A ansiedade me torna uma pessoa completamente instável
tudo me afeta, meus pensamentos me sufocam.
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@proibido-se-apegar
A ansiedade me torna uma pessoa completamente instável
tudo me afeta, meus pensamentos me sufocam.
“Os piores momentos são os melhores pra saber quem tá do seu lado.”
— Elite.
“Você me trocaria até por um cigarro, e você não fuma.”
— Robin and Stubb.
“Eu não quero te consertar. Nunca quis. Quero é provar que podemos ser exatamente assim, cheios de defeitos e sem nenhuma garantia. Invisíveis para o resto mundo, mas o suficiente um para o outro.”
— Depois dos Quinze.
p.
não importa para qual parte do mundo eu vá em todos os lugares faço a mesma coisa: procuro um parque abro um livro penso em você
Antes de escrever eu escovo os dentes, não tenho certeza do motivo nem acho que qualquer ritual necessite de uma explicação. Não beijo as palavras e tão pouco elas gostariam de ser beijadas, mas é melhor estar pronto, evita ser pego de surpresa, cansei de encontrar a pessoa mais incrível do bairro no momento em que estou de pijamas passeando com o cachorro (antes de passear com o cachorro também escovo os dentes). Embalado pelo sabor de menta na boca começo a escrever sobre nós dois, assim, como tem sido nos últimos anos, nunca juntos: ou escrevo sobre você ou escrevo sobre mim. Hoje, parece ser a minha vez. Sentado em frente ao computador tento pensar na pessoa mais incrível do bairro, na minha família, nos amigos e até num passado que vem antes da nossa história, mas você sempre tenta roubar o meu dia, invadindo as palavras. Quando acho que estou falando sobre mim, estou na verdade contando sobre a sua ausência e, paro, me entrego, faço outra coisa. Vou aproveitar que escovei os dentes para passear com o cachorro.
Ficar em casa me fez notar que compro discos demais para quem coloca sempre os mesmos para tocar. Não somente os discos, assisto também uma porção de roupas paradas no armário. Para que tantas se uso sempre a mesma combinação: preto quando estou inseguro e florido quando a pretensão é maior que a lua que cuida da noite. Tudo acompanhado do mesmo jeans, uma calça acostumada a assistir as vitórias e derrotas de uma vida que faz o possível para entregar novidades, enquanto insisto em repetir músicas e vestuário. Também sou viciado em rever filmes e reler livros, como quem repete os sentimentos, decorando falas e versos, sentindo-se confortável em saber o caminho e o fim. Posso passar uma tarde contando a lista dos meus repetecos: vinho, sabor de pizza, marca do sabonete e um amor. Isso, um amor, sempre o mesmo, e não cito o nome e sobrenome pois aqui não há confusão, é um só, tem sido chamado assim faz tempo. Tenho a esperança de que o nome mude ou alguém roube o nome para si, acredito que possa acontecer, ainda que com poucas chances, o que tenho certeza é que será mais fácil surgir um novo amor do que desfazer-me da minha calça favorita.
Quinze segundos de uma imagem de pouco movimento: a sua mão protege dos raios solares somente meio rosto, os olhos estão na sombra enquanto a boca brilha, queimando, você sorri. Impossível saber quantos quilômetros daqui e quantos sorrisos nos acompanharam nesse momento de surrealidade. Por prudência, me desliguei, fui fazer coisas da vida, coisas que ainda se faz fora do celular: lavei a louça e estendi a roupa. Não foi uma fuga por medo, não acredito que me apaixonaria por uma imagem, mas acredite, enquanto os segundos passavam, o sol a mim também queimava. Senti o calor. Corri. Como se fosse possível fugir de um pensamento. Sentado no chão enquanto revivia a sua foto que sorria, notei que as roupas já haviam secado. Não sei dizer quanto tempo se passara entre o momento em que o sol me apresentou o seu sorriso e secava as minhas camisas, mas foi como se naquela tarde, o Sol todo trabalhasse apenas para mim.