quarto 444, conectado no soro e no oxigênio. Está estável e ficará bem, mas só poderemos entrar depois que ele acordar."
"Ele estava na rua da sua casa?"
"A rua perpendicular." Engoli seco, olhando para o chão. "Desculpa."
Eu precisava dizer isso a alguém. Eu precisava.
"Não foi culpa sua, Australia."
Nesse momento, a enfermeira de plantão passou por nós. Ao ver Tiberius ao meu lado, parou de andar. Eu já havia falado com ela tantas vezes que sabia que seu nome era Jeanine.
"O senhor deve ser o pai de Iraque." Jeanine disse, sem fôlego, e deu uma olhada em sua prancheta. "A pressão arterial do seu filho caiu. Presumo que o senhor compreenda que, com a pressão baixa, o coração bombeia o sangue com mais lentidão. Ele bate devagar, e a pressão pode cair até deixar de existir. A cabeça fica no alto, então é difícil levar oxigênio até lá. Quando houve a queda, Iraque desmaiou. A cabeça ficou na altura do coração, assim seria mais fácil para o bombeamento de sangue. Ainda assim, quando o encontraram na rua, ele estava quase morto. Batimentos cardíacos quase nulos. Está no quarto 444, conectado no soro e no oxigênio. Está estável e ficará bem."
Tiberius me olhou, surpreso, e acho que sequer ouviu a mulher dizer que ela precisava ir e que um profissional entraria em contato em breve com novas informações. Ela me encarou com desprezo e resisti ao impulso de mostrar-lhe a língua como uma criança. Dei de ombros.
"Você decorou?"
"Eu pedi para ela repetir tantas vezes que, se eu abrir a boca mais uma vez, acho que ela dá um tiro na minha testa."
O pai de Iraque ajeitou a gravata feia e pigarreou.
"Acho que não fomos apresentados decentemente. Você é a namorada do Iraque?"
Balancei a cabeça em negativa, com um sorriso pequeno nos lábios.
Não fomos apresentados? Sorri maliciosamente. Era como se eu estivesse bêbada. Mas não me lembrava de ter bebido.
"Oh, querido!" Exclamei na velha voz aguda e hedionda daquela noite. Ri secamente pelo nariz e, então, revirei os olhos. "Somos amigos. Iraque e eu, claro. Você e eu não somos nada."
O silêncio do hospital nunca era silencioso. Apenas silencioso o suficiente para ouvir os aparelhos que mantinham as pessoas vivas.
"Sabe, naquela noite, depois de sairmos da sua casa, Iraque me levou ao mar. Ele me mostrou algo inacreditável. Ele me mostrou as estrelas que viviam no céu e despencaram no mar. Ele disse que você o levou naquele lugar, e eu não podia imaginar como era possível."
"Eu costumava ser um bom pai."
"Eu duvido."
Já era sete horas da manhã. Russ surtou quando eu liguei para ele. Disse que chegaria em alguns minutos.
“Você acha que ele me odeia?” Pensei em voz alta.
Eu te odeio. Essa foi a última coisa que eu disse a ele.
Tentei empurrar o pensamento perturbador para longe e olhei para Tiberius, intrigada.
Iraque sempre fez questão de deixar claro que detestava o pai e este, por sua vez, nunca pareceu se importar. Mas seus olhos estavam hesitantes, diferentes de quando eu usava os saltos finos e a voz aguda e hedionda daquela noite, diferente de quando agarrou os ombros de Iraque e diferente de alguns dias atrás, quando me encharcou com a água da chuva e me perguntou se eu era louca. Franzi o cenho.
“Você acha?” Repeti olhando para Tiberius.
Ele respirou fundo antes de responder.
“Ele ama diferente. Ele é diferente.”
Sorri, fitando minhas mãos.
“Tem razão. Não é todo mundo que fala latim.”
“Quem você acha que ensinou para ele?” Fez uma cara de orgulho.
Não era possível que Tiberius fosse o responsável pelos provérbios em latim. Mas ele ergueu uma sobrancelha, em desafio.
