Na sua opinião, como seria o modelo ideal de educação?
Edgar Morin: A figura do professor é determinante para a consolidação de um modelo “ideal" de educação. Através da Internet, os alunos podem ter acesso a todo o tipo de conhecimento sem a presença de um professor.
Então eu pergunto, o que faz necessária a presença de um professor? Ele deve ser o regente da orquestra, observar o fluxo desses conhecimentos e elucidar as dúvidas dos alunos. Por exemplo, quando um professor passa uma lição a um aluno, que vai buscar uma resposta na Internet, ele deve posteriormente corrigir os erros cometidos, criticar o conteúdo pesquisado.
É preciso desenvolver o senso crítico dos alunos. O papel do professor precisa passar por uma transformação, já que a criança não aprende apenas com os amigos, a família, a escola. Outro ponto importante: é necessário criar meios de transmissão do conhecimento a serviço da curiosidade dos alunos. O modelo de educação, sobretudo, não pode ignorar a curiosidade das crianças.
Quais são os maiores problemas do modelo de ensino atual?
Edgar Morin: O modelo de ensino que foi instituído nos países ocidentais é aquele que separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. E não é o que vemos na natureza. No caso de animais e vegetais, vamos notar que todos os conhecimentos são interligados. E a escola não ensina o que é o conhecimento, ele é apenas transmitido pelos educadores, o que é um reducionismo.
O conhecimento complexo evita o erro, que é cometido, por exemplo, quando um aluno escolhe mal a sua carreira. Por isso eu digo que a educação precisa fornecer subsídios ao ser humano, que precisa lutar contra o erro e a ilusão.
Qual a sua opinião sobre o sistema brasileiro de ensino?
Edgar Morin: O Brasil é um país extremamente aberto a minhas ideias pedagógicas. Mas, a revolução do seu sistema educacional vai passar pela reforma na formação dos seus educadores. É preciso educar os educadores. Os professores precisam sair de suas disciplinas para dialogar com outros campos de conhecimento. E essa evolução ainda não aconteceu. O professor possui uma missão social, e tanto a opinião pública como o cidadão precisam ter a consciência dessa missão
Leia a entrevista completa no site Fronteiras do Pensamento]
Entrevista realizada por Andrea Rangel/O Globo - 02.01.2017
Edgar Morin, (Paris, 8 de julho de 1921), é um antropólogo, sociólogo e filósofo francês. É considerado um dos principais pensadores contemporâneos e um dos principais teóricos do campo de estudos da complexidade, que inclui perspectivas anglo-saxônicas e latinas. Sua abordagem é conhecida como "pensamento complexo" ou "paradigma da complexidade".
O sistema tradicional de educação foi projetado na era industrial e agora está desatualizado e ineficaz. A Next Scholl criou uma animação mostrando alguns desses problemas. Confira o vídeo!
Na sociedade da informação, a escola deve servir de bússola para navegar nesse mar do conhecimento, superando a visão utilitarista de só oferecer informações “úteis” para a competitividade, para obter resultados. Deve oferecer uma formação geral na direção de uma educação integral. O que significa servir de bússola? Significa orientar criticamente, sobretudo as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer e não embrutecer.
Nesse contexto, o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos.
Moacir Gadotti é professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) desde 1991 e diretor do Instituto Paulo Freire em São Paulo.
Esse trecho foi retirado do seu artigo Perspectivas atuais da educação, publicado em 2000.
GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra. São Paulo, Peirópolis, 2001. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre, Armed, 2000
As dúvidas temporárias foram respondidas considerando duas etapas. Primeiramente realizamos uma pesquisa bibliográfica e, após, criamos um questionário para enviarmos aos professores, alunos e demais membros da comunidade escolar.
Contamos com a participação de 28 entrevistados, sendo que 42,9% dos entrevistados eram professores, 46,4% alunos e 10,7% membros da comunidade escolar.
Gráfico 1: Elaborado pela comunidade de pesquisa.
Resultados e discussões
Os professores têm autonomia para mudar os planos de aula?
Quando perguntado aos entrevistados se eles veem o professor trabalhando de forma livre e autônoma em relação aos conteúdos que são aplicados em sala de aula, 3,6% não souberam opinar, 17,9% responderam que Sim, 25% responderam que Não e 53,6% responderam “Um pouco”. Com isso, podemos avaliar que a maioria dos membros da comunidade escolar acredita que os professores têm pouca liberdade na sala de aula.
Considerando Behrens (2015), ela cita que a nova realidade da sociedade do conhecimento tem desafiado o professor a repensar a prática pedagógica e se tornar um investigador, articulador, mediador e pesquisador crítico e reflexivo. Nesse contexto, além de um profissional competente, precisa tornar-se um cidadão autônomo e criativo que saiba solucionar problemas e manter constante iniciativa para questionar e transformar a sociedade.
Entendemos, portanto, que possivelmente o professor tenha não só a autonomia, mas a necessidade de fazê-lo (mudar o plano), uma vez que problematizando o aluno, novas dúvidas, bem como novas certezas, sempre irão surgir, forçando positivamente o professor a reeducar-se perante essas situações.
Como a comunidade escolar reagiria às mudanças no método de ensino?
Primeiramente questionamos se os participantes acreditam que a comunidade escolar está aberta para que mudanças aconteçam. As respostas mostraram que 60,7% dos entrevistados não veem a escola aberta para mudanças.
A outra questão, buscava saber se quando o professor muda seu método de ensino, ele tem o apoio da comunidade escolar. A maioria dos entrevistados votaram negativamente (42,9%). Portanto, a partir dos questionamentos, verificamos que a comunidade escolar não apoia nenhum tipo de mudança, ou seja, não reage de forma positiva a nenhuma tentativa de mudança.
Dessa forma, inferimos que os professores estão desamparados da comunidade para realizar alterações nos métodos, mantendo-os tecnicistas e sem estímulos aos métodos ativos. Sabemos que a estimulação da pesquisa é importantíssima, assim como citado por Behreins (2015), a docência deve se resumir em aprender a aprender, isso significa, segundo os autores, ressignificar a educação, provocar o aluno a acessar as informações, na literatura e na web.
Como os alunos reagem com o fato de serem protagonistas do seus próprios conhecimentos?
Para responder essa questão, perguntamos se os entrevistados veem os alunos com liberdade de opinar e acrescentar nos temas propostos em sala de aula, os entrevistaram responderam que Sim, com 50% dos votos. Quando questionados sobre a autonomia dentro da sala de aula e se eles têm a liberdade de opinar e acrescentar nos temas propostos em aula. As respostas foram quase equivalentes, 39,3% dos entrevistados responderam que Sim e 32,1% responderam que não. Perguntamos ainda, se os entrevistados veem os alunos serem respeitados de acordo com as suas diferenças na aprendizagem e as respostas foram proporcionais entre Não e Um pouco com 35,7% das respostas. Com isso, podemos concluir que a maioria dos participantes veem os alunos com liberdade e autonomia suficientes para acrescentar nos temas propostos em aula.
Notamos aqui uma diferença da educação tradicional, onde o aluno deve apenas receber, decorar e interpretar como quiser a informação recebida, processo esse que ocorre de maneira totalmente diferente nas comunidades de aprendizagem e nos ambientes virtuais. Para Fagundes et al. (2015), os conceitos e os sistemas conceituais dos aprendizes que sejam ativados na formulação de problemas sobre o contexto de seu ambiente de vida, passam a orientar suas buscas de informações em outros múltiplos e variados contextos.
A autora complementa afirma também que a interação e a problematização do aluno é importante para formar pensamento crítico, bem como a condição apresentada é fundamental e indispensável para tornar-se cidadão, para viver e conviver numa sociedade conectada. Bem como modificar e reconstruir os sistemas conceituais dos aprendizes.
Para que a mudança não seja realizada de forma agressiva e radical, como podemos elencar as prioridades a serem transformadas, visando uma espécie de passo a passo para essa mudança?
Perguntamos aos entrevistados como eles sugeriram essa mudança e por onde ela deveria começar. Os membros da comunidade escolar, com 85,7% dos votos, opinaram que a mudança deve vir inicialmente do professor, contemplando a sua formação e a sua autonomia em sala de aula. Em segundo lugar, com 82,1%, os entrevistados elegeram que a mudança deve acontecer no currículo escolar, adaptando as disciplinas e o currículo, dos entrevistados que elegeram que as mudanças devem acontecer na escola, mudando suas diretrizes e estrutura, foram 78,6% dos votos.
Em posse dessas informações, buscou-se na literatura, uma alternativa de mudança que parecesse significativa e os achados sugerem a criação de projetos de aprendizagem, onde para Fagundes et al. (2015), o primeiro passo é selecionar uma curiosidade. A seguir é feito um inventário dos conhecimentos dos alunos sobre a questão, classificados em dúvidas e certezas. As certezas para as quais não se conheça os fundamentos que a sustentam são denominadas de provisórias. As dúvidas são sempre temporárias.
O processo de investigação consiste no esclarecimento das dúvidas e na validação das certezas.Ou seja, fornecemos desta maneira, a possibilidade do aluno aprender através dos problemas advindos da realidade.