“Eu traduzo obras literárias, documentos históricos. É meu trabalho.”
“Mas o latim é uma língua morta.”
“Eu gosto de dizer que o latim é uma língua adormecida."
"Somnus est frater mortis.” (O sono é parente da morte.)
“Como sabe disso?”
"Eu também sou diferente."
Eu estava prestes a me levantar e ligar para Russ outra vez quando um homem alto apareceu. Ele nos cumprimentou e perguntou se estávamos lá para ver Iraque Bernard West. Não prestei muita atenção nas suas palavras. Estava prestando atenção em suas feições. Era o mesmo médico que buscara Caribe na casa de Done há um mês.
Tiberius se levantou depressa, e eu não fui capaz de me mover, observando-os como um vegetal.
“Ele está bem. Está acordado. Está vivo.” Troquei um olhar com Tiberius, me lembrando do provérbio. O médico suspirou, e tirou algo do bolso. “Encontramos isso no bolso dele. São medicamentos autorizados que diminuem a pressão arterial. Fizemos alguns exames e olhamos o histórico de Iraque, mas não encontramos nada relacionado a hipertensão.”
“A mãe dele tinha.” Tiberius disse, mas o médico balançou a cabeça.
“Mas ele não tem. O frasco tinha cem comprimidos e está vazio. Receio ter de dizer que estou um pouco preocupado.”
Eu e o seu pai assimilamos juntos o que se passava ali.
“Acha que Iraque tentou se matar?” Perguntou Tiberius, a voz estranhamente aguda.
“Não temos certeza. Ainda não perguntamos a ele.”
“Não.” Interferi, me levantando. “Ele tem pesadelos. Desde o acidente, ele mal consegue dormir. Não faço ideia de como descobriu que estes remédios aliviavam os sonhos, mas ele os engole a noite antes de dormir. Quando desligaram os aparelhos... ficou pior. Os pesadelos triplicaram. Acho que ele duplicou a dose, mas não foi suficiente. Ele deve ter tomado muitos de uma vez. Ah, meu Deus.”
Passei os dedos pelos cabelos com força, como se fosse arrancar todos eles. Ah, meu Deus. E se eu pudesse ter evitado? E se eu o houvesse impedido de tomar todos aqueles comprimidos? No dia anterior à noite que passamos no sótão, foram três.
Como isso pode acontecer?
Ou eu simplesmente estava errada. Um erro provocado pela esperança. Não ouvi direito as próximas palavras do médico. E se ele realmente tentou cometer suicídio? Sentiu tanto medo do sono perturbado que desejou dormir para sempre. O sono é parente da morte, afinal. Levei a mão à boca enquanto sentia meus olhos se molharem.
Por favor, não chore, eu implorava a mim mesma.
“Apenas a família está autorizada a entrar. Fui informado de que um de vocês terá que esperar aqui.” Ouvi o médico dizer. Eu estava distante, mal pude trincar os dentes. Maldita Jeanine. “Qual dos dois é parente de Iraque?”
Engoli em seco, e Tiberius respondeu por mim.
“Ela é a irmã dele. Eu sou apenas um amigo da família.”
O homem assentiu e eu arregalei os olhos.
“Vá em frente.”
Tiberius se sentou novamente, esperando que eu fizesse alguma coisa. Fiquei imóvel, sem ação. Não tinha voz para agradecer. Eu nunca entenderia aquela família.
Minha coragem deixou meu corpo lentamente quando me vi em frente ao quarto 444. Engoli em seco, fitando a porta entreaberta. Bati duas vezes e, alguns segundos depois, a empurrei. Após abrir uma fresta de uns quinze centímetros, a beirada da porta se chocou com algo dentro do quarto.
"Iraque?"
Atrás da porta, Iraque fechava o zíper da calça. Ele não estava usando uma camisa e só olhou para mim quando entrei pela fresta e fechei a porta.
"Ah. Oi." Iraque atravessou o quarto. "Você viu a minha camiseta?"
"O que você está fazendo?"
"Indo embora." Falou, mas soou como uma pergunta.
"Você não pode ir embora. Você acabou de passar por uma lavagem de estômago."
"Eles enfiaram uma sonda pela minha garganta, mas eu estava apagado e não vi nada. Estou legal agora." Ele revirou os lençóis do leito no canto do quarto, irritado. "Porra, eu não consigo encontrar."
De repente, me senti completamente traída. Foi como uma facada. Ele não estava nem aí. Eu estava morrendo, e ele não estava nem aí.
Havia mesmo sido um acidente? Mesmo que tenha sido, ele não podia ter deixado acontecer. Ele não tinha o direito de deixar acontecer. Ele não poderia ter deixado aquilo acontecer por mim. Porque faltava apenas uma gota d’água para eu transbordar, e esse momento parecia ser agora. Meus olhos começaram a lacrimejar.
“Por que foi que você fez isso?” Eu perguntei, inconformada. “Que bosta, por que fez isso comigo?”
Iraque parou o que estava fazendo e soltou uma rouca risada sarcástica.
“É isso? Não vai sequer perguntar como eu estou?”
“Para quê? Para pedir para usar uma metáfora? Ótimo, Iraque, use quantas metáforas quiser. Não me importa. Você não devia ter feito isso! Você quase morreu!”
“Já estou morto.”
“Não está para mim!” Repliquei. “A vida não é justa com ninguém, sabia? Eu sei que estava tendo sonhos horríveis, eu sei. Mas as pessoas se agarram a outras pessoas, se agarram a sentimentos, é assim que elas sobrevivem!”
“Eu já disse. Eu não estou vivo!”
“E eu disse que você está vivo para mim!”
“Eu não quero!” Ele berrou. "Eu não pedi por isso."
“Não é uma escolha! Você é um ser humano. Por que deixou que o mundo fizesse isso com você?”
“Você sabe o porquê. Eu contei tudo a você!”
“Eu contei tudo a você também. Deixei você entrar, deixei você me fazer bem!”
“Eu não pedi por nada disso.” Sua voz era ríspida, e eu ergui uma sobrancelha.
“Não pediu, Iraque? Você é o meu ‘momento feliz’.” Imitei, com uma careta. “Não se pode dizer isso para alguém e depois partir seu coração.”
“Na verdade, eu posso. Já se esqueceu? Eu disse a você antes de tudo. Disse que eu iria ferir seus sentimentos, disse que iria partir seu coração. Talvez agora, que a merda toda já foi feita, você não cometa mais erros como esse. Mais erros como eu.”
Ele respirava pesadamente, e eu, também. Estava perto. Iraque caminhou até mim e seu rosto quase tocava o meu.
“Você precisa...” Eu disse, umedecendo os lábios com calma. “Precisa estar vivo para sair do hospital. Precisa estar vivo para se casar na praia, fazer sexo antes do café da manhã, tomar café da manhã, fazer sexo depois do café da manhã. Precisa estar vivo, por favor, não faça isso.”
Toquei a região de seu braço pouco acima de seu cotovelo. Reparei que havia tinta verde mal lavada no seu pulso. Ele recuou e eu balancei a cabeça.
“A que ponto chegamos? Brigando pela sua vida?” Eu disse calma.
“Eu nunca pedi para se importar com a minha vida.”
“Você nunca pediu para sua mãe morrer, e veja o que aconteceu.”
“Pare!” Urrou.
“Não! Pare você! Pare de afastar todo mundo!” Segurei seu queixo, porque o garoto se recusa a olhar nos meus olhos. “Iraque, eu amo você. Por favor, não me faça chorar por você.”
Ambos congelamos. Em voz alta, era como uma sentença de vida.
“Você não me ama."
“Eu amo você. Ab imo pectore.” (Do fundo do meu coração)
“Cale a boca, você não sabe o que está dizendo." Iraque riu. Riu da minha cara. "O amor vai destruir você."
“Você está errado. Amor demais nunca é demais”
Seu riso se transformou em uma grande gargalhada. Ele se afastou para segurar a barriga e eu apenas o encarava, segurando as lágrimas. Eu estava despedaçada.
“Amor demais nunca é demais?” Ele indagou, quando finalmente parou de rir como um psicopata. “É, sim, Australia. O amor é exatamente como a dor. Ambos são capazes de fazer um coração explodir. Não faz diferença, entende isso? Se você enche um copo de gasolina e um de ácido sulfúrico, ambos vão transbordar. A diferença é que um queima, e o outro corrói. Você se fode do mesmo jeito.”
Fechei os olhos. Não podia acreditar no que estava acontecendo. Quem era o idiota? Ele ou eu?
“Iraque. Por favor.” Antes que dissesse qualquer coisa, agarrei sua mão e a posicionei sobre onde deveria estar meu coração. Um monte de músculo e sangue. Não parece tanta coisa assim. “Está vendo isso?”
Ele balançou a cabeça e suspirou. Seus dedos se mexeram sobre minha blusa, mas ele não removeu a mão.
“É o seu coração.” Falou, em tom levemente vociferado. Foi a minha vez de rir.
“Não. É seu. Sempre foi. Desculpe se eu demorei tempo demais para descobrir; ele é seu. Por favor, não o quebre. É a única parte de mim que eu gosto de verdade. É o meu único momento feliz.”
Iraque se aproximou e pensei que eu havia ganhado. Era isso. Uma guerra. Eu contra ele. Australia contra Iraque e vice-versa. Havia algo errado nesse romance.
Ele estava perto demais. Seu nariz tocava o meu, sua testa tocava a minha, seus lábios quase tocavam os meus. Fechei os olhos. Aquela seria a última vez que eu tentaria honrar a minha dignidade, preservar aquele estoque estúpido de lágrimas.
Eu era fria, mas ele era quente. Ele tinha a capacidade de me derreter, mas também tinha a capacidade de me queimar.
Seus lábios se abriram um pouco.
“Vá embora.”
“Não faz isso.”
"Vá embora.” Repetiu, pausadamente.
Desviei os olhos para a janela, e o sol faz com que eu lacrimejasse.
"Por que está me afastando?"
"Nem tudo é sobre você." Ele gritou, tirando a mão do meu peito e caminhando até sua mochila azul. "Isso nunca foi sobre você! Quer fazer com que isso seja sobre você? Você quer que eu machuque você?"
"Não." Balbuciei. "Eu só quero saber a verdade."
"A verdade é que nunca houve lista alguma. Eu inventei tudo."
Meu rosto queimou como se eu estivesse sendo estapeada.
"Como assim?"
"Dr. Thomas conhece as pessoas. Ele sabia que eu faria de tudo para ir embora e que você faria de tudo para falar com Caribe. Mas você não podia falar com ele."
"Você sabia. Sabia que ele não queria me ver o tempo inteiro. Por que ninguém me contou?"
"Porque você é frágil! Isso acabaria com você!"
"Eu não sou frágil!" Esbravejei.
"É, sim. Dr. Thomas sabia disso e disse que, se eu impedisse você de entrar em contato com ele, eu receberia alta."
Eu não conseguia respirar. Era demais para mim. Era como se eu fosse Atlas, o titã da mitologia grega que precisava carregar o peso do mundo.
O mundo estava me destruindo. Esmagando meu corpo.
"Você não fez isso." Sussurrei, e soltei uma risada fraca. "Você não faria isso comigo. Está mentindo. Por que está mentindo para mim?"
Ele balançou a cabeça, me olhando com pena. Então, enfiou o braço no fundo da mochila e tirou um envelope marrom feito com papel reciclado e um grampeador com grampos prateados enferrujados.
"Não é mentira." Iraque me estendeu o envelope e eu o peguei com as pontas dos dedos, que tremiam tanto que ele quase caiu no chão. "Eu lamento."
Abri o envelope, ainda que já soubesse o que havia lá dentro. Tiro a metade da fotografia que eu e Caribe tiramos quando fugimos para ver as estrelas. A fotografia que Iraque jurou para mim que chegou ao meu irmão.
Limpei a primeira lágrima da bochecha antes que ela caísse e sobre o meio retrato.
Reprimi um soluço, e isso fez com que a minha garganta começasse a doer.
"Odeio você." Empurrei o envelope contra o seu peito com força. Deve ter doído, mas ele não se afastou. Acho que ele sabia que merecia, então bati nele de novo. "Eu odeio você!"
Larguei tudo no chão e disparei para fora do quarto. Esperava encontrar Tiberius sozinho do lado de fora, mas havia mais alguém. Acho que comecei a chorar, porque os ombros de Russ caíram.
"Ele te contou, não contou?"
"Você sabia?" Vociferei. "Como vocês puderam fazer isso comigo?"
"Allie." Ele tentou tocar em mim, mas fugi de seus braços.
"Por favor, me deixa em paz."
Minha visão estava embaçada pelo estoque de lágrimas que vazava pelas minhas pálpebras. Eu estava fugindo. De novo.
Eu me sentia tão frágil quanto Iraque dizia que eu era. Meus pedaços lutavam para correr, mas cada passo fazia com que eles se distanciassem ainda mais uns dos outros e isso me dava a sensação de que eu nunca seria consertada.
Lutei para chegar no lado de fora. Sol. A chuva havia parado e todas as nuvens desaparecido por completo. Minhas mangas compridas ensopadas de lágrimas pegavam fogo. Era um dia tão bonito que não fazia sentido que tudo houvesse acontecido dessa forma. Devia haver até mesmo um arco-íris em algum ponto do céu. Que ótimo.
Como minhas pernas se arrastaram até em casa, eu não sei. Girei a maçaneta, mas a porta estava trancada e eu não havia trazido a chave. Soquei a madeira algumas vezes, mas acabei por apoiar a testa no batente lateral e me deixei me debulhar em lágrimas. Meu rosto doía. O sol queimava em minhas costas. Chorar era uma humilhação exaustiva. Era um saco. E, ao mesmo tempo, era fantástico.
Deixar tudo ir embora, chorar toda a dor que se acumulava no meu coração desde que a minha mãe foi embora. Eu nunca tinha chorado tanto na minha vida.
Acabou. Aut non tentaris, aut perfice. (Para não acabar, é melhor nem começar)
Desejei nunca ter conhecido Iraque, e me perguntei como as coisas poderiam ter sido diferentes se eu houvesse dito não quando ele propôs que vivêssemos experiências juntos em troca de comunicação com Caribe.
Eu daria qualquer coisa para voltar no tempo e fugir dessa rede egoísta de mentiras.
Respirei fundo, a água dos olhos parando de escorrer aos poucos. Em algum momento, tudo o que restou foram soluços vazios. Contra a parede, meus ombros se mexiam sem parar. Respirei fundo, decidindo que eu devia parecer ridícula, chorando no meio da rua. Era hora de abrir os olhos, engolir o choro e encontrar um jeito de entrar em casa.
“Por que você está chorando?”
Ao ouvir as palavras, senti vontade de começar tudo de novo.
"Russ, eu quero ficar sozinha." Disse, pressionando a testa contra a porta de casa.
"Uau." Disse ele, e franzi o cenho, porque a voz soava mais aguda que a de Russ. "Eu fico fora por menos de trinta dias e você esquece o tom da minha voz?" Me virei em sua direção, chocada.
“Ah meu Deus, Caribe!”
É. Chorar é uma droga. Meu choro havia encharcado minha camisa, e agora encharcava a camisa do meu irmão.
Dizem que as lágrimas de alegria são doces, e as de tristeza, salgadas. Se fosse verdade, eu era um recipiente de molho agridoce. Eu o apertava tão forte que talvez ele precisasse voltar para o hospital e conseguir um cilindro de oxigênio. Mas não agora. Estava inteiro, eu podia tocá-lo.
Estava bem ali.
“Desculpe.” Eu balbuciei. “Desculpe, desculpe.”
“Allie, você vai ter de escolher entre falar ou chorar.”
Ri um riso abafado em seu ombro. Eu me permitia acreditar que tudo ficaria bem. Eu precisava acreditar. E eu não precisava acreditar nisso sozinha. Não hoje. E não amanhã.