Considerações
Contudo, podemos concluir que os alunos estão com autonomia suficiente para que haja uma mudança nas metodologias utilizadas em sala de aula e que essa mudança é necessária. No entanto, percebemos que os professores não possuem apoio e liberdade suficiente para que as mudanças aconteçam. Esse tipo de pesquisa envolvendo os protagonistas da aprendizagem, são importantes para que esse debate aconteça. E as opiniões são unânimes quando pensamos que qualquer mudança de paradigma deve partir do debate, visto que a educação não pode ser pensada para um grupo homogêneo, mas respeitar e aceitar toda e qualquer diferença que existe no processo de aprendizagem de cada um.
Referências:
DA CRUZ FAGUNDES, Léa et al. AMADIS–Um Ambiente Virtual para apoio ao Desenvolvimento de Projetos de Aprendizagem. In: Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação-SBIE). 2005. p. 298-308.
BEHRENS, Marilda Aparecida. Metodologia de projetos: Aprender e ensinar para a produção do conhecimento numa visão complexa. Coleção Agrinho (s/d), 2015.
Seguindo a metodologia apresentada anteriormente, utilizaremos os recursos abaixo para responder cada uma das dúvidas levantadas pela Comunidade.
Os professores têm autonomia para mudar os planos de aula?
(Questionário virtual com professores e pesquisa bibliográfica)
Como a comunidade escolar reage às mudanças do método de ensino?
(Questionário virtual com alunos ou/e outros membros da comunidade escolar)
Como os alunos reagem com o fato de serem protagonistas do seus próprios conhecimentos?
(Questionário virtual com alunos)
Para que a mudança não seja realizada de forma agressiva e radical, como podemos elencar as prioridades a serem transformadas, visando uma espécie de passo a passo para essa mudança?
(Pesquisa bibliográfica e questionário virtual com professores)
Após o levantamento dos dados, os resultados serão analisados e discutidos pelo grupo.
A metodologia utilizada para responder as dúvidas temporárias considera duas etapas. No primeiro momento, a Comunidade realizará uma revisão de bibliografia, contemplando textos didáticos e/ou científicos sobre o tema do projeto para que, desta forma, tenha uma visão mais abrangente e contribua para o aporte teórico da pesquisa. Na segunda etapa, serão enviados questionários virtuais aos professores, alunos e contatos pessoais, a fim de conhecer suas percepções e experiências a respeito dos métodos de aprendizagem aplicados tradicionalmente. Ao concluir essa etapa, será elaborado um índice de acordo com os resultados. A partir dos dados coletados, juntamente com a pesquisa realizada anteriormente, os dados serão analisados e discutidos, de modo a responder as dúvidas temporárias.
As dúvidas temporárias se tornarão, portanto, propostas de resolução para a pergunta central do Projeto Piloto. Posteriormente, isso será discutido dentro da comunidade e se formarão propostas definitivas para a resolução da problemática apresentada.
O mapa conceitual foi construído com base nas premissas levantadas pelo grupo de pesquisa. A questão norteadora, “Por que as escolas tratam a aprendizagem de forma mecânica e não significativa?”, foi o tema central e, a partir disso, criamos apontamentos que são ligados às certezas provisórias levantadas pelo grupo.
Este projeto de aprendizagem tem como objetivo investigar de que forma podemos tornar a aprendizagem mais significativa e menos tecnicista, a partir de revisão bibliográfica e entrevistas.
Até o momento, o estudo está sendo norteado por uma pergunta primária, algumas certezas provisórias e dúvidas temporárias.
Pergunta:
Por que ainda as escolas tratam a aprendizagem de forma mecânica e não significativa?
Certezas provisórias:
Vivemos em uma sociedade que valoriza em excesso apenas os fatos e não a reflexão sobre eles.
Temos baixos índices de leitura no país, tanto de textos analíticos quanto de ficção.
A educação atual é fragmentada e, por isso, não produz sentido.
Temos em nosso país um grande número de analfabetos funcionais, pessoas que sabem ler e escrever mas que possuem uma grande dificuldade no interpretar e no discernir e podemos dizer que esse é um dos efeitos produzidos pela educação fragmentada e mecânica.
O verbo principal da educação ainda é transmitir, pois o professor é visto como o detentor do conhecimento e irá transmití-lo para seus alunos, não há então uma construção de conhecimentos entre os envolvidos.
Dúvidas temporárias:
Os professores têm autonomia para mudar os planos de aula?
Como a comunidade escolar reage às mudanças do método de ensino?
Para que a mudança não seja realizada de forma agressiva e radical, como podemos elencar as prioridades a serem transformadas, visando uma espécie de passo a passo para essa mudança?
Como os alunos reagem como o fato de serem protagonistas do seus próprios conhecimentos?
A partir dessas informações, elaborou-se um mapa conceitual prévio